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sexta-feira, julho 03, 2020

OS PEIXES. Marianne Moore. Poesia

OS PEIXES
Marianne Moore

vade-
ando negro jade.
Das conchas azul-corvo um marisco
só ajeita os montes de cisco;
no que vai se abrindo e fechando

é que
nem ferido leque.
Os crustáceos que incrustam o flanco
da onda ali não encontram canto,
porque as setas submersas do

sol,
vidro em fibras sol-
vidas, passam por dentro das gretas
com farolete ligeireza —
iluminando de vez em

vez
o oceano turquês
de corpos. A correnteza crava
na quina férrea da fraga
uma cunha de ferro; e estrelas,

grãos
de arroz róseos, mães-
d'água tintas, siris que nem lírios
verdes e fungos submarinos
vão deslizando uns sobre os outros.

As
marcas externas
de mau-trato estão todas presentes
neste edifício resistente —
todo resquício material

de a-
cidente — ausência
de cornija, machadadas, queima e
sulcos de dinamite — teima em
ressaltar; já não é o que era

cova.
Repetida prova
demonstrou que ele pode viver
do que não pode reviver
seu viço. O mar nele envelhece.

sábado, julho 28, 2018

OS PEIXES. Marianne Moore. Poesia.

OS PEIXES
Marianne Moore



vade-

ando negro jade.

Das conchas azul-corvo um marisco

só ajeita os montes de cisco;

no que vai se abrindo e fechando



é que

nem ferido leque.

Os crustáceos que incrustam o flanco

da onda ali não encontram canto,

porque as setas submersas do



sol,

vidro em fibras sol-

vidas, passam por dentro das gretas

com farolete ligeireza —

iluminando de vez em



vez

o oceano turquês

de corpos. A correnteza crava

na quina férrea da fraga

uma cunha de ferro; e estrelas,



grãos

de arroz róseos, mães-

d'água tintas, siris que nem lírios

verdes e fungos submarinos

vão deslizando uns sobre os outros.



As

marcas externas

de mau-trato estão todas presentes

neste edifício resistente —

todo resquício material



de a-

cidente — ausência

de cornija, machadadas, queima e

sulcos de dinamite — teima em

ressaltar; já não é o que era



cova.

Repetida prova

demonstrou que ele pode viver

do que não pode reviver

seu viço. O mar nele envelhece.

sábado, abril 22, 2017

Os peixes. Marianne Moore. Poesia

OS PEIXES
Marianne Moore

vade-
ando negro jade.
Das conchas azul-corvo um marisco
só ajeita os montes de cisco;
no que vai se abrindo e fechando

é que
nem ferido leque.
Os crustáceos que incrustam o flanco
da onda ali não encontram canto,
porque as setas submersas do

sol,
vidro em fibras sol-
vidas, passam por dentro das gretas
com farolete ligeireza —
iluminando de vez em

vez
o oceano turquês
de corpos. A correnteza crava
na quina férrea da fraga
uma cunha de ferro; e estrelas,

grãos
de arroz róseos, mães-
d'água tintas, siris que nem lírios
verdes e fungos submarinos
vão deslizando uns sobre os outros.

As
marcas externas
de mau-trato estão todas presentes
neste edifício resistente —
todo resquício material

de a-
cidente — ausência
de cornija, machadadas, queima e
sulcos de dinamite — teima em
ressaltar; já não é o que era

cova.
Repetida prova
demonstrou que ele pode viver
do que não pode reviver
seu viço. O mar nele envelhece.