ESTRATÉGIA Nº 2
A segunda estratégia também fora elucidada por Aristóteles em seu "Tópicos" (1, 13), e trata-se da HOMONÍMIA. Em um signo linguístico, temos o significado, ou seja, a ideia em si, e o significante, ou sua imagem acústica. A junção de ambos compõe o signo linguístico, ou seja, há a ideia e a vocalização da palavra que se juntam de forma arbitrária. Em outras palavras, uma palavra uma vez designando uma ideia, ficará "grudada" eternamente. Uma vez compreendido isso, fica muito mais fácil compreender a estratégia nº 2. Enquanto em sinônimos temos significantes diferentes com o mesmo significado, em homônimos temos significantes idênticos com diferentes significados. Comumente é usada a homonímia para desviar a atenção de algo específico, ampliando sobremaneira o alcance do conceito, que pode ter algo a ver ou simplesmente nada a ver, com o conceito original, para em seguida refutar esse alcance de forma bem agressiva, transmitindo assim a ideia de que refutamos o conceito original. Em outras palavras, usam a mesma palavra, mas refutam o conceito diferente, passando assim a ideia de terem conseguido destruir o argumento do conceito original. Peguemos como exemplo a noção de preconceito defendida por Dalrymple. Há um livro do mesmo onde este defende a ideia de que o preconceito é necessário, dado que o mesmo fornece dados para a relação com a realidade. O mesmo refuta claramente o uso do preconceito de forma destrutiva, como no caso de racismo, por exemplo, mas se apega a uma noção de um instrumento para relação com o mundo. Infelizmente o signo "preconceito" fora associado sempre a um significado pejorativo, e defender o preconceito, mesmo que seja com o outro significado, é tarefa hercúlea, e provavelmente, se tal debate ocorrer, o outro lado usará a homonímia para tentar fazer sua desconstrução. Vamos ficando atentos. Até a próxima estratégia.
André Marroig
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terça-feira, dezembro 31, 2019
ESTRATÉGIA Nº 2.
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sexta-feira, agosto 16, 2019
A cosmoterapia. André Marroig.
É incrível a insuportabilidade diante do poder pátrio e a incapacidade de se aceitar uma relação assimétrica. Perdoem-me. Serei mais específico. O desamparo humano e a necessidade de ter de se submeter a um saber externo, como o de um médico, para alguns, é insuportável. O médico é cada vez mais odiado na sociedade (devo salientar que não por todos), principalmente quando ele não entrega (e normalmente não consegue) o objeto desejado inconscientemente pelo seu paciente. Ali, quando isso acontece (e é algo bem rotineiro), mesmo que ele tenha feito muita coisa pelo paciente, o mesmo é lançado a uma posição de ódio, onde todo o ganho é reduzido a nada (já que este ganho não se trata do verdadeiro desejo inconsciente). Um dos sintomas disso é a proliferação de terapias que não servem para nada, e que nada apresentam de evidências científicas. Christopher Bollas já nos mostrara que a maioria dessas "terapias", não aleatoriamente, possuem o toque ou a imposição de mãos como elementos presentes. Ao histérico que repulsa sua sexualidade genitalizada em prol de uma sexualidade infantil, difusa e superficialmente direcionada, o toque carinhoso assume o lugar da cópula proibida com as figuras parentais, saciando temporariamente a sede. Assim, juram plenamente efeitos miraculosos dos "toques" impostos, em um conluio histérico que, como nos advertia Freud, somente perpetua o sintoma, mesmo que mascarado em um primeiro momento. Vindo para o trabalho hoje, vi uma nova "clínica" em meu percurso, e a mesma oferecia "cosmoterapia". Mais um templo à perpetuação da histeria.
André Marroig
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terça-feira, novembro 21, 2017
Uma cultura hostil ao homem. André Marroig
UMA CULTURA HOSTIL AO HOMEM
André Marroig
Já recebi alguns vídeos de feministas dizendo que homens deveriam ser exterminados, pois para nada possuem serventia. Sei que está em andamento pesquisas com o intuito de modificar células somáticas em gametas masculinos. A pesquisa busca transformar, inclusive, células femininas em gametas masculinos, eliminando assim a necessidade de um homem na procriação. A despeito de um questionamento que faço quanto aos verdadeiros financiadores de tão absurdo projeto e quais seus reais intentos, ater-me-ei neste post a mencionar o difícil ambiente hoje para o vivenciar de uma saudável masculinidade. Optei por escrever sobre este assunto já que em qualquer lugar onde o mesmo seja iniciado, é prontamente rechaçado. Aliás, inicio a contagem dos minutos desde já, até que apareça os praticantes de dissonância cognitiva sedentos em me calar. Pronto! Cronômetro em andamento. Sigamos.
Nos EUA, uma das grandes preocupações contemporâneas é com os homens que não irão construir nenhuma união estável em toda a sua vida. Cerca de 35% dos homens não irão namorar firme, casar e, muito menos, procriar nos EUA, de acordo com recente estudo, tornando tal fenômeno, grave evento de saúde pública. Com inúmeros estatutos que defendem a tudo e a todos, menos ao homem, com leis como a nossa de presunção de culpabilidade diante de uma denúncia de estupro (mesmo que cerca de 50% das denúncias não sejam verdadeiras), e com uma cultura rapidamente construída que execra tudo que se relaciona com a masculinidade, e que rechaça prontamente qualquer um que teime em manter vivo seu eu, casar e ter um filho nos EUA (e aqui também), é se aventurar em terreno de alta periculosidade, sob possível pena de prisão, falência ou ter sua vida transformada em um inferno. Sempre digo que o mundo sempre teve perversos e, acredito, estes ainda aí estão “dando de cara” com leis que dia a dia mais os cerceiam. O problema é que, ao contrário do que as feminazis dizem, a imensa maioria dos homens não fazem parte deste grupo. Os americanos os chamam de “keepers”, para nós, os “bons partidos”. Tais homens sempre respeitaram as mulheres e nutrem um sentimento de proteção da fêmea e de sua prole. São aqueles que lutam pelo pão de cada dia, são afetivos com esposa e filhos, e dariam suas vidas pelas deles. Esse indivíduo e a expressão de sua masculinidade são cerceados ao extremo ao serem colocados no mesmo balaio que os perversos. A cultura contemporânea os odeia, como se todos houvessem lido “Totem e Tabu” de Freud. Nas escolas, tudo que é ensinado, é voltado ao universo feminino, sendo qualquer forma de competição, valor sabidamente masculino, suprimida. É-lhes vedado o acesso a qualquer valor masculino, e é-lhes imposto uma série de valores femininos. Paradoxalmente, às meninas é vedado o acesso a valores femininos, como nos mostrara a atriz Taís Araújo (sempre ela) quando expressou a indignação que sentia diante da escolha de sua filha em brincar de bonecas e se auto intitular, uma princesa. Por outro lado, meninos em algumas escolas foram obrigados (se aderissem, receberiam notas maiores) a vestirem-se com saias, contra um suposto “preconceito”. Com tal ambiente tão hostil ao que agrada homens, é mais do que esperado o declínio gradativo do rendimento dos mesmos, como mostrado no vídeo. Em quarenta anos criamos uma cultura massivamente feminina, e execramos totalmente o masculino (salvo para as mulheres que, como já disse, paradoxalmente, é imperativo o acesso ao masculino). Parece confuso, e o é. Porém somente expressa a forma de pensar esquerdista que, como já disse muitas vezes aqui, troca de opiniões e definições massivamente, gerando bizarrices onde opostos em um momento, se tornam sinônimos em outros. Assim, hegemonicamente esta trupe “ganha”. A arquitetura? Há muito deixou para trás qualquer desenho masculino. Prédios quadrados, com pilares grossos e escadarias para acesso cederam lugar a ambientes curvos e sinuosos. Automóveis? Não há mais como encontrares um veículo de linhas mais quadradas, salvo se, como eu, recuperares um carro antigo. Todos hoje são sinuosos e bojudos. Tome o exemplo do Chevrolet Cruze. O penúltimo modelo era algo quadrado e transmitia identidade própria. O novo Cruze mais parece, a meu ver, um novo modelo de Ford Focus, com linhas mais afiladas e mais em “gota”. Os exemplos poderiam encher páginas, indo do design de cafeteiras, até espaços onde homens são proibidos de entrar. Não adorar qualquer ícone imposto é assumir rótulo de misógino, machista, opressor e fascista. Muitos refugiaram-se na casa dos pais e não mais querem reconstruir qualquer vínculo afetivo. Outros buscam ilhas onde expressam e vivenciam, mesmo que de forma estereotipada manifestações masculinas. Alguns compram uma moto grande, tiram o miolo do escapamento para que fiquem barulhentas como o rugir de um leão, vestem casacos de couro com símbolos de abutres, caveiras e capetas, e acreditam ser, mesmo que por um momento, “easy riders”. Outros deixam suas barbas crescer, cuidam da mesma como se fossem sedosas madeixas, e frequentam no que é hoje um dos mais lucrativos points; barbearias vintage. Ali ouvem rock, falam palavrões, tomam cerveja, conversam sobre futebol, comentam sobre mulheres bonitas e acreditam, também por um momento, terem vivenciado as conversas ao redor do fogo após uma caçada bem-sucedida. Refugiam-se em tribos isoladas, não mais assumindo nenhum compromisso. Parece-lhes mais segura a solidão e a vida tribal do que qualquer contato com uma cultura que execra a sua simples existência. Se se arriscam a dizer que odeiam a música de Pabllo Vittar, são prontamente rechaçados, mesmo que insistentemente tentem completar a frase, afirmando veementemente adorar as músicas de Fred Mercury, Cazuza e Renato Russo. Sobre o sexo, optam pela “segurança” do insípido e triste mercado do sexo. Artigo barato, porém degradado, muitos encharcam suas fuças com destilados para que esqueçam a aridez do ato e a ausência real de afeto. Outros colocaram a bebida completamente neste lugar, como um cristalino anestésico contra a estiagem nas relações da contemporaneidade e na ausência de alguém que queira ser protegida. Muitos, para não dizer a maioria, lançam mão do que talvez tenha sido a única conquista masculina da era pós-moderna: o Viagra e similares. Pondé costuma dizer que o Viagra fez mais pelo homem do que toda a filosofia. Concordo, se imaginarmos ser esta a única vitamina que estimula a moribunda autoestima do keeper. Lembre-se que o perverso, continua perverso, e este nada tem de baixa-estima, não sendo, portanto, o consumidor do milagre. Hoje, 75% do lucro da Pfizer vem da pérola azul. Por outro lado, tal avanço da medicina não se presta a outro efeito do desmantelamento da masculinidade: a queda do número de espermatozoides. Um estudo americano mostrou recentemente uma queda vertiginosa na produção de espermatozoides, pondo em cheque, inclusive, a manutenção da população, devido a níveis próximos a infertilidade. A outros, ainda, lhes resta o convívio em comunidades religiosas, onde ocasionalmente encontra-se algumas com bases patriarcais. Um outro grupo, por último, adere a máxima de que “se não podemos estar contra eles, nos juntemos a eles”, e fomentam seu epitáfio como uma presa que corteja o predador, na esperança de não ser comido. Meninos que militam de saia e há muito perderam a coragem de expressar sua mirrada masculinidade, hoje, povoam as escolas e universidades.
Se me perguntas se acredito ser este desmembramento masculino algo aleatório e impensado, respondo-te prontamente que não. Detentor de maior força física, um senso de territorialidade típico e um furor pela proteção da fêmea e da prole, é aquele que, naturalmente, simbolizaria e teria força para uma resistência. A destruição do mesmo, acaba com qualquer possibilidade reativa, bem como cria, como mostrei em meu “Em defesa dos mortos” perversos ou histéricos em massa, ou seja, ótimos recrutáveis ao projeto frankfurtiano. Quando coloquei posts sobre feminazis, sempre afirmei que tais grupos destruidores e implantadores deste novo legado sabem o que querem e para onde querem ir. Mas sempre indaguei se eram capazes de imaginar o que realmente lá encontrariam.
Pondé disse uma vez que aos homens era necessário um retorno a sua função protetiva sobre a mulher, mas como crer isso ser possível quando vemos uma mulher processar um homem pelo fato de, ao salvar-lhe a vida em um afogamento, este teve de lhe praticar respiração “boca-a-boca”? Vejo o homem como um arremedo do que outrora fora, carregando com isso, todos os danosos efeitos de sua ausência funcional.
Como vejo o futuro? Estão conseguindo fazer o que era o anseio da trupe da Escola de Frankfurt, ou seja, a destruição ocidental. O grande efeito colateral disso, a meu ver, será uma terrível e mórbida contrapartida oriental, como já vem prevendo o cético escritor e biólogo ateu, Richard Dawkin. Sombrios dias, se não nos extinguirmos antes.
André Marroig
Já recebi alguns vídeos de feministas dizendo que homens deveriam ser exterminados, pois para nada possuem serventia. Sei que está em andamento pesquisas com o intuito de modificar células somáticas em gametas masculinos. A pesquisa busca transformar, inclusive, células femininas em gametas masculinos, eliminando assim a necessidade de um homem na procriação. A despeito de um questionamento que faço quanto aos verdadeiros financiadores de tão absurdo projeto e quais seus reais intentos, ater-me-ei neste post a mencionar o difícil ambiente hoje para o vivenciar de uma saudável masculinidade. Optei por escrever sobre este assunto já que em qualquer lugar onde o mesmo seja iniciado, é prontamente rechaçado. Aliás, inicio a contagem dos minutos desde já, até que apareça os praticantes de dissonância cognitiva sedentos em me calar. Pronto! Cronômetro em andamento. Sigamos.
Nos EUA, uma das grandes preocupações contemporâneas é com os homens que não irão construir nenhuma união estável em toda a sua vida. Cerca de 35% dos homens não irão namorar firme, casar e, muito menos, procriar nos EUA, de acordo com recente estudo, tornando tal fenômeno, grave evento de saúde pública. Com inúmeros estatutos que defendem a tudo e a todos, menos ao homem, com leis como a nossa de presunção de culpabilidade diante de uma denúncia de estupro (mesmo que cerca de 50% das denúncias não sejam verdadeiras), e com uma cultura rapidamente construída que execra tudo que se relaciona com a masculinidade, e que rechaça prontamente qualquer um que teime em manter vivo seu eu, casar e ter um filho nos EUA (e aqui também), é se aventurar em terreno de alta periculosidade, sob possível pena de prisão, falência ou ter sua vida transformada em um inferno. Sempre digo que o mundo sempre teve perversos e, acredito, estes ainda aí estão “dando de cara” com leis que dia a dia mais os cerceiam. O problema é que, ao contrário do que as feminazis dizem, a imensa maioria dos homens não fazem parte deste grupo. Os americanos os chamam de “keepers”, para nós, os “bons partidos”. Tais homens sempre respeitaram as mulheres e nutrem um sentimento de proteção da fêmea e de sua prole. São aqueles que lutam pelo pão de cada dia, são afetivos com esposa e filhos, e dariam suas vidas pelas deles. Esse indivíduo e a expressão de sua masculinidade são cerceados ao extremo ao serem colocados no mesmo balaio que os perversos. A cultura contemporânea os odeia, como se todos houvessem lido “Totem e Tabu” de Freud. Nas escolas, tudo que é ensinado, é voltado ao universo feminino, sendo qualquer forma de competição, valor sabidamente masculino, suprimida. É-lhes vedado o acesso a qualquer valor masculino, e é-lhes imposto uma série de valores femininos. Paradoxalmente, às meninas é vedado o acesso a valores femininos, como nos mostrara a atriz Taís Araújo (sempre ela) quando expressou a indignação que sentia diante da escolha de sua filha em brincar de bonecas e se auto intitular, uma princesa. Por outro lado, meninos em algumas escolas foram obrigados (se aderissem, receberiam notas maiores) a vestirem-se com saias, contra um suposto “preconceito”. Com tal ambiente tão hostil ao que agrada homens, é mais do que esperado o declínio gradativo do rendimento dos mesmos, como mostrado no vídeo. Em quarenta anos criamos uma cultura massivamente feminina, e execramos totalmente o masculino (salvo para as mulheres que, como já disse, paradoxalmente, é imperativo o acesso ao masculino). Parece confuso, e o é. Porém somente expressa a forma de pensar esquerdista que, como já disse muitas vezes aqui, troca de opiniões e definições massivamente, gerando bizarrices onde opostos em um momento, se tornam sinônimos em outros. Assim, hegemonicamente esta trupe “ganha”. A arquitetura? Há muito deixou para trás qualquer desenho masculino. Prédios quadrados, com pilares grossos e escadarias para acesso cederam lugar a ambientes curvos e sinuosos. Automóveis? Não há mais como encontrares um veículo de linhas mais quadradas, salvo se, como eu, recuperares um carro antigo. Todos hoje são sinuosos e bojudos. Tome o exemplo do Chevrolet Cruze. O penúltimo modelo era algo quadrado e transmitia identidade própria. O novo Cruze mais parece, a meu ver, um novo modelo de Ford Focus, com linhas mais afiladas e mais em “gota”. Os exemplos poderiam encher páginas, indo do design de cafeteiras, até espaços onde homens são proibidos de entrar. Não adorar qualquer ícone imposto é assumir rótulo de misógino, machista, opressor e fascista. Muitos refugiaram-se na casa dos pais e não mais querem reconstruir qualquer vínculo afetivo. Outros buscam ilhas onde expressam e vivenciam, mesmo que de forma estereotipada manifestações masculinas. Alguns compram uma moto grande, tiram o miolo do escapamento para que fiquem barulhentas como o rugir de um leão, vestem casacos de couro com símbolos de abutres, caveiras e capetas, e acreditam ser, mesmo que por um momento, “easy riders”. Outros deixam suas barbas crescer, cuidam da mesma como se fossem sedosas madeixas, e frequentam no que é hoje um dos mais lucrativos points; barbearias vintage. Ali ouvem rock, falam palavrões, tomam cerveja, conversam sobre futebol, comentam sobre mulheres bonitas e acreditam, também por um momento, terem vivenciado as conversas ao redor do fogo após uma caçada bem-sucedida. Refugiam-se em tribos isoladas, não mais assumindo nenhum compromisso. Parece-lhes mais segura a solidão e a vida tribal do que qualquer contato com uma cultura que execra a sua simples existência. Se se arriscam a dizer que odeiam a música de Pabllo Vittar, são prontamente rechaçados, mesmo que insistentemente tentem completar a frase, afirmando veementemente adorar as músicas de Fred Mercury, Cazuza e Renato Russo. Sobre o sexo, optam pela “segurança” do insípido e triste mercado do sexo. Artigo barato, porém degradado, muitos encharcam suas fuças com destilados para que esqueçam a aridez do ato e a ausência real de afeto. Outros colocaram a bebida completamente neste lugar, como um cristalino anestésico contra a estiagem nas relações da contemporaneidade e na ausência de alguém que queira ser protegida. Muitos, para não dizer a maioria, lançam mão do que talvez tenha sido a única conquista masculina da era pós-moderna: o Viagra e similares. Pondé costuma dizer que o Viagra fez mais pelo homem do que toda a filosofia. Concordo, se imaginarmos ser esta a única vitamina que estimula a moribunda autoestima do keeper. Lembre-se que o perverso, continua perverso, e este nada tem de baixa-estima, não sendo, portanto, o consumidor do milagre. Hoje, 75% do lucro da Pfizer vem da pérola azul. Por outro lado, tal avanço da medicina não se presta a outro efeito do desmantelamento da masculinidade: a queda do número de espermatozoides. Um estudo americano mostrou recentemente uma queda vertiginosa na produção de espermatozoides, pondo em cheque, inclusive, a manutenção da população, devido a níveis próximos a infertilidade. A outros, ainda, lhes resta o convívio em comunidades religiosas, onde ocasionalmente encontra-se algumas com bases patriarcais. Um outro grupo, por último, adere a máxima de que “se não podemos estar contra eles, nos juntemos a eles”, e fomentam seu epitáfio como uma presa que corteja o predador, na esperança de não ser comido. Meninos que militam de saia e há muito perderam a coragem de expressar sua mirrada masculinidade, hoje, povoam as escolas e universidades.
Se me perguntas se acredito ser este desmembramento masculino algo aleatório e impensado, respondo-te prontamente que não. Detentor de maior força física, um senso de territorialidade típico e um furor pela proteção da fêmea e da prole, é aquele que, naturalmente, simbolizaria e teria força para uma resistência. A destruição do mesmo, acaba com qualquer possibilidade reativa, bem como cria, como mostrei em meu “Em defesa dos mortos” perversos ou histéricos em massa, ou seja, ótimos recrutáveis ao projeto frankfurtiano. Quando coloquei posts sobre feminazis, sempre afirmei que tais grupos destruidores e implantadores deste novo legado sabem o que querem e para onde querem ir. Mas sempre indaguei se eram capazes de imaginar o que realmente lá encontrariam.
Pondé disse uma vez que aos homens era necessário um retorno a sua função protetiva sobre a mulher, mas como crer isso ser possível quando vemos uma mulher processar um homem pelo fato de, ao salvar-lhe a vida em um afogamento, este teve de lhe praticar respiração “boca-a-boca”? Vejo o homem como um arremedo do que outrora fora, carregando com isso, todos os danosos efeitos de sua ausência funcional.
Como vejo o futuro? Estão conseguindo fazer o que era o anseio da trupe da Escola de Frankfurt, ou seja, a destruição ocidental. O grande efeito colateral disso, a meu ver, será uma terrível e mórbida contrapartida oriental, como já vem prevendo o cético escritor e biólogo ateu, Richard Dawkin. Sombrios dias, se não nos extinguirmos antes.
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André Marroig,
Sexualidade
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terça-feira, junho 27, 2017
O que é politicamente correto? André Marroig
O QUE É O POLITICAMENTE CORRETO?
André Marroig
Outro dia, em um vídeo o qual postei, fui criticado por um integrante da intelligentsia alegando que eu mencionara o “politicamente correto” e que me mostrara equivocado sobre o que significava. Enfadado diante de mais um discurso dissonante cognitivo fiz o que deveria ter feito; ignorei-o. Acredito simplesmente que tal figura, longe de qualquer anseio em aprender, segue Derrida em seu desconstrucionismo. Agora que o mesmo caíra em seu devido lugar, ou seja, no esquecimento, e sobrando um tempinho para poder aqui desenvolver o tema, trago-lhes um pouco da origem, significado e a que se presta esta aberração chamada “politicamente correta”.
A dialética marxista previa a luta de classes e a revolta do proletariado, mas as conquistas da revolução industrial e o próprio nacionalismo na Primeira Grande Guerra, mostraram que Marx estava errado. A despeito da Revolução Russa, basicamente o processo não se estendera pelo restante da Europa.
Lukács na Hungria e Gramsci na Itália forneceriam o substrato para compreensão do equívoco marxista. Como disse, as conquistas da Revolução Industrial, especialmente na Inglaterra, abriram as portas para o acesso a bens nunca dantes sonhados. Muitos tiveram acesso a bens e serviços os quais seus pais nunca haviam sonhado. Estes, NUNCA se rebelariam contra o stablishment. Gramsci traria a noção de que, para instalar o processo revolucionário, haveria de ser destruída a sociedade ocidental. Lukács, respeitado teórico marxista, tornou-se em 1919, Comissário da Cultura no governo Bolchevique de Bela Kun, na Hungria. Lukács lançou o programa conhecido como “Terrorismo Cultural”, onde uma massiva campanha de “educação sexual” fora empreendida nas escolas da Hungria. Ali se esboçava o “politicamente correto” como conhecemos. O objetivo era a destruição do núcleo familiar triangular clássico, unidade considerada burguesa e instrumento-chave na sociedade judaico-cristã. As crianças eram o foco do processo para Lukács, pois o mesmo acreditava que era muito mais fácil a conversão de uma criança do que a de um adulto. O projeto serviu de base para a introdução massiva de conceitos marxistas em basicamente todas as áreas educacionais.
O governo de Bela Kun pouco durou, e parte de sua queda é atribuída a uma resistência da própria classe trabalhadora aos ensinamentos de Lukács. Na Alemanha nova tentativa semelhante aconteceria. Felix Weil propõe a criação de um instituto para “pesquisas sociais”. O mesmo seria sede de estudos marxistas, mas intentava não ser diretamente associado a tal. Tal grupo seria conhecido mais tardiamente como “Escola de Frankfurt”, sediado na Universidade de mesmo nome. Lukács fazia parte do grupo, e seus escritos serviram de base teórica para o que estava por vir. Ali o marxismo era traduzido do âmbito econômico para o âmbito cultural. Carl Grumberg fora seu primeiro diretor, e em seu discurso de abertura disse:
“Desde o começo tem sido nossa intenção aqui de manter a uniformidade na maneira como olhamos e resolvemos os problemas. Eu também sou um oponente da ordem econômica, social e legal herdada da história para nós, e também sou um dos apoiadores do marxismo neste instituto. Finalmente o marxismo terá uma casa.”
Em 1930, Grumberg deixa a direção da casa e quem assume é Horkheimer. Uma nova guinada acontece e Horkheimer percebe a inércia do proletariado diante da ansiada revolução. Sem ainda saber quem poderia assumir tal processo, a trupe manteve o foco de suas investidas na cultura. Ao associar o marxismo com uma deturpação tosca da obra freudiana (coitado do Freud) encontraram uma máxima de que a cultura ocidental era repressora, transferindo para o âmbito cultural o conflito de classes tradicionalmente proposto por Marx. Alegaram uma alienação sexual imposta pela cultura ocidental tão significativa quanto a alienação econômica. Na época, Erich Fromm, psicanalista, em agressiva psicologia de liberalização sexual (termo cunhado pelo mesmo), fomentou as bases da “política de gênero”. Para o mesmo, as características sexuais não seguiriam bases fisiológicas e sim apareceriam como resultado de imposições da sociedade burguesa e das relações de trabalho. Aqui se firmava nova e importante peça do quebra-cabeça chamado “politicamente correto”.
Os trabalhos de Fromm, Adorno e Marcuse culminaram com a “teoria crítica”. A mesma consistia em uma sistemática crítica a todas as instituições ocidentais visando à completa destruição das mesmas. Base dos estudos sociológicos hoje em universidades, a Teoria Crítica é praticada sistematicamente no intento de não deixar pedra sobre pedra. Adorno mostraria que não haveria uma defesa a qual se apoiar na Teoria Crítica, pois a mesma nada defendia além da completa destruição. Horowitz transpôs o processo para os campus americanos após percepção de que as atrocidades soviéticas haviam alertado ao mundo sobre os horrores do stalinismo. Propondo uma forma “light” de socialismo usava de todas as ferramentas para a tomada e implantação socialista em todos os espaços. Horowitz mais tarde daria forte guinada e se tornaria um ativista conservador. O mesmo assumiria que a trupe de Frankfurt não mais ansiava a construção da utopia, e sim, a destruição de tudo. A Teoria Crítica se fundaria então na destruição da própria lógica, relativizando-a; se a favor da revolução, a lógica pode ser acessada, se contrária, destruída. Ali estava a base do “Politicamente Correto”.
A fuga diante do nazismo para os EUA incrementou as possibilidades ao expor o grupo ao financiamento polpudo. A Teoria Crítica então fora massivamente aplicada à sociedade americana. Adorno defendia que a sociedade americana era fascista e que quem a defendesse era doente psicologicamente. Conheces o uso do termo “fascista” para defini-lo? Pois bem, devemos a Adorno. O mesmo também transpõe a dialética para o controle da natureza, trazendo para junto os “verdinhos”.
Após a Segunda Grande Guerra, Marcuse se manteve nos EUA e intensificou as críticas à sociedade americana/ocidental no meio acadêmico onde lecionava. Ali ele recrutou o grupo que assumiria o lugar do proletariado, o mesmo grupo rechaçado por Marx, o lumpemproletariado. Este grupo consistia daqueles os quais, por algum motivo se sentissem ressentidos diante do restante da sociedade e pudessem ter neste sentimento o combustível atiçado para continuidade do processo revolucionário. Ali nascia mais um elemento do “Politicamente Correto”: a vitimização. Em “Eros e a Civilização” de Marcuse, uma perversa releitura de Freud usava sua teorização para sustentar que nenhuma repressão sexual deveria existir. Marcuse alegava que sem qualquer repressão à sexualidade a pulsão de vida inauguraria uma nova era profícua em felicidade e realizações (mais uma vez, coitado do Freud). Aqui outro elemento do politicamente correto: liberalismo extremo da sexualidade e culto a bizarrices. Conceitua também a chamada “tolerância libertadora”, que de forma relativizada era tolerante com o que eles defendiam e intolerante com os opositores. Este conceito evoluiu para a “tolerância repressiva” que convidava à ação sobre o discordante. Nasciam outros elementos do “Politicamente Correto”: a relativização moral e a intransigência e a agressividade diante do discordante.
Sem sombra de dúvida a corrente socialista mais efetiva, esta trupe, hoje, contamina todos os espaços midiáticos, acadêmicos e culturais. Percebes agora o quanto foste manipulado?
André Marroig
André Marroig
Outro dia, em um vídeo o qual postei, fui criticado por um integrante da intelligentsia alegando que eu mencionara o “politicamente correto” e que me mostrara equivocado sobre o que significava. Enfadado diante de mais um discurso dissonante cognitivo fiz o que deveria ter feito; ignorei-o. Acredito simplesmente que tal figura, longe de qualquer anseio em aprender, segue Derrida em seu desconstrucionismo. Agora que o mesmo caíra em seu devido lugar, ou seja, no esquecimento, e sobrando um tempinho para poder aqui desenvolver o tema, trago-lhes um pouco da origem, significado e a que se presta esta aberração chamada “politicamente correta”.
A dialética marxista previa a luta de classes e a revolta do proletariado, mas as conquistas da revolução industrial e o próprio nacionalismo na Primeira Grande Guerra, mostraram que Marx estava errado. A despeito da Revolução Russa, basicamente o processo não se estendera pelo restante da Europa.
Lukács na Hungria e Gramsci na Itália forneceriam o substrato para compreensão do equívoco marxista. Como disse, as conquistas da Revolução Industrial, especialmente na Inglaterra, abriram as portas para o acesso a bens nunca dantes sonhados. Muitos tiveram acesso a bens e serviços os quais seus pais nunca haviam sonhado. Estes, NUNCA se rebelariam contra o stablishment. Gramsci traria a noção de que, para instalar o processo revolucionário, haveria de ser destruída a sociedade ocidental. Lukács, respeitado teórico marxista, tornou-se em 1919, Comissário da Cultura no governo Bolchevique de Bela Kun, na Hungria. Lukács lançou o programa conhecido como “Terrorismo Cultural”, onde uma massiva campanha de “educação sexual” fora empreendida nas escolas da Hungria. Ali se esboçava o “politicamente correto” como conhecemos. O objetivo era a destruição do núcleo familiar triangular clássico, unidade considerada burguesa e instrumento-chave na sociedade judaico-cristã. As crianças eram o foco do processo para Lukács, pois o mesmo acreditava que era muito mais fácil a conversão de uma criança do que a de um adulto. O projeto serviu de base para a introdução massiva de conceitos marxistas em basicamente todas as áreas educacionais.
O governo de Bela Kun pouco durou, e parte de sua queda é atribuída a uma resistência da própria classe trabalhadora aos ensinamentos de Lukács. Na Alemanha nova tentativa semelhante aconteceria. Felix Weil propõe a criação de um instituto para “pesquisas sociais”. O mesmo seria sede de estudos marxistas, mas intentava não ser diretamente associado a tal. Tal grupo seria conhecido mais tardiamente como “Escola de Frankfurt”, sediado na Universidade de mesmo nome. Lukács fazia parte do grupo, e seus escritos serviram de base teórica para o que estava por vir. Ali o marxismo era traduzido do âmbito econômico para o âmbito cultural. Carl Grumberg fora seu primeiro diretor, e em seu discurso de abertura disse:
“Desde o começo tem sido nossa intenção aqui de manter a uniformidade na maneira como olhamos e resolvemos os problemas. Eu também sou um oponente da ordem econômica, social e legal herdada da história para nós, e também sou um dos apoiadores do marxismo neste instituto. Finalmente o marxismo terá uma casa.”
Em 1930, Grumberg deixa a direção da casa e quem assume é Horkheimer. Uma nova guinada acontece e Horkheimer percebe a inércia do proletariado diante da ansiada revolução. Sem ainda saber quem poderia assumir tal processo, a trupe manteve o foco de suas investidas na cultura. Ao associar o marxismo com uma deturpação tosca da obra freudiana (coitado do Freud) encontraram uma máxima de que a cultura ocidental era repressora, transferindo para o âmbito cultural o conflito de classes tradicionalmente proposto por Marx. Alegaram uma alienação sexual imposta pela cultura ocidental tão significativa quanto a alienação econômica. Na época, Erich Fromm, psicanalista, em agressiva psicologia de liberalização sexual (termo cunhado pelo mesmo), fomentou as bases da “política de gênero”. Para o mesmo, as características sexuais não seguiriam bases fisiológicas e sim apareceriam como resultado de imposições da sociedade burguesa e das relações de trabalho. Aqui se firmava nova e importante peça do quebra-cabeça chamado “politicamente correto”.
Os trabalhos de Fromm, Adorno e Marcuse culminaram com a “teoria crítica”. A mesma consistia em uma sistemática crítica a todas as instituições ocidentais visando à completa destruição das mesmas. Base dos estudos sociológicos hoje em universidades, a Teoria Crítica é praticada sistematicamente no intento de não deixar pedra sobre pedra. Adorno mostraria que não haveria uma defesa a qual se apoiar na Teoria Crítica, pois a mesma nada defendia além da completa destruição. Horowitz transpôs o processo para os campus americanos após percepção de que as atrocidades soviéticas haviam alertado ao mundo sobre os horrores do stalinismo. Propondo uma forma “light” de socialismo usava de todas as ferramentas para a tomada e implantação socialista em todos os espaços. Horowitz mais tarde daria forte guinada e se tornaria um ativista conservador. O mesmo assumiria que a trupe de Frankfurt não mais ansiava a construção da utopia, e sim, a destruição de tudo. A Teoria Crítica se fundaria então na destruição da própria lógica, relativizando-a; se a favor da revolução, a lógica pode ser acessada, se contrária, destruída. Ali estava a base do “Politicamente Correto”.
A fuga diante do nazismo para os EUA incrementou as possibilidades ao expor o grupo ao financiamento polpudo. A Teoria Crítica então fora massivamente aplicada à sociedade americana. Adorno defendia que a sociedade americana era fascista e que quem a defendesse era doente psicologicamente. Conheces o uso do termo “fascista” para defini-lo? Pois bem, devemos a Adorno. O mesmo também transpõe a dialética para o controle da natureza, trazendo para junto os “verdinhos”.
Após a Segunda Grande Guerra, Marcuse se manteve nos EUA e intensificou as críticas à sociedade americana/ocidental no meio acadêmico onde lecionava. Ali ele recrutou o grupo que assumiria o lugar do proletariado, o mesmo grupo rechaçado por Marx, o lumpemproletariado. Este grupo consistia daqueles os quais, por algum motivo se sentissem ressentidos diante do restante da sociedade e pudessem ter neste sentimento o combustível atiçado para continuidade do processo revolucionário. Ali nascia mais um elemento do “Politicamente Correto”: a vitimização. Em “Eros e a Civilização” de Marcuse, uma perversa releitura de Freud usava sua teorização para sustentar que nenhuma repressão sexual deveria existir. Marcuse alegava que sem qualquer repressão à sexualidade a pulsão de vida inauguraria uma nova era profícua em felicidade e realizações (mais uma vez, coitado do Freud). Aqui outro elemento do politicamente correto: liberalismo extremo da sexualidade e culto a bizarrices. Conceitua também a chamada “tolerância libertadora”, que de forma relativizada era tolerante com o que eles defendiam e intolerante com os opositores. Este conceito evoluiu para a “tolerância repressiva” que convidava à ação sobre o discordante. Nasciam outros elementos do “Politicamente Correto”: a relativização moral e a intransigência e a agressividade diante do discordante.
Sem sombra de dúvida a corrente socialista mais efetiva, esta trupe, hoje, contamina todos os espaços midiáticos, acadêmicos e culturais. Percebes agora o quanto foste manipulado?
André Marroig
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sábado, abril 22, 2017
Dr. André Marroig - Chá de realidade - Introdução - parte 1
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quarta-feira, janeiro 04, 2017
A morte do perdão em Rousseau. André Marroig. Prosa
A MORTE DO PERDÃO EM ROUSSEAU
Não há como não tirar o chapéu diante do brilhantismo de Rousseau. Mas, contrariamente ao que muitos pensam, a perfeição primeva proposta pelo filósofo é a conclusão e não o “bojo” de sua teorização. É o final de um conflito teológico com o intuito de anular a necessidade do perdão como condição sine qua non para as relações humanas. É óbvio que o inocente não necessita de perdão, mas diante da própria natureza humana, quem é inocente?
O pecado original, e podemos optar por isentá-lo do seu cunho teológico, é uma metáfora de nossa natureza há muito descrita. Desde os gregos pré-socráticos a noção de que somos “carregados de paixões”, passando pelo pessimismo schopenhauriano e adentrando a psicanálise com o “princípio do prazer” freudiano, a noção de uma natureza humana com componentes carregados de um “bem”, mas com forte propensão ao “mal”, sempre fora clara.
Rousseau, percebendo a crise na cristandade na primeira metade do século XVIII, apropriou-se dos impasses e ofertou com maestria uma nova cosmovisão, agora reivindicando para si uma posição messiânica e relatora. Juntemos a isso um talento refinado para a escrita e encontramos o cerne de uma série de pensamentos e políticas que cimentaram e ainda estruturam a contemporaneidade.
De uma forma bem simplificada, tentarei trazer-lhes a maestria com que Rousseau subverte este conceito de pecado original para alçar-se aos píncaros de sua messiânica nova posição. Diante de alguém que praticou algo lesivo, situa-se o direito da vítima em puni-lo. O direito de perdoar estaria atrelado, portanto, ao direito de punição. A opção por perdoar em detrimento ao punir, por si só, impulsiona a vítima a uma posição de prestígio diante do outro pelos sublimes valores associados. Tal posicionamento acaba por aumentar a desigualdade entre o transgressor e a vítima, que agora posiciona-se de forma superior impulsionada pelas suas escolhas. O “perdão” então ampliaria as desigualdades entre ambos. Para anular as desigualdades no sistema rousseauniano, haveria, portanto, a necessidade de abolir o perdão, e a proclamação de uma perfeição primeva. Todos seriam perfeitos por natureza, e a subversão dos mesmos aconteceria por “forças externas”, ou seja, “o meio”. Compreendes a base do vitimismo contemporâneo?
Um pouco mais profundamente percebemos que Rousseau inverte a noção judaico-cristã de uma antecedência do perdão ante o pecado. Para o desatento leitor, o conceito de que, para que haja o perdão, previamente deve ter havido o pecado, parece cognitivamente mais aceitável. Porém somente o perdão é capaz de revelar e iniciar o movimento de reparação. A acusação pura e simples da culpabilidade do transgressor nada resolve e, na maioria das vezes, somente instila no outro um movimento reativo. A capacidade da vítima de perdoar é a única capaz de disparar no outro o movimento reparatório. Transpondo para a psicanálise, evoco Winnicott e seu conceito de amadurecimento da agressividade. Winnicott nos mostra que o bebê ao buscar sua saciedade e prazer, usa o outro de forma “impiedosa”. A destruição deste outro como consequência, passa completamente despercebida diante da satisfação de suas necessidades. Se o objeto o qual é alvo desta destrutibilidade mantém-se ali, sustenta a si e o agressor e não devolve na mesma moeda, impulsiona o bebê a um amadurecimento. Nesse novo estágio, o bebê, se o objeto vitimado continuar mantendo-se ali e não “devolvendo na mesma moeda”, passa a perceber este outro como algo “bom” e inicia um movimento reparatório cujo sintoma é a culpa. Ou seja, anteceder o pecado sobre o perdão é expor ao agressor sua transgressão pura e simplesmente. O mesmo provavelmente devolverá a acusação ao seu acusador perpetuando a cadeia reativa.
Rousseau ao propor quebrar esta cadeia reativa antecedendo o pecado ao perdão, fundamento cristão básico, viu-se refém de sua própria armadilha, restando ao seu sistema uma única alternativa; o contrato social. Ao “libertar” a humanidade do perdão, restou-nos uma ampliação na vigilância no exercício das virtudes e a crença na existência de uma natureza humana carregada de perfeição. É na vigilância do outro em prol “do bem coletivo”, cada vez mais intensa e tirânica, que baseia-se a práxis do sistema rousseauniano. E se a base do mesmo é perfeita, podemos lapidá-los para um retorno a esta inocência primeva. Conseguimos assim compreender a tirania do “politicamente correto” e a intolerância com qualquer opinião contrária a das massas e também os inúmeros mecanismos de engenharia social. As políticas doutrinatórias e a engenharia social intensiva baseiam-se na crença desta falácia criada por Rousseau diante do desamparo humano restante após a morte de Deus.
A destruição da necessidade do perdão impulsiona o indivíduo ao narcisismo e a solidão inerente ao mesmo. Por outro lado, na ausência dos mecanismos de culpa e perdão, resta-nos somente como mecanismo relacional com um outro, o contrato social, como já disse. Como consequência, qualquer interesse pessoal deve ser rechaçado em prol desta coletividade. Inaugura-se assim a noção de um inimigo comum, qualquer individualidade.
Rousseau ao propor a “libertação” do perdão e da culpa acaba por impulsionar-nos a um sistema muito mais opressor, onde cada cidadão tem por obrigação movimentar-se em prol da construção de uma “virtuosa” sociedade. A sujeição a uma ideia soberana de virtuosidade com o intuito da recuperação de um suposto estado primevo de purificação e “imaculação” moldam um modelo supremamente autoritário. A expulsão de um mal supostamente absoluto (o desejo individual) em prol de um bem também supostamente absoluto (o desejo coletivo), ou seja, a polarização esquizoparanóide a que venho denunciando já há algum tempo, passa a basear-se em um modelo educacional (cognitivo), e com consequente racionalização da vida. Destroem-se assim as contradições inerentes ao humano e toda a individualidade. O ensino como uma ferramenta, torna-se doutrinatório e posiciona-se completamente em prol do projeto.
André Marroig
Não há como não tirar o chapéu diante do brilhantismo de Rousseau. Mas, contrariamente ao que muitos pensam, a perfeição primeva proposta pelo filósofo é a conclusão e não o “bojo” de sua teorização. É o final de um conflito teológico com o intuito de anular a necessidade do perdão como condição sine qua non para as relações humanas. É óbvio que o inocente não necessita de perdão, mas diante da própria natureza humana, quem é inocente?
O pecado original, e podemos optar por isentá-lo do seu cunho teológico, é uma metáfora de nossa natureza há muito descrita. Desde os gregos pré-socráticos a noção de que somos “carregados de paixões”, passando pelo pessimismo schopenhauriano e adentrando a psicanálise com o “princípio do prazer” freudiano, a noção de uma natureza humana com componentes carregados de um “bem”, mas com forte propensão ao “mal”, sempre fora clara.
Rousseau, percebendo a crise na cristandade na primeira metade do século XVIII, apropriou-se dos impasses e ofertou com maestria uma nova cosmovisão, agora reivindicando para si uma posição messiânica e relatora. Juntemos a isso um talento refinado para a escrita e encontramos o cerne de uma série de pensamentos e políticas que cimentaram e ainda estruturam a contemporaneidade.
De uma forma bem simplificada, tentarei trazer-lhes a maestria com que Rousseau subverte este conceito de pecado original para alçar-se aos píncaros de sua messiânica nova posição. Diante de alguém que praticou algo lesivo, situa-se o direito da vítima em puni-lo. O direito de perdoar estaria atrelado, portanto, ao direito de punição. A opção por perdoar em detrimento ao punir, por si só, impulsiona a vítima a uma posição de prestígio diante do outro pelos sublimes valores associados. Tal posicionamento acaba por aumentar a desigualdade entre o transgressor e a vítima, que agora posiciona-se de forma superior impulsionada pelas suas escolhas. O “perdão” então ampliaria as desigualdades entre ambos. Para anular as desigualdades no sistema rousseauniano, haveria, portanto, a necessidade de abolir o perdão, e a proclamação de uma perfeição primeva. Todos seriam perfeitos por natureza, e a subversão dos mesmos aconteceria por “forças externas”, ou seja, “o meio”. Compreendes a base do vitimismo contemporâneo?
Um pouco mais profundamente percebemos que Rousseau inverte a noção judaico-cristã de uma antecedência do perdão ante o pecado. Para o desatento leitor, o conceito de que, para que haja o perdão, previamente deve ter havido o pecado, parece cognitivamente mais aceitável. Porém somente o perdão é capaz de revelar e iniciar o movimento de reparação. A acusação pura e simples da culpabilidade do transgressor nada resolve e, na maioria das vezes, somente instila no outro um movimento reativo. A capacidade da vítima de perdoar é a única capaz de disparar no outro o movimento reparatório. Transpondo para a psicanálise, evoco Winnicott e seu conceito de amadurecimento da agressividade. Winnicott nos mostra que o bebê ao buscar sua saciedade e prazer, usa o outro de forma “impiedosa”. A destruição deste outro como consequência, passa completamente despercebida diante da satisfação de suas necessidades. Se o objeto o qual é alvo desta destrutibilidade mantém-se ali, sustenta a si e o agressor e não devolve na mesma moeda, impulsiona o bebê a um amadurecimento. Nesse novo estágio, o bebê, se o objeto vitimado continuar mantendo-se ali e não “devolvendo na mesma moeda”, passa a perceber este outro como algo “bom” e inicia um movimento reparatório cujo sintoma é a culpa. Ou seja, anteceder o pecado sobre o perdão é expor ao agressor sua transgressão pura e simplesmente. O mesmo provavelmente devolverá a acusação ao seu acusador perpetuando a cadeia reativa.
Rousseau ao propor quebrar esta cadeia reativa antecedendo o pecado ao perdão, fundamento cristão básico, viu-se refém de sua própria armadilha, restando ao seu sistema uma única alternativa; o contrato social. Ao “libertar” a humanidade do perdão, restou-nos uma ampliação na vigilância no exercício das virtudes e a crença na existência de uma natureza humana carregada de perfeição. É na vigilância do outro em prol “do bem coletivo”, cada vez mais intensa e tirânica, que baseia-se a práxis do sistema rousseauniano. E se a base do mesmo é perfeita, podemos lapidá-los para um retorno a esta inocência primeva. Conseguimos assim compreender a tirania do “politicamente correto” e a intolerância com qualquer opinião contrária a das massas e também os inúmeros mecanismos de engenharia social. As políticas doutrinatórias e a engenharia social intensiva baseiam-se na crença desta falácia criada por Rousseau diante do desamparo humano restante após a morte de Deus.
A destruição da necessidade do perdão impulsiona o indivíduo ao narcisismo e a solidão inerente ao mesmo. Por outro lado, na ausência dos mecanismos de culpa e perdão, resta-nos somente como mecanismo relacional com um outro, o contrato social, como já disse. Como consequência, qualquer interesse pessoal deve ser rechaçado em prol desta coletividade. Inaugura-se assim a noção de um inimigo comum, qualquer individualidade.
Rousseau ao propor a “libertação” do perdão e da culpa acaba por impulsionar-nos a um sistema muito mais opressor, onde cada cidadão tem por obrigação movimentar-se em prol da construção de uma “virtuosa” sociedade. A sujeição a uma ideia soberana de virtuosidade com o intuito da recuperação de um suposto estado primevo de purificação e “imaculação” moldam um modelo supremamente autoritário. A expulsão de um mal supostamente absoluto (o desejo individual) em prol de um bem também supostamente absoluto (o desejo coletivo), ou seja, a polarização esquizoparanóide a que venho denunciando já há algum tempo, passa a basear-se em um modelo educacional (cognitivo), e com consequente racionalização da vida. Destroem-se assim as contradições inerentes ao humano e toda a individualidade. O ensino como uma ferramenta, torna-se doutrinatório e posiciona-se completamente em prol do projeto.
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