A deliberação tomada pelos ratos
La Fontaine
Rodilardo, gato voraz,
aprontou entre os ratos tal matança
que deu cabo de sua paz,
de tantos que matava e guardava na pança.
Os poucos que sobraram não se aventuravam
a sair dos buracos: mal se alimentavam.
Para eles, Rodilardo era mais que um gato:
era o próprio Satã, de fato.
Um dia em que, pelos telhados,
foi o galante namorar,
aproveitando a trégua, os ratos, assustados,
resolveram confabular
e discutir um modo de solucionar
esse grave problema. O decano, prudente,
definiu a questão: simples falta de aviso,
já que o gato chegava, solerte. Era urgente
amarrar-lhe ao pescoço um guizo,
concluiu o decano, rato de juízo.
Acharam a idéia excelente,
e aplaudiram seu autor. Restava, todavia,
um pequeno detalhe a ser solucionado:
quem prenderia o guizo – e qual se atreveria?
Um se esquivou, dizendo estar muito ocupado;
Outro alegou que andava um tanto destreinado
em dar laços e nós. E a bela idéia
teve triste final. Muita assembléia,
ao fim, nada decide – mesmo sendo de frades,
ou de veneráveis abades...
Deliberar, deliberar...
conselheiros, existem vários;
mas quando é para executar,
onde estarão os voluntários?
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quinta-feira, abril 02, 2015
A deliberação tomada pelos ratos, La Fontaine
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Prosa.
Escreva para o meu e-mail: silvafonseca@gmail.com
domingo, maio 25, 2014
O gato e a raposa. Jean de La Fontaine. Fábula. Prosa
O gato e a raposa
Jean de La Fontaine
Uma vez, a raposa conversando
Com o gato, se esteve ali gabando
De ter artes e gírias bom recheio;
Enfim, que delas tinha um saco cheio.
O gato lhe dizia:
"Para tudo
Vós tendes cachimônia; eu sou mui rudo;
Tendes um saco cheio; eu, por desgraça,
Nunca pude aprender mais que uma traça."
Nesta prática estavam divertidos.
E quando muitos cães foram sentidos,
Já os tinham no meio: em tal trabalho
O gato saltou logo em um carvalho,
E pôs-se lá de cima a ver a festa,
Que foi para a raposa bem funesta.
Moral da Estória:
Ter muitas iniciativas e expedientes nem sempre pode ser um bom negócio. Seria desejável ter um só, bom e eficaz.
Jean de La Fontaine
Uma vez, a raposa conversando
Com o gato, se esteve ali gabando
De ter artes e gírias bom recheio;
Enfim, que delas tinha um saco cheio.
O gato lhe dizia:
"Para tudo
Vós tendes cachimônia; eu sou mui rudo;
Tendes um saco cheio; eu, por desgraça,
Nunca pude aprender mais que uma traça."
Nesta prática estavam divertidos.
E quando muitos cães foram sentidos,
Já os tinham no meio: em tal trabalho
O gato saltou logo em um carvalho,
E pôs-se lá de cima a ver a festa,
Que foi para a raposa bem funesta.
Moral da Estória:
Ter muitas iniciativas e expedientes nem sempre pode ser um bom negócio. Seria desejável ter um só, bom e eficaz.
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domingo, abril 27, 2014
O lobo e o cordeiro. Jean de La Fontaine. Fábula. Prosa
O lobo e o cordeiro
Jean de La Fontaine
Na límpida corrente de um ribeiro
Mata a sede um cordeiro.
Chega um lobo em jejum que a fome atiça,
A farejar carniça.
"Ousas turvar-me as águas, malcriado?"
(Uiva o lobo irritado.)
CORDEIRO
"Rogo, senhor, a Vossa Majestade,
E com toda a humildade,
Que não se zangue com seu pobre servo;
Pois, respeitoso, observo
Que embaixo e no declive estou bebendo,
E a água vem descendo."
"Turvas (retruca o bárbaro animal);
Demais, falaste mal,
Há seis meses, de mim."
CORDEIRO
"Não é verdade;
Conto só três de idade;
Não tinha inda nascido."
LOBO
"Pois então
Falou um teu irmão."
CORDEIRO
"Não o tenho."
LOBO
"Foi um dos teus parentes,
Que me têm entre dentes;
E eu vingo-me de vós - cães e pastores,
Que sois tão faladores."
Disse, e sobre o cordeiro se despenha
E o conduz para a brenha,
Onde o come do mato no recesso,
Sem forma de processo.
Que a razão do mais forte predomina
Esta fábula ensina.
Moral da Estória:
Contra a força não há argumentos.
Jean de La Fontaine
Na límpida corrente de um ribeiro
Mata a sede um cordeiro.
Chega um lobo em jejum que a fome atiça,
A farejar carniça.
"Ousas turvar-me as águas, malcriado?"
(Uiva o lobo irritado.)
CORDEIRO
"Rogo, senhor, a Vossa Majestade,
E com toda a humildade,
Que não se zangue com seu pobre servo;
Pois, respeitoso, observo
Que embaixo e no declive estou bebendo,
E a água vem descendo."
"Turvas (retruca o bárbaro animal);
Demais, falaste mal,
Há seis meses, de mim."
CORDEIRO
"Não é verdade;
Conto só três de idade;
Não tinha inda nascido."
LOBO
"Pois então
Falou um teu irmão."
CORDEIRO
"Não o tenho."
LOBO
"Foi um dos teus parentes,
Que me têm entre dentes;
E eu vingo-me de vós - cães e pastores,
Que sois tão faladores."
Disse, e sobre o cordeiro se despenha
E o conduz para a brenha,
Onde o come do mato no recesso,
Sem forma de processo.
Que a razão do mais forte predomina
Esta fábula ensina.
Moral da Estória:
Contra a força não há argumentos.
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