sexta-feira, maio 03, 2024
Há muitas ilhas de amor em cada esquina rua bairro cidades a aportar; no cais saudoso baixar as velas por os pés no porto deixar pra trás sonhos saudades várias
quarta-feira, maio 01, 2024
Ai de ti cidade selva de muitas impossíveis paixões deixo a ti tumba de ilusões dos muitos sobrenome Silva
terça-feira, dezembro 05, 2023
CAI A NOITE
fim de tarde voltam aves ao ninho
tantas em revoada, até o bem-te-vi
me dá boa noite e eu só aqui
espero o escuro à rede, faz frio
os amigos no WhatsApp falam em flores
é o que se passa no celular
há nuvens densas pelo ar
rosas do deserto há dores
mas também há quem sabe lembranças
de venturas já alcançadas
de outras ainda que tardas
cai a noite, sonhos, esperanças
sábado, dezembro 02, 2023
O ROLÉ
Hoje dei um rolé pelo Shopping e fiquei preocupado. Não vi um só conhecido. Tenho quase 79. Ou morreram ou traíram o Shopping que os alegrava. Ou estão cansados ou sem poder andar. Que será que houve?
quinta-feira, novembro 30, 2023
EXAURIDO
Ameçari serip era o nome que a si dava
adolescente na caatinga
REFLEXÃO
as noites longas o tempo é curto
o dia doze horas pra mim é demais
se quer falar comigo venha em paz
e no mais as almas escuto
passou o tempo da ação
estou a ouvir também sorrio
a beira-mar em noites de estio
a beira-rio só em reflexão
A COMOÇÃO
os homens enciumados
as mulheres em polvorosa
os outros bichos em prosa
o chefe ao pó cocainado
tudo começou de emoção
de súbito ninguém à espera
ai quem dera uns à inveja
em tudo em todos a comoção
À PRAÇA
Agora à Bahia minha pátria
nação cidade parentes
ainda resta aderentes
volto a ti não sou um pária
sou dos Silva e Fonseca
a outros por sobrenome
deixo a herança a hombre
um ou outro pouca a tristeza
o mais é a alegria da raça
onde foram caldeados
índios negros de além pátria
portugueses espanhóis à praça
ARRANHOS
por certo causou tristeza os arranhos
na alma infante tão doce
é que começaram os desenganos
já aí a vida os trouxe
mais de menos que alegrias
estas fugazes sem densidade
até hoje há saudades entre agonias
o céu na terra não há só na eternidade
quarta-feira, novembro 29, 2023
MARAM
MARAM Marcos André e Ricardo
Maria Dulce e Ataide
este se foi e muito triste
os quatro a mão ao trabalho
a mente o coração o suor
o honesto a tradição
do pai Ataide meu irmão
saudades no peito, o melhor
terça-feira, novembro 28, 2023
DEIXEM-ME
então fica combinado vou à Bahia
em Cabo Frio meu coração um pedaço
outro fica em Brasília penduro abraços
salvo a dor de tantos dias
na Bahia tenho fincadas raízes
Feira de Santana tenho laços
marejados olhos baços
rastros fundadas matrizes
deixem-me vou procurar
quem quiser o meu abraço
não ouso beijos só na mão
de minha musa perdida, ai
FOTOGRAFIAS. Charles Fonseca
guardo fotografias avulsas
de lembranças da alma fugidias
é o que me salva de agonias
de amares distantes o vate soluça
em versos palavras sinais
pendurados no varal dos desejos
quem sabe um dia algum revejo
bardo me livro de tristes ais
O CÉU AZUL
uma fêmea nos Barrís
um macho em ato vicário
um fusquinha azul vário
um Tocaia motel a mil
dois anos de aventuras
na base do esconde esconde
vamos a outro onde onde
qualquer um o céu azul
segunda-feira, novembro 27, 2023
CISMAS DA MADRUGADA
sozinho é madrugada
primeiros raios do sol
a mim chegam eu só
a pensar na minha amada
dorme ela ao meu lado terna
alma pura livre de maldade
que nunca cisne ao lado de outro nade
nem eu enquanto aqui na terra fique
sábado, novembro 25, 2023
VÁRIAS
pouco a pouco passo a passo
foi dando pra trás cuidadoso
pra não cair de novo
o amor se encolheu lasso
cansou depois de muitas milhas
até a musa mulher bela
mas altiva só na dela
enfim há muitas ilhas
de amor em cada esquina
rua bairro cidades
a aportar no cais saudoso
baixar as velas por os pés no porto
deixar pra trás sonhos saudades várias
O MARINHEIRO
a vida comum de todos é assim
foi bom enquanto durou
foi mal enfim passou
resta saudades ai de mim
ai dela quem haverá de
ai de mim lembranças não morrem
ai de todos por mais que chorem
aí está a vida sempre por vir
a cada dia as surpresas
a cada noite os sonhos vãos
o marinheiro põe a mão no timão
e leva o barco vida e olha as estrelas
sexta-feira, novembro 24, 2023
O TREM DA VIDA.
era uma vista deslumbrante
Baía de Todos os Santos
Areal de Baixo era o meu canto
dia e noite o firmamento adiante
depois foi o Concorde
estação primeira de um projeto
não deu certo riacho perto
Avenida Centenário o mote
segunda estação colina da Graça
um palácio mil vitrais
plebeu em fantasia mil ais
exílio de mim uma desgraça
terceira estação sobrado rosa
de má fama um assassino
ali deixou uma bala tinindo
no peito de um que foi à cova
quarta estação outra avenida
Cardeal da Silva o conheci
quem ao meu lado nem conto aqui
passado incerto mulher da vida
chega pra mim basta de açoites
quero uma musa não mais uma bruxa
quinta estação saltei do trem
uma mineira foi o meu bem
belos dias ternas as noites
Charles Fonseca
quinta-feira, novembro 23, 2023
A VIDA DURA
Farinha com açúcar era o sólido
café com rapadura adoçante
meses com a abóbora a todo instante
a fé vamos vencer o opróbrio
fase da adolescência curtida
o ferro de engomar abano à brasa
camisa rosa clara sem jaça
calça de brim às vezes ja puída
a paixão desenfreada
a namoradinha mão na mão
sob a Bíblia no sermão
a Igreja aos domingos mais nada
quarta-feira, novembro 22, 2023
O ALGOZ
uma colcha de retalhos
lembranças de todo tipo
multicores remendos na alma
dores de amares passados
destes o forro é o desejo
este algoz libertador
ao qual sempre preso
sem ele não vivo o amor
O FIM DA HISTÓRIA
A morte sempre chega pontualmente na hora incerta
certo dia viemos ao mundo à luz do dia
ou à luz da lua que nos alumia
depois de tanta lida pra uns à treva
pra outros à espera da glória
silentes à campa dormem
há ainda os que logo sobem
veem todos ao fim da história
