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quarta-feira, outubro 14, 2020

quinta-feira, junho 04, 2020

domingo, maio 20, 2018

Pedaço de Mim. Chico Buarque. Poesia.

Pedaço de Mim
Chico Buarque

Oh, pedaço de mim
Oh, metade afastada de mim
Leva o teu olhar
Que a saudade é o pior tormento
É pior do que o esquecimento
É pior do que se entrevar

Oh, pedaço de mim
Oh, metade exilada de mim

Leva os teus sinais
Que a saudade dói como um barco
Que aos poucos descreve um arco
E evita atracar no cais

Oh, pedaço de mim
Oh, metade arrancada de mim
Leva o vulto teu
Que a saudade é o revés de um parto
A saudade é arrumar o quarto
Do filho que já morreu

Oh, pedaço de mim
Oh, metade amputada de mim
Leva o que há de ti
Que a saudade dói latejada
É assim como uma fisgada
No membro que já perdi

Oh, pedaço de mim
Oh, metade adorada de mim
Lava os olhos meus
Que a saudade é o pior castigo
E eu não quero levar comigo
A mortalha do amor
Adeus

terça-feira, junho 20, 2017

sexta-feira, maio 19, 2017

Trocando em miúdos. Chico Buarque. Poesia

Trocando em Miúdos
Chico Buarque

Eu vou lhe deixar a medida do Bonfim
Não me valeu
Mas fico com o disco do Pixinguinha, sim!
O resto é seu

Trocando em miúdos, pode guardar
As sobras de tudo que chamam lar
As sombras de tudo que fomos nós
As marcas de amor nos nossos lençóis
As nossas melhores lembranças

Aquela esperança de tudo se ajeitar
Pode esquecer
Aquela aliança, você pode empenhar
Ou derreter

Mas devo dizer que não vou lhe dar
O enorme prazer de me ver chorar
Nem vou lhe cobrar pelo seu estrago
Meu peito tão dilacerado

Aliás
Aceite uma ajuda do seu futuro amor
Pro aluguel
Devolva o Neruda que você me tomou
E nunca leu

Eu bato o portão sem fazer alarde
Eu levo a carteira identidade
Uma saideira, muita saudade
E a leve impressão de que já vou tarde.

sexta-feira, abril 28, 2017

quarta-feira, maio 18, 2016

Chico Buarque de Holanda

Chico Buarque de Holanda.
"Ah, se já perdemos a noção da hora! Se juntos já jogamos tudo fora, me conta agora como hei de partir?
Se ao te conhecer, dei pra sonhar, fiz tantos desvarios. Rompi com mumdo, queimei meus navios, me diz pra onde é que inda posso ir?
Se nós, nas travessuras das noites eternas, já confundimos tanto as nossas pernas, diz com que pernas eu devo seguir?
Se entornaste a nossa sorte pelo chão.
Se na bagunça do teu coração, meu sangue errou de veia e se perdeu.
Como, se na desordem do armário embutido,
meu paletó enlaça o teu vestido e o meu sapato inda pisa no teu.
Como, se nos amamos feito dois pagãos,
teus seios inda estão na minha mão, me explica com que cara eu devo sair?
Não, acho que estás te fazendo de tonta.
Te dei meus olhos pra tomares conta, agora conta, como hei de partir?"

sexta-feira, março 25, 2016

"A Bela e a Fera", por Chico Buarque


Ouve a declaração, oh bela
De um sonhador titã
Um que dá nó em paralela
E almoça rolimã
O homem mais forte do planeta
Tórax de Superman
Tórax de Superman
E coração de poeta

Não brilharia a estrela, oh bela
Sem noite por detrás
Tua beleza de gazela
Sob o meu corpo é mais
Uma centelha num graveto
Queima canaviais
Queima canaviais
Quase que eu fiz um soneto

Mais que na lua ou no cometa
Ou na constelação
O sangue impresso na gazeta
Tem mais inspiração
No bucho do analfabeto
Letras de macarrão
Letras de macarrão
Fazem poema concreto

Oh bela, gera a primavera
Aciona o teu condão
Oh bela, faz da besta fera
Um príncipe cristão
Recebe o teu poeta, oh bela
Abre teu coração
Abre teu coração
Ou eu arrombo a janela

quinta-feira, novembro 26, 2015

domingo, setembro 20, 2015