"Clássicos : Shakespeare II
Hamlet não é boa peça para começar Shakespeare. Recomendaria Romeu e Julieta. A peça trata dos problemas da paixão. Foi escrita como uma advertência a quem segue o coração. Os pais tinham razão: não poderia dar certo. A paixão passa logo e pesa a tradição familiar. O príncipe de Verona entra em cena 3 vezes para impor a ordem e mostra o valor shakesperiano da estabilidade política. A peça é uma advertência CONTRA o amor impulsivo. A partir do XIX foi lida como um exemplo de amor romântico. Romeu chega, no domingo à noite, à festa na casa de Julieta. Está apaixonado por outra mulher. Vê Julieta e esquece a outra, Rosalind. Segunda de madrugada se declara para Julieta no balcão. Casam e conseguem somente uma relação sexal. Quinta morrem. O amor mais perfeito da literatura vai de domingo à noite até quinta e só com uma noite de sexo. A versão de 1968 é um clássico de uma era hippie. Gosto da versão australiana de Baz Luhrmann. O travestido amigo de Romeu canta, em versão disco-gay, a advertência do frei na peça: Young Hearts Run Free. A versão de Shakespeare in love é totalmente fantasiosa sobre a peça e sobre o bardo, mas recria bem um palco elizabethano. Vale a pena."
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terça-feira, março 29, 2016
Clássicos : Shakespeare II
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domingo, março 27, 2016
Democracia. Leandro Karnal
Voltava pela paulista e vi um grupo de manifestantes em frente à Fiesp. Eles se manifestavam pacificamente e com cartazes falando das suas convicções. Nada mais natural e próprio da democracia. Porém, grandes cartazes laterais pediam para que, se vc apoiasse determinado membro do judiciário federal, deveria buzinar. Muitos motoristas atendiam ao apelo e seguravam a mão nas suas buzinas por mais de 100 metros. O manifestantes aplaudiam. Vejam: não quero pensar se é certo ou errado apoiar membros do judiciário.Todo protesto é válido. Os cartazes teriam o mesmo problema se pedissem para apoiar o Boitatá, o Kmer Vermelho, a Cuca ou Donald Trump. Mas o curioso é pensar na nossa estrutura de pensamento: suponho que preciso defender a lei e peço para que se cometa uma ilegalidade em apoio à lei. Não é algo estranho? Vejam o que diz nosso código:
De acordo com o artigo 41 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB) o uso da buzina só é permitido nas seguintes situações:
I – para fazer as advertências necessárias a fim de evitar acidentes;
II – fora das áreas urbanas, quando for conveniente advertir a um condutor que se tem o propósito de ultrapassá-lo.
De novo, a causa não está em jogo. Mas o curioso é se pedir que os motoristas quebrem a lei porque alguém precisa ser apoiado para fazer cumprir a lei. Voltamos ao grande Millôr: democracia é quando eu mando...
De acordo com o artigo 41 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB) o uso da buzina só é permitido nas seguintes situações:
I – para fazer as advertências necessárias a fim de evitar acidentes;
II – fora das áreas urbanas, quando for conveniente advertir a um condutor que se tem o propósito de ultrapassá-lo.
De novo, a causa não está em jogo. Mas o curioso é se pedir que os motoristas quebrem a lei porque alguém precisa ser apoiado para fazer cumprir a lei. Voltamos ao grande Millôr: democracia é quando eu mando...
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