REVESES DA SORTE
Lenilde Freitas
Vida! Não te peço nada
que não me possas dar.
O que eu mais amei
logo tirou-me a sorte.
No dia em que levou
— em vez de me levar —
o que eu chamei: Vida
e o mundo chamou: Morte.
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sábado, agosto 31, 2019
REVESES DA SORTE. Lenilde Freitas. Poesia.
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domingo, julho 14, 2019
DESSEMELHANÇAS
Lenilde Freitas
Do lugar em que estou
vejo a calçada do outro lado
e um cachorro que passa
triste como quem fareja
a própria morte.
Aqui, enquanto dois relógios batem
dessemelhantes idêntica hora,
uma vespa insiste
rancorosos declives no vácuo
onde adivinho partículas
de poeira imitando cardumes
— pois só tenho olhos para uma coisa:
o cão subindo a rua
que, sendo a mesma, muda de nome
a alguns quarteirões daqui.

Lenilde Freitas
Do lugar em que estou
vejo a calçada do outro lado
e um cachorro que passa
triste como quem fareja
a própria morte.
Aqui, enquanto dois relógios batem
dessemelhantes idêntica hora,
uma vespa insiste
rancorosos declives no vácuo
onde adivinho partículas
de poeira imitando cardumes
— pois só tenho olhos para uma coisa:
o cão subindo a rua
que, sendo a mesma, muda de nome
a alguns quarteirões daqui.
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quarta-feira, julho 10, 2019
«O orvalho lava com a língua o rubro da romã.»
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sexta-feira, junho 14, 2019
A CASA. Lenilde Freitas. Poesia.
A CASA
Lenilde Freitas
Da porta principal à derradeira,
um corredor. Só o piso de madeira.
As portas laterais, trancadas.
Todas elas.
Pelas janelas,
fogem os fantasmas gerados na cumeeira.
Que mais?
Que mais?
Ah, sim: uma goteira, sangrando... sangrando...
sujando a casa inteira.
Lenilde Freitas
Da porta principal à derradeira,
um corredor. Só o piso de madeira.
As portas laterais, trancadas.
Todas elas.
Pelas janelas,
fogem os fantasmas gerados na cumeeira.
Que mais?
Que mais?
Ah, sim: uma goteira, sangrando... sangrando...
sujando a casa inteira.
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