ROTAÇÃO
Cassiano Ricardo
a esfera
em torno de si mesma
me ensina a espera
a espera me ensina
a esperança
a esperança me ensina
uma nova espera a nova
espera me ensina
de novo a esperança
na esfera
a esfera
em torno de si mesma
me ensina a espera
a espera me ensina
a esperança
a esperança me ensina
uma nova espera a nova
espera me ensina
uma nova esperança
na esfera
a esfera
em torno de si mesma
me ensina a espera
a espera me ensina
a esperança
a esperança me ensina
uma nova espera a nova
espera me ensina
uma nova esperança
na esfera
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quarta-feira, maio 06, 2020
ROTAÇÃO. Cassiano Ricardo. Poesia
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quinta-feira, novembro 21, 2019
O SANGUE DAS HORAS. Cassiano Ricardo
O SANGUE DAS HORAS
Cassiano Ricardo
Queixei-me de não ter pão
e a noite me disse não.
Mostrei-lhe a varanda nua
e a Noite me trouxe a lua...
Você tem sede, não é?
E a Noite me deu café.
São verdes como a esperança
as horas em que sou triste:
bem que existe não se alcança,
só cansa;
procuro o que não existe.
Se a dúvida me procura,
pondo a cerração do tédio
em minha existência obscura,
bebo a esperança, remédio
para as feridas sem cura...
Que dúbio alvor de camélia
anda lá fora a flutuar?
É a Noite que, de tão velha,
tão velha,
criou cabelos de luar...
A insônia do meu relógio
durante a noite passada
crivou-me o corpo, já enfermo,
de punhaladas sonoras...
Meus olhos são duas feridas
por onde
escorre o sangue das horas.
Entre o passado e o porvir
aqueles peixes de prata
não me deixaram dormir.
Tomei café sem parar.
Bebi treva em goles mudos...
Criei cabelos de luar.
Cassiano Ricardo
Queixei-me de não ter pão
e a noite me disse não.
Mostrei-lhe a varanda nua
e a Noite me trouxe a lua...
Você tem sede, não é?
E a Noite me deu café.
São verdes como a esperança
as horas em que sou triste:
bem que existe não se alcança,
só cansa;
procuro o que não existe.
Se a dúvida me procura,
pondo a cerração do tédio
em minha existência obscura,
bebo a esperança, remédio
para as feridas sem cura...
Que dúbio alvor de camélia
anda lá fora a flutuar?
É a Noite que, de tão velha,
tão velha,
criou cabelos de luar...
A insônia do meu relógio
durante a noite passada
crivou-me o corpo, já enfermo,
de punhaladas sonoras...
Meus olhos são duas feridas
por onde
escorre o sangue das horas.
Entre o passado e o porvir
aqueles peixes de prata
não me deixaram dormir.
Tomei café sem parar.
Bebi treva em goles mudos...
Criei cabelos de luar.
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domingo, novembro 10, 2019
SERENATA SINTÉTICA.Cassiano Ricardo.
SERENATA SINTÉTICA
Cassiano Ricardo
Lua
morta
Rua
torta
Tua
porta
Cassiano Ricardo
Lua
morta
Rua
torta
Tua
porta
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quarta-feira, agosto 07, 2019
RELÂMPAGO. Cassiano Ricardo. Poesia.
RELÂMPAGO
Cassiano Ricardo
A onça-pintada saltou tronco acima que nem um re-
lâmpago de rabo comprido e cabeça amarela:
zás!
Mas uma flecha ainda mais rápida que o relâmpago
[fez rolar ali mesmo
aquele matinal gatão elétrico e bigodudo
que ficou estendido no chão feito um fruto de cor
[que tivesse caído de uma árvore!

Cassiano Ricardo
A onça-pintada saltou tronco acima que nem um re-
lâmpago de rabo comprido e cabeça amarela:
zás!
Mas uma flecha ainda mais rápida que o relâmpago
[fez rolar ali mesmo
aquele matinal gatão elétrico e bigodudo
que ficou estendido no chão feito um fruto de cor
[que tivesse caído de uma árvore!
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sábado, abril 28, 2018
ROTAÇÃO. Cassiano Ricardo. Poesia.
ROTAÇÃO
Cassiano Ricardo
a esfera
em torno de si mesma
me ensina a espera
a espera me ensina
a esperança
a esperança me ensina
uma nova espera a nova
espera me ensina
de novo a esperança
na esfera
a esfera
em torno de si mesma
me ensina a espera
a espera me ensina
a esperança
a esperança me ensina
uma nova espera a nova
espera me ensina
uma nova esperança
na esfera
a esfera
em torno de si mesma
me ensina a espera
a espera me ensina
a esperança
a esperança me ensina
uma nova espera a nova
espera me ensina
uma nova esperança
na esfera
Cassiano Ricardo
a esfera
em torno de si mesma
me ensina a espera
a espera me ensina
a esperança
a esperança me ensina
uma nova espera a nova
espera me ensina
de novo a esperança
na esfera
a esfera
em torno de si mesma
me ensina a espera
a espera me ensina
a esperança
a esperança me ensina
uma nova espera a nova
espera me ensina
uma nova esperança
na esfera
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em torno de si mesma
me ensina a espera
a espera me ensina
a esperança
a esperança me ensina
uma nova espera a nova
espera me ensina
uma nova esperança
na esfera
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quinta-feira, junho 26, 2008
Relâmpago. Cassiano Ricardo
RELÂMPAGO
Cassiano Ricardo
A onça pintada saltou tronco acima que nem um relâmpago
de rabo comprido e cabeça amarela:
Zás!
Mas uma flecha ainda mais rápida que o relâmpago fez
rolar ali mesmo
Aquele matinal gatão elétrico e bigodudo
Que ficou estendido no chão feito um fruto de cor
que tivesse caído de uma árvore!
Cassiano Ricardo
A onça pintada saltou tronco acima que nem um relâmpago
de rabo comprido e cabeça amarela:
Zás!
Mas uma flecha ainda mais rápida que o relâmpago fez
rolar ali mesmo
Aquele matinal gatão elétrico e bigodudo
Que ficou estendido no chão feito um fruto de cor
que tivesse caído de uma árvore!
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