PIX, DEPÓSITO OU TRANSFERÊNCIA BANCÁRIA – Banco do Brasil – Agência 31852 – C/C 112744. 6 Favorecido Charles Wellington da Silva Fonseca. 018631345-49 (chave PIX).

Mostrando postagens com marcador Mitologia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Mitologia. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, agosto 21, 2015

Zeus


Zeus

No momento em que se aproximava o nascimento de seu filho Heracles, Zeus declarou a todos os deuses que o primeiro descendente de Perseu que iria nascer se tornaria o rei de Micenas. Hera, sua ciumenta esposa, tinha conhecimento de que se tratava de um filho ilegítimo e com a intenção de enganá-lo fez com que ele transformasse sua declaração em jura solene. Sem suspeitar da dolosa intenção fez o juramento pensando em beneficiar seu filho. Porém o parto foi retardado, - por interferência de Hera -, por dez meses beneficiando Euristeu outro descendente, que passou a ser o primeiro a nascer. Zeus foi enganado por Ate, submetendo Heracles ao comando de Euristeu. Sua vingança não demorou lançando a deusa fora do Olimpo, despencando sobre uma colina que recebeu o nome de Colina do Erro, onde mais tarde foi construída a cidade de Tróia.

Desde então, Ate é a personificação do equívoco, do erro, do lapso. Divindade leve e ágil, seus pés pousam sobre a cabeça dos mortais, sem que eles percebam. Ao cair do alto do céu a deusa perdeu para sempre a possibilidade de morar no Olimpo e é por isso que o erro constitui a triste partilha da humanidade.
(autor desconhecido)

quinta-feira, julho 16, 2015

sexta-feira, abril 06, 2012

A vingança. A maldição de Arsínoe. Mitologia.

A maldição de Arsínoe


Arsínoe era filha do Rei Fegeo de Psófide. Certo dia chegou ao reino Alcmeón, buscando proteção contra as Erínias que o perseguiam por ter matado a própria mãe. Arsínoe apaixonou-se por Alcmeón e o rei consentiu no casamento. No entanto, as erinias continuavam a perturbar Alcmeón e aconselhado pelo oráculo de Delfos, ele partiu para as terras junto ao Rio Aqueloo prometendo a Arsínoe que voltaria.

Quando Alcmeón chegou ao Reino de Aqueloo, tornou-se amante e casou-se novamente com Calírroe, a filha de Aqueloo, e teve com ela dois filhos. Passado algum tempo, Calírroe pediu a seu marido o colar e a túnica que tinham sido de sua mãe, mas Alcmeón já tinha presenteado a Arsíone. Alcmeón voltou ao Reino de Psófide e convenceu à ingênua Arsíone de lhe dar o colar e a túnica, dizendo que deveria entregá-los ao oráculo de Delfos para se livrar das Erinias. Confiando nas palavras do marido, sem saber que ele havia se casado novamente, Arsíone atendeu ao pedido sempre acreditando que ele voltaria para ela.

O pai de Arsínoe era astuto e descobrindo os feitos de Alcmeón, ordenou que ele fosse morto antes de sair do palácio. Quando Arsíone estava a despedir do seu marido pela janela, presenciou o assassinato de Alcmeón. Por não saber que seus dois irmãos estavam cumprindo ordens do seu pai e que pretendiam protegê-la, Arsíone amaldiçoou seu pai e seus irmãos profetizando que eles morreriam violentamente antes da lua nova seguinte. Em vista da maldição, seu pai a encerrou numa arca e a presenteou como escrava ao Rei de Nemea.

Ao saber da morte de Alcmeón, Calirroe, a segunda esposa, solicitou a Zeus que fizesse que seus filhos pequenos se tornassem adultos e guerreiros, assim poderiam vingar a morte do pai. Os filhos de Calirroe cresceram imediatamente e quando passavam pelo reino de Nemea, coincidentemente se envolveram num conflito com um homem e seus dois filhos, e os mataram. Sem saber, eles haviam matado o pai e os irmãos de Arsínoe, que tinham estavam indo a Nemea para implorar a Arsíone para retirar a maldição.

************************

O mito de Arsíone trata da vingança. Quando algo perturbador acontece, gera sofrimento à pessoa e sua imaturidade psicológica que se sente ameaçada, mesmo raciocinando conscientemente, não consegue se desvincular das manifestações desconhecidas armazenadas em seu inconsciente que lhe exige reparação, desforra e até mesmo a aniquilação do seu opositor.

Neste instante, inicia-se uma acirrada disputa entre o seu lado racional, procurando resistir a esse tipo de atitude por identificar como uma falha do caráter e o seu lado irracional que ativa sua desconhecida bagagem sombria de manifestações inesperadas e inconsequentes, armando verdadeiras ciladas e fazendo a pessoa a agir por vingança com consequências funestas.

Esses impulsos doentios emergem de áreas desconhecidas do ego que não conseguem identificação com o ser espiritual e termina por induzí-lo ao desenvolvimento perseverante da odiosidade, instaurando o sentimento de revolta e o desconforto ante o opositor onde vê o perigo e ameaça à sua segurança, por isso se empenha-se em destruí-lo.

O fenômeno ocorre tanto entre pessoas quanto entre nações, dando ensejo a guerras nefastas e hediondas que prejudicam gerações, deixando sequelas lastimáveis em suas vítimas. Nas pessoas, esse comportamento provoca o perverso mecanismo conflitivo que o leva ao desespero. Mesmo quando o outro já não mais representa perigo algum, mesmo depois de se render ou ser aniquilado, os efeitos desastrosos da vingança não desaparecem, frustrando a quem aparentemente estaria vitorioso.

Invariavelmente isso acontece com uma pessoa neurótica, que age quase sempre pela repressão sexual infantil ou dominado pela sede do poder e ambição, vivendo a competir com os demais por invejar aqueles que estão em situação psicológica melhor que ele. Podem em certos casos até aceitá-los enquanto os manipulam, tirando dessa forma proveito da situação.

A vingança é um transtorno neurótico que liberta do inconsciente as forças desordenadas que estão adormecidas, irrompendo com ferocidade sob o estímulo do aniquilamento do inimigo. Ao armar-se de calúnia e de outros mecanismos de perseguição contra aquele a quem odeia, está realizando uma luta inconsciente contra si mesmo, pois está apenas projetando o lado escuro e sombrio da sua personalidade que o mantém preso à ignorância. Fixa-se no adversário com implacável disposição para conseguir exterminá-lo, julgando que disso depende sua liberdade.

Além da inferioridade moral que tipifica o vingador, o seu primarismo emocional elabora razões que são arquitetadas pela mente em desalinho para justificar o prosseguimento do seu intento, razões essas nascidas no inconsciente pessoal profundo. Em outras oportunidades em que sua inferioridade se projeta e não se sente devidamente capaz de competir contra valores significativos que não possui, cultiva internamente a antipatia que se avoluma a cada dia, transformando-se em fúria incontrolável que somente se aplaca quando está lutando contra aquele que o atormenta, mesmo que o outro não saiba e nem tenha nada contra ele, podendo até mesmo nem saber da situação infeliz de seu oculto adversário.

Os que se apóiam em mecanismos vingativos quase sempre tem uma história de repressão infantil e juvenil. Sentiram-se desprezados pelo grupo social e agora transferem suas frustrações para os outros, desde que isto lhes transformem em pessoas de poder e ambiciosos dirigentes de qualquer coisa. A personalidade doentia deseja ser homenageada, embora sua conduta seja esquizóide, falsamente humilde ou pretenciosamente dominadora.

E, mesmo que tenha oportunidade de se harmonizar com o inimigo, não o perdoa interiormente e continua ruminando o que considera sua derrota, até encontrar novos argumentos para dar prosseguimento ao intento de vingança, impelido pela sua libido atormentada. Os indivíduos que assim procedem, levados pelo sentimento desequilibrado e doentio da vingança, estarão sempre sujeitos a convulsões epilépticas ou mesmo a simples ausências, tornando-se personalidades psicopatas, perigosas e traiçoeiras.

Simulando sentimentos íntimos, se apoiam em planos macabros pela psique ambivalente, doentia e com predomínio da faceta mórbida. Todo aquele nessa situação precisa de investigação sobre os traumas e conflitos da infância, o que pode alterar sua conduta pessoal com base em novos valores, muitas vezes dependendo de ajuda psiquiátrica para remover extratos epilépticos ou esquizofrênicos.

Socialmente, dispomos dos mecanismos judiciais que visam reparar injustiças, danos morais e materiais, o que não justifica sentimentos de vingança, deixando a cargo de Nêmesis. Espiritualmente o amor lhes seria de grande valia, embora reajam inicialmente com desconfiança e ambivalência de conduta, traz simpatia e amizade, substituindo os muitos tormentos que o avassalam. Só o amor cobre a multidão de pecados. Diz o evangelho: Sem caridade não há salvação! Caridade é não ceder ao impulso da vingança, senão para perdoar...

quinta-feira, abril 05, 2012

Argos Panoptes. Mitologia.

Argos Panoptes


Argos Panoptes, o monstro de cem olhos, era o fiel servo de Hera. Era ele quem cumpria as ordens de Hera liquidando quem ela determinasse. Foi ele quem liquidou Equidna, o monstro de natureza terrível que devorava viajantes inocentes, enquanto ela dormia. Também foi ele quem vigiava com seus cem olhos, que nunca dormiam, Io - a amante de Zeus, que foi transformada em novilha.

Recomendado por Zeus - o marido de Hera, Hermes fêz Argos Panoptes dormir e matou-o. Quando Argos morreu, Hera o transformou de monstro a um lindo e exuberante pavão real, com suas penas marcadas pelos olhos de Argos Panoptes, em reconhecimento por suas grandes tarefas cumpridas.

************************

O mito de Argos Panoptes representa os fiéis servidores que cumprem suas tarefas com prontidão e competência, tomando para si a responsabilidade para o bom desenvolvimento do seu trabalho. Argos era incumbido de tarefas que visavam eliminar problemas e ele não se distraia de suas incumbências.

Por sua eficiência, Argos foi reconhecido nas tarefas cumpridas. Assim também devemos reconhecer o esforço e dedicação daqueles que nos servem, que se dedicam a nós, com seu trabalho e sua atenção.

Hera tinha em Argos um aliado que a ajudava nas suas intenções. Assim também, quando necessário, não devemos nos acanhar em pedir ajuda, em compartilhar os nossos problemas. Mesmo nas piores situações, sempre há algo a se fazer. A saída sempre existe, mesmo sendo difícil de encontrá-la. Devemos nos apoiar naqueles que possam nos ajudar a superar nossos pontos fracos.

Também só devemos ajudar a quem pede ajuda para evitarmos interferir demais na vida das pessoas. E quando alguém pedir algo, só devemos dizer "sim" se realmente estivermos dispostos e em condições de atender ao pedido. Não devemos nos culpar quando não podemos atender.

http://eventosmitologiagrega.blogspot.com.br/search/label/Mito%3A%20Argos%20Panoptes%20o%20servo%20dedicado

quarta-feira, abril 04, 2012

Arethusa, a fonte da individualidade. Mitologia.

Arethusa, a fonte da individualidade


Arethusa significa "a que rega". Ela era uma ninfa, filha de Nereu que a tornou uma Nereida, atendente casta de Artemis. Chegando a um rio de águas cristalinas, Arethusa despiu-se e mergulhou nas águas frescas e serenas. Durante algum tempo nadou tranquilamente de um lado a outro. Logo depois, sentiu que algo se agitava sob as águas; depois, teve a impressão de que alguma coisa se agitava logo abaixo dela, e, assustada, saltou para a margem. Ouviu então uma voz que lhe dizia: "Por que tanta pressa bela jovem?"

Sem olhar para trás, afastou-se do rio e embrenhou na floresta correndo a uma velocidade que o medo multiplicava. Apaixonado por ela, Alfeu, deus do rio, a perseguiu. Correndo em fuga Arethusa pediu proteção à deusa Artemis que a escondeu em uma nuvem. Mas Alfeu a descobriu quando ele persistente a procurava. Suando de medo, logo ela se transformou em um córrego.

Alfeu continuou a persegui-la ora por cima da terra, ora por baixo da terra, desaparecendo numa ponta e aparecendo em outra buscando unir-se a ela. Foi uma longa corrida, mas ele nunca duvidava que algum dia pudesse alcançá-la pois ele era capaz de correr por muito mais tempo do que ela. Quando já estava sem forças de tanto correr, Arethusa invocou Ártemis e a deusa abriu uma fenda na terra que se tornou um túnel sob o mar, que unia a Grécia e a Silícia. Arethusa mergulhou e foi emergir na ilha de Ortygia na Sicilia transformando-se numa fonte, que hoje é chamada de Fonte de Arethusa.

Inconsolado, Alfeu fluiu até o mar para conviver com suas águas, através do rio subterrãneo Alpheius no Peloponeso. Com suas águas, Alfeu abriu caminho nas profundezas do abismo indo em busca de Arethusa com belas flores, presentes nupciais. Alfeu, o deus do rio, fundiu suas águas com as águas da Fonte Arethusa e ainda hoje flores gregas brotam de seu fundo. Basta jogar uma taça de madeira no rio Alfeu na Grécia, para que a mesma apareça na Fonte de Arethusa na Sicília.

Estranhos são os caminhos do amor, esse menino travesso e perturbador que, com seus encantamentos, ensinou um rio a mergulhar, num amor imortal. É por isso que as águas doces de Alfeu passam por cima do mar, sem misturar-se, até chegar à Fonte Arethusa.

****************

Quando somos crianças, nos sentimos felizes e plenos de satisfação a cada descoberta. Experimentamos os sabores, nos atraimos pelas cores, queremos entender como funcionam e para que servem os objetos. E assim, queremos circular pelo ambiente especulando cada canto e vamos nos distanciando da necessidade do colo dos pais e do aconchego permanente; estamos construindo a nossa individualidade. Embora nos sintamos mais seguros e protegidos com a presença de nossa mãe, queremos também descobrir o mundo.

O romance complexo, possessivo, cheio de paixão e doloroso pode ser comparado à insegurança infantil, pois o amor verdadeiro, sem cobranças e sem carências, é que garante as relações adultas e saudáveis. O amor tem sofrido atualizações onde uma aliança respeitosa propicia que cada um tenha seus próprios interesses e divertimentos além da vida em comum em que ambos compartilham dos mesmos interesses.

O amor também chegou à era da tecnologia e a humanidade está se tornando menos disposta a fazer concessões e de viver grudados em seus romances. Sobrevive mais o relacionamento que é baseado nas afinidades intelectuais, companheirismo e amizade profunda, porque as afinidades de caráter, gostos e temperamentos, tem se tornado essenciais para a estabilidade dos elos sentimentais. As mulheres costumam se prender mais aos ideais romanticos, porém já estão num processo de individualização compreendendo que a fusão romantica que tanto sonham na verdade exige maiores renúncias.

Na atualidade, os relacionamentos precisam muito mais de cooperação e ambos, por meio da negociação, decidem o que será feito em conjunto. A sensação de aconchego depende mais dos interesses intelectuais, quando se entende que quanto maior a paixão, maior é a perda da individualidade. No encantamento amoroso intenso, de paixão, geralmente há um que ama intensamente e outro é amado de forma passiva, e se não existe uma correspondencia equilibrada, será uma relação fantasiosa e incompleta.

A ideia da cara metade, de que somos apenas uma metade e precisamos de encontrar a outra metade, é que determina a busca da fusão, mas na realidade nunca encontrada e que oprime a individualidade. No passado, homens e mulheres se uniam para resolver questões práticas de sobrevivencia. Hoje os relacionamentos precisam se adequar à modernidade, enfrentando problemas juntos, compartilhando soluções e divertimentos, o que é mais gratificante do que o amor romantico tradicional. Quando os casais descobrem isso, eles passam a desenvolver interesses próprios, com suas outras paixões seja pelo esporte, pelo futebol ou interesses intelectuais.

Construir sua própria independência financeira e ser capaz de cuidar de si mesmo, dispensando a necessidade de estar sempre no colo do outro, equilibrando egoismo e generosidade, é o caminho para as perfeitas relações, uma lição que Arethusa pode nos ensinar.

http://eventosmitologiagrega.blogspot.com.br/search/label/Mito%3A%20Arethusa%20a%20fonte%20da%20individualidade

terça-feira, abril 03, 2012

Quando a paixão domina. .

Ares e Afrodite


Ares, deus da guerra, foi concebido por Hera sem a semente masculina. Alegrava-se com a luta e junto com seus dois filhos, Deimos - o espanto e Phobos - o terror, estavam sempre em batalhas. Ares era oposto a Atena, a divindade guerreira representada pela estratégia e coragem refletida, enquanto Ares amava o calor da batalha e exultava em derrotar o inimigo. Ares sempre foi repelido pelos deuses pois estava sempre associado aos conflitos e guerras sangrentas, usando sua força bruta e sem refinamento.

Afrodite era casada com Hefesto, irmão de Ares, um deus ferreiro, doente e deformado. Porém, impressionada pelo vigor do jovem guerreiro, correspondia aos encantos de Ares. Hefesto descobriu o adultério e planejou uma terrível vingança. Em segredo forjou uma rede muito fina, quase invisível, porém muito forte que não podia ser destruída, e pendurou-a sobre o leito.

Quando Ares e Afrodite adormeceram, Hefesto soltou a rede sobre ambos e chamou todos os deuses para testemunhar o adultério. A paixão de Ares jamais foi suplantada pela vergonha. Tempos depois nasceu Harmonia, estabelecendo uma ligação equilibrada entre o amor e a paixão.

**************************

Ares é a imagem dos instintos guiados pela vontade do consciente. Ares, nascido sem o pai, representa a competição do ser humano, sem o arquétipo do pai, para lhe oferecer um código de ética ou uma visão adequada da situação. Porém, sua vontade e coragem são imensuráveis necessária à personalidade humana, pois apenas a visão espiritual não garante a sobrevivência num mundo competitivo.

Após o conflito como resultado de suas escolhas, aprende-se que com a utilização dos ímpetos irrefletidos deverá assumir as consequências de seus atos. Na mitologia, Ares sempre estava envolvido num conflito ou numa disputa. Apesar das humilhações e da derrota, ele conseguiu a serenidade, através da harmonia, conduzida com criatividade e firmeza.

Ares simboliza a luta necessária e, embora haja o comprometimento espiritual, os impulsos existem. Podem ser suprimidos a nivel inconsciente, mas surgirão mais tarde na forma de problemas ou então projetados nos outros que descarregarão sua agressividade sobre nós. Quando conseguimos enfrentar o desafio de Ares, podemos conter e direcionar essa força para nos desenvolvermos com maturidade.

http://eventosmitologiagrega.blogspot.com.br/search/label/Mito%3A%20Ares%20e%20o%20equilibrio%20entre%20amor%20e%20paix%C3%A3o

segunda-feira, abril 02, 2012

Aracne, a artesã. Mitologia.

Aracne, a artesã


Aracne era uma bela moça, filha de um tintureiro de lã na cidade de Colofon, e por isso bordava e tecia, tendo um grande talento para essa arte. À medida que Aracne foi tornando-se adulta, sua arte também se aperfeiçoava, e logo seus trabalhos eram disputados por todas as mulheres da cidade. Algumas mulheres vinham de longa distância para ter uma peça bordada da artesã e todas comentavam sobre a beleza de seu trabalho.

Atena, a deusa protetora das obreiras e artesãos, teve conhecimento de que todas as mulheres consideravam os bordados de Aracne melhores do que os seus. Como Deusa das Artes, Atena foi desafiada numa competição de destreza. Ambas trabalhavam com rapidez e habilidade.

Quando as tapeçarias ficaram terminadas, Atena admirou o trabalho impecável de sua competidora, mas ficou furiosa porque Aracne ousou ilustrar as desilusões amorosas de Zeus, pai de Atena, em sua tapeçaria. O tema de sua tapeçaria ocasionou a ruína de Aracne. Atena ficou furiosa e destruiu o trabalho de Aracne, transformando-a em aranha, condenada para sempre a tecer.

********************

O mito de Atena e Aracne mostra o comprometimento de julgamento, quando se esquece da questão principal para se preocupar com detalhes alheios aos fatos. Como defensora categórica do pai, Atena pune Aracne por tornar público o comportamento ilícito de Zeus, sem questionar o desaforo do próprio desafio.

Irritada, Atena transformou Aracne em uma aranha, mas imediatamente, Aracne começou a tecer um lindo manto de seda, cujos fios ela produzia em si mesma. E contando agora com muitos braços, tinha muito mais agilidade. E ainda que Atena tenha tentado prejudicá-la, seus talentos se multiplicaram.

Mesmo que os obstáculos da vida venham a nos transformar, são eles que devem servir de incentivo, para que possamos aprimorar nossos talentos. Mas assim como o mito, recorda que devemos nos ater apenas ao essencial, sem nos preocuparmos com fatos subjacentes que em nada acrescentam. E jamais devemos nos deter diante dos fracassos ou das injustiças, mas devemos prosseguir com fé e confiança em nós mesmos, e assim podemos tecer o melhor curso de nossa história.

http://eventosmitologiagrega.blogspot.com.br/search/label/Mito%3A%20Aracne%20-%20as%20dificuldades%20s%C3%A3o%20incentivos

domingo, abril 01, 2012

Os destinos atrelados de Aquiles e Heitor. Mitologia.

Os destinos atrelados de Aquiles e Heitor


Aquiles era filho de Tétis, que o mergulhou nas águas do rio Esfinge tornando-o invulnerável, exceto pelo seu calcanhar, por onde sua mãe o segurou. O calcanhar de Aquiles era seu ponto fraco. Heitor era filho de Priamo, rei de Troia, e no mais famoso confronto da Guerra de Troia, Aquiles, o maior guerreiro de todos os tempos, venceu facilmente o mais valoroso dos troianos, que era Heitor.

Aquiles se recusava a participar da guerra, porém seu grande amigo Pátroclo furta-lhe a armadura e vai para o campo de batalha onde acabou por encontrar a morte nas mãos de Heitor, que pensava estar lutando com Aquiles. Enlouquecido de dor pela perda de seu amigo, Aquiles saltou sem armas para o campo de batalha e num bramido demente e insano, só pensou em vingar-se e investiu sobre Heitor matando-o.

Não satisfeito em matá-lo, Aquiles amarrou o corpo de Heitor no seu carro e o arrastou pelo pó da planície até o acampamento grego, onde o deixou insepulto para ser devorado pelos cães famintos que rondavam o campo de batalha. Do alto das muralhas os troianos assistiram estarrecidos seu herói ser morto por Aquiles, mas ninguém se desesperou mais do que seu pai, o velho rei Príamo, por não poder dar ao seu filho um digno funeral.

No Olimpo os deuses também se indignaram com o triste fim de Heitor, pois ele era um homem justo, um grande guerreiro e não merecia esse derradeiro ultraje. A uma ordem de Zeus, o cadáver do herói foi coberto por um bálsamo divino que impedia a putrefação. Íris a deusa mensageira, foi sugerir a Príamo que oferecesse um rico resgate pelo corpo, como era costume entre os gregos, enquanto a deusa Tétis, mãe de Aquiles, foi até sua tenda para convencê-lo a devolver Heitor à sua família.

Príamo deixou a cidade e dirigiu-se ao acampamento grego, com uma carreta pesada de riquezas. Hermes, o deus dos caminhos, guiou-o na escuridão até o campo inimigo. Lá, Hermes adormeceu os guardas e o carro pode passar desapercebido, deixando Príamo frente à tenda de Aquiles, que surpreendeu-se quando o velho rei surgiu à sua frente, de joelhos a suplicar: " Dá o meu Heitor de volta, Aquiles! Pensa no teu pai, que também deve ter cabelos brancos e deve te amar como eu amei meu filho!"

Ouvindo essas palavras, Aquiles lembrou com tristeza que seu pai, o velho Peleu, devia estar de longe, lá na Grécia, esperando seu retorno, sem saber que o oráculo havia predito que ele não voltaria de Tróia. Comovido, ele tomou as mãos de Príamo, e os dois, frente a frente, unidos pelo mesmo sentimento de dor e solidão, irromperam num pranto comum que veio encher a imensidão daquela noite com os seus soluços, não mais como dois inimigos, mas como dois simples homens que choravam a infinita saudade de todos os pais e de todos os filhos que nunca mais irão se ver.

Este é o tema central da cena magistral que Homero escolheu para encerrar sua Ilíada e o restante seria contado na Odisséia. Após a morte de Heitor, muitos aliados ajudaram os troianos. Aquiles foi morto por uma flecha que o atingiu justamente no calcanhar, lançada por Páris, o filho recém nascido que o rei Priamo havia abandonado nas montanhas, e que motivou a Guerra e a destruição de Troia.

O corpo de Aquiles foi resgatado com grande dificuldade pelos gregos. Sua mãe havia profetizado que ele poderia escolher entre dois destinos: lutar em Troia, alcançar a glória eterna mas morrer jovem; ou permanecer em sua terra natal e ter uma longa vida, mas sendo logo esquecido. Aquiles preferiu a glória...

http://eventosmitologiagrega.blogspot.com.br/search/label/Mito%3A%20Aquiles%20e%20Heitor%20destinos%20atrelados

quarta-feira, março 28, 2012

Aquiles e as relações entre pais e filhos. Mitologia.

Aquiles e as relações entre pais e filhos


Aquiles, o grande herói da mitologia, era filho de Tétis e Peleu. Quando Aquiles nasceu, seu pai confiou-o para ser criado e educado por Kiron. O centauro se encarregou da educação do jovem alimentando-o com mel de abelhas, medula de ursos e de javalis e vísceras de leões. Ao mesmo tempo, iniciou-o na vida rude em contato com a natureza, exercitou-o na caça, no adestramento dos cavalos, na medicina, na música e, principalmente, obrigou-o a praticar a virtude.

O jovem Aquiles tornou-se um adolescente belo, loiro e de olhos vivos. Intrépido, era simultaneamente capaz da maior ternura e da maior violência, por isso seu pai o enviou a um segundo preceptor, Fénix, um homem de grande sabedoria, que instruiu o príncipe nas artes da oratória e da guerra, juntamente com Pátroclo, filho de Menécio Rei de Locrida.

Quando Aquiles tinha nove anos de idade, Calcas - o adivinho - declarou que Tróia só poderia ser tomada com a ajuda de Aquiles, mas sua mãe pressentia que Aquiles morreria na guerra. Apavorada, Tétis vestiu seu filho como uma menina e o enviou para a corte do Rei Licomedes na ilha de Esquiro, para que ele fosse educado no Gineceu junto às filhas virgens do rei, disfarçado com o nome de Pirra - a loira ou ruiva.

Quando os gregos foram à corte de Peleu procurar por Aquiles, não o encontrando recorreram a Calcas que revelou-lhes a trama. Disfarçado de mercador, Odisseu foi ao palácio de Licomedes conseguindo entrar no Gineceu. Ele expôs, perante os olhos maravilhados das princesas, os mais ricos adornos. Entre os tecidos e as jóias estavam escondidos um escudo e uma lança. Odisseu fez soar a trombeda da guerra e imediatamente a pretensa Pirra correu para se armar. Assim Aquiles se revelou.

Aquiles retornou para junto de seus pais. Deidamia, uma das filhas de Licomedes, há muito tempo conhecia a verdadeira identidade de Aquiles. Ela mantinha um relacionamento oculto com ele e estava grávida, mas o nascimento da criança só ocorreu após a partida do herói. A criança recebeu o nome de Neoptólemo com o alcunha de Pirro. Tétis lamentou o insucesso do seu estratagema e fêz insistentes recomendações a seu filho, de que sua vida seria tanto mais longa quanto mais obscura ele a mantivesse, mas Aquiles optou pela glória tornando-se um dos mais belos herois da Guerra de Troia e um dos seus melhores guerreiros.

*********************

Essa parte do mito de Aquiles retrata o relacionamento entre pais e filhos adolecentes. A família é a base da sociedade; é o lugar onde se desenvolvem as estruturas psíquicas e onde a criança forma a sua identidade e desenvolve o seu emocional. É na família que se determinam as funções, papéis e a hierarquia entre seus membros, sendo também o espaço social da confrontação de gerações e onde o masculino e o feminino definem suas diferenças e as relações de poder.

Cabe aos pais educar os filhos; a educação é a condição básica para o convívio social. Educar implica o uso de autoridade para estabelecer limites. Toda criança nasce egoísta e ela passa a respeitar o outro através da educação, da disciplina e, principalmente, pelo exemplo dos pais. As crianças se identificam com um dos pais e fazem o que esse adulto faz.

Quando os filhos são pequenos, os pais tem plenos poderes sobre os seus filhos e podem ainda decidir o que, quando e como as coisas podem ser feitas. Os pais tomam as decisões que julgam mais apropriadas e as crianças vivem confortavelmente essa relação de dependência desde que tenham suas necessidades básicas atendidas. Mas os filhos crescem e chegam à fase da adolescência, dando início a uma série de conflitos entre pais e filhos.

A maioria dos pais tem dificuldade em aceitar que seus filhos crescem e que passam a pensar por si mesmos. Admitir que eles estão crescendo muitas vezes significa que os pais estão envelhecendo. Muitos pais não aceitam perder o posto de heróis dos filhos, não suportam que os jovens possam ter um olhar crítico sobre eles. Crescendo, os filhos passam a enxergar os pais como pessoas, com qualidades e defeitos.

Alguns pais podem querer controlar de modo exagerado a vida dos filhos, não respeitam sua privacidade, perseguem seus passos tentando com isso evitar que eles cresçam e usam como justificativa os perigos do mundo. Na verdade, os pais tentam proteger os filhos e evitar sofrimentos futuros e se esquecem que a única forma de aprender a viver é vivendo. É isso que termina ocasionando os conflitos entre os pais e os filhos adolescentes.

O conflito entre gerações sempre existiu e os impulsos de rebeldia se formam quando os adolescentes formam seus valores, nada mais natural que jovens e adultos tenham uma visão diferente do mundo. Alguns conflitos são inevitáveis, mas muitos podem ser solucionados com um bom diálogo e respeito mútuo. A comunicação entre pais e filhos exige escuta ativa, livre expressão de sentimentos e busca ativa de entendimento mediante negociação e compromisso.

Desenvolver a habilidade de comunicação produz recompensas imediatas e a longo prazo. A comunicação tem grande impacto na saúde física e mental da família e influencia do modo como seus membros lidam com suas emoções. Isso pode afetar as atitudes, a auto-estima e a reação a situações estressantes. Se o prazer do relacionamento afetivo saudável for substituído por conflitos sem solução adequada, a família sem dúvida será infeliz.

Quando os pais apoiam seus filhos, dentro de regras razoáveis, eles promovem a segurança que os filhos precisam para seguir suas opções de vida. Quando os pais aceitam as resoluções conjuntas e conciliatórias, buscando criar soluções junto com os filhos, se estabelece o diálogo e a compreensão. Compete aos pais facilitar esse relacionamento com flexibilidade e espírito jovial. Educar com liberdade e ensinar aos filhos administrar a vida com responsabilidade é a melhor forma para desenvolver a confiança e consolidar a amizade entre pais e filhos.

http://eventosmitologiagrega.blogspot.com.br/search/label/Mito%3A%20Aquiles%20e%20as%20rela%C3%A7%C3%B5es%20entre%20pais%20e%20filhos

terça-feira, março 27, 2012

Aporia, o daimon da dificuldade. Mitologia.

Aporia, o daimon da dificuldade


Aporia era um daimon da dificuldade, a perplexidade e da impotência. Ela estava intimamente associada com Amekhania, o desamparo. Seu homólogo era Poros, o discernimento. Certo dia, enquanto Hércules caminhava por uma passagem estreita ele encontrou Aporia que tentava obstruir seu caminho. Como era pequena, Hércules tentou esmagá-la com seus grandes pés mas cada vez que que tentava esmagá-la, Aporia dobrava seu tamanho.

Aporia expandiu a tal ponto que bloqueou a estreita estrada. Hércules não conhecia Aporia e ficou espantado com aquele fato. Pedindo ajuda, Athena veio em seu socorro dizendo-lhe:

- Hércules, não fique tão surpreso. Essa coisa que trouxe a sua confusão é Aporia - a dificuldade. Se você deixá-la sozinha, ela naturalmente diminuirá seu tamanho. Ultrapasse-a e siga seu caminho, não se detenha diante dela. Mas se você decidir combatê-la, então ela se tornará sempre maior, pois sua finalidade é impedir que você prossiga!

*********************

O mito de Aporia é um simbolismo da superação das dificuldades. Vencer uma dificuldade sempre nos dá uma alegria secreta de ter superado um limite, porém para superá-la temos de conhecê-la. Muitas pessoas sofrem por se verem diante de obstáculos que consideram intransponíveis apenas por não conhecerem onde iniciam suas dificuldades.

Sentindo-se impotente diante da vida, seja por uma clara razão ou não, a pessoa tende a regredir na vida, entra em depressão e tem seu sistema imunológico fragilizado. São momentos difíceis, muitas vezes decisivos na vida da pessoa, que ela precisa de algo que traga um alívio. Muitas vezes, nessa busca desesperada de alívio, tende a procurar uma solução imediata que possa aliviar sua dor.

Alguns buscam o apoio da família, outros dos amigos, outros no trabalho, na religião, nas distrações e nas drogas, porém as causas sutís das dificuldades permanecem e voltarão a se intensificar cada vez de forma mais acentuada. Não identificando e não tomando nenhuma providência para saná-las, provocarão desgastes emocionais que terão reflexos diretamente no corpo físico, além de afetar os seus relacionamentos profissionais, pessoais e afetivos.

Ao utilizar paliativos, a pessoa consegue apenas alívio temporário. Apenas quando a pessoa reconhece que os paliativos não são suficientes, que antigos padrões não funcionam e que falta de consciência lhe deixa refém e dependente de outras pessoas, é que possibilitará a busca de antigas questões do passado que atuam no presente sob novas formas. Em alguns casos, é preciso ajuda profissional que possa facilitar essa descoberta. O autoconhecimento permite que a pessoa possa interpretar a si mesma e perceber que Aporia não é tão grande quanto parece.

http://eventosmitologiagrega.blogspot.com.br/search/label/Mito%3A%20Aporia%20o%20daimon%20da%20dificuldade

segunda-feira, março 26, 2012

Apolo e Marpessa, aprendendo a perder. Mitologia.

Apolo e Marpessa, aprendendo a perder


No tempo em que os deuses do Olimpo ainda desciam à terra em busca do amor das belas mortais, Apolo tinha tudo para ser o mais cobiçado. Além de ser a divindidade responsável pela cura das doenças e dos ferimentos, Apolo também presidia tudo o que se referia à música, ao canto e à poesia, sempre na companhia das musas. Sua figura serena era a encarnação do equilíbrio harmonioso entre o intelecto e a beleza física. Os artistas sempre o representaram como um homem jovem, de porte atlético, com feições refinadas e um semblante inteligente - um verdadeiro modelo de beleza viril. Era difícil imaginar que alguma mulher, pudesse resistir a um homem assim.

Marpessa era uma princesa de extraordinária beleza e Apolo se apaixonou tanto por ela que, numa atitude sem precedentes, pediu-a em casamento. Porém Idas, um principe que era apenas um mortal, também tinha feito o seu pedido de casamento. Como era inevitável, os dois rivais se defrontaram. Apesar de desigual, a terrível luta chamou a atenção de Zeus que se viu obrigado a interferir na briga dos pretendentes. A princesa Marpessa foi incumbida de escolher com quem se casaria e surpreendentemente ela escolheu Idas.

Questionada porque teria rejeitado o deus Apolo, ela disse que não poderia ser feliz ao lado de um deus tão cobiçado e tão célebre em toda a Grécia, além de que temia ser abandonada pelo deus quando ficasse velha. Apolo retornou para o Olimpo, derrotado e inseguro, inaugurando o mote que os homens despeitados repetem até hoje quando se sentem preteridos ou trocados por alguém que consideram um rematado cretino: "É a velha queda que as mulheres têm pelos tolos!"

*******************

O mito de Marpessa e a rejeição de Apolo retrata aquelas mulheres que se casam com homens brilhantes e criativos mas que em alguns casos, são castigadas por sua ousadia. Ele quer ser sempre o grande vencedor e aos poucos, ela vai percebendo que viver ao lado dele é um presente magnífico mas que se deve pagar dia-a-dia com o próprio aniquilamento.

E quando uma mulher percebe a poderosa armadilha e a rejeita, o consolo do eterno ressentido é combater aquele que ocupa o lugar antes por ele pretendido. Assim, desfazem qualquer qualidade do seu rival devido à sua própria insegurança e pelo que consideram uma terrível derrota. O mito revela que as pessoas não são educadas para perder.

Geralmente os pais, logicamente com boas intenções, exaltam muito as vitórias e incentivam os filhos sempre para ganhar e ganhar. E nessa cena corriqueira e aparentemente inocente, esconde um dos grandes pecados da educação: incentivar a criança a sair-se sempre campeã não é uma boa maneira de prepará-la para o mundo. Educar também é preparar a criança para a vida, na qual enfrentará o doce sabor da vitória e o amargo sabor da derrota.

Ensinar à criança a perder é essencial para sua formação. Uma criança que não tem a oportunidade de sofrer uma derrota não vai saber lidar com as frustrações da vida, que sempre nos propicia momentos de altos e baixos. Perdemos a hora, perdemos o ônibus, perdemos um amor, perdemos um emprego. Tudo isso faz parte da nossa formação. Saber lidar com isso é o que faz a diferença. Num primeiro momento, é comum associar a derrota ao sentimento de fracasso. Porém, a dimensão que esse fato terá na vida dependerá da maneira como se administra a situação.

Perder será inevitável no jogo da vida, motivo mais que suficiente para que os pais auxiliem seus filhos, desde a infância, a administrarem os sentimentos esperados quando tal fato ocorre. Além disso, ao não sagrar-se vencedor, tem-se a oportunidade de descobrir outras maneiras de se satisfazer. Se não tiver limites, a criança não aprenderá a ser tolerante com os problemas que irá enfrentar na vida. É importante aprender que os jogos tem regras e saber superar a decepção.

Querer vencer é algo positivo que incentiva e funciona como um desafio para buscar sempre melhorar o desempenho. No entanto, é fundamental aprender a competir, valorizar a competição e não somente o resultado. Jogar e competir tem muitas vantagens e perder é inevitável. Os jogos são excelentes oportunidades de treinar essa desenvoltura. Exemplos são as competições esportivas, como o futebol, no qual apenas um time será o vencedor e isso não significa que esse resultado será para sempre.

Perder uma partida não é sinônimo de derrota, fracasso irreversível. O bom resultado de um campeonato também é fruto de algumas derrotas. Quando ocorre a perda é um ótimo momento para rever a jogada e aprender, melhorar e pensar sobre como alcançar uma vitória outro dia. E assim é em todas as competições, sejam esportivas, pessoais e profissionais. Competir não é só ganhar ou perder. Em uma disputa, muita coisa está em jogo: novas habilidades podem ser aprendidas, a criatividade pode ser melhor desenvolvida, a lembrança e o raciocínio sobre um erro pode evitar outros lances errados. Qualquer disputa se reverte sempre num aprendizado.

Na vida sempre encontramos alguém que irá nos frustar, nos decepcionar ou que irá nos negar o que queremos. Toda existência humana é marcada pela condição de contradição, ou seja, pela fraqueza e pela queda. Aceitar a própria condição limitada é sinal de sabedoria. Aprender que a queda, os fracassos e as perdas fazem parte da vida, é aprender a ter humildade para encarar a perda como uma possibilidade de superação e motivação para seguir em frente.

Quem é incentivado apenas a vencer, nunca conseguirá lidar com a frustração. Se sentirá inferior e culpado, carregando consigo o medo de decepcionar os outros e não ser amado e admirado, apenas porque não é um eterno vencedor. Quem aprende a vencer e perder, adquire autoconfiança, tem autoestima elevada, aprende a lidar com as frustrações e sabe que, vencendo ou perdendo, será sempre amado e estimado. Quem não sabe perder, tampouco saberá celebrar com sabedoria as suas vitórias...

http://eventosmitologiagrega.blogspot.com.br/search/label/Mito%3A%20Apolo%20e%20Marpessa%20aprendendo%20a%20perder

sábado, março 24, 2012

Apolo, deus da luz física e espiritual. Mitologia.

Apolo, deus da luz física e espiritual


Apolo foi uma das principais divindades da mitologia greco-romana, e um dos principais deuses olimpicos. Filho de Zeus e da titanide Leto, irmão gêmeo de Ártemis, possuia muitos atributos e funções. Depois de Zeus, era o mais influente e venerado de todos os deuses da Antiguidade Clássica. Apolo teve um grande número de amores, masculinos e femininos, mortais e imortais, tendo sido rejeitado por alguns ou alguma tragédia interrompia o romance.

Apolo era sinônimo de luz física e espiritual. Era tido como eternamente jovem e de beleza sem igual entre os Deuses. Apolo era o mais belo dos deuses, senhor das artes, música e medicina. Exímio arqueiro e com tantos predicados, Apolo acreditava que suas flechas fossem mais poderosas que as flechas do Cúpido, porém o Cúpido lhe advertiu, que as flechas de Apolo poderiam ferir, porém suas flechas tinham uma força poderosa.

Para provar seu poder, o Cúpido disparou uma flecha de ouro no coração de Apolo e ele se tornou perdidamente apaixonado pela ninfa Dafne; mas no coração de Dafne o Cúpido disparou uma flecha de chumbo; isto fêz com que Dafne rejeitasse Apolo, embora ele sempre a perseguisse.

Dafne era filha do Deus Rio Peneu e pediu ao pai que a ajudasse a se livrar de Apolo. Atendendo ao pedido, Peneu transformou a filha em uma planta, o loureiro. Inconformado com a perda da amada, Apolo passou a usar uma coroa com as folhas de louro, que se tornou seu símbolo para sempre e passou a ser oferecida aos vencedores dos jogos.

Hermes era seu irmão, filho de Zeus e da ninfa Maia, uma das Pleiades. Hermes e Apolo disputaram o amor de Quione, por sua grande beleza. Temeroso que Apolo a ganhasse, Hermes tocou seus lábios de Quione com o caduceu, a fêz dormir e a possuiu. Não obstante, Apolo, disfarçado de uma velha, penetrou no quarto de Quione e a amou também.

Dessas uniões, Quione concebeu Autólico, filho de Hermes; e Filamon, filho de Apolo. Porém Quione se sentiu mais bela que Ártemis, deusa da vida selvagem e da caça, e era írmã gêmea de Apolo. Injuriada, Ártemis a matou. O pai de Quione, tomado pela dor, jogou-se de um penhasco, mas Apolo o transformou em uma águia feroz.

Apolo gerou com Corônis o filho Asclépio, que se tornou um mestre na arte de curar e ressuscitar os mortos. Com isso, Asclépio ameaçava o poder soberano de Zeus, e causava insatisfação em outros deuses, pois os mortos nas guerras sempre retornavam, roubando os súditos de Hades. Por isso, Asclépio foi morto pelo raio de Zeus. Para vingar-se de Zeus, como não podia voltar-se contra seu pai, Apolo matou os Cíclopes, que haviam forjado os raios, e por isso foi castigado.

Apolo foi condenado a um ano de trabalhos forçados junto ao rei mortal Admeto. Sendo bem tratado pelo rei durante sua expiação, Apolo ajudou-o a obter Alceste e a ter uma vida mais longa a que o destino lhe reservara. Além disso, ensinava a música, a dança, as artes e ofícios, os jogos atléticos, a caça e a percepção da natureza e da própria beleza aos mortais. Os deuses vendo que Apolo tornava muito aprazível a vida dos mortais, resolveram levar Apolo novamente ao Olimpo.

Retornando, Apolo se apaixonou pela princesa troiana Cassandra e a presenteou com o dom da profecia. Mas Cassandra o repudiou e Apolo a puniu fazendo com que ninguém acreditasse nela, embora suas profecias se revelassem sempre verdadeiras posteriormente.

Hermes, seu irmão por parte de Zeus, roubou-lhe o gado. Apolo o acusou mas vendo Hermes tocar uma lira, ficou encantado e trocou o gado pela lira. Mais tarde Hermes inventou uma flauta, que Apolo também desejou para si, mas em troca Hermes exigiu que seu irmão lhe ensinasse a arte da profecia. Apolo concordou, e deu ainda para Hermes seu cajado de pastor, que se transformou no caduceu hermético.

Após esse episódio, Apolo se apegou ao jovem Jacinto, que o acompanhava em todas as atividades físicas, negligenciando suas flechas e liras por causa de Jacinto. Certa vez Apolo e Jacinto estavam a lançar discos, e Apolo lançou o primeiro com muita força e precisão, tipicamente de um deus. Jacinto correu para alcançar o disco. Porém, Zéfiro - o Vento Oeste - que fora rejeitado por Jacinto, soprou o disco em direção a Jacinto, que veio a atingir sua cabeça.

Apolo correu para tentar ajudar seu amigo, mas percebeu que ele tinha morrido. Declarando seu amor a Jacinto, e inconformado com a perda, as musas sentiram pena de Apolo e fizeram que do sangue de Jacinto, surgisse uma bela flor, o Jacinto.

http://eventosmitologiagrega.blogspot.com.br/search/label/Mito%3A%20Apolo%20deus%20da%20luz%20fisica%20e%20espiritual

sexta-feira, março 23, 2012

Antígona e Creonte, aprendendo com a experiência. Mitologia.

Antígona e Creonte, aprendendo com a experiência


Antígona era uma das filhas do Rei Édipo de Tebas, nascida da sinistra e trágica união entre Édipo e sua mãe Jokasta. Apesar de sua origem sombria, Antígona tinha um caráter leal e amoroso. Quando ocorreu a derradeira expulsão de Édipo do reino de Tebas, cego e perseguido pelas fúrias, Antígona guiou seu pai durante os anos em que ele vagou por várias terras.

Os irmãos de Antígona, Polinices e Etéocles, foram eleitos para reinar alternadamente, mas após o primeiro ano de reinado Etéocles se recusou a passar o reinado ao seu irmão além de expulsá-lo da cidade. Entrando em confronto direto, Polinices e Etéocles feriram-se mutuamente e morreram. Seu tio Creonte, irmão de Jokasta, assumiu o trono declarando-se Rei de Tebas e assegurou o sepultamento de Etéocles conforme os costumes da cidade. No entanto, proibiu que Polinices fosse sepultado, já que havia a crença de que sua sombra permaneceria vagando às margens do Rio Estige.

O adivinho Tiorésias tentou convencê-lo a revogar sua decisão, mas Creonte se mostrou irredutível. As ordens do rei não deveriam ser desobedecidas e quem ousasse fazê-lo seria enterrado vivo. Porém Antígona desejava uma cerimônia de sepultamento para seu irmão Polinices porque compreendia os motivos que o haviam levado a Tebas. Antígona mandou construir uma pira e sobre ela colocou o corpo de Polinices seguindo o ritual para libertar a alma do irmão. Quando o Rei Creonte viu as chamas da pira, surpreendeu Antígona e a condenou a ser enterrada viva.

Antígona era noiva de Hemon, filho de Creonte, mesmo assim o rei o incumbiu da execução de Antígona. Fingindo estar de acordo, Hemon casou-se em segredo com Antígona e a levou para viver com os pastores. Quando Creonte descobriu, condenou o filho à morte.

Após a execução Creonte lamentou as irrefletidas decisões que havia tomado. Algum tempo depois, nasceu o filho de Antígona. Arrependido, o Rei de Tebas mandou chamar Antígona com seu neto para viver no reino. Finalmente Creonte havia reconhecido que as uniões familiares deveriam estar acima de qualquer poder, pois são elas que nos ajudam a suportar e resistir a todos os intempéries da vida, para fugir das tragédias cotidianas.

********************

O mito de Antígona é um dos mais expressivos e importantes da mitologia grega, pois há muitas inferências sutís no mito além da grande lealdade de Antígona com seu irmão. Ao abordar os mitos é preciso usar a Hyponoia, uma técnica hermenêutica que nos permite descobrir nos textos os vários sentidos ocultos, aparentemente menos relevantes.

Etimologicamente, Antígona significa: aquela que se coloca adiante de sua família ou do meio em que vive (anti = diante de + goné = nascimento ou origem). Com sua altivez e autoconfiança, Antígona mostrou os acentuados traços de insubmissão ao colocar-se acima das leis terrenas. Certa de sua posição de defensora das leis divinas, que eram anteriores às leis criadas na terra, Antígona foi inábil ao defendê-las tornando-se um obstáculo e um desafio perigoso para Creonte, pois poderia fazê-lo perder o controle da situação política de Tebas.

Havia uma grande diferença nas origens de Antígona e Creonte. Antígona era da raça de Lábdaco, de Laio e de Édipo, uma descendente dos Labdácidas, portanto, uma linhagem real orgulhosa e maldita, marcada por taras, anomalias e miasmas. Creonte, ao contrário, provinha de uma família socialmente inferior. Kreon, em grego, lembra soberania e poder - aquele que se identifica com o poder; Creonte era um burocrata apegado ao poder. Oscilando entre a fraqueza e o oportunismo, por sua linhagem ele estava fora da realeza e era apenas um funcionário qualificado no poder a reger problemas políticos.

O mito retrata as normas e leis sociais a que estamos submetidos nos colocando em um real dilema moral: devemos ser leais às nossas tradições culturais e familiares ou devemos nos submeter ao julgamento das normas sociais? O mito retrata ainda dois princípios: o princípio masculino relacionado autoridade, obediência, hierarquia e o princípio feminino, o mais fundamental e indestrutível de todos os vínculos, a lei da consanguinidade, da família, da irmandade, regidas pelas deusas do feminino.

Uma alegoria do mito mostra a supremacia da ordem masculina que tenta enterrar definitivamente os valores femininos, não reconhecendo os direitos naturais. Esse é um paradigma cultural anunciado na tragédia de Sófocles e que perdura ainda até os nossos tempos, revelando a supremacia das virtudes femininas: maternidade, amor, fraternidade, igualdade, a predominância dos valores tribais sobre os individuais.

Antígona representa o respeito pela vida humana, a igualdade e o amor entre todos os seres humanos. Creonte representa a supremacia do Estado e suas leis, a obediência à sua autoridade acima do direito natural da humanidade e acima da precedência dos laços familiares. Representa ainda os males da falsa autoridade e da crueldade gratuita suportadas apenas por normais sociais que refletem os valores e ambições pessoais de quem as cria, que não permite serem questionadas e são sustentadas apenas pelo poder no mundo externo. Tido como um comportamento socialmente correto, mais tarde pode ter de ceder lugar a uma interpretação diferente.

O matriarcado é universalista; o patriarcado impõe fronteiras, muros, separações. A família matriarcal é aberta e receptiva; a patriarcal é fechada e individualizada. Numa predomina o caos, a liberdade, a natureza; na outra, a limitação, a hierarquia, a ordem, o logos. Vencida a mulher, o patriarcado poderia se impor socialmente.

Édipo se automutilou, cegando-se para não ver todos os fatos expostos. Seu gesto de desespero representa a recusa em ver o que fizera. A cegueira vaidosa ainda acompanha o homem moderno que busca ver o mundo através do aparente. Confunde o real com o concreto, o verdadeiro com o lógico. Continua preso à grande ilusão de ter que ver para crer, não percebendo que grande parte do que é real nós não vemos, é invisível aos olhos e por isso é preciso ir além dos sentidos e da mente.

A Casa Real de Tebas tinha um passado sombrio que iniciou mesmo antes de Édipo. A família foi atormentada por várias maldições, simbolizando a família disfuncional e desestruturada. No entanto, Antígona conseguiu resistir. Com seu poder de amar foi capaz de vencer uma herança psicológica de destrutividade; ela redimiu o passado e conseguiu escrever um novo futuro aos seus descendentes.

Tirésias representa a sabedoria, que pressupõe experiência. Com sua sabedoria reforçou a reflexão, sempre necessária para qualquer decisão. Creonte defrontava-se com um conflito moral duplo: o conflito entre duas leis as quais devia lealdade, a reflexão e ação. Ele não se fechou a voz da razão, reconheceu seu erro e procurou corrigí-lo, lamentavelmente era tarde demais.

O arrependimento de Creonte está em reconhecer o completo colapso de seu mundo e a derrota de seus princípios. Creonte se transforma em vitima de sua própria justiça, homem sem lei e convicção. Onde havia orgulho, sobrou humildade; onde havia certeza, restaram dúvidas. O saber e a reflexão teórica sobre um conflito moral são insuficientes no momento da prática, ou seja, da opção por uma ou outra alternativa de ação, em favor de uma lei.

O drama de Creonte consistiu no fato de que sabedoria por si só não o protegeu do erro. Ao agir precipitadamente, condenou não só a outros, mas condenou a si mesmo. Faltou-lhe prudência, ou seja, experiência de vida associada a sabedoria. Creonte foi vitima da falta de prudência, agiu e errou, por isso sofreu as consequências de sua ação e adquiriu dolorosamente a experiência.

Apesar da lei da Polis lhe dar razão, procurou uma solução mediadora para corrigir seu extremismo fazendo valer a temperança. Creonte transformou-se, enquanto agia, num homem sábio e prudente. O tirano abatido e amargurado, derrotado pelo destino, agora é homem moralmente competente por ter adquirido prudência e temperança, produtos da experiência de vida, consequência de ação.

Nesse sentido, podemos entender que ambos aprenderam à lição. Ainda que tenham trilhado o caminho da frustração e da dor, aprenderam que é preciso ser prudente e agir com temperança, procurando aquele ideal de virtude que consiste no justo meio, sem radicalismos e polaridades extremistas. Todo o contexto dessa obra retrata o início da democracia na vida cotidiana dos gregos e o fim das tiranias. O homem passa a contrapor os seus ideais aos ideais dos deuses, pensando no seu agir e as consequências de suas ações em sua vida prática.

http://eventosmitologiagrega.blogspot.com.br/search/label/Mito%3A%20Ant%C3%ADgona%20e%20Creonte%20aprendendo%20com%20a%20experi%C3%AAncia

quinta-feira, março 22, 2012

As antusas e o girassol, um amor não correspondido. Mitologia.

As antusas e o girassol, um amor não correspondido


As antusas ou anthousai em grego, eram as ninfas das flores e dos lugares floridos. A mais importante delas era Clóris - a verde, identificada pelos romanos como a deusa das flores e da vegetação, Flora. Era esposa de Zéfiro, o Vento Oeste e mãe de Carpo - o Fruto, e reinava sobre os Campos Elísios ou as Ilhas dos Bem-Aventurados, o paraíso no Ocidente, além do Oceano, destinado aos heróis da mitologia grega após a morte. As outras ninfas das flores eram: Iante, a ninfa das violetas - Rodeia, ninfa das rosas - Liríope, ninfa dos lírios.

Clítia ou Clítie, era a ninfa do girassol e amava Helius, o deus Sol. Quando ele a abandonou pelo amor de Leucotéia, sofrendo Clítia começou a definhar. Ficava durante todo o dia sentada no chão frio com sua tranças desatadas sob os ombros. Passavam-se os dias sem que ela comesse ou bebesse, alimentando-se apenas das próprias lágrimas.

Durante o dia contemplava o Sol desde o nascente ao poente. Era a única coisa que via e seu rosto estava sempre voltado para ele. À noite, curvava-se para chorar. Por fim, seus pés criaram raízes no chão e o rosto transfigurou-se em uma flor, que passou a se mover sobre o caule sempre acompanhando o sol. Assim nasceu o heliótropo ou o girassol...

http://eventosmitologiagrega.blogspot.com.br/search/label/mito%3A%20Antusas%20e%20o%20girassol%20um%20amor%20n%C3%A3o%20correspondido

terça-feira, março 20, 2012

Amazonas, as mulheres guerreiras. Mitologia.

As Amazonas eram guerreiras, donas de armas, cavalos e com uma estrutura social própria. Foram imortalizadas na maioria das lendas por sua coragem de luta quando enfrentavam os homens que tentavam submetê-las. Independentes, viviam em ilhas ou perto do mar e frequentemente recebiam visitas de aventureiros. Algumas engravidavam deles mas somente ficavam com as filhas. Os filhos eram entregues ao pai.

Segundo uma lenda, as Amazonas eram filhas de Ares, deus da guerra, de quem teriam herdado a audácia e a coragem. O deus teria dado um cinturão para a rainha Hipólita como símbolo do poder sobre seu povo. O cinturão tem uma simbologia de transmitir força, poder e proteção, além do valor iniciático. A mais célebre luta das Amazonas aconteceu com o herói Hércules quando ele raptou a amazona Hipólita, provocando a guerra das Amazonas contra Atenas.

O país das Amazonas país era a Trácia, lugar de clima rude, rico em cavalos e percorrido por populações violentas e guerreiras. Segundo alguns, teriam fundado a cidade de Mitilene, na Ilha de Lesbos, terra da poeta Safo. Outros dizem que sua morada ficava em Éfeso, onde fundaram um templo dedicado à Ártemis, divindade virgem que percorria campos e florestas, considerada protetora das Amazonas.

As Amazonas mutilavam o seio direito para que manejassem melhor o arco e outras armas. Sacrificavam sua feminilidade para combater na luta pela independência e para fortalecer a deusa Ártemis de Éfeso. A arte normalmente representa Ártemis coberta com um manto cheio de seios, símbolos dos seios sacrificados a ela pelas Amazonas.

http://eventosmitologiagrega.blogspot.com.br/search/label/Mito%3A%20Amazonas%20as%20mulheres%20guerreiras

segunda-feira, março 19, 2012


Aloídas, da força bruta à sabedoria. Mitologia.

Aloídas, da força bruta à sabedoria

Havia uma geração de Gigantes que não pertencia às divindades primordiais, eram os Aloídas, filhos de uma aventura amorosa de Poseidon, deus dos mares e Ifimedia, esposa de Aloeu. Conta a lenda que Ifimedia, apaixonada por Poseidon, costumava passear à beira do mar pegando água das ondas em suas mãos e derramando-a em seu peito. Poseidon não resistiu aos seus encantos e com ela viveu um romance do qual nasceram os filhos gêmeos Oto e Efialtes.

Os gêmeos eram chamados de Aloídas por terem sido adotados por Aloeu, marido de Ifimedia. Eles se distinguiam por sua extrema beleza, eram gigantes fortes e agressivos, com um crescimento extraordinário. Aos nove anos, os Aloídas já haviam alcançado a altura de dezessete metros e já se mostravam violentos seguindo seus impulsos por onde passavam.

Certo dia, os Aloídas junto com outros gigantes, resolveram se rebelar contra Zeus. Empilharam o Monte Ossa e o Monte Pelion preparando uma grande escada para escalar e invadir o Olimpo, a morada dos deuses. Pretendiam destronar Zeus e raptar a deusa Hera - esposa de Zeus - e a deusa Ártemis. Quando Ares - o deus da guerra - tentou impedí-los, os intrépidos gigantes aprisionaram Ares em um pote de bronze, que ali permaneceu durante treze meses, até ser libertado por Hermes - o mensageiro dos deuses.

Na rebelião, os gigantes ameaçaram atirar as montanhas ao mar na tentativa de secá-lo. Diante de tanta ousadia, Zeus fulminou os Aloídas com seus raios e os aprisionou para sempre nos infernos. Amarrados a uma coluna cercada por serpentes, foram submetidos ao suplício eterno e torturados perpetuamente por uma coruja que gritava sem parar...

*******************

O mito dos Aloídas está relacionado à descoberta da inteligência sobre os impulsos, da vitória da inteligência do homem sobre os seus instintos. É a força dos instintos que nos levam à ação e, embora haja uma diversidade de instintos, há alguns considerados básicos que podem se tornar dominantes e influir em nossa personalidade. São os instintos distorcidos na infância que produzem os comportamentos obssessivos.



Os aspectos físicos dos instintos foram reconhecidos como necessidades, o que permitiu uma nova visão sobre o comportamento do ser humano, que não busca apenas saciar suas necessidades físicas, mas deseja crescer e se desenvolver. As necessidades básicas, fisiológicas e de segurança, são mais primitivas e devem ser saciadas para evitar um estado indesejável, que são a fome, a sede e o medo. As necessidades dos níveis mais altos são necessidades de crescimento, que buscam serem saciadas para se alcançar algo desejável, que são o afeto, a participação social, o reconhecimento de seus talentos, habilidades e autorealização.

Ao mesmo tempo em que é desejável atingir os níveis mais altos, as necessidades básicas são mais poderosas pois somente quando estão saciadas, total ou parcialmente, torna-se possível perceber os níveis mais altos. À medida que as necessidades sobem na hierarquia, tornam-se menos animalescas, mais distantes do instinto e mais humanas, mais próximas da razão.

A razão é a capacidade da mente humana que permite chegar a conclusões a partir de suposições ou premissas. É, entre outros, um dos meios que os seres humanos usam para propor razões ou explicações para causas e efeitos. A razão é particularmente associada à natureza humana e que permite resolver problemas, encontrar coerência ou contradição, descartar ou formar novos conceitos de uma forma ordenada e geralmente orientada para objetivos. Isso inclui raciocinar, aprender, compreender, ponderar e julgar, por vezes usada como sinônimo de inteligência e sabedoria.

Na mitologia grega, a coruja era relacionada à Lua. Ave noturna, ela possui os olhos adaptados para enxergar no escuro e localizar suas presas sob a fraca luminosidade do luar e, por isso, não suporta a luz do Sol. Para os antigos gregos, esse olhar tornou as corujas um símbolo do conhecimento racional que vem da reflexão racional sobre os fatos, enquanto a intuição vem da percepção simples e imediata das coisas.

Como as corujas se orientam pela reflexão (a luz solar sobre a lua) e não pela percepção direta (a luz solar), os gregos as associaram ao conhecimento, fruto da reflexão e da sabedoria.

A coruja era um símbolo da cidade de Atenas, ao lado dos exércitos na guerra. As antigas moedas gregas (dracmas) tinham uma coruja cunhada no verso. A coruja era também o animal de estimação da deusa Athena, a deusa da sabedoria, da estratégia, da justiça e da habilidade. Capaz de girar a cabeça quase que completamente e ver todos os lados, a coruja significa a capacidade de buscar diferentes pontos de vista para analisar todos os lados de uma questão. Compreender que há outros pontos de vista, é o início da sabedoria.

http://eventosmitologiagrega.blogspot.com.br/search/label/Mito%3A%20Alo%C3%ADdas%20da%20for%C3%A7a%20bruta%20%C3%A0%20sabedoria

domingo, março 18, 2012

Andrômeda e Perseu. Mitologia.

Andrômeda e Perseu, um relacionamento vitima/salvador


Andromeda era uma princesa do Reino da Etiópia, filha do rei Cepheus e da rainha Cassiopeia. Sua mãe era uma mulher excessivamente presunçosa que ousou se vangloriar de que sua filha era mais bonita do que as filhas do deus Nereu, as Nereidas que eram ninfas de extraordinária beleza. Ofendidas pela arrogância da rainha, elas pediram a Poseidon que punisse a rainha e seu reino.

Em resposta ao apelo das Nereidas, Poseidon enviou o monstro marinho Cethus para atacar o reino da Etiópia. Desesperado o Rei Cepheus consultou o oráculo para saber o que poderia fazer para livrar-se do monstro. O oráculo predisse que ele deveria oferecer sua belíssima filha em sacrificio ao monstro do mar e assim a princesa Andrômeda foi acorrentada em um rochedo na costa do Mediterrâneo, em Jaffa onde hoje está a cidade de Tel Aviv.

Esperando que fosse devorada pelo monstro, Andrômeda gritava por socorro. Ouvindo seus gritos, o herói Perseu que retornava de sua jornada em busca da Medusa foi socorrê-la. Quem olhasse os olhos da Medusa era transformado em pedra e Perseu lutando contra o monstro mostrou-lhe os olhos da gorgona e transformou-o em um coral. Libertando e salvando a princesa, pediu-a em casamento.

Andrômeda havia sido prometida para casar com Phineus mas aceitou a proposta de Perseu. No dia do casamento os rivais se encontraram. Não acreditando nas aventuras do herói Perseu, Phineus exigiu ver a cabeça da Gorgona e ao fixar em seus olhos, foi transformado em pedra. Depois do casamento, Andrômeda e Perseu seguiram para Tirinto e tiveram os filhos conhecidos como Perseides: Perses, Alceu de Mitilene, Heleus, Mestor, Electrion, Sthenelus e a filha Gorgófone. Perses viajou para a Ásia, tornando-se o ancestral dos persas.

Após a morte de Andrômeda, ela foi transformada numa constelação no céu do norte, perto da constelação de Perseu. Seus descendentes governaram Micenas desde Electrión, pai de Alcmena e casada com seu primo Anfitrião. No entanto, Zeus disfarçou-se para seduzir Alcmena e quando ela estava grávida de seu filho Héracles, Zeus anunciou que o descendente de Perseu nasceria para reinar em Micenas.

Hera, a esposa ciumenta de Zeus, convenceu Eileitia, a deusa do parto, a adiar o nascimento de Heracles e acelerar o nascimento de Eurystheus, filho de Sthenelus, no sétimo mês de gravidez. Eurystheus nasceu primeiro e se beneficiou da promessa de Zeus tornando-se o rei de Micenas. Eurystheus foi um implacável inimigo de seu primo Heracles e quando Heracles descobriu a trama de seu nascimento e reclamou o trono, Eurystheus o submeteu aos Doze trabalhos, que julgava impossíveis de serem realizados.

http://eventosmitologiagrega.blogspot.com.br/