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domingo, setembro 20, 2020

PASSOS E ACENOS. Poesia

 

Florisvaldo Mattos

 



PASSOS E ACENOS

Nada tens de ave. Fera lúcida, olho
felino (pantera de Rilke entre grades)
nunca indefesa, à espreita. Além dos olhos,
bebo teu corpo, teu cabelo (franja
dos dias) — o mais dardeja. Também és
elástica e macia: braços, pernas
de roliça cogitação. Vais, vens.
De pé, agitas os vaporosos membros,
ao calor da voz que atordoa o vento.
Sentada, as formas se acomodam, urdem
rútilo desenho. É quando, pasmo, ouço
o marulho do sexo, ávido. Bem
que mereço essa onda, ronda de garras
que me acenam, me buscam pela tarde.

quarta-feira, fevereiro 19, 2020

DIAS DE 1942 (NA MATA). Florisvaldo Mattos. Poesia

DIAS DE 1942 (NA MATA)
Florisvaldo Mattos

    Ao tio José Mattos, in memoriam


Na sala familiar, à luz sombria
do candeeiro, a mulher cose; o homem ouve
o rádio a urrar, na noite que prospera.
Horrores de longínquo drama. Horrores.

“Há soldados e tanques na Bavária”.
Anuncia o locutor de voz possante.
O pai rumina fainas de comércio;
preso ao chão, o olhar pastoreia números.

Lá fora pisca: é luz de vaga-lumes.
De dentro acaso espio a noite vasta,
que convida a sonhar com um novo dia.

O silêncio da mata abraça as árvores
e amortece o eco das calamidades,
enquanto escuto a voz de Orlando Silva.

domingo, julho 21, 2019

SONETO RURAL. Florisvaldo Mattos. Poesia.

SONETO RURAL
Florisvaldo Mattos

À precipitação do amanhecer
rural retiro à flauta o som mais puro
de quem, já acostumado com o escuro,
absorto fica vendo o sol nascer.

Caprino olho tecido em bem-querer,
preexistente nas coisas que procuro
pastoreando sonhos: amargo ver
desencontrado olhar longe do muro.

Recolho pastoral envelhecida
ao som da flauta (pastoral da vida)
armado de silêncio e panorama.

Ela se perde verde no horizonte,
como ovelha de luz ou como fonte
onde lavo meu sonho. E se derrama.







terça-feira, outubro 16, 2018

PASSOS E ACENOS. Florisvaldo Mattos. Poesia.

PASSOS E ACENOS
Florisvaldo Mattos

Nada tens de ave. Fera lúcida, olho
felino (pantera de Rilke entre grades)
nunca indefesa, à espreita. Além dos olhos,
bebo teu corpo, teu cabelo (franja
dos dias) — o mais dardeja. Também és
elástica e macia: braços, pernas
de roliça cogitação. Vais, vens.
De pé, agitas os vaporosos membros,
ao calor da voz que atordoa o vento.
Sentada, as formas se acomodam, urdem
rútilo desenho. É quando, pasmo, ouço
o marulho do sexo, ávido. Bem
que mereço essa onda, ronda de garras
que me acenam, me buscam pela tarde.

sexta-feira, novembro 24, 2017

Passos e acenos. Florisvaldo Mattos. Poesia

PASSOS E ACENOS
Florisvaldo Mattos

Nada tens de ave. Fera lúcida, olho
felino (pantera de Rilke entre grades)
nunca indefesa, à espreita. Além dos olhos,
bebo teu corpo, teu cabelo (franja
dos dias) — o mais dardeja. Também és
elástica e macia: braços, pernas
de roliça cogitação. Vais, vens.
De pé, agitas os vaporosos membros,
ao calor da voz que atordoa o vento.
Sentada, as formas se acomodam, urdem
rútilo desenho. É quando, pasmo, ouço
o marulho do sexo, ávido. Bem
que mereço essa onda, ronda de garras
que me acenam, me buscam pela tarde.
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