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sábado, julho 13, 2019

domingo, junho 30, 2019

segunda-feira, fevereiro 11, 2019

A insensibilidade. Suely Monteiro.

"Não dexe que a insensibilidade do outro, contamine a sua delicadeza.
A vida é cheia de grandes momentos, mesmo quando nossas lágrimas fazem crer que não vale a pena acreditar no outro. Chore, quantas vezes sentir necessidade, mas lembre-se de não se perder nas lágrimas, mas faça delas o diluente para as mágoas e os ódios, a desconfiança, os medos, as dores."

segunda-feira, outubro 22, 2018

Homenagem

Homenagem
Este homem me fez o mais belo convite que recebi na vida. Claro que aceitei e, como só agora eu soube que hoje é o Dia dos Poetas, o publico com todo meu carinho, estendendo, claro, a homenagem à todos aqueles cuja sensibiludade ultrapassa o senso comum e descortina à humanidade a beleza que sozinha ela não consegue ver .
Obrigada Charles Fonseca por me amar. Tenha certeza de que você é retribuído com igual intensidade.

CONVIDO-TE
Charles Fonseca

À Tilly

Convido-te, amiga, às doces paragens
Campestres, ao silêncio dos prados,
Aos ternos murmúrios dos nossos regatos,
Aos roucos sussurros aquém das miragens.

Convido-te comigo a outros olhares,
A outros dizeres dos nossos silêncios,
A outros perfumes a nós como prêmios,
Tocar nossas harpas, frementes, vibrares.

Convido-te, amiga, pra caminhada
A dois pela praia, o mar por fronteira,
As nossas dores escrever na areia,
Do nosso amor gozar, madrugada.
A imagem pode conter: 1 pessoa, a sorrir, sentado

terça-feira, setembro 11, 2018

Perspectiva Ontológica Cartesiana. Suely Monteiro.

Perspectiva Ontológica Cartesiana
Suely Monteiro

Descartes introduz em sua epistemologia, uma perspectiva ontológica, deslocando o questionamento sobre o Objeto que se mostra a uma razão capaz de captar a ordem efetiva das coisas para o Sujeito que volitivamente se direciona para o Objeto na intenção de captar essa ordem.

Este deslocamento é o Principio da Consciência de Si ou Principio da Subjetividade e, a partir dele, Descartes formulará outro traço determinante do pensamento moderno que é o dualismo entre o eu e o mundo exterior, corpo e alma, mantendo uma participação de Deus, Substância infinita que funda o ser da substância extensa e da substancia pensante, em nós.

Em Descartes a racionalidade do eu e a racionalidade do mundo exterior estão relacionadas, ou seja, são idênticas e existe uma estrutura racional nos dois mundos que pela matematização (conceituação em fórmulas racionais) do mundo exterior ele pode conceber a realidade como um sistema de pensamentos fundidos na consciência. É o Idealismo.

Essa convicção filosófica Idealista norteará quase toda a filosofia moderna e, mesmo com algumas críticas que se faz a Descartes na contemporaneidade, é preciso ter, sempre, em mente que o Racionalismo e o Mecanicismo advindos de suas descobertas de uma realidade primeira se tornaram a base da nova ciência e ajudaram na propulsão do progresso.

quinta-feira, abril 06, 2017

Minha família. Suely Monteiro. Prosa

Minha família tem a leveza das nuvens, o colorido do arco-íris, a elegância da garça, a generosidade dos deuses, o olhar inocente da criança e guarda a constante presença de Deus.
Minha família congrega valores da tradição ao mesmo tempo que avança, sem preconceitos, nos novos caminhos que a modernidade aponta.
Minha família comporta tanto os gestos delicados de amor quanto as grandes explosões que cortam os ares como raios nas noites de tempestades.
Minha família canta, ri, dança e, se preciso, chora, esperneia, geme e reclama unida.
Minha família prega a paz, a harmonia e a união entre todos e, dois minutos depois, separa-se em tribos furiosas, para reajuntar-se, sem explicações num grande abraço, depois que a bronca passa.
Minha família não comunga com a mentira, mas se o telefone toca e há preguiça em atender, não se importa em mandar dizer que o procurado está no banho ou deu uma rápida saída.
Minha família economiza dinheiro e esbanja prazeres.
Minha família viaja, com todos os seus membros, várias vezes ao ano, através dos sonhos de cada um.
Ah minha família curte o carnaval na roça e nem se lembra do jantar se a novela das nove está passando.
Minha família filosofa durante horas tentando demonstrar a banalidade da filosofia.
Minha família adoece quando um dos membros sente dor e rejuvenece quando nasce um novo componente no grupo.
Minha família, certamente, é igual a muitas outras famílias, mas se reveste de grande significado, apenas, por ser
A MINHA FAMÍLIA.

quarta-feira, agosto 31, 2016

Grécia. Suely Monteiro. Prosa

Grécia: um sonho em minha vida que nunca se realiza.

Desde menina sonho com você.
Estive algumas vezes às suas portas, mas um motivo ou outro acaba me desviando do roteiro.

Oh Grécia por que voce tanto se distancia de mim?!!

sábado, abril 23, 2016

Reflexão sobre a maturidade. Suely Monteiro.

A maturidade desconstrói a fantasia e com suas peças esculpe a realidade. As dores, intrínsecas nesse processo, são semelhantes às do parto: remetem à vida.

sábado, outubro 31, 2015

Em Algum Lugar do Passado. Suely Monteiro



Em Algum Lugar do Passado
Suely Monteiro

Nessa nossa vida corrida em que vivemos correndo mundo, as fotos se acumulam e muitas vezes, não fazemos a menor ideia de onde estávamos e em que tempo.

Achei por acaso esta foto minha e de Charles e não consigo identificar o lugar, mas sei, com certeza , que estávamos felizes. Aliás, na maior parte do tempo estamos felizes. Temos muitas afinidades que sustentam as nossas diferenças e o amor que dedicamos um ao outro é a grande carta no baralho de nossas vidas.

O tempo passa, vamos envelhecendo e, no entanto, quando olhamos um para o outro, enxergarmos a frescura do amor nos revitalizando a alma, nos aprimorando as atitudes, nos elevando nos conceitos mútuos, nos fazendo parte e nos constituindo como ser.


A vida tem sido um premio para nós, e da minha parte, confio que continuará assim, enquanto eu puder sentir seus braços envolvendo meu corpo em suaves caricias e ouvir seus lábios sussurrarem que eu sou a sua amada.


Engraçado, pois, normalmente, sou contida em falar dos meus sentimentos em público. Mas, hoje, ao entrar no quarto e encontrá-lo calmo, tranquilo, fazendo suas anotações em seus blogs, mas uma vez me dei conta da força do amor que nos une e resolvi dizer ao mundo inteiro o quanto isto é bom.

Acontece, também, que tenho acompanhado muitas criticas e reclamações que circulam na rede, dando-nos a sensação de que o amor está "saindo do ar " .

Para muitos corações que se isolam em relações superficiais e fugidias, ele parece distante, inalcançável. E, no entanto, ele está tão próximo de mim, ou melhor, ele preenche a minha vida e os meus ambientes pessoais com tanta intensidade que considero uma descortesia não compartilhar com todos vocês, meus amáveis leitores, a certeza de que é possível ser feliz, de que é possível amar e ser amado, de que é possível viver uma relação segura e duradoura, ainda que a mídia e as redes sociais insistam em nos dizer o contrário.

O amor, para mim, continua sendo um sentimento contagiante e abrangente e, espero contribuir com esta minha declaração, para que ele alcance, também, o seu coração, fazendo-o vibrar em ternas ondas e tornando, aos seus olhos, o mundo melhor.

Quando a energia do amor começar a circular mais intensamente nos lares, nas redes sociais, nas rodas de amigos, ela promoverá mudanças muito mais rapidamente do que as reclamações tem conseguido promover. Por isto, sugiro delicadamente a você leitor:

Pense o Bem, sinta o Bem, Viva o Bem

Outubro 2013

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http://suelymonteiro.blogspot.com.br/2013/10/em-algum-lugar-do-passado.html?m=1

segunda-feira, outubro 05, 2015

Uma reflexão sobre a Amizade. Suely Monteiro

Uma reflexão sobre a Amizade.
Suely Monteiro

Sou naturalmente acolhedora e isto faz com que as pessoas desabafem comigo seus segredos, seus problemas, suas mágoas. Inúmeras vezes eles são tão graves que me limito a ouvir com atenção sem pretensão de ajudar.
Problemas financeiros, com vizinhos, com colegas de trabalhos, cônjuges, filhos e outros eram muito constantes. Mas, ultimamente as queixas tem sido em relação à solidão, ao vazio na alma, a falta de amigos.
Ontem, uma pessoa me disse que possuía quase tudo para ser feliz: bom emprego, bela casa, dinheiro para viajar e atender aos seus desejos de comprar, mas nada disso adiantava, pois o seu sonho de consumo não estava à venda: a amizade.
Eu, que até então, nunca havia parado para pensar sobre a amizade disparei a perguntar mentalmente: podemos situar a amizade na lista de bens de consumo? O que significa ser amigo? O que uma pessoa precisa fazer pelo outro para ser considerada amiga? Amigo é o que abre mão de si para agradar o outro? É aquele que vive fazendo graças? É o que empresta dinheiro, carros, celulares etc.?
No livro “Ética a Nicômaco” Aristóteles discorre sobre três espécies de amizades: amizade segundo o prazer, segundo a utilidade e segundo a virtude.
Vamos ver o que significa isto?
A amizade segundo o prazer é aquela amizade cujo elo se dá pelo prazer de estar juntos, ou seja, amigos que fazem rir contando piadas, que são engraçados que deixam tudo “correr frouxo” e estão sempre de "bem com a vida". Os amigos segundo o prazer fazem programas juntos, vão às danceterias, aos bares, futebol etc.
Compartilham todos os prazeres, e nesse tipo de amizade não se leva em conta o caráter. O foco da relação está na quantidade, na qualidade e na durabilidade do prazer que se proporcionam mutuamente.
O segundo tipo de amizade é a amizade segundo a utilidade. E, ainda desta vez o caráter da pessoa não conta na seleção. Conta o que ela pode receber.
Eu conheci duas pessoas que se relacionavam com base nessa amizade.
Elas trabalhavam juntas, faziam supermercados juntas, iam ao cinema juntas e, aos domingos a mais jovem sempre almoçava na casa da mais velha.
Elas não eram namoradas. Tinham interesses mútuos: uma tinha carro e não gostava de dirigir, a outra adorava dirigir, mas não tinha dinheiro para comprar carro. Uma cozinhava divinamente, a outra não sabia fritar um ovo e por aí vai...
Finalmente, a amizade segundo a virtude é baseada na bondade já desenvolvida na pessoa, ou dizendo de outra maneira, é a amizade despretensiosa entre pessoas que se buscam por que têm em comum os mesmos ideais, os mesmos gostos, o mesmo padrão de conduta. O bem manifestado nessa relação é originário da evolução alcançada. Tem poder de atrair pelo ser que é.
Diferentemente das duas primeiras que acabam tão logo tenham conseguido realizar seus objetivos, a amizade com base na virtude é duradoura, pois está fundamentada em valores que não são perecíveis e que se realimentam constantemente. Ela é fruto do auto-desenvolvimento, do aprimoramento da alma, além de ser essencial à vida.
Esta breve reflexão me faz concluir que para termos amigos verdadeiros, pelo menos segundo Aristóteles, precisamos desenvolver a virtude, elevar o padrão de nossos pensamentos, de nossos comportamentos e de nossas ações e atos pessoais e socias.
Não significa virar santo. Significa sermos, pelo menos, éticos.

sábado, agosto 15, 2015

Os médicos só sabem o que tem nos livros... Suely Monteiro

Os Médicos só Sabem o Que tem nos Livros...
Suely Monteiro

Minha mãe ao ser surpreendida por mim, levando mingauzinho na bolsa para a irmã que estava hospitalizada se justificou:
“Minha filha aprendi com seu avô que os médicos só sabem o quem tem nos livros, e nos livros não tem amor, explicou-me ela, pacientemente.”
Veja bem - continuou- quando sua irmã era criança, lá na roça, ela ficou muito doente. Um dia o médico foi lá. Antes de ir embora me chamou num canto e me disse baixinho: “olha aqui, dona, sua filha quase não tem água no corpo, a senhora vai fazer um chá preto e dar a ela de cinco em cinco minutos, senão ela vai morrer, porque está muito fraca. Ela tem que beber bastante água ou chá preto. Mas tem que ser de pouquinho em pouquinho, entendeu? ”.
- Sim, respondi. Na mesma hora eu fui pra cozinha, fiz o chá e levei pra ela. Mas cadê que ela bebia? Cuspia tudo e chorava fraquinha, pois não tinha mais força nem para abrir a boca. Comecei a ficar mais angustiada.

Eu rezava e pedia a Nossa Senhora - que é a mãe dos pobres - que cuidasse de minha filha e não levasse ela embora, porque eu tinha muitas filhas, gostava demais de todas, mas gostava mais daquela porque estava doentinha. Que ela me perdoasse a preferência, mas quando ela curasse a minha filha eu voltaria a gostar de todas do mesmo jeito.
Eu acabei de rezar, peguei sua irmã no colo e ficamos bem abraçadinhas. Eu queria cantar uma musiquinha pra ela, mas não conseguia, só tinha vontade de chorar, chorar, chorar e chorar...
Seu pai, meio desesperado tinha saído pra refrescar a cabeça. Vocês eram muito pequenas. Naquela hora, era eu, o menino Jesus e Nossa Senhora. Só que eu estava tão desesperada que nem lembrava que eles estavam comigo.
Nessa hora, minha filha, seu avó chegou lá em casa e me viu naquele desespero. Não pensou duas vezes. Foi pra cozinha, pegou um pouco de fubá, molhou, fez uma bola, enrolou num pano e botou esta bola de fubá enrolado no pano, na água fervendo com um pouquinho de sal e açúcar e deixou no fogo por meia hora. Depois tirou a bola da panela, esfriou aquela aguinha de fubá, levou até o quarto onde eu estava chorando agarrada à sua irmã e me disse:
- “ Sua filha não vai morrer. Os médicos só sabem o que tem nos livros e nos livros não tem amor. Não sabem nada de vida. Chá preto é pra velho. Criança gosta de coisa boa, docinha. Dê esta água de fubá a ela de cinco em cinco minutos. Fique forte e cante uma canção de ninar pra ela dormir e não gastar as forças. Procure os brinquedos que ela gosta e coloque perto do bercinho. Mostre a ela o passarinho na janela. Amanhã ela vai estar melhor. Eu vou agora, mas amanhã sua mãe vem pra ficar com você, ajudando a cuidar das crianças. Sossegue o coração e confie em Deus.”
Olhe minha filha, você pode nem acreditar em mim, mas aconteceu exatamente como meu pai falou. Sua irmã, aos poucos, foi ficando fortezinha, e, com uma semana já estava brincando com vocês, bem alegre. Foi aí que entendi que os livros não ensinam todas as coisas. Agora, você quer saber mais ?!! Eu vou levar, sim, o mingau para a sua tia. Se você quiser, pegue o carro e vá ao hospital me denunciar, mas a culpa não será minha se ela morrer – ameaçou-me a poderosa e maravilhosa mãezinha, analfabeta de pai e mãe, não no sentido figurado, mas na dura realidade.
Não. Eu não a denunciei se querem saber. Embora na qualidade de profissional da saúde eu reconheça a necessidade de se estabelecer certos parâmetros na conduta hospitalar, não tive coragem de tomar-lhe a garrafinha com o milagroso mingau e muito menos falar com ela sobre a medicina e suas competências.
No entanto, confesso que fiquei muito feliz quando o telefone, dias depois, tocou avisando que minha tia estava, novamente, em casa.
É, mãezinha, o amor de fato precede o saber e, juntos, fazem milagres!
Tilly

O conceito de autenticidade em Sartre

O CONCEITO DE AUTENTICIDADE EM SARTRE
Suely Monteiro

Jogado no mundo como um projeto condenado a se realizar, o homem é livre para fazer escolhas e o único responsável pelas escolhas que faz e à medida que faz escolhas vai se construindo em pessoa.

Desta forma, e diferentemente do ser potencial que se atualiza, na concepção de Aristóteles, para Sartre o ser é somente aquilo que é, e mais nada. A este ser que apenas é, ele chama de ente-em-si e o contrapõe ao ser especificamente humano que é o ente-para-si. O ente-para-si não tem a plenitude do ente-em-si. Ele é um espaço sem nada, “aberto”, às múltiplas possibilidades. Com este entendimento, Sartre faz do nada a principal característica humana e, consequentemente, impossibilita de falar da existência humana como uma coisa universal, mas ela é entendida somente como uma condição humana.

Mas, se cabe ao homem fazer escolhas e adotar comportamentos auto realizadores, auto constituidores, cabe a ele, também, respeitar os limites do outro, ou dizendo de outro modo, ele não pode fazer o que quiser, pois existem obstáculos que precisam ser superados (situação) ao longo do tempo, na busca da sua construção a partir do projeto.
Portanto, para Sartre Projeto, Liberdade, Situação e Responsabilidade são vigas estruturadoras da realidade do homem, e, também, para ele, a existência precede a essência, na medida em que o homem só se realiza através da existência e o desvelamento da sua essência está subordinada à sua realização.

Por tudo o que foi dito, a busca constante de si mesmo, a autoconstrução, o caminhar em direção à realização é o que entendo por autenticidade no sentido sartreano, pois se é verdade que para Sartre a autenticidade é adquirida de vez, em bloco, não é menos verdadeiro que ele considera que é preciso inventá-la a cada minuto novo, a cada nova situação, do mesmo modo que o homem se realiza, no mundo, de minuto a minuto a cada escolha. É importante considerar, nesta análise, que a autenticidade não apenas livra o homem de ser inautêntico, de não realizar o seu projeto, como também, lhe confere a responsabilidade pelo seu modo de agir e de construir –se como pessoa.

Todavia, compreender a autenticidade vinculada ao modo de agir, de se autoconstruir, também favorece o desenvolvimento do egoísmo, do individualismo, uma vez que, se ele não pode acusar Deus, a família e o Estado pelas consequências de suas escolhas, ele se desobriga de ajudar, de colaborar com o outro, porque vê nas escolhas do outro, os seus desejos de realizar sua essência e entende que não deve interferir. O amor solidário poderia virar uma opressão.

sábado, agosto 08, 2015

Anaximandro de Mileto. Suely Monteiro

ANAXIMANDRO DE MILETO ( 547 a. C.).
Suely Monteiro

É mais fácil aceitarmos a cosmologia do conterrâneo mais jovem de Tales, Anaximandro de Mileto ( c. 547 a. C.). Sabemos mais a respeito de seus pontos de vista porque ele deixou um livro intitulado “Sobre a natureza”, escrito em prosa, um estilo que apenas começava a se firmar. À semelhança de Tales, credita-se a ele uma série de feitos científicos originais: o primeiro mapa-mundi, a primeira carta-celeste, o primeiro relógio de sol grego e até mesmo um relógio caseiro. Ele ensinava que a Terra tinha forma cilíndrica, como um pedaço de coluna cuja altura era três vezes maior que sua largura. Em redor do mundo havia tubos gigantescos repletos de fogo, cada um deles com um buraco por ondese podia enxergar o fogo a partir do exterior, os buracos sendo o sol, a lua e as estrelas. Julgava que as obstruções nos buracos eram eclipses do sol e fases da lua. O fogo celestial, hoje totalmente oculto, foi em certa ocasião uma grande bola de fogo que circundava a terra em seu princípio. Quando essa bola explodiu, dos fragmentos cresceram os tubos com cascas de árvores em torno de si.
A Anaximadro impressionava muito a maneira como as árvores cresciam e como suas cascas se desprendiam. Ele empregou a mesma analogia para explicar a origem do seres humanos. Os outros animais, ele ressaltou, podem cuidar de si mesmo logo após o nascimento, mas os humanos necessitam de um aleitamento prolongado, e é por isso que o seres humanos não teriam sobrevivido se sua natureza tivesse sido sempre tal como ela é agora. Em um primeiro momento, conjecturou, os seres humanos passavam sua infância envoltos por uma casca espinhosa, de modo que se assemelhavam a peixes e viviam na água. Com a chegada da puberdade ele rompiam sua casaca e partiam em direção à terra seca, para um ambiente em que poderiam cuidar de si próprios. Era por isso que Anaximandro, embora não fosse vegetariano, recomendava que evitássemos comer peixe, pois estes eram os antepassados da raça humana (KRS 133-7).
A cosmologia de Anaximandro é variadamente mais elaborada que a de Tales. Para começar, ele não busca algo que sustente a Terra: ela permanece onde está devido à sua eqüidistância de tudo o mais e não há razão pela qual ela devesse s mover para qualquer direção específica em vez de para uma outra (DK 12 A11; Aristóteles, Cael. II, 13, 295b10).
Depois, ele julga ser um erro relacionar o elemento primeiro do universo com quaisquer dos elementos que podemos ver a nosso redor no mundo atual, como a água e o fogo. O princípio fundamental das coisas, ele afirma, deve ser ilimitado ou indefinido (apeíron). O termo grego utilizado por Anaximandro é normalmente traduzido como “ o Infinito”, mas isso o faz soar muito grande. Ele pode ou não ter julgado que seu princípio se estendia para sempre no espaço, mas o que sabemos é que ele pensava que este não tinha nem começo nem fim no tempo e que não pertencia a nenhum tipo ou classe particular de coisas. “Matéria eterna” seria provavelmente a paráfrase mais aproximada que poderíamos almejar. Aristóteles iria posteriormente refinar a noção em seu conceito de matéria-prima.

Por fim, Anaximandro oferece um relato da origem do mundo atual, e explica quais forças agiram para trazê-lo à existência, investigando, como diria Aristóteles, tanto a causa eficiente como a material. Ele via o universo como um campo de contrários em competição: quente e frio, úmido e seco. Algumas vezes um desses pares de opostos é dominante, outras vezes o outro; eles avançam um sobre o outro e depois recuam, intercâmbio que é governado pelo princípio da reciprocidade. Como definido de forma poética por Anaximandro em seu último fragmento preservado, “eles concedem justiça e deferência uns aos outros pela injustiça, segundo a ordenação do tempo” (DK 12 B1). Assim, pode-se alegar, no inverno o quente e o seco oferecem compensação ao frio e ao úmido pela agressão que cometeram no verão. O calor e o frio foram os primeiros contrários a surgir, separando-se de um ovo cósmico primevo contendo algo indeterminado e eterno. A partir deles se desenvolveram o fogo e a terra, que, como vimos, estavam na origem de nosso presente cosmos.
KENNY, Anthony. Uma Nova História da Filosofia Ocidental. Volume I. Filosofia Antiga. Edições Loyola. PP. 29-32
Fonte:

http://projetophronesis.wordpress.com/category/filosofia-antiga

sexta-feira, julho 24, 2015

A maturidade. Suely Monteiro

A Maturidade abriu os portais da minha vida para a chegada da Velhice.
Recebi-a e, como eu imaginava desde a juventude, foi amor à primeira vista.
A simpática senhora sorriu-me de modo doce e quando a convidei para conversarmos no jardim de inverno, preferiu que fossemos para o salão de visitas por ser mais amplo.
Explicou-me que gostava de ser vista, admirada e , também de mostrar seus dotes ao mundo. Como é Vaidosa essa senhora - eu pensei -, mas notei pelo seu sorriso que lera meu pensamento e não se importou muito com minha opinião sobre o assunto.
Disse-me que sua chegada mudaria minha vida.
Amei o jeito suave com que tomou meu braço e, talvez por isto, não esbocei reação negativa quando percebi que ela foi ocupando todos os espaços que considerava razoável e redecorando-os (à medida em que conversávamos sobre diferentes assuntos ) com sobriedade, elegância e muito bom gosto, mas a seu modo.
Arrastando algumas peças que considerava pesadas para mim , confidenciou-me que guardaria na galeria central as obras da minha infância, adolescência e maturidade, mas que elas não deveriam servir , daquele momento em diante, senão como suporte ou base para as novas construções que faríamos juntas. Riu, como uma menina levada, e continuou detalhando seu projeto para o meu futuro com ela.
Gente, vcs não imaginam com que rapidez ela tomou conta da minha vida!
Parecíamos velhas conhecidas perfeitamente harmonizadas passeando por avenidas, ruas, vielas, lagos, montanhas, sob climas variados e coloridos de emoções , sentimentos, enfim, de reações de gradações tão ricas, diferentes e, algumas vezes, tão sutilmente discordantes entre si, que eu quase não me dava conta de que aquelas paisagens musicadas que serviam de mobiliário para meu novo ambiente, nada mais eram do que a minha vida que readquirira valor e beleza pela forma com que a sábia cenógrafa a estava dispondo...
Ela ensinou-me a olhar e sentir de um modo totalmente novo, rápido e eficiente.
Mostrou-me como mergulhar fundo nas coisas sem me machucar, usando a instrumentação adequada.
Num passe de mágica retirou muitas de minhas arestas adelgando meu perfil psicológico ao mesmo tempo em que o enrijecia sem ser em demasia, esculturando-o com o mármore do amor (material que só então compreendi), se constitui ou pelo menos se encontra em abundância no self.
Descobri que ao expandir a visão e percepção de mim, das pessoas e, consequentemente, do mundo, a Velhice estava, sim, mudando minha vida, pra melhor.
Eu estava encantada!
Eu continuo encantada!