AS CONCHAS
Verlaine
Cada concha, no interior
dessa gruta onde a gente se ama,
tem o seu especial sabor.
Uma, a púrpura tem da chama
roubada ao nosso coração,
quando o desejo nos inflama.
Finge esta a tua lassidão
se me vês, pálida e irritada,
a olhar-te cheio de intenção.
Nesta, a tua orelha é imitada
com graça; e aquela copiou
tua nuca rósea e torneada.
Uma, porém, me perturbou.
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quinta-feira, outubro 13, 2011
Escreva para o meu e-mail: silvafonseca@gmail.com
quinta-feira, janeiro 18, 2007
Chora em meu coração. Verlaine. Poesia
CHORA EM MEU CORAÇÃO
Verlaine
Chora em meu coração como chove lá fora.
Porque esta lassidão me invade o coração?
Oh! ruido bom da chuva no chão e nos telhados!
Para uma alma viúva, oh! o canto da chuva!
E chora sem razão meu coração amargo.
Algum desgosto? - Não! É um pranto sem razão.
E essa é a maior dor, não saber bem por que,
Sem ódio sem amor, eu sinto tanta dor.
Verlaine
Chora em meu coração como chove lá fora.
Porque esta lassidão me invade o coração?
Oh! ruido bom da chuva no chão e nos telhados!
Para uma alma viúva, oh! o canto da chuva!
E chora sem razão meu coração amargo.
Algum desgosto? - Não! É um pranto sem razão.
E essa é a maior dor, não saber bem por que,
Sem ódio sem amor, eu sinto tanta dor.
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quinta-feira, novembro 02, 2006
Chora em meu coração. Verlaine. Poesia
CHORA EM MEU CORAÇÃO
Verlaine
Chora em meu coração
como chove lá fora.
Porque esta lassidão
me invade o coração?
Oh! ruido bom da chuva
no chão e nos telhados!
Para uma alma viúva,
oh! o canto da chuva!
E chora sem razão
meu coração amargo.
Algum desgosto? - Não!
É um pranto sem razão.
E essa é a maior dor,
não saber bem por que,
sem ódio sem amor,
eu sinto tanta dor.
Verlaine
Chora em meu coração
como chove lá fora.
Porque esta lassidão
me invade o coração?
Oh! ruido bom da chuva
no chão e nos telhados!
Para uma alma viúva,
oh! o canto da chuva!
E chora sem razão
meu coração amargo.
Algum desgosto? - Não!
É um pranto sem razão.
E essa é a maior dor,
não saber bem por que,
sem ódio sem amor,
eu sinto tanta dor.
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sexta-feira, outubro 13, 2006
AS CONCHAS. Verlaine. Poesia
AS CONCHAS
Verlaine
Cada concha, no interior
dessa gruta onde a gente se ama,
tem o seu especial sabor.
Uma, a púrpura tem da chama
roubada ao nosso coração,
quando o desejo nos inflama.
Finge esta a tua lassidão
se me vês, pálida e irritada,
a olhar-te cheio de intenção.
Nesta, a tua orelha é imitada
com graça; e aquela copiou
tua nuca rósea e torneada.
Uma, porém, me perturbou.
Verlaine
Cada concha, no interior
dessa gruta onde a gente se ama,
tem o seu especial sabor.
Uma, a púrpura tem da chama
roubada ao nosso coração,
quando o desejo nos inflama.
Finge esta a tua lassidão
se me vês, pálida e irritada,
a olhar-te cheio de intenção.
Nesta, a tua orelha é imitada
com graça; e aquela copiou
tua nuca rósea e torneada.
Uma, porém, me perturbou.
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sexta-feira, setembro 29, 2006
Antes que apagues o teu brilho. Verlaine. Poesia
ANTES QUE APAGUES O TEU BRILHO
Verlaine
Antes que apagues teu brilho,
nívea estrela matutina,
(no tomilho
a codorniz trina, trina!)
volve ao poeta, cujo olhar
o amor cegou como um véu,
(com o dealbar,
sobe a cotovia ao céu!)
teu olhar, que se diria
banhado na luz da aurora,
(que alegria
vai pelos trigais em fora!)
e leva o meu pensamento,
longe, além, lá, bem distante,
(com o relento
o feno ficou brilhante!)
no almo sonho em que não cessa
de se embalar o meu bem,
(mas depressa,
que o sol dourado já vem!).
Verlaine
Antes que apagues teu brilho,
nívea estrela matutina,
(no tomilho
a codorniz trina, trina!)
volve ao poeta, cujo olhar
o amor cegou como um véu,
(com o dealbar,
sobe a cotovia ao céu!)
teu olhar, que se diria
banhado na luz da aurora,
(que alegria
vai pelos trigais em fora!)
e leva o meu pensamento,
longe, além, lá, bem distante,
(com o relento
o feno ficou brilhante!)
no almo sonho em que não cessa
de se embalar o meu bem,
(mas depressa,
que o sol dourado já vem!).
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sábado, setembro 16, 2006
A lua branca. Verlaine. Poesia
A LUA BRANCA
Verlaine
A lua branca
brilha no bosque.
De ramo em ramo,
parte uma voz que
vem da ramada.
Oh! bem-amada!
Reflete o lago,
como um espelho,
o perfil vago
do êrmo salgueiro
que ao vento chora.
Sonhemos, é hora...
Como que desce
uma imprecisa
calma infinita
do firmamento
que a lua frisa.
É a hora indecisa...
A lua branca
luz sobre o bosque.
De cada ramo,
ouço uma voz
vem da folhagem:
Oh! bem-amada!
O lago reflete,
profundo espelho,
o vulto vago
daquele salgueiro
que uiva ao vento.
Sonhar é a hora...
Do espaço desce
uma entranhada
calma imprecisa
o céu estrelado a lua irisa.
A hora indecisa...
Verlaine
A lua branca
brilha no bosque.
De ramo em ramo,
parte uma voz que
vem da ramada.
Oh! bem-amada!
Reflete o lago,
como um espelho,
o perfil vago
do êrmo salgueiro
que ao vento chora.
Sonhemos, é hora...
Como que desce
uma imprecisa
calma infinita
do firmamento
que a lua frisa.
É a hora indecisa...
A lua branca
luz sobre o bosque.
De cada ramo,
ouço uma voz
vem da folhagem:
Oh! bem-amada!
O lago reflete,
profundo espelho,
o vulto vago
daquele salgueiro
que uiva ao vento.
Sonhar é a hora...
Do espaço desce
uma entranhada
calma imprecisa
o céu estrelado a lua irisa.
A hora indecisa...
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segunda-feira, agosto 14, 2006
O ruído dos cafés. Paul Verlaine
O RUIDO DOS CAFÉS
Paul Verlaine
O ruído dos cafés; a lama das calçadas; os plátanos pelo ar desfolhando as ramadas;o ônibus, furacão de rodas e engrenagens, enlameado, a ranger num rumor de ferragens e girando o olho verde e rubro das lanternas; os operários a caminho das tavernas, com os cachimbos à boca a afrontarem os guardas; paredes a ruir; telhados de mansardas; sarjetas pelo chão resvaladiço e imundo, - tal meu caminho, - mas com o paraíso ao fundo.
Paul Verlaine
O ruído dos cafés; a lama das calçadas; os plátanos pelo ar desfolhando as ramadas;o ônibus, furacão de rodas e engrenagens, enlameado, a ranger num rumor de ferragens e girando o olho verde e rubro das lanternas; os operários a caminho das tavernas, com os cachimbos à boca a afrontarem os guardas; paredes a ruir; telhados de mansardas; sarjetas pelo chão resvaladiço e imundo, - tal meu caminho, - mas com o paraíso ao fundo.
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