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terça-feira, dezembro 05, 2023

CAI A NOITE

fim de tarde voltam aves ao ninho

tantas em revoada, até o bem-te-vi 

me dá boa noite e eu só aqui

espero o escuro à rede, faz frio


os amigos no WhatsApp falam em flores

é o que se passa no celular

há nuvens densas pelo ar

rosas do deserto há dores 


mas também há quem sabe lembranças 

de venturas já alcançadas

de outras ainda que tardas

cai a noite, sonhos, esperanças

sábado, dezembro 02, 2023

O ROLÉ

Hoje dei um rolé pelo Shopping e fiquei preocupado. Não vi um só conhecido. Tenho quase 79. Ou morreram ou traíram o Shopping que os alegrava. Ou estão cansados ou sem poder andar. Que será que houve?

quinta-feira, novembro 30, 2023

EXAURIDO

Ameçari serip era o nome que a si dava

adolescente na caatinga

a censura ainda não extinta
meu irmão se apaixonava

não o sei o que ocorria
saia das brenhas arranhado
o andar trôpego a olhar Amessarip
exaurido de óleo baixado. 

REFLEXÃO

as noites longas o tempo é curto

o dia doze horas pra mim é demais 

se quer falar comigo venha em paz

e no mais as almas escuto


passou o tempo da ação

estou a ouvir também sorrio

a beira-mar em noites de estio

a beira-rio só em reflexão

A COMOÇÃO

os homens enciumados

as mulheres em polvorosa

os outros bichos em prosa 

o chefe ao pó cocainado


tudo começou de emoção 

de súbito ninguém à espera

ai quem dera uns à inveja

em tudo em todos a comoção

À PRAÇA

Agora à Bahia minha pátria

nação cidade parentes

ainda resta aderentes

volto a ti não sou um pária 


sou dos Silva e Fonseca

a outros por sobrenome

deixo a herança a hombre

um ou outro pouca a tristeza


o mais é a alegria da raça

onde foram caldeados

índios negros de além pátria

portugueses espanhóis à praça

ARRANHOS

por certo causou tristeza os arranhos

na alma infante tão doce

é que começaram os desenganos

já aí a vida os trouxe


mais de menos que alegrias

estas fugazes sem densidade

até hoje há saudades entre agonias

o céu na terra não há só na eternidade

quarta-feira, novembro 29, 2023

MARAM

 MARAM Marcos André e Ricardo

Maria Dulce e Ataide

este se foi e muito triste

os quatro a mão ao trabalho 


a mente o coração o suor

o honesto a tradição 

do pai Ataide meu irmão 

saudades no peito, o melhor

terça-feira, novembro 28, 2023

DEIXEM-ME

então fica combinado vou à Bahia 

em Cabo Frio meu coração um pedaço 

outro fica em Brasília penduro abraços

salvo a dor de tantos dias


na Bahia tenho fincadas raízes

Feira de Santana tenho laços

marejados olhos baços

rastros fundadas matrizes


deixem-me vou procurar

quem quiser o meu abraço

não ouso beijos só na mão

de minha musa perdida, ai

FOTOGRAFIAS. Charles Fonseca

guardo fotografias avulsas

de lembranças da alma fugidias

é o que me salva de agonias

de amares distantes o vate soluça


em versos palavras sinais

pendurados no varal dos desejos

quem sabe um dia algum revejo

bardo me livro de tristes ais

O CÉU AZUL

uma fêmea nos Barrís

um macho em ato vicário

um fusquinha azul vário

um Tocaia motel a mil


dois anos de aventuras

na base do esconde esconde

vamos a outro onde onde

qualquer um o céu azul

segunda-feira, novembro 27, 2023

CISMAS DA MADRUGADA

sozinho é madrugada

primeiros raios do sol

a mim chegam eu só 

a pensar na minha amada


dorme ela ao meu lado terna

alma pura livre de maldade

que nunca cisne ao lado de outro nade

nem eu enquanto aqui na terra fique

sábado, novembro 25, 2023

VÁRIAS

pouco a pouco passo a passo

foi dando pra trás cuidadoso

pra não cair de novo

o amor se encolheu lasso


cansou depois de muitas milhas

até a musa mulher bela

mas altiva só na dela

enfim há muitas ilhas


de amor em cada esquina

rua bairro cidades

a aportar no cais saudoso

baixar as velas por os pés no porto 

deixar pra trás sonhos saudades várias

O MARINHEIRO

 

a vida comum de todos é assim

foi bom enquanto durou

foi mal enfim passou

resta saudades ai de mim


ai dela quem haverá de

ai de mim lembranças não morrem

ai de todos por mais que chorem

aí está a vida sempre por vir


a cada dia as surpresas

a cada noite os sonhos vãos

o marinheiro põe a mão no timão

e leva o barco vida e olha as estrelas



sexta-feira, novembro 24, 2023

O TREM DA VIDA.

era uma vista deslumbrante 

Baía de Todos os Santos

Areal de Baixo era o meu canto

dia e noite o firmamento adiante


depois foi o Concorde

estação primeira de um projeto

não deu certo riacho perto

Avenida Centenário o mote


segunda estação colina da Graça

um palácio mil vitrais

plebeu em fantasia mil ais

exílio de mim uma desgraça


terceira estação sobrado rosa

de má fama um assassino

ali deixou uma bala tinindo

no peito de um que foi à cova 


quarta estação outra avenida 

Cardeal da Silva o conheci

quem ao meu lado nem conto aqui

passado incerto mulher da vida


chega pra mim basta de açoites

quero uma musa não mais uma bruxa

quinta estação saltei do trem

uma mineira foi o meu bem

belos dias ternas as noites


Charles Fonseca 

quinta-feira, novembro 23, 2023

A VIDA DURA

Farinha com açúcar era o sólido

café com rapadura adoçante

meses com a abóbora a todo instante

a fé vamos vencer o opróbrio 


fase da adolescência curtida

o ferro de engomar abano à brasa

camisa rosa clara sem jaça

calça de brim às vezes ja puída


a paixão desenfreada

a namoradinha mão na mão 

sob a Bíblia no sermão 

a Igreja aos domingos mais nada

quarta-feira, novembro 22, 2023

O ALGOZ

uma colcha de retalhos

lembranças de todo tipo

multicores remendos na alma

dores de amares passados


destes o forro é o desejo

este algoz libertador

ao qual sempre preso 

sem ele não vivo o amor

O FIM DA HISTÓRIA

A morte sempre chega pontualmente na hora incerta

certo dia viemos ao mundo à luz do dia

ou à luz da lua que nos alumia

depois de tanta lida pra uns à treva


pra outros à espera da glória

silentes à campa dormem

há ainda os que logo sobem

veem todos ao fim da história