PIX, DEPÓSITO OU TRANSFERÊNCIA BANCÁRIA – Banco do Brasil – Agência 31852 – C/C 112744. 6 Favorecido Charles Wellington da Silva Fonseca. 018631345-49 (chave PIX).

Mostrando postagens com marcador João José de Melo Franco. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador João José de Melo Franco. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, novembro 25, 2011

CIDADE

João José de Melo Franco


Na madrugada bateram em minha porta.
Eram os mortos.
Clamavam por algo que pudesse lhes matar a sede.
Eu bem sabia não ser água
o que havia de matar-lhes a sede.
Eu bem sabia a sede que sentiam
e que água alguma há para matá-la.

Era o cheiro da cidade o que queriam,
o cheiro da fuligem,
o senso pleno na vertigem dos cheiros
nascidos de milhares de fontes de suor.
O cheiro de suas casas,
dos armários entulhados de suas coisas,
que, sem eles, parecem inúteis e são dadas,
por misericórdia, ou para os esquecerem,
e para se livrarem de seus cheiros mortos.

Homens que foram, só agora o sabem
do faro que os guiou nessa vida de porco-odor.
E porcos que foram, só agora se sabem
seguidores da vida e de seu acre odor.
Homens-porcos que foram,
farejam agora o verdadeiro cheiro do corpo,
do seu amor-porco, do seu apego pútrido e louco,
matéria de sua carne histórica,
nos chiqueiros quânticos dessas ruas insones.

Esquecidos habitantes dos umbrais…
Por seus guinchos bestiais abro meu peito e canto,
um hino de horror a esta fétida morada,
testemunho de uma alma incurável e franca,

meu bafo poético, podre por perenidade,
pá de cal, grãos de terra, pétalas semimortas,
e minhas palavras, olfato e tato, minha alavanca.

quarta-feira, dezembro 30, 2009

SONETO DA SAUDADE. João José de Melo Franco

SONETO DA SAUDADE
João José de Melo Franco

Quando morrer, quero estar contigo.
Saudade sentirei só do outro lado,
Onde te esperarei com o mais puro trigo
Para fazer um pão, macio e bem sovado.

Quando morrer, vou querer dizer, e digo,
Que saudade sentirei porque fui amado.
Comi do pão que reparti contigo;
Te serei faminto nesse meu novo estado.

Em eterna manhã, na celeste padaria,
Com Jorge e Benedito, a nova irmandade,
Prepararemos com divinal poesia

A fôrma de assar nossa saudade.
E quando chegares, estarei à mesa,
Com um pão de amor. Tenha certeza!

quinta-feira, setembro 03, 2009

SONETO DA SAUDADE João José de Melo Franco

SONETO DA SAUDADE
João José de Melo Franco

Quando morrer, quero estar contigo.
Saudade sentirei só do outro lado,
Onde te esperarei com o mais puro trigo
Para fazer um pão, macio e bem sovado.

Quando morrer, vou querer dizer, e digo,
Que saudade sentirei porque fui amado.
Comi do pão que reparti contigo;
te serei faminto nesse meu novo estado.

Em eterna manhã, na celeste padaria,
Com Jorge e Benedito, a nova irmandade,
Prepararemos com divinal poesia
A fôrma de assar nossa saudade.

E quando chegares, estarei à mesa,
com um pão de amor. Tenha certeza!