Charles Fonseca
quinta-feira, fevereiro 19, 2026
Salma lembranças de Vitória da Conquita. Ali perdi foi uma derrota. A casa azul claro a noite escura havia portão ou censura e tudo acabou foi amor raro.
CAFÉ DA MANHÃ
Quero uma sociedade com quem também a queira meia taça de vinho à mesa dedo de mel se estiver com vontade. A fruta entreaberta assim como a já madura ai fome com saciedade tão querida à espera!
Charles Fonseca
FOTOGRAFIA
Naquelas matas sombrias a floresta, a onça, a lontra, a áreas dos índios remonta, bons tempos de Ibicuí. Eram terras devolutas só medir e titular, homem vai trabalhar a mulher ao marido dizia. Ele era de outra estirpe era pregador do evangelho desde moço até mais velho, meu pai saudades de ti, meu velho.
Charles Fonseca
SALVADOR
Tenho uma foto antológica pra quem só que esteja no clima, é como colmo por cima ou colmo por baixo empina.
FOTOGRAFIA
ABRAÇO VERDE. Ana Cecilia Bastos
ABRAÇO VERDE
Isto também é o Crato: um grande abraço verde. A serra abraça e é em seu colo que nos reunimos em festa. Olho em torno e há quietude. Os lugares cheios de infância seguem em mim, fraternos. Suas árvores, águas e bichos me embalam e comovem. Por aquela fresta, naquele olhar, minha adolescência ainda espia. Das histórias que me contam, parece que a terra, uma vez acolhedora, é agora a que pode trair e decepcionar. A terra, a cidade cada vez mais urbana, o rural que se esfacela. A serra, seus silêncios e sua verdade. As poucas palavras e as palavras de infinita mágoa. Deixei meu coração numa ondulação desta serra. Aqui fui eu mesma de um modo inteiro e por uma vez. Depois fiquei a me procurar, fingindo ter saído para sempre, disfarçada de estrangeira. Mas aqui estou: nos olhos que me olham e em mim, neste imenso afeto à flor da pele, nas palavras ocultas nas horas do dia, nesta agonia, neste sabor de verdade.
SALVADOR
CABELOS BRANCOS
26.De fato, que aproveitará ao homem se ganhar o mundo inteiro mas arruinar a sua vida? Ou que poderá o homem dar em troca de sua vida? 27.Pois o Filho do Homem há de vir na glória do seu Pai, com os seus anjos, e então retribuirá a cada um de acordo com o seu comportamento.
São Mateus 16
quarta-feira, fevereiro 18, 2026
ARQUITETURA
Não adianta um enorme conhecimento sem público leitor. Crie um blog.
BRIGAS
BAHIA
"Eu penso que você topava. Ônibus de Copacabana. Tímido, não avançava. Se avançasses de noite à cama iria visitar-te (meu sonho erótico) ali serias minha mulher, o ponto G, o gozo, a afundar em ti gozava."
PINTURA
"Pois se lê: Todas as coisas sujeitou debaixo de seus pés. Mas, quando diz: Todas as coisas lhe estão sujeitas, claro está que se excetua aquele que lhe sujeitou todas as coisas." I Coríntios 15:27
FOTOGRAFIA
O que você escreve não é o que o outro lê
SALVADOR
Quando disse a ela que tinha um novo amor uma lágrima nos olhos lhe boiou fechou-se a porta bateu-se a janela. Afinal o que deu nela nunca pra mim se declarou sempre ao minha olhar a face corou, alma furtiva, adeus ao amor.
Charles Fonseca
PINTURA
Não a jogue no espaço, bolha de sabão. Não se inebrie com o seu engalanado som. Não a empregue sem razão acima de toda razão (e é raro). Não brinque, não experimente, não cometa a loucura sem remissão de espalhar aos quatro ventos do mundo essa palavra que é toda sigilo e nudez, perfeição e exílio na Terra. Não a pronuncie.
Carlos Drummond de Andrade
FOTOGRAFIA
Na casa que falta pão todos brigam e ninguém tem razão
PINTURA
Enfim se foi mais um colega o corpo evanescente a alma transcendente Roberto Lemos Paiva. Cordato, gentil, bem querido. Turma de 1968. A que nunca acaba já nos céus lá estaremos nós todos.
Charles Fonseca
BONECA COBIÇADA
27.Deus criou o homem à sua imagem, à imagem de Deus ele o criou, homem e mulher ele os criou.
Gênesis 1
terça-feira, fevereiro 17, 2026
FOTOGRAFIA
Um problema real. De dia racionaliza-se tudo. Nos sonhos um cavalo sem rédea galopa à solta. A via vida diurna é fundamental para a noite tranquila. Quem te ensina é a experiência no corpo a corpo e na transcendência.
Charles Fonseca
FOTOGRAFIA
Fim de tarde lembro de Copacabana. Aquela morena aquele rabo de arraia. Eu adolescente sem assumir a gana de comê-la tocá-la que vida avara. A mãe o olhar vigilante onde ela rebolava ela olhava não me deixava alisá-la. Ai tesão recolhida, sem estanca!
Charles Fonseca
SALVADOR
FAMÍLIA. Carlos Drummond de Andrade
O Pai se escreve sempre com P grande
em letras de respeito e de tremor
se é Pai da gente. E Mãe, com M grande.
O Pai é imenso. A Mãe, pouco menor.
Com ela, sim, me entendo bem melhor:
Mãe é muito mais fácil de enganar.
(Razão, eu sei, de mais aberto amor.)
PINTURA
BOIADEIRO. Luiz Gonzaga
"Volta, e dize a Ezequias, príncipe do meu povo: Assim diz o Senhor Deus de teu pai Davi: Ouvi a tua oração, e vi as tuas lágrimas. Eis que eu te sararei; ao terceiro dia subirás à casa do Senhor." II Reis 20:5
SALVADOR
Como és linda sob a sombra ao sol imagino à lua nua, bendito São Jorge que encobre a ti ai, minha vista turva.
Charles Fonseca
A FAVELA VAI ABAIXO. Sinhô
23.Guarda o teu coração acima de tudo, porque dele provém a vida.
Provérbios 4
segunda-feira, fevereiro 16, 2026
PINTURA
ANTIGAMENTE. Carlos Drummond de Andrade
ANTIGAMENTE, as moças chamavam-se mademoiselles e eram todas mimosas e muito prendadas. Não faziam anos: completavam primaveras, em geral dezoito. Os janotas, mesmo não sendo rapagões, faziam-lhes pé-de-alferes, arrastando a asa, mas ficavam longos meses debaixo do balaio. E se levavam tábua, o remédio era tirar o cavalo da chuva e ir pregar em outra freguesia. As pessoas, quando corriam, antigamente, era para tirar o pai da forca e não caíam de cavalo magro. Algumas jogavam verde para colher maduro, e sabiam com quantos paus se faz uma canoa. O que não impedia que, nesse entrementes, esse ou aquele embarcasse em canoa furada. Encontravam alguém que lhes passasse a manta e azulava, dando às de vila-diogo. Os mais idosos, depois da janta, faziam o quilo, saindo para tomar fresca; e também tomavam cautela de não apanhar sereno. Os mais jovens, esses iam ao animatógrafo, e mais tarde ao cinematógrafo, chupando balas de altéia. Ou sonhavam em andar de aeroplano; os quais, de pouco siso, se metiam em camisa de onze varas, e até em calças pardas; não admira que dessem com os burros n’água.
HAVIA OS QUE tomaram chá em criança, e, ao visitarem família da maior consideração, sabiam cuspir dentro da escarradeira. Se mandavam seus respeitos a alguém, o portador garantia-lhes: “Farei presente.” Outros, ao cruzarem com um sacerdote, tiravam o chapéu, exclamando: “Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo”, ao que o Reverendíssimo correspondia: “Para sempre seja louvado.” E os eruditos, se alguém espirrava — sinal de defluxo — eram impelidos a exortar: “Dominus tecum”. Embora sem saber da missa a metade, os presunçosos queriam ensinar padre-nosso ao vigário, e com isso metiam a mão em cumbuca. Era natural que com eles se perdesse a tramontana. A pessoa cheia de melindres ficava sentida com a desfeita que lhe faziam, quando, por exemplo, insinuavam que seu filho era artioso. Verdade seja que às vezes os meninos eram mesmo encapetados; chegavam a pitar escondido, atrás da igreja. As meninas, não: verdadeiros cromos, umas tetéias.
ANTIGAMENTE, certos tipos faziam negócios e ficavam a ver navios; outros eram pegados com a boca na botija, contavam tudo tintim por tintim e iam comer o pão que o diabo amassou, lá onde Judas perdeu as botas. Uns raros amarravam cachorro com lingüiça. E alguns ouviam cantar o galo, mas não sabiam onde. As famílias faziam sortimento na venda, tinham conta no carniceiro e arrematavam qualquer quitanda que passasse à porta, desde que o moleque do tabuleiro, quase sempre um cabrito, não tivesse catinga. Acolhiam com satisfação a visita do cometa, que, andando por ceca e meca, trazia novidades de baixo, ou seja, da Corte do Rio de Janeiro. Ele vinha dar dois dedos de prosa e deixar de presente ao dono da casa um canivete roscofe. As donzelas punham carmim e chegavam à sacada para vê-lo apear do macho faceiro. Infelizmente, alguns eram mais do que velhacos: eram grandessíssimos tratantes.
ACONTECIA o indivíduo apanhar constipação; ficando perrengue, mandava o próprio chamar o doutor e, depois, ir à botica para aviar a receita, de cápsulas ou pílulas fedorentas. Doença nefasta era a phtysica, feia era o gálico. Antigamente, os sobrados tinham assombrações, os meninos lombrigas, asthma os gatos, os homens portavam ceroulas, botinas e capa-de-goma, a casimira tinha de ser superior e mesmo X.P.T.O. London, não havia fotógrafos, mas retratistas, e os cristãos não morriam: descansavam.
MAS TUDO ISSO era antigamente, isto é, outrora.
FOTOGRAFIA
Um passarinho me falou que guardas poemas na alma e devem ser belos Amália não dê uma de pomba voou. O mundo espera de ti mais daqueles que te foram furtados quem sabe em outros jornais em blogs oh como almejo!
Charles Fonseca
PINTURA
Eu sei que ela sabe que quando a penso faço poemas. Sabemos que não dá certo tudo ficou no passado assim meio esboçado sem cartinha só cartão e aquele olhar pidão. Aquele riso enluarado aquele chega pra lá aos pés da cruz o altar o selo em nosso passado.
Charles Fonseca
FOTOGRAFIA
Eu sei que ela sabe que quando a penso faço poemas. Sabemos que não dá certo tudo ficou no passado assim meio esboçado sem cartinha só cartão e aquele olhar pidão. Aquele riso enluarado aquele chega pra lá aos pés da cruz o altar o selo em nosso passado.
Charles Fonseca
FOTOGRAFIA
"Prevalecem as iniqüidades contra mim; mas as nossas transgressões, tu as perdoarás."
Salmos 65
domingo, fevereiro 15, 2026
FOTOGRAFIA
Você tem boca de luar, disse o rapaz para a namorada, e a namorada riu, perguntou ao rapaz que espécie de boca é essa, o rapaz respondeu que é uma boca toda enluarada, de dentes muito alvos e leitosos, entende? (C.D.A., Boca de Luar, 1984, Ed. Record)
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Era só o que queriam um filho fosse pastor. No mínimo um anel de doutor restou algo ordinário. Perceberam e em silêncio todos ensimesmados o distinto era vário pobre poeta em procenio. A andar ele é poeta, o meu filho meu pobre filho, uma alma estranha viu-lhe um brilho. Deu-lhe a mão ele um esteta. Aflorou de vate vário no canto a vida sorriu dos céus estrelas viu, não mais vil não mais calvário.
Charles Fonseca
FOTOGRAFIA
Toda vez que penso nela Salvador me vem à mente. Nós dois varanda janela. Sem rede um encosto ternamente. Aquele abraço em esboço, o sorriso, beijo molhado, a espera do passo em falso, o mar, a maresia, o gozo.
Charles Fonseca
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"Amai ao Senhor, vós todos os que sois seus santos; o Senhor guarda os fiéis, e retribui abundantemente ao que usa de soberba." Salmos 31:23
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Sabe aquela varanda de vista eterna? Na minha memória passageira ali esteve uma decepção regada a vinho, uma desesperança meu coração miudinho, ali um grande amor em perigo e eu ao Pai do Céu a pedir arrego...
Charles Fonseca
FOTOGRAFIA
sábado, fevereiro 14, 2026
Os inocentes do Leblon não viram o navio entrar. Trouxe bailarinas? trouxe imigrantes? trouxe um grama de rádio? Os inocentes, definitivamente inocentes, tudo ignoram, mas a areia é quente, e há um óleo suave que eles passam nas costas, e esquecem
Carlos Drummond de Andrade
PINTURA
No meu sonho sempiterno como estavas macia linda menina! Na casa da tia Nita já no eterno e tu a mim volta, minha rainha! Ai musa do meu passado ainda à noite tu me vens doce como foi bom amém sou teu bardo apaixonado.
Charles Fonseca
FOTOGRAFIA
Uma linda nuvem em tom rosado sobranceira como a cor da juventude. De repente logo abaixo do cinza chumbo um clarão, um raio eis que a mim surge. Assim é a vida com altos e baixos. Assim uns a mais outros a menos. Estes no usufruir ameno. Outros no revés que a si turgem.
Charles Fonseca
SALVADOR
Escrevo memórias e as guardo no blog. São escritos para os pósteros. Agora 81 antes do limítrofes 89 pelo IBGE destampo os títulos que as encerram e as rememoro. Quem me conhece de perto reconhecem as pistas. Outros que não que pensem é uma catarse um sem que fazer em pleno Carnaval escreve.
Charles Fonseca
FOTOGRAFIA
A saudade punge a alma, o teu corpo em bamboleio que imagino eu no meio do teu regaço em Xalapa. Tudo um sonho de verão o mais do menos o desejo, o gozo, em permeio o vate morre em tesão
Charles Fonseca
AMAR A UMA SÓ MULHER
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8.Pela graça fostes salvos, por meio da fé, e isso não vem de vós, é o dom de Deus: 9.não vem das obras, para que ninguém se encha de orgulho. 10.Pois somos criaturas dele, criados em Cristo Jesus para as boas obras que Deus já antes tinha preparado para que nelas andássemos.
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"Custei a compreender que fantasia é um troço que o cara tira no carnaval e usa nos outros dias por toda a vida", escreveram João Bosco e Aldir Blanc… -
sexta-feira, fevereiro 13, 2026
PINTURA
O HOMEM. AS VIAGENS. Carlos Drummond de Andrade
O homem, bicho da Terra tão pequeno
chateia-se na Terra
lugar de muita miséria e pouca diversão,
faz um foguete, uma cápsula, um módulo
toca para a Lua
desce cauteloso na Lua
pisa na Lua
planta bandeirola na Lua
experimenta a Lua
coloniza a Lua
civiliza a Lua
humaniza a Lua.
Lua humanizada: tão igual à Terra.
O homem chateia-se na Lua.
Vamos para Marte — ordena a suas máquinas.
Elas obedecem, o homem desce em Marte
pisa em Marte
experimenta
coloniza
civiliza
humaniza Marte com engenho e arte.
Marte humanizado, que lugar quadrado.
Vamos a outra parte?
Claro — diz o engenho
sofisticado e dócil.
Vamos a Vênus.
O homem põe o pé em Vênus,
vê o visto — é isto?
idem
idem
idem.
O homem funde a cuca se não for a Júpiter
proclamar justiça junto com injustiça
repetir a fossa
repetir o inquieto
repetitório.
Outros planetas restam para outras colônias.
O espaço todo vira Terra-a-terra.
O homem chega ao Sol ou dá uma volta
só para tever?
Não-vê que ele inventa
roupa insiderável de viver no Sol.
Põe o pé e:
mas que chato é o Sol, falso touro
espanhol domado.
Restam outros sistemas fora
do solar a col-
onizar.
Ao acabarem todos
só resta ao homem
(estará equipado?)
a dificílima dangerosíssima viagem
de si a si mesmo:
pôr o pé no chão
do seu coração
experimentar
colonizar
civilizar
humanizar
o homem
descobrindo em suas próprias inexploradas entranhas
a perene, insuspeitada alegria
de con-viver.
QUEM SABE SABE
JOÃO 3
30.É necessário que ele cresça e eu diminua.
31.Aquele que vem do alto está acima de todos;o que é da terra é terrestre e fala como terrestre. Aquele que vem do céu
32.dá testemunho do que viu e ouviu, mas ninguém acolhe o seu testemunho.
33.Quem acolhe o seu testemunho certifica que Deus é verdadeiro.
34.Com efeito, aquele que Deus enviou fala as palavras de Deus, pois ele dá o Espírito sem medida.
35.O Pai ama o Filho e tudo entregou em sua mão.
36.Quem crê no Filho tem vida eterna. Quem recusa crer no Filho não verá vida. Pelo contrário, a ira de Deus permanece sobre ele".
quinta-feira, fevereiro 12, 2026
A NOITE DO MEU BEM
SALVADOR
Quando a vi com pós namorado pra mim sorrir parei estanque, Igreja da Graça desarvorado, dela fugi nunca mais, nem um instante. Ai musa de Jequié quanta lembrança, mente confusa menti demais. Ah se voltasses atrás, não fugiria de ti mulher, monturo em brasa.
Charles Fonseca
O PODER
ESTOU FARTO. Manuel Bandeira
"Estou farto do lirismo comedido
FOTOGRAFIA
Que coisa linda os cinco reunidos, todos infantes o pai e a mãe, beira muro de adobão, o céu nublado, idos de Ibicuí. Hoje dispersos dói a diáspora, filhos criados netos bisnetos, o fim próximo verso reverso, agora só o céu, à espera, acho.
Charles Fonseca
PINTURA
38.Pois estou convencido de que nem a morte nem a vida, nem os anjos nem os principados, nem o presente nem o futuro, nem os poderes, 39.nem a altura, nem a profundeza, nem qualquer outra criatura poderá nos separar do amor de Deus manifestado em Cristo Jesus, nosso Senhor.
Romanos 8
FOTOGRAFIA
Sonhar dentro do sonho, a musa agora aloirada antes morena clara agora nada, Jequié Avenida Rio Branco. Oito meses frio no estômago, ao vê-la vestido cassa, mão na mão que não devassa, os peitinhos pra o vate apontando.
Charles Fonseca
SANTA CATARINA
quarta-feira, fevereiro 11, 2026
Afastem de mim esses cálices, essas lembranças longínquas, travos amargos sem remédio sem cura, esses diagnósticos parem.
Charles Fonseca
FOTOGRAFIA
Naquela noite a escuridão ele e ela à janela, um breu. As camas juntas só ela e ele. A camisola do dia, embaixo a agonia, o quero agora, apaga o pavio. O mastro trêmulo aponta o céu será que come será que não. Ela carente o vate vário. O nunca mais, a saudade, descrente, o quero agora, o lamento à frente.
Charles Fonseca
BAHIA
Quanta loucura, foi um desvario, a mata atlântica o cacau, a cabruca, o sol a chuva, o frio... O sonho vário, a bruxa, a praga. O golpe, a meia volta, a desgraça.
Charles Fonseca
NERVOS DE AÇO. Jamelão
NO MEIO DO CAMINHO. Carlos Drummond de Andrade
No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.
Não, eu não sei o que fazer
da minha vida quando me canso dela.
Agora eu sei que
não tenho um carro pequeno
que
tenha uma pedra pequena.
PINTURA
33.Eu vos disse tais coisas para terdes paz em mim. No mundo tereis tribulações, mas tende coragem: eu venci o mundo!"
São João 16
SALVADOR
terça-feira, fevereiro 10, 2026
"Ouve, vê e cala, e viverás vida folgada: tua porta cerrarás, teu vizinho louvarás, quanto podes não farás, quanto sabes não dirás, quanto vês não julgarás, quanto ouves não crerás, se quiseres viver em paz".
D. Manuel
PINTURA
OLHAR E OUVIR. Santo Agostinho
"Na filosofia agostiniana tempo e espaço são coisas reais, e não ideias abstratas. O tempo é inerente ao ser criado, e não há tempo onde não há criatura, como não há criatura sem tempo. E o espaço indica a limitação e localização do ser criado (Gênesis à letra 5,5,12; A Cidade de Deus 11,6). A moderníssima definição de matéria, a de Einstein, de que “matéria é tudo o que está sujeito à relação espaço-tempo”, coincide com a de Santo Agostinho. Por isso está dito (n. 68): o que sentimos com os olhos divide-se no espaço, o que sentimos com os ouvidos divide-se no tempo."
CAMINHANDO CONTRA O VENTO. Caetano Veloso
Depois de toda a tua filosofia ingressa na metafísica. Esta te levará à Eucaristia. Daí chegarás à Verdade que a todos alumia.
Charles Fonseca
PINTURA
A VERDADE DIVIDIDA. Carlos Drummond de Andrade
A porta da verdade estava aberta
mas só deixava passar
meia pessoa de cada vez.
Assim não era possível atingir toda a verdade,
porque a meia pessoa que entrava
só conseguia o perfil de meia verdade.
E sua segunda metade
voltava igualmente com meio perfil.
E os meios perfis não coincidiam.
Arrebentaram a porta. Derrubaram a porta.
Chegaram ao lugar luminoso
onde a verdade esplendia os seus fogos.
Era dividida em duas metades
diferentes uma da outra.
Chegou-se a discutir qual a metade mais bela.
Nenhuma das duas era perfeitamente bela.
E era preciso optar. Cada um optou
conforme seu capricho, sua ilusão, sua miopia.
ESCULTURA
"Convertei-vos pela minha repreensão; eis que derramarei sobre vós o meu; espírito e vos farei saber as minhas palavras."
Provérbios 1
SALVADOR
segunda-feira, fevereiro 09, 2026
O Brasil é um país tão diversificado que teve quem batesse continência para pneus.
BAHIA
NUMERAL. Armando Freitas Filho
16
Para Mário Rosa
Escrever é arriscar tigres
ou algo que arranhe, ralando
o peito na borda do limite
com a mão estendida
até a cerca impossível e farpada
até o erro — é rezar com raiva.


















































