segunda-feira, dezembro 27, 2021
Se o acesso por imagem te é vedado, se só por voz de vez em quando, por que de quando em vez presencial chorando a tua alma no esgarçado?
Se tem saudade que diga nem que seja por figurinha pode ser só ponto e linha por código Morse, amiga
domingo, dezembro 26, 2021
DESENCANTO. Manuel Bandeira. 239
Manuel Bandeira |
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DESENCANTO
Eu faço versos como quem chora
De desalento... de desencanto...
Fecha o meu livro, se por agora
Não tens motivo nenhum de pranto.
Meu verso é sangue. Volúpia ardente...
Tristeza esparsa... remorso vão...
Dói-me nas veias. Amargo e quente,
Cai, gota a gota, do coração.
E nestes versos de angústia rouca,
Assim dos lábios a vida corre,
Deixando um acre sabor na boca.
— Eu faço versos como quem morre.
De tanto fazer a corte no meu peito houve um corte sangra o meu coração por mote oh doce senda do amor!
TIM TIM. Charles Fonseca
TIM TIM
sábado, dezembro 25, 2021
CONHAQUE. Charles Fonseca
CONHAQUE
MOUCO. Charles Fonseca
MOUCO
O VOVÔ. Charles Fonseca
O VOVÔ
AO LONGE OS BARCOS DE FLORES. Camilo Pessanha. 303
Camilo Pessanha |
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AO LONGE OS BARCOS DE FLORES
Só, incessante, um som de flauta chora,
Viúva, grácil, na escuridão tranqüila,
— Perdida voz que de entre as mais se exila,
— Festões de som dissimulando a hora.
Na orgia, ao longe, que em clarões cintila
E os lábios, branca, do carmim desflora...
Só, incessante, um som de flauta chora,
Viúva, grácil, na escuridão tranqüila,
E a orquestra? E os beijos? Tudo a noite, fora,
Cauta, detém. Só modulada trila
A flauta flébil... Quem há de remi-la?
Quem sabe a dor que sem razão deplora?
Só, incessante, um som de flauta chora...
sexta-feira, dezembro 24, 2021
CRIMES. Charles Fonseca
CRIMES
UIVO. Allen Ginsberg. 238
"Sou um taquígrafo de minha mente. Escrevo o que se passa nela, não o que me circunda.Sou um poeta". Allen Ginsberg
quinta-feira, dezembro 23, 2021
MARROM. Charles Fonseca
MARROM
A lua. Manuel Bandeira
A lua
Manuel Bandeira
A proa reta abre no oceano
Um tumulto de espumas pampas.
Delas nascer parece a esteira
Do luar sobre as águas mansas.
O mar jaz como um céu tombado
Ora é o céu que é um mar, onde a lua,
A só, silente louca emerge
Das ondas-nuvens toda nua.
A PRAÇA. Charles Fonseca
A PRAÇA
quarta-feira, dezembro 22, 2021
VELHO TEMA. Charles Fonseca
VELHO TEMA
Charles FonsecaDado ser um filho torto
Ás dum jogo dito víspora
Presente, longa a saga,
A espera dum instante
Dar aos netos sua bênção
Teve pai na inocência
Onde dois esquecem um
Onde todos gemem, peça
Do mais querer só que então
Baixa o pano, velho tema!
APENAS. Charles Fonseca
APENAS
ARIEL. Sylvia Plath. 237
Sylvia Plath |
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Estase no escuro.
E um fluir azul sem substância
De rochedos e distâncias.
Leoa de Deus,
Como nos unimos,
Eixo de calcanhares e joelhos! — O sulco
Divide e passa, irmão do
Arco castanho
Do pescoço que não posso pegar,
Olhinegras
Bagas lançam escuros
Ganchos —
Goles de sangue negro e doce,
Sombras.
Algo mais
Me arrasta pelos ares —
Coxas, pêlos;
Escamas de meus calcanhares.
Godiva
Branca, me descasco —
Mãos mortas, asperezas mortas.
E agora
Espumo com o trigo, um brilho de mares.
O choro da criança
Dissolve-se no muro.
E eu
Sou a flecha,
Orvalho que voa
Suicida, e de uma vez avança
Contra o olho
Vermelho, caldeirão da manhã.
terça-feira, dezembro 21, 2021
CIDADE. Donizete Galvão. 302
Donizete Galvão |
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• De Azul Navalha (1988)
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CIDADE
ó blues de cruciais impossibilidades
dores de amores inexistentes
rosas amarelas mortas no apartamento
beijos e saliva nas tardes desérticas
ó visão depressiva do asfalto molhado
prédios encardidos & a horda dos bárbaros
arquitetura de guerra de dias provisórios
espelho poluído da cidade da chuva
ó mundo artificial com sua natureza de néon
espetáculo de vitrines e exibições
nada de eterno palpita no seu coração
tudo já nasce velho para ser refeito amanhã
domingo, dezembro 19, 2021
PESARES. Charles Fonseca
PESARES
Charles Fonseca
