O PAÍS INVISÍVEL
Myriam Fraga
Espreito a minha morte
Colada nos espelhos...
O poema que esqueci
Não mais existe,
E o tempo dói
Como espinhos no peito...
Havia um sonho...
Na última prateleira do desejo,
Havia um sonho,
Quando tudo era ainda possível,
E a vida, como o sol,
Explodia no horizonte,
No infinito azul
Dos últimos instantes.
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sexta-feira, fevereiro 14, 2020
O PAÍS INVISÍVEL. Myriam Fraga. Poesia
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sábado, novembro 30, 2019
Cartão poético: Myriam Fraga
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segunda-feira, outubro 21, 2019
DEFINIÇÃO ou DA IMPOSSIBILIDADE DE DIZER. Myriam Fraga
DEFINIÇÃO ou DA IMPOSSIBILIDADE DE DIZER
Myriam Fraga
(trechos)
Aqui não falo,
Antes me calo,
Que a vida é um favo
De maldizer
(...)
E a língua travo
Com os alfinetes
De só saber.
***
Cidade de não ver,
De não dizer.
Antes os olhos cegos,
As mãos algemadas,
Que este súbito saber
De segredos fechados.
Urbe selada
Sangrando o lacre
De seus sinetes.
Emparedada
No seu silêncio
De sete portas
Se abrindo ao medo.
Myriam Fraga
(trechos)
Aqui não falo,
Antes me calo,
Que a vida é um favo
De maldizer
(...)
E a língua travo
Com os alfinetes
De só saber.
***
Cidade de não ver,
De não dizer.
Antes os olhos cegos,
As mãos algemadas,
Que este súbito saber
De segredos fechados.
Urbe selada
Sangrando o lacre
De seus sinetes.
Emparedada
No seu silêncio
De sete portas
Se abrindo ao medo.
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domingo, agosto 18, 2019
«Nenhuma presença é mais real que a falta.»
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quinta-feira, julho 11, 2019
DEFINIÇÃO ou DA IMPOSSIBILIDADE DE DIZER. Myriam Fraga. Poesia.
DEFINIÇÃO ou DA IMPOSSIBILIDADE DE DIZER
Myriam Fraga
(trechos)
Aqui não falo,
Antes me calo,
Que a vida é um favo
De maldizer
(...)
E a língua travo
Com os alfinetes
De só saber.
***
Cidade de não ver,
De não dizer.
Antes os olhos cegos,
As mãos algemadas,
Que este súbito saber
De segredos fechados.
Urbe selada
Sangrando o lacre
De seus sinetes.
Emparedada
No seu silêncio
De sete portas
Se abrindo ao medo.

Myriam Fraga
(trechos)
Aqui não falo,
Antes me calo,
Que a vida é um favo
De maldizer
(...)
E a língua travo
Com os alfinetes
De só saber.
***
Cidade de não ver,
De não dizer.
Antes os olhos cegos,
As mãos algemadas,
Que este súbito saber
De segredos fechados.
Urbe selada
Sangrando o lacre
De seus sinetes.
Emparedada
No seu silêncio
De sete portas
Se abrindo ao medo.
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domingo, maio 13, 2018
A Casa. Myriam Fraga. Poesia.
A CASA
Myriam Fraga
Pedra sobre pedra
Construí esta casa:
Tijolo, sonho e argila.
Custaram-me os alicerces
A metade da asa
Direita,
A outra metade,
Serviu de escora
Às traves que a sustentaram.
A asa esquerda perdeu-se
Na argamassa.
Esta casa, para fazer,
Levou-me anos
De solidão e fomes
Aplacadas.
Uma casa tão clara,
Aberta aos ventos,
E a cada dia sempre
Renovada.
Aqui plantei minha vida,
Nos esquadros
E soleira das portas.
Ancoradouro e barco,
Minha casa.
Daqui se ouvia o mar
E o canto das sereias,
Se nostálgico das janelas
O olhar se alongava.
Mas o perfume do incenso
Rolava nos altares, deuses lares,
E eu ficava e fui sempre
A guardiã da casa.
Pássaro do abismo,
Mensageiro da desgraça,
Meus olhos marinheiros
Pressentiram o desastre.
Ventos do sul sopraram
Sobre a casa. Marés de março
Enormes, com suas vagas,
Submergiram e arrasaram
Da soleira aos telhados.
Olho de furacão,
Espiral de sargaços,
Conheci o sumidouro,
A fúria da voragem.
Sobrevivente do escarcéu
Hoje, náufraga, na casa,
Sei que as paredes permanecem
Intactas, com suas marcas,
E novamente, aos poucos,
Com meus dedos quebrados,
Vou recompondo lentamente
A cumeeira arrasada.
Myriam Fraga
Pedra sobre pedra
Construí esta casa:
Tijolo, sonho e argila.
Custaram-me os alicerces
A metade da asa
Direita,
A outra metade,
Serviu de escora
Às traves que a sustentaram.
A asa esquerda perdeu-se
Na argamassa.
Esta casa, para fazer,
Levou-me anos
De solidão e fomes
Aplacadas.
Uma casa tão clara,
Aberta aos ventos,
E a cada dia sempre
Renovada.
Aqui plantei minha vida,
Nos esquadros
E soleira das portas.
Ancoradouro e barco,
Minha casa.
Daqui se ouvia o mar
E o canto das sereias,
Se nostálgico das janelas
O olhar se alongava.
Mas o perfume do incenso
Rolava nos altares, deuses lares,
E eu ficava e fui sempre
A guardiã da casa.
Pássaro do abismo,
Mensageiro da desgraça,
Meus olhos marinheiros
Pressentiram o desastre.
Ventos do sul sopraram
Sobre a casa. Marés de março
Enormes, com suas vagas,
Submergiram e arrasaram
Da soleira aos telhados.
Olho de furacão,
Espiral de sargaços,
Conheci o sumidouro,
A fúria da voragem.
Sobrevivente do escarcéu
Hoje, náufraga, na casa,
Sei que as paredes permanecem
Intactas, com suas marcas,
E novamente, aos poucos,
Com meus dedos quebrados,
Vou recompondo lentamente
A cumeeira arrasada.
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terça-feira, novembro 15, 2016
Feminino, singular. Myriam Fraga. Poesia
Feminino, singular
Myriam Fraga
A CASA
Pedra sobre pedra
Construí esta casa:
Tijolo, sonho e argila.
Custaram-me os alicerces
A metade da asa
Direita,
A outra metade,
Serviu de escora
Às traves que a sustentaram.
A asa esquerda perdeu-se
Na argamassa.
Esta casa, para fazer,
Levou-me anos
De solidão e fomes
Aplacadas.
Uma casa tão clara,
Aberta aos ventos,
E a cada dia sempre
Renovada.
Aqui plantei minha vida,
Nos esquadros
E soleira das portas.
Ancoradouro e barco,
Minha casa.
Daqui se ouvia o mar
E o canto das sereias,
Se nostálgico das janelas
O olhar se alongava.
Mas o perfume do incenso
Rolava nos altares, deuses lares,
E eu ficava e fui sempre
A guardiã da casa.
Pássaro do abismo,
Mensageiro da desgraça,
Meus olhos marinheiros
Pressentiram o desastre.
Ventos do sul sopraram
Sobre a casa. Marés de março
Enormes, com suas vagas,
Submergiram e arrasaram
Da soleira aos telhados.
Olho de furacão,
Espiral de sargaços,
Conheci o sumidouro,
A fúria da voragem.
Sobrevivente do escarcéu
Hoje, náufraga, na casa,
Sei que as paredes permanecem
Intactas, com suas marcas,
E novamente, aos poucos,
Com meus dedos quebrados,
Vou recompondo lentamente
A cumeeira arrasada.
Myriam Fraga
A CASA
Pedra sobre pedra
Construí esta casa:
Tijolo, sonho e argila.
Custaram-me os alicerces
A metade da asa
Direita,
A outra metade,
Serviu de escora
Às traves que a sustentaram.
A asa esquerda perdeu-se
Na argamassa.
Esta casa, para fazer,
Levou-me anos
De solidão e fomes
Aplacadas.
Uma casa tão clara,
Aberta aos ventos,
E a cada dia sempre
Renovada.
Aqui plantei minha vida,
Nos esquadros
E soleira das portas.
Ancoradouro e barco,
Minha casa.
Daqui se ouvia o mar
E o canto das sereias,
Se nostálgico das janelas
O olhar se alongava.
Mas o perfume do incenso
Rolava nos altares, deuses lares,
E eu ficava e fui sempre
A guardiã da casa.
Pássaro do abismo,
Mensageiro da desgraça,
Meus olhos marinheiros
Pressentiram o desastre.
Ventos do sul sopraram
Sobre a casa. Marés de março
Enormes, com suas vagas,
Submergiram e arrasaram
Da soleira aos telhados.
Olho de furacão,
Espiral de sargaços,
Conheci o sumidouro,
A fúria da voragem.
Sobrevivente do escarcéu
Hoje, náufraga, na casa,
Sei que as paredes permanecem
Intactas, com suas marcas,
E novamente, aos poucos,
Com meus dedos quebrados,
Vou recompondo lentamente
A cumeeira arrasada.
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