quarta-feira, março 22, 2017

Cego em tiroteio nem rasteja

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Vestibular. Charles Fonseca. Poesia


VESTIBULAR
Charles Fonseca

Socorro, assim o amor por ela acaba
Ao cabo assim recolho a minha vela
No cais não quero mais a mim releva
O quanto que lhe quis ao fim o nada

O quanto lhe amei cheira a sargaço
Lasso ao seu enlaço eis-me à lamela
Onde está a amada onde ela
A me nutrir ao mel após transpasso

Do seu vestíbulo estive nos umbrais
E nos seus ais estive mais que louco
Silente aos seus pedidos fiz-me mouco
E aos seus gemidos rouco entrei bem mais.

Van Gogh. Pintura


A prudência recomenda bloquear falsos amigos

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Evite espancar a ignorância. Basta iluminar

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Quanto um burro zurra os outros murcham as orelhas

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Todos sabem alguma coisa que você ainda não sabe

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Florianópolis. Fotografia


O universo é mais amplo que o seu

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terça-feira, março 21, 2017

O lixo alheio não pode servir de argumento ao similar

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Agradeça a cada dia pelo que já foi reconciliado

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Florianópolis. Fotografia


Sabiá. Charles Fonseca. Poesia

SABIÁ
Charles Fonseca

Delicada sabiá laranjeira
Teu canto é tão triste que nem cabe
No peito as mágoas agora a mim trazes
Teu doce canto ouço vez primeira.

Quem sabe que lembranças em teu canto
Então tu me trazes já tão sofrida
De outros jardins, aqui tens querida
Outro teu par a te enxugar o pranto.

Também venho de outros pomares
De outros lugares foi triste o expulso
Tu chegas a mim e já não soluço
Chego-me a ti em ternos trinares. www.charlesfonseca.blogspot.com

segunda-feira, março 20, 2017

Caravaggio. Pintura


As múltiplas formas da penitência na vida cristã

1434. A penitência interior do cristão pode ter expressões muito variadas. A Escritura e os Padres insistem sobretudo em três formas: o jejum, a oração e a esmola que exprimem a conversão, em relação a si mesmo, a Deus e aos outros. A par da purificação radical operada pelo Baptismo ou pelo martírio, citam, como meios de obter o perdão dos pecados, os esforços realizados para se reconciliar com o próximo, as lágrimas de penitência, a preocupação com a salvação do próximo (27), a intercessão dos santos e a prática da caridade «que cobre uma multidão de pecados» (1 Pe 4, 8).

1435. A conversão realiza-se na vida quotidiana por gestos de reconciliação, pelo cuidado dos pobres, o exercício e a defesa da justiça e do direito (28), pela confissão das próprias faltas aos irmãos, pela correcção fraterna, a revisão de vida, o exame de consciência, a direcção espiritual, a aceitação dos sofrimentos, a coragem de suportar a perseguição por amor da justiça. Tomar a sua cruz todos os dias e seguir Jesus é o caminho mais seguro da penitência (29).

1436. Eucaristia e Penitência. A conversão e a penitência quotidianas têm a sua fonte e alimento na Eucaristia: porque na Eucaristia torna-se presente o sacrifício de Cristo, que nos reconciliou com Deus: pela Eucaristia nutrem-se e fortificam-se os que vivem a vida de Cristo: «ela é o antídoto que nos livra das faltas quotidianas e nos preserva dos pecados mortais» (30).

1437. A leitura da Sagrada Escritura, a oração da Liturgia das Horas e do Pai Nosso, todo o acto sincero de culto ou de piedade reavivam em nós o espírito de conversão e de penitência e contribuem para o perdão dos nossos pecados.

1438. Os tempos e os dias de penitência no decorrer do Ano Litúrgico (tempo da Quaresma, cada sexta-feira em memória da morte do Senhor) são momentos fortes da prática penitencial da Igreja (31). Estes tempos são particularmente apropriados para os exercícios espirituais, as liturgias penitenciais, as peregrinações em sinal de penitência, as privações voluntárias como o jejum e a esmola, a partilha fraterna (obras caritativas e missionárias).

1439 O dinamismo da conversão e da penitência foi maravilhosamente descrito por Jesus na parábola do «filho pródigo», cujo centro é «o pai misericordioso» (32): o deslumbramento duma liberdade ilusória e o abandono da casa paterna: a miséria extrema em que o filho se encontra depois de delapidada a fortuna: a humilhação profunda de se ver obrigado a guardar porcos e, pior ainda, de desejar alimentar-se das bolotas que os porcos comiam: a reflexão sobre os bens perdidos: o arrependimento e a decisão de se declarar culpado diante do pai: o caminho do regresso: o acolhimento generoso por parte do pai: a alegria do pai: eis alguns dos aspectos próprios do processo de conversão. O fato novo, o anel e o banquete festivo são símbolos desta vida nova, pura, digna, cheia de alegria, que é a vida do homem que volta para Deus e para o seio da família que é a Igreja. Só o coração de Cristo, que conhece a profundidade do amor do seu Pai, pôde revelar-nos o abismo da sua misericórdia, de um modo tão cheio de simplicidade e beleza. Catecismo

quarta-feira, março 15, 2017

Então. Charles Fonseca. Poesia

ENTÃO
Charles Fonseca

Não existe maior afeto
que o que se espera de um neto
nem o que nos dá um filho
até a adolescência em trilho
a não ser o de um cão pastor fiel
que te lambe a mão e é mel
mas ele é razão extinta
melhor será o de um filho aos trinta
ou então só aos quarenta
extinta a só razão, atenta,
onde à escura um coração
por ti palpita ainda, então.

Caravaggio. Pintura


terça-feira, março 14, 2017

Não mordo a isca

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Romanos, 7

1 Ignorais, irmãos (falo aos que têm conhecimentos jurídicos), que a lei só tem domínio sobre o homem durante o tempo que vive?

2 Assim, a mulher casada está sujeita ao marido pela lei enquanto ele vive; mas, se o marido morrer, fica desobrigada da lei que a ligava ao marido.

3 Por isso, enquanto viver o marido, se se tornar mulher de outro homem, será chamada adúltera. Porém, morrendo o marido, fica desligada da lei, de maneira que, sem se tornar adúltera, poderá casar-se com outro homem.

4 Assim, meus irmãos, também vós estais mortos para a lei, pelo sacrifício do corpo de Cristo, para pertencerdes a outrem, àquele que ressuscitou dentre os mortos, a fim de que demos frutos para Deus.

5 De fato, quando estávamos na carne, as paixões pecaminosas despertadas pela lei operavam em nossos membros, a fim de frutificarmos para a morte.

6 Agora, mortos para essa lei que nos mantinha sujeitos, dela nos temos libertado, e nosso serviço realiza-se conforme a renovação do Espírito e não mais sob a autoridade envelhecida da letra.

7 Que diremos, então? Que a lei é pecado? De modo algum. Mas eu não conheci o pecado senão pela lei. Porque não teria idéia da concupiscência, se a lei não dissesse: Não cobiçarás (Ex 20,17).

8 Foi o pecado, portanto, que, aproveitando-se da ocasião que lhe foi dada pelo preceito, excitou em mim todas as concupiscências; porque, sem a lei, o pecado estava morto.

9 Quando eu estava sem a lei, eu vivia; mas, sobrevindo o preceito, o pecado recobrou vida,

10 e eu morri. Assim o mandamento, que me devia dar a vida, conduziu-me à morte.

11 Porque o pecado, aproveitando da ocasião do mandamento, seduziu-me, e por ele me levou à morte.

12 Por conseguinte, a lei é santa e o mandamento é santo, e justo, e bom...

13 Então o que é bom tornou-se causa de morte para mim? De certo que não. Foi o pecado que, para se mostrar realmente pecado, acarretou para mim a morte por meio do que é bom, a fim de que, pelo mandamento, o pecado se fizesse excessivamente pecaminoso.

14 Sabemos, de fato, que a lei é espiritual, mas eu sou carnal, vendido ao pecado.

15 Não entendo, absolutamente, o que faço, pois não faço o que quero; faço o que aborreço.

16 E, se faço o que não quero, reconheço que a lei é boa.

17 Mas, então, não sou eu que o faço, mas o pecado que em mim habita.

18 Eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita o bem, porque o querer o bem está em mim, mas não sou capaz de efetuá-lo.

19 Não faço o bem que quereria, mas o mal que não quero.

20 Ora, se faço o que não quero, já não sou eu que faço, mas sim o pecado que em mim habita.

21 Encontro, pois, em mim esta lei: quando quero fazer o bem, o que se me depara é o mal.

22 Deleito-me na lei de Deus, no íntimo do meu ser.

23 Sinto, porém, nos meus membros outra lei, que luta contra a lei do meu espírito e me prende à lei do pecado, que está nos meus membros.

24 Homem infeliz que sou! Quem me livrará deste corpo que me acarreta a morte?...

25 Graças sejam dadas a Deus por Jesus Cristo, nosso Senhor!

26 Assim, pois, de um lado, pelo meu espírito, sou submisso à lei de Deus; de outro lado, por minha carne, sou escravo da lei do pecado.

Jardim. Charles Fonseca. Fotografia


segunda-feira, março 13, 2017

Psympossível. Charles Fonseca. Poesia

PSYIMPOSSÍVEL
Charles Fonseca

Ela sempre desejante
Ele sempre esperançoso
Ficou ao fim rançoso
Ficou ela na minguante.

Ela toda autoridade
Ele só condescendente
Ficou sozinho somente
Ficou ela só, saudade

Do impossível, do gozo
De só estar no imaginário
Dele só um rebotalho
Dela adeus presunçoso.

Evandro Teixeira. Fotografia


A Penitência Interior


1430. Como já acontecia com os profetas, o apelo de Jesus à conversão e à penitência não visa primariamente as obras exteriores, «o saco e a cinza», os jejuns e as mortificações, mas a conversão do coração, a penitência interior: Sem ela, as obras de penitência são estéreis e enganadoras; pelo contrário, a conversão interior impele à expressão dessa atitude cm sinais visíveis, gestos e obras de penitência (18).
1431. A penitência interior é uma reorientação radical de toda a vida, um regresso, uma conversão a Deus de todo o nosso coração, uma rotura com o pecado, uma aversão ao mal, com repugnância pelas más acções que cometemos. Ao mesmo tempo, implica o desejo e o propósito de mudar de vida, com a esperança da misericórdia divina e a confiança na ajuda da sua graça. Esta conversão do coração é acompanhada por uma dor e uma tristeza salutares, a que os Santos Padres chamaram animi cruciatus (aflição do espírito), compunctio cordis (compunção do coração) (19).
1432. O coração do homem é pesado e endurecido. É necessário que Deus dê ao homem um coração novo (20). A conversão é, antes de mais, obra da graça de Deus, a qual faz com que os nossos corações se voltem para Ele: «Convertei-nos, Senhor, e seremos convertidos» (Lm 5, 21). Deus é quem nos dá a coragem de começar de novo. É ao descobrir a grandeza do amor de Deus que o nosso coração é abalado pelo horror e pelo peso do pecado, e começa a ter receio de ofender a Deus pelo pecado e de estar separado d'Ele. O coração humano converte-se, ao olhar para Aquele a quem os nossos pecados trespassaram (21).
«Tenhamos os olhos fixos no sangue de Cristo e compreendamos quanto Ele é precioso para o seu Pai, pois que, derramado para nossa salvação, proporcionou ao mundo inteiro a graça do arrependimento» (22).
1433. Depois da Páscoa, é o Espírito Santo que «confunde o mundo no tocante ao pecado», isto é, faz ver ao mundo o pecado de não ter acreditado n'Aquele que o Pai enviou (23). Mas este mesmo Espírito, que desmascara o pecado, é o Consolador (24) que dá ao coração do homem a graça do arrependimento e da conversão (25). Catecismo

sábado, março 11, 2017

Em todos habitam segredos sabidos ou não

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Rua de comércio. Vera Lúcia de Oliveira. Poesia

RUA DE COMÉRCIO
Vera Lúcia de Oliveira

Sou poeta da cidade magra
da cidade que não
caminha
sou dessa planicidade
sou da violência das vidas
poeta da cidade que afunda casas
e pessoas
sou da puta da cidade que só tem
superfície

amanheço todo dia nua e estreita
como uma rua de comércio

D. Nenem. 106 anos. Fotografia


Escarlate. Charles Fonseca. Poesia

ESCARLATE
Charles Fonseca

Uma corda uma barca um porto
Os une um fio escarlate
Da corda que em extensão faz parte
Minha vida com a tua corpo.

Um escuro uma velha chama
Penetra a barca no escuro
Do mar em teu corpo procuro
Porto seguro a vela inflama.

Alfred Steiglitz. Fotografia


Romanos, 6

1 Então que diremos? Permaneceremos no pecado, para que haja abundância da graça?

2 De modo algum. Nós, que já morremos ao pecado, como poderíamos ainda viver nele?

3 Ou ignorais que todos os que fomos batizados em Jesus Cristo, fomos batizados na sua morte?

4 Fomos, pois, sepultados com ele na sua morte pelo batismo para que, como Cristo ressurgiu dos mortos pela glória do Pai, assim nós também vivamos uma vida nova.

5 Se fomos feitos o mesmo ser com ele por uma morte semelhante à sua, sê-lo-emos igualmente por uma comum ressurreição.

6 Sabemos que o nosso velho homem foi crucificado com ele, para que seja reduzido à impotência o corpo (outrora) subjugado ao pecado, e já não sejamos escravos do pecado.

7 (Pois quem morreu, libertado está do pecado.)

8 Ora, se morremos com Cristo, cremos que viveremos também com ele,

9 pois sabemos que Cristo, tendo ressurgido dos mortos, já não morre, nem a morte terá mais domínio sobre ele.

10 Morto, ele o foi uma vez por todas pelo pecado; porém, está vivo, continua vivo para Deus!

11 Portanto, vós também considerai-vos mortos ao pecado, porém vivos para Deus, em Cristo Jesus.

12 Não reine, pois, o pecado em vosso corpo mortal, de modo que obedeçais aos seus apetites.

13 Nem ofereçais os vossos membros ao pecado, como instrumentos do mal. Oferecei-vos a Deus, como vivos, salvos da morte, para que os vossos membros sejam instrumentos do bem ao seu serviço.

14 O pecado já não vos dominará, porque agora não estais mais sob a lei, e sim sob a graça.

15 Então? Havemos de pecar, pelo fato de não estarmos sob a lei, mas sob a graça? De modo algum.

16 Não sabeis que, quando vos ofereceis a alguém para lhe obedecer, sois escravos daquele a quem obedeceis, quer seja do pecado para a morte, quer da obediência para a justiça?

17 Graças a Deus, porém, que, depois de terdes sido escravos do pecado, obedecestes de coração à regra da doutrina na qual tendes sido instruídos.

18 E, libertados do pecado, vos tornastes servos da justiça.

19 Vou-me servir de linguagem corrente entre os homens, por causa da fraqueza da vossa carne. Pois, como pusestes os vossos membros a serviço da impureza e do mal para cometer a iniqüidade, assim ponde agora os vossos membros a serviço da justiça para chegar à santidade.

20 Quando éreis escravos do pecado, éreis livres a respeito da justiça.

21 Que frutos produzíeis então? Frutos dos quais agora vos envergonhais. O fim deles é a morte.

22 Mas agora, libertados do pecado e feitos servos de Deus, tendes por fruto a santidade; e o termo é a vida eterna.

23 Porque o salário do pecado é a morte, enquanto o dom de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor.

Gaguin. Pintura