Tristeza Universal
Luiz Fernando Pinto
Quando chegar o dia da Tristeza Universal
Todos os lagos transformar-se-ão
Nos mausoléus de todos os sonhos de amor,
Sobreviventes de todas as fantasias românticas
E de todas as histórias de amor
Vividas nas mais lindas sagas de amor e saudade.
Quando este dia chegar,
Todos os cisnes, de todos os lagos,
- Amedrontados por esta tristeza letal-
Fugirão desta melancolia maldita,
Reunidos em grupos de tristes fugitivos,
Em busca de refúgios secretos
Escondidos em paraísos desconhecidos.
Quando este dia chegar,
Desolados pela Tristeza Universal.
Os peixes, em desespero,
Buscarão os sepulcros privativos das algas e corais
E deixar-se-ão morrer, em cardumes,
No fundo dos lagos,
No fundo dos rios,
No fundo do mar.
Os pássaros, desolados e melancólicos,
Fugirão em revoada,
Rumo a recantos distantes,
Em busca dos céus desconhecidos,
Jamais navegados pelos astronautas da NASA
Em desespero, os pássaros
Mergulharão num voo cego de morte
Em direção a precipícios rochosos
Que serão lindamente decorados
Com beleza e o colorido
Desprendido de suas plumas
As luas de todos os planetas
Fugirão, também,
Levando prisioneiros consigo,
Os meus reflexos esmaecidos e tristonhos,
Que jamais voltarão a brilhar
Nos mares sem peixes,
Nos lagos sem cisnes
E nos céus sem pássaros.
Em desespero, as luas afogar-se-ão no mar
E nunca mais haverá
Lindas noites de luar
Quando este dia chegar,
Partirei, então, sem bússola e sem destino,
Em busca deste paraíso distante e desconhecido
Que acolherá
Os cisnes fugitivos e os pássaros migratórios,
Porque tenho certeza
Que neste paraíso reencontrarei você,
À minha espera, de braços abertos,
Dentre os sobreviventes
Desta catástrofe da Tristeza Universal
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In memoriam do autor, médico, falecido ontem, dia 17.12.13
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quarta-feira, dezembro 18, 2013
Tristeza Universal. Luiz Fernando Pinto. Poesia
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sábado, novembro 17, 2012
Os poetas das sargetas. Luiz Fernando Pinto. Poesia
OS POETAS DAS SARGETAS
Luiz Fernando Pinto
As crianças sem destino,
Que vagam maltrapilhas
Pelos seus caminhos sem fim,
Chorarão mais uma vez,
Em coro e em ré menor,
Quando chegar o Natal.
Mas, algum dia,
Num futuro longínquo,
Quando elas crescerem
Elas se tornarão poetas e arautos,
Dos seus natais sem presentes e sem Noel,
E ressuscitarão em tristíssimos poemas,
Toda a solidão e o desamor
Daqueles seus Natais de solidão e abandono,
- Sem presentes e sem Noel -
Cantados em coro e em ré menor
Nas sarjetas das suas vidas,
Marcada por insólita carência afetiva e social.
Luiz Fernando Pinto
As crianças sem destino,
Que vagam maltrapilhas
Pelos seus caminhos sem fim,
Chorarão mais uma vez,
Em coro e em ré menor,
Quando chegar o Natal.
Mas, algum dia,
Num futuro longínquo,
Quando elas crescerem
Elas se tornarão poetas e arautos,
Dos seus natais sem presentes e sem Noel,
E ressuscitarão em tristíssimos poemas,
Toda a solidão e o desamor
Daqueles seus Natais de solidão e abandono,
- Sem presentes e sem Noel -
Cantados em coro e em ré menor
Nas sarjetas das suas vidas,
Marcada por insólita carência afetiva e social.
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sábado, março 24, 2012
A surdez de Beethoven
A SURDEZ DE BEETHOVEN
Luiz Fernando Pinto
As cordas das harpas
Transformaram-se em cabelos de Medusa,
Quando, em desespero,
As violas, os violinos e os violoncelos
Receberam dos instrumentos de sopro e percussão
A angustiante missão
De comunicar a Beethoven
A fatalidade da sua surdez.
Inconformadas com a desdita do Mestre,
De repente,
As harpas transformaram-se
Em medusas enlouquecidas,
E devoraram todas as claves de sol,
Todos os tons sustenidos,
E todas as colcheias e semicolcheias,
Emudecendo, assim, a orquestra
Que Beethoven continuava a reger
- de olhos fechados e quase em transe -
Sem se dar conta do silêncio
De respeito e de tristeza
Que dolorosamente
Emudecera os seus músicos
E a voz dos seus instrumentos.
Em desespero, as pautas das partituras
Transformaram-se num insólito mausoléu,
Que aprisionou, silenciosamente,
A surdez de Beethoven
Que palpitava dolorosamente
No coração emocionado
De todos os presentes,
Naquela platéia amargurada!...
Luiz Fernando Pinto
As cordas das harpas
Transformaram-se em cabelos de Medusa,
Quando, em desespero,
As violas, os violinos e os violoncelos
Receberam dos instrumentos de sopro e percussão
A angustiante missão
De comunicar a Beethoven
A fatalidade da sua surdez.
Inconformadas com a desdita do Mestre,
De repente,
As harpas transformaram-se
Em medusas enlouquecidas,
E devoraram todas as claves de sol,
Todos os tons sustenidos,
E todas as colcheias e semicolcheias,
Emudecendo, assim, a orquestra
Que Beethoven continuava a reger
- de olhos fechados e quase em transe -
Sem se dar conta do silêncio
De respeito e de tristeza
Que dolorosamente
Emudecera os seus músicos
E a voz dos seus instrumentos.
Em desespero, as pautas das partituras
Transformaram-se num insólito mausoléu,
Que aprisionou, silenciosamente,
A surdez de Beethoven
Que palpitava dolorosamente
No coração emocionado
De todos os presentes,
Naquela platéia amargurada!...
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