16
Para Mário Rosa
Escrever é arriscar tigres
ou algo que arranhe, ralando
o peito na borda do limite
com a mão estendida
até a cerca impossível e farpada
até o erro — é rezar com raiva.
Poesia, prosa, pintura, música, religião. Pix 01863134549
16
Para Mário Rosa
Escrever é arriscar tigres
ou algo que arranhe, ralando
o peito na borda do limite
com a mão estendida
até a cerca impossível e farpada
até o erro — é rezar com raiva.
Charles Fonseca
Gálatas 5
Charles Fonseca
Charles Fonseca
1. Ao findar o labor desta vida,
Quando a morte a teu lado chegar,
Que destino há de ter a tua alma?
Qual será no futuro o teu lar?
* Meu amigo, hoje tu tens a escolha:
* Vida ou morte, qual vais aceitar?
* Amanhã pode ser muito tarde,
* Hoje Cristo te quer libertar.
2. Tu procuras a paz neste mundo,
Em prazeres que passam em vão,
Mas na última hora da vida
Eles já não te satisfarão.
* Meu amigo, hoje tu tens a escolha:
* Vida ou morte, qual vais aceitar?
* Amanhã pode ser muito tarde,
* Hoje Cristo te quer libertar.
3. Por acaso tu riste, ó amigo,
Quando ouviste falar em Jesus?
Mas é só ele o único meio
De salvar pela morte na cruz.
* Meu amigo, hoje tu tens a escolha:
* Vida ou morte, qual vais aceitar?
* Amanhã pode ser muito tarde,
* Hoje Cristo te quer libertar.
4. Tens manchada tua alma e não podes,
Nunca, ver o semblante de Deus;
Só os crentes com corações limpos
Poderão ter o gozo nos céus.
* Meu amigo, hoje tu tens a escolha:
* Vida ou morte, qual vais aceitar?
* Amanhã pode ser muito tarde,
* Hoje Cristo te quer libertar.
5. Se decides deixar teus pecados,
E entregar tua vida a Jesus,
Trilharás, sim, na última hora,
Um caminho brilhante de luz.
* Meu amigo, hoje tu tens a escolha:
* Vida ou morte, qual vais aceitar?
* Amanhã pode ser muito tarde,
* Hoje Cristo te quer libertar.
João Dieners
São João 16
Charles Fonseca
São João 3
Charles Fonseca
1% dos mais ricos do mundo detém a mesma
riqueza que o resto dos 99%.
seis brasileiros concentram a mesma renda
que 50% dos mais pobres.
nos EUA a média diária de consumo de água
per capita é de 575 litros enquanto na Etiópia
é de 15 litros.
dez multinacionais têm mais capital que 180 países.
mulheres recebem, em média, salários 30% menores
que os homens quando ocupam os mesmos cargos
e com a mesma formação.
O motorista do Dr. Mansur
é filho do motorista do pai do Dr. Mansur.
aquele zé-ninguém puxando conversa com a
madame. se o coronel manda apagar não dá nada.
advogados só podem despachar com magistrados
às 3as e 5as, das 14hs às 17hs (alguns
não atendem mesmo).
você sabe com quem está falando?
Charles Fonseca
Salmos 126
Ontem uma estrela disse
à pequena luz em meu coração:
Não somos apenas transeuntes
passando.
Não morra. Sob esse brilho
alguns andarilhos permanecem
caminhando.
Você foi concebida por amor.
Portanto, não leve mais que amor
àqueles que tremem.
Um dia todos os jardins brotaram
de nossos nomes, daquilo que restou
dos corações ansiosos.
E desde que se tornou madura,
esta língua antiga
nos ensinou a curar pessoas
com nossos desejos,
como ser um aroma celestial
para relaxar seus pulmões contraídos:
um suspiro de boas-vindas,
um hausto de oxigênio.
Suavemente passamos sobre as feridas,
como uma gaze suave, um olhar de alívio,
uma aspirina.
Ó pequena luz em mim, não morra,
mesmo que todas as galáxias do mundo
se aproximem.
Ó pequena luz em mim, diga:
Entrem em paz no meu coração.
Todos vocês, entrem!
I São João 3
Art. 2 — Se em Deus há composição de matéria e forma. SUMA TEOLÓGICA
Art. 2 — Se em Deus há composição de matéria e forma. (I Sent., dist. 35, a. 1; Cont. Gent. I, I, 17; Compend. Theol., c. 28) O segundo discute-se assim. — Parece que há em Deus composição de forma e matéria. 1. — Pois, sendo a alma a forma do corpo, tudo o que tem alma é composto de matéria e forma. Ora, a Escritura atribui a alma a Deus, quando o Apóstolo, falando da pessoa divina, diz (Heb 10, 38): Mas o meu justo vive de fé; porém, se ele se apartar, não agradará à minha alma. Logo, Deus é composto de matéria e forma. 2. Demais. — A ira, a alegria e paixões tais são próprias do composto, diz o Filósofo. Ora, a Escritura atribui a Deus todas as paixões (Sl 105, 40): E se acendeu de furor o Senhor contra o seu povo. Logo, Deus é composto de matéria e forma. 3. Demais. — A matéria é o princípio da individuação. Ora, parece que Deus é um indivíduo: pois, não se predica de muitos. Logo, é composto de matéria e forma. Mas, em contrário, todo composto de matéria e forma é corpo; pois, a quantidade dimensiva é a primeira inerente à matéria. Ora, Deus não é corpo, como se demonstrou. Logo, não é composto de matéria e forma. SOLUÇÃO. — É impossível haver matéria em Deus. Primeiro, porque esta é potencial. Ora, como demonstramos, Deus é ato puro, sem nenhuma potencialidade. Logo, é impossível ser composto de matéria e forma. Segundo, por ser a forma a causa da bondade de todo composto em que ela concorre com a matéria; o qual, por isso, e necessariamente, é bom por participação, na medida em que a matéria participa da forma. Ora, Deus, ser primariamente bom e ótimo, não é bom por participação, porque o bem essencial é anterior ao participado. Terceiro, porque todo agente age pela sua forma e, portanto, esta é que determina o modo de ser daquele. Ora, o ser que é agente primária e essencialmente há de, por força, ser também forma, essencial e primariamente. Mas, Deus é o agente primeiro, por ser causa eficiente primeira, como já demonstramos. Logo, é essencialmente a sua forma e não é composto de matéria e forma. DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJEÇÃO. — A alma é atribuída a Deus por semelhança no agir. Pois, como pela nossa alma é que queremos alguma coisa, assim, consideramos agradável à alma de Deus o que lho é à vontade. RESPOSTA À SEGUNDA. — A ira e outras paixões se atribuem a Deus por semelhança de efeito; pois, sendo próprio do irado punir, à ira de Deus se chama punição, metaforicamente. RESPOSTA À TERCEIRA. — As formas de que a matéria é susceptível, por ela se individuam; a qual, por sua vez, não pode existir em outro ser, porque é o sujeito primeiro. Porém, a forma, em si mesma, e se nada o impedir, pode ser recebida por muitos sujeitos. Mas, a forma que não puder ser recebida pela matéria, e for subsistente por si mesma, individua-se pelo fato mesmo de não poder ser recebida. Ora, tal é a forma de Deus. Logo, daí se não segue que ele tenha matéria
Não sei dizer
por que tenho medos
sei que os tenho
sou dona de cada um
proprietária absoluta
escritura lavrada
em purgatório
fiel depositária
de um por um
quando me esqueço
eles saem a passeio
vão ao largo
vão ao fundo
bem ao leito
rio seco
enxurradas
em segundos.
Não sei dizer
por que existem
os meus medos
não me atrevo
a detê-los
são rebeldes
são peraltas
pulam muros
abrem asas
voam longe
voltam fortes
me devoram
bem aos goles.
Não sei dizer
porque persistem
os meus medos
são altivos
são vorazes
andam sozinhos
pelos ares
fazem festa
ou alarde
destemidos
são meus medos.
Não sei dizer
porque tenho medos
só sei dizer
que os temo
um por um
em segredo
bem por isso
são meus medos.
Miqueias 8
Salmos 60
São José
Depois de cada guerra
alguém tem que fazer a faxina.
Colocar uma certa ordem
que afinal não se faz sozinha.
Alguém tem que jogar o entulho
para o lado da estrada
para que possam passar
os carros carregando os corpos.
Alguém tem que se atolar
no lodo e nas cinzas
em molas de sofás
em cacos de vidro
e em trapos ensanguentados.
Alguém tem que arrastar a viga
para apoiar a parede,
pôr a porta nos caixilhos,
envidraçar a janela.
A cena não rende foto
e leva anos.
E todas as câmeras já debandaram
para outra guerra.
As pontes têm que ser refeitas,
e também as estações.
De tanto arregaçá-las,
as mangas ficarão em farrapos.
Alguém de vassoura na mào
ainda recorda como foi.
Alguém escuta
meneando a cabeça que se safou.
Mas ao seu redor
já começam a rondar
os que acham tudo muito chato.
Às vezes alguém desenterra
de sob um arbusto
velhos argumentos enferrujados
e os arrasta para o lixão.
Os que sabiam
o que aqui se passou
devem dar lugar àqueles
que pouco sabem.
Ou menos que pouco.
E por fim nada mais que nada.
Na relva que cobriu
as causas e os efeitos
alguém deve se deitar
com um capim entre os dentes
e namorar as nuvens.
Caetano Veloso
Hebreus 12
Joaquim Nabuco
Uma boa alma. Me lembro dos meses a fio digitando a CLT no computador. O chefe imediato e uma subordinada cúmplice deste não conversavam com ele nem lhe passagem nenhuma assunto de trabalho. O torturador afinal foi defenestrado. Meninos, eu vi.
Sobre a doutrina sagrada
Questão 1: Do que é e do que abrange a doutrina sagrada
Para que fique bem delimitado o nosso intento, cumpre investigar, primeiro, qual seja a doutrina
sagrada, em si mesma, e a que objetos se estende. Sobre este assunto discutem-se dez artigos:
Art. 1 — Se, além das ciências filosóficas, é necessária outra doutrina.
(IIa IIae., q. 2, a. 3, 4; I Sent., prol., a. 1; I Cont. Gent., cap. IV, V; De Verit., q. 14, a. 10).
O primeiro discute-se assim — Parece desnecessária outra doutrina além das disciplinas filosóficas.
1. — Pois não se deve esforçar o homem por alcançar objetos que ultrapassem a razão, segundo a
Escritura (Ecle. 3, 22): Não procures saber coisas mais dificultosas do que as que cabem na tua
capacidade. Ora, o que é da alçada racional ensina-se, com suficiência, nas disciplinas filosóficas; logo,
parece escusada outra doutrina além das disciplinas filosóficas.
2. — Ademais, não há doutrina senão do ser, pois nada se sabe, senão o verdadeiro, que no ser se
converte. Ora, de todas as partes do ser trata a filosofia, inclusive de Deus; por onde, um ramo filosófico
se chama teologia ou ciência divina, como está no Filósofo. Logo, não é preciso que haja outra doutrina
além das filosóficas.
Mas, em contrário, a Escritura (2 Tm 3, 16): Toda a Escritura divinamente inspirada é útil para ensinar,
para repreender, para corrigir, para instruir na justiça. Porém, a Escritura, divinamente revelada, não
pertence às disciplinas filosóficas, adquiridas pela razão humana; por onde, é útil haver outra ciência,
divinamente revelada, além das filosóficas.
SOLUÇÃO. — Para a salvação do homem, é necessária uma doutrina conforme à revelação divina, além
das filosóficas, pesquisadas pela razão humana. Porque, primeiramente, o homem é por Deus ordenado
a um fim que lhe excede a compreensão racional, segundo a Escritura (Is 64, 4): O olho não viu, exceto
tu, ó Deus, o que tens preparado para os que te esperam. Ora, o fim deve ser previamente conhecido
pelos homens, que para ele têm de ordenar as intenções e atos. De sorte que, para a salvação do
homem, foi preciso, por divina revelação, tornarem-se-lhe conhecidas certas verdades superiores à
razão.
Mas também naquilo que de Deus pode ser investigado pela razão humana, foi necessário ser o homem
instruído pela revelação divina. Porque a verdade sobre Deus, exarada pela razão, chegaria aos homens
por meio de poucos, depois de longo tempo e de mistura com muitos erros; se bem do conhecer essa
verdade depende toda a salvação humana, que em Deus consiste. Logo, para que mais conveniente e
segura adviesse aos homens a salvação, cumpria fossem, por divina revelação, ensinados nas coisas
divinas. Donde foi necessária uma doutrina sagrada e revelada, além das filosóficas, racionalmente
adquiridas.
DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJEÇÃO. — Embora se não possa inquirir pela razão o que sobrepuja
a ciência humana, pode-se entretanto recebê-lo por fé divinamente revelada. Por isso, no lugar citado
(Ecle 3, 25), se acrescenta: Muitas coisas te têm sido patenteadas que excedem o entendimento dos RESPOSTA À SEGUNDA. — O meio de conhecer diverso induz a diversidade das ciências. Assim, o
astrônomo e o físico demonstram a mesma conclusão, p. ex., que a terra é redonda; se bem o
astrônomo, por meio matemático, abstrato da matéria; e o físico, considerando a mesma. Portanto,
nada impede que os mesmos assuntos, tratados nas disciplinas filosóficas, enquanto cognoscíveis pela
razão natural, também sejam objeto de outra ciência, enquanto conhecidos pela revelação divina.
Donde a teologia, atinente à sagrada doutrina, difere genericamente daquela teologia que faz parte da
filosofia.
Isaías
Charles Fonseca
Gonçalves Dias
1. Ao findar o labor desta vida,
Quando a morte a teu lado chegar,
Que destino há de ter a tua alma?
Qual será no futuro o teu lar?
* Meu amigo, hoje tu tens a escolha:
* Vida ou morte, qual vais aceitar?
* Amanhã pode ser muito tarde,
* Hoje Cristo te quer libertar.
2. Tu procuras a paz neste mundo,
Em prazeres que passam em vão,
Mas na última hora da vida
Eles já não te satisfarão.
* Meu amigo, hoje tu tens a escolha:
* Vida ou morte, qual vais aceitar?
* Amanhã pode ser muito tarde,
* Hoje Cristo te quer libertar.
3. Por acaso tu riste, ó amigo,
Quando ouviste falar em Jesus?
Mas é só ele o único meio
De salvar pela morte na cruz.
* Meu amigo, hoje tu tens a escolha:
* Vida ou morte, qual vais aceitar?
* Amanhã pode ser muito tarde,
* Hoje Cristo te quer libertar.
4. Tens manchada tua alma e não podes,
Nunca, ver o semblante de Deus;
Só os crentes com corações limpos
Poderão ter o gozo nos céus.
* Meu amigo, hoje tu tens a escolha:
* Vida ou morte, qual vais aceitar?
* Amanhã pode ser muito tarde,
* Hoje Cristo te quer libertar.
5. Se decides deixar teus pecados,
E entregar tua vida a Jesus,
Trilharás, sim, na última hora,
Um caminho brilhante de luz.
* Meu amigo, hoje tu tens a escolha:
* Vida ou morte, qual vais aceitar?
* Amanhã pode ser muito tarde,
* Hoje Cristo te quer libertar.
João Dieners
Gonçalves Dias
Machado de Assis
Charles Fonseca
"O blog www.charlesfonseca.blogspot.com é um espaço pessoal e literário mantido por Charles Fonseca. Diferente de portais de notícias regionais, este blog tem uma identidade voltada para a curadoria cultural, religiosa e artística, funcionando quase como um diário público de sensibilidades e reflexões.
Aqui estão os principais pontos sobre o conteúdo do blog:
Ecletismo Cultural: O autor partilha frequentemente poemas (próprios e de nomes consagrados como Fernando Pessoa, Angélica Freitas e Ruy Espinheira Filho), letras de música brasileira (samba, MPB, clássicos de Nelson Gonçalves, Dalva de Oliveira, Vinícius de Moraes) e referências a grandes pintores como Picasso, Dalí e Portinari.
Espiritualidade: Há uma forte presença de conteúdo cristão, com a publicação regular de passagens bíblicas (como Salmos e Epístolas), letras de hinos e reflexões religiosas.
Temas Pessoais e Nostálgicos: O blog aborda temas como família, saudade, passagens do tempo e memórias de lugares (menciona frequentemente cidades como Florianópolis, Salvador e Jequié).
Estilo de Publicação: As postagens são curtas e frequentes, muitas vezes consistindo apenas numa citação, um vídeo musical do YouTube ou uma imagem, servindo como um "mural" de inspirações diárias do autor.
Interação: O autor disponibiliza o seu e-mail pessoal e até o seu Pix no cabeçalho, reforçando o carácter íntimo e direto da página.
Em suma, é um blog de resistência ao formato de "notícias rápidas", focado em arte, fé e na apreciação de pequenos fragmentos literários e musicais."
Charles Fonseca
Oscar Wilde
São Mateus 19
Martin Luter King Jr
1. Vem, filho perdido,
Ó pródigo, vem!
Ruína te espera
Nas trevas além.
Tu, de medo tremendo,
E de fome gemendo.
* Ó filho perdido,
* Vem, pródigo, vem!
* Vem! Vem! Pródigo, vem!
2. Vem, filho perdido,
Ó pródigo, vem!
Teu pai te convida,
Querendo-te bem!
Vestes há para ornar-te,
Ricos dons, vem fartar-te!
* Ó filho perdido,
* Vem, pródigo, vem!
* Vem! Vem! Pródigo, vem!
3. Vem, filho perdido,
Sim, volta a Jesus!
Bondade infinita
Se avista na cruz.
Em miséria vagando,
Tuas culpas chorando!
* Ó filho perdido,
* Vem, pródigo, vem!
* Vem! Vem! Pródigo, vem!
4. Ó pródigo, escuta
As vozes de amor!
Oh, rompe as ciladas
Do vil tentador,
Pois em casa há bastante,
E tu andas errante!
* Ó filho perdido,
* Vem, pródigo, vem!
* Vem! Vem! Pródigo, vem!
Ellen Hutington Gates
Sarah Poulton Kalley
FAMÍLIA
Pai, mãe, irmãos, amigos. Família. Avós mortos, pai morto, mãe morta, três irmãos mortos, mortos muitos amigos. Três horas da madrugada e eles estão aqui. Comigo fitam o relógio sobre a mesinha e ouvem a chuva cair. Família. Todos presentes, inclusive o vasto tamarindeiro do quintal, também entre os mortos como aqueles cães e gatos e passarinhos e as paredes da primeira casa. Família. Creio que não dormirei esta noite. O inverno está a caminho. E até lá e além seguirei conversando com todos. Seguirei. Enquanto nos contemplar esse relógio, imóvel para sempre nas três horas infinitas da madrugada.
Hebreus 4
"68 – E como todas as coisas que podemos perceber estão relacionadas no tempo e no espaço, o que sentimos com os olhos divide-se no espaço, o que sentimos com o ouvido divide-se no tempo. Da mesma forma que aquele animalzinho ocupava inteiro um espaço maior que a sua parte, também há maior duração de tempo na pronúncia de Lúcifer que na de uma parte como luci. Portanto, se pelo significado dizemos que uma palavra vive na redução do tempo de pronúncia da divisão das sílabas, também não está dividido o significado (o que tem tempo é o som, não a significação)." Santo Agostinho
Gênesis 1
eu durmo comigo / deitada de bruços eu durmo comigo / virada pra direita eu durmo comigo / eu durmo comigo abraçada comigo / não há noite tão longa em que não durma comigo / como um trovador agarrado ao alaúde eu durmo comigo / eu durmo comigo debaixo da noite estrelada / eu durmo comigo enquanto os outros fazem aniversário / eu durmo comigo às vezes de óculos / e mesmo no escuro sei que estou dormindo comigo / e quem quiser dormir comigo vai ter que dormir do lado.
I São João 4
Se o senhor não está lembrado
Dá licença de contar
Que aqui onde agora está
Esse adifício alto
Era uma casa velha, um palacete abandonado
Foi aqui, seu moço
Que eu, Mato Grosso e o Joca
Construímos nossa maloca
Mas um dia
Nem quero me lembrar
Veio os homis co as ferramentas
Que o dono mandou derrubar
Peguemo tudo a nossas coisas
E fumos pro meio da rua apreciar a demolição
Que tristeza que eu sentia
Cada táuba que caía, doía no coração
Mato Grosso quis gritar
Mas em cima eu falei
Os homis tá ca razão, nós arranja outro lugar
Só se conformemos
Quando o Joca falou
Deus dá o frio conforme o cobertor
E hoje nós pega paia nas grama do jardim
E pra esquecer, nós cantemos assim
Saudosa maloca, maloca querida
Dim, dim, donde nós passemo os dias feliz de nossas vidas
Saudosa maloca, maloca querida
Dim, dim, donde nós passemo os dias feliz de nossas vidas
Saudosa maloca, maloca querida
Dim, dim, donde nós passemo os dias feliz de nossas vidas
Saudosa maloca, maloca querida
Dim, dim, donde nós passemo os dias feliz de nossas vidas
II Coríntios 12
A CAPPELLA
Minas de minhas almas, eu te batizo em nome da mãe e te embalo a cappella para que em mim sonhes — e já não me pesas e já não me dóis.
Provérbios 5
Hebreus
"O amor comeu meu nome, minha identidade, meu retrato. O amor comeu minha certidão de idade, minha genealogia, meu endereço. O amor comeu meus cartões de visita. O amor veio e comeu todos os papéis onde eu escrevera meu nome.
O amor comeu minhas roupas, meus lenços, minhas camisas. O amor comeu metros e metros de gravatas. O amor comeu a medida de meus ternos, o número de meus sapatos, o tamanho de meus chapéus. O amor comeu minha altura, meu peso, a cor de meus olhos e de meus cabelos.
O amor comeu meus remédios, minhas receitas médicas, minhas dietas. Comeu minhas aspirinas, minhas ondas-curtas, meus raios-X. Comeu meus testes mentais, meus exames de urina.
O amor comeu na estante todos os meus livros de poesia. Comeu em meus livros de prosa as citações em verso. Comeu no dicionário as palavras que poderiam se juntar em versos.
Faminto, o amor devorou os utensílios de meu uso: pente, navalha, escovas, tesouras de unhas, canivete. Faminto ainda, o amor devorou o uso de meus utensílios: meus banhos frios, a ópera cantada no banheiro, o aquecedor de água de fogo morto, mas que parecia uma usina.
O amor comeu as frutas postas sobre a mesa. Bebeu a água dos copos e das quartinhas. Comeu o pão de propósito escondido. Bebeu as lágrimas dos olhos que, ninguém o sabia, estavam cheios de água.
O amor voltou para comer os papéis onde irrefletidamente eu tornara a escrever meu nome.
O amor roeu minha infância, de dedos sujos de tinta, cabelo caindo nos olhos, botinas nunca engraxadas. O amor roeu o menino esquivo, sempre nos cantos, e que riscava os livros, mordia o lápis, andava na rua chutando pedras. Roeu as conversas, junto à bomba de gasolina do largo, com os primos que tudo sabiam sobre passarinhos, sobre uma mulher, sobre marcas de automóvel.
O amor comeu meu Estado e minha cidade. Drenou a água morta dos mangues, aboliu a maré. Comeu os mangues crespos e de folhas duras, comeu o verde ácido das plantas de cana cobrindo os morros regulares, cortados pelas barreiras vermelhas, pelo trenzinho preto, pelas chaminés. Comeu o cheiro de cana cortada e o cheiro de maresia. Comeu até essas coisas de que eu desesperava por não saber falar delas em verso.
O amor comeu até os dias ainda não anunciados nas folhinhas. Comeu os minutos de adiantamento de meu relógio, os anos que as linhas de minha mão asseguravam. Comeu o futuro grande atleta, o futuro grande poeta. Comeu as futuras viagens em volta da terra, as futuras estantes em volta da sala.
O amor comeu minha paz e minha guerra. Meu dia e minha noite. Meu inverno e meu verão. Comeu meu silêncio, minha dor de cabeça, meu medo da morte."*
*(Trecho de Os Três Mal-Amados (1943), João Cabral de Melo Neto)
I João 5,3
Manuel Bandeira
TREM DE FERRO
Café com pão Café com pão Café com pão Virge Maria que foi isso maquinista? Agora sim Café com pão Agora sim Voa, fumaça Corre, cerca Ai seu foguista Bota fogo Na fornalha Que eu preciso Muita força Muita força Muita força Oô... Foge, bicho Foge, povo Passa ponte Passa poste Passa pasto Passa boi Passa boiada Passa galho De ingazeira Debruçada No riacho Que vontade De cantar! Oô... Quando me prendero No canaviá Cada pé de cana Era um oficiá Oô... Menina bonita Do vestido verde Me dá tua boca Pra matá minha sede Oô... Vou mimbora vou mimbora Não gosto daqui Nasci no sertão Sou de Ouricuri Oô... Vou depressa Vou correndo Vou na toda Que só levo Pouca gente Pouca gente Pouca gente...
1. Há hoje alguém esperando
Para Jesus encontrar?
Venha, sem mais demorar-se,
Cristo vai hoje passar!
Ei-lo de mãos estendidas,
Cheio de graça sem-par;
Oh, que ventura inaudita -
Cristo vai hoje passar!
* Cristo vai hoje passar, passar, passar!
* Passa de amor transbordando,
* Todos a si convidando.
* O Mestre vai hoje passar,
* Sim, hoje ele vai passar.
2. Há inda alguém duvidando
Do seu poder de salvar?
Pois venha experimentá-lo,
Cristo vai hoje passar!
O seu poder é divino,
O seu amor é sem-par.
Ó coração quebrantado!
Cristo vai hoje passar!
* Cristo vai hoje passar, passar, passar!
* Passa de amor transbordando,
* Todos a si convidando.
* O Mestre vai hoje passar,
* Sim, hoje ele vai passar.
3. Há inda alguém demorando
Para Jesus aceitar?
Eis que o Senhor está perto,
Ele vai hoje passar!
Ó pecador desditoso,
Não cesses, pois, de clamar!
Vem tuas culpas chorando;
Cristo vai hoje passar!
* Cristo vai hoje passar, passar, passar!
* Passa de amor transbordando,
* Todos a si convidando.
* O Mestre vai hoje passar,
* Sim, hoje ele vai passar.
Elisha Albrigth Hoffmann
João Dieners
São João 15
2
minha mãe foi
mãe de suas irmãs
vendedora de flores de pano
caixa de banco
camareira e garçonete
viu cantar no hotel brasil
agnaldo timóteo e moacyr franco
era sonâmbula
seu sonho nessa época
era cobrir a lua
com um lençol
até hoje ela gosta da lua
tira fotos e reclama que não fica
tão bonita
qual o sonho dela hoje?
ser reintegrada à universidade
tomar vinho na piscina sob a luz
da lua
nós ao redor
inclusive os cachorros
I Coríntios
1. Tendes vós lugar vazio
Para Cristo, o Salvador?
Ele bate e quer entrada,
Quer salvar-vos em amor.
* Dai lugar a Jesus Cristo!
* Ide já o convidar,
* Para que ache em vós morada
* E onde sempre possa estar!
2. Vós quereis divertimentos,
Amizades e prazer,
Menos esse amigo vero,
Que por nós ousou morrer?
* Dai lugar a Jesus Cristo!
* Ide já o convidar,
* Para que ache em vós morada
* E onde sempre possa estar!
3. Tendes tempo para Cristo?
Logo o buscarei em vão!
Hoje é tempo favorável
De aceitar a salvação!
* Dai lugar a Jesus Cristo!
* Ide já o convidar,
* Para que ache em vós morada
* E onde sempre possa estar!
Daniel Webster Whittle
Anônimo
Gênesis 1
1. Queres o teu vil pecado vencer?
Dá teu coração a Jesus.
Queres também seu favor receber?
Dá teu coração a Jesus.
* Já chega de hesitação!
* Já chega de oposição!
* Oh, busca em Cristo o perdão,
* E dá-lhe teu coração
2. Em santidade desejas viver?
Dá teu coração a Jesus.
Queres do Espírito Santo o poder?
Dá teu coração a Jesus.
* Já chega de hesitação!
* Já chega de oposição!
* Oh, busca em Cristo o perdão,
* E dá-lhe teu coração
3. A tempestade não quer acalmar?
Dá teu coração a Jesus.
Queres as tuas paixões refrear?
Dá teu coração a Jesus.
* Já chega de hesitação!
* Já chega de oposição!
* Oh, busca em Cristo o perdão,
* E dá-lhe teu coração
4. Dos teus amigos alguém te traiu?
Dá teu coração a Jesus.
Busca a amizade de quem te remiu,
Dá teu coração a Jesus.
* Já chega de hesitação!
* Já chega de oposição!
* Oh, busca em Cristo o perdão,
* E dá-lhe teu coração
5. Queres no céu a teu Deus exaltar?
Dá teu coração a Jesus.
Queres a glória divina alcançar?
Dá teu coração a Jesus.
* Já chega de hesitação!
* Já chega de oposição!
* Oh, busca em Cristo o perdão,
* E dá-lhe teu coração
As memórias dançam, bêbadas,
falam alto, trocam datas
no secreto escuro limbo
de nossos desejos,
os mais inconfessáveis.
Mudam-nos de lugar, as memórias.
As memórias se abraçam,
interpretam papéis, rodam à baila
confundem fatos, nomes
inventam outros, inexistentes riem
para dar sentido à trama
mesmo que infame, sempre alegre
de nossas trajetórias pessoais.
Quando uma delas se fixa
congelada num canto
paralisada, olhando o nada
não mexa, não toque
não vá despertá-la agora:
ela pode acabar com a festa.
Gálatas 5
Charles Fonseca
16 Para Mário Rosa Escrever é arriscar tigres ou algo que arranhe, ralando o peito na borda do limite com a mão estendida até...