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quinta-feira, maio 07, 2015
Euclides da Cunha
"Euclides da Cunha, Superintendente de Obras Públicas de São Paulo, foi engenheiro responsável pela construção de uma ponte em São José do Rio Pardo (SP). A obra demorou três anos para ficar pronta e, alguns meses depois de inaugurada, a ponte simplesmente ruiu. Ele não se deu por vencido e a reconstruiu. Mas, por via das dúvidas, abandonou a carreira de engenheiro."
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Euclides da Cunha
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quinta-feira, novembro 17, 2011
Viam-no sempre a divagar torvado
Viam-no sempre a divagar torvado
Euclides da Cunha
Viam-no sempre a divagar torvado
Pelas tabernas vos, - sempre seguido
De um velho cão famélico e ferido,
Bêbado - impuro, torpe e enlameado...
Veio afinal o inverno amaldiçoado!...
No negro quarto o homem enf'recido
E o cão vacilam ante empedernido,
Vil pedaço de pão - duro e gelado...
Ambos têm fome... torvo - lutulento
Ao pão gelado o miserável corre
E atira-o ao companheiro famulento
Do quarto os cantos a tatear percorre
Erguendo uma garrafa - esgota-a lento
E cambaleia e cai e arqueja e - morre!...
Euclides da Cunha
Viam-no sempre a divagar torvado
Pelas tabernas vos, - sempre seguido
De um velho cão famélico e ferido,
Bêbado - impuro, torpe e enlameado...
Veio afinal o inverno amaldiçoado!...
No negro quarto o homem enf'recido
E o cão vacilam ante empedernido,
Vil pedaço de pão - duro e gelado...
Ambos têm fome... torvo - lutulento
Ao pão gelado o miserável corre
E atira-o ao companheiro famulento
Do quarto os cantos a tatear percorre
Erguendo uma garrafa - esgota-a lento
E cambaleia e cai e arqueja e - morre!...
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Os grandes enjeitados - Euclides da Cunha
Os grandes enjeitados - Euclides da Cunha
Servis!... dançai, folgai - na régia bacanália...
Quadro-voz essa luz que nos raios espalha
A treva e o crime atrai!...
Quadro-voz essa luz que nos raios espalha
A treva e o crime atrai!...
Valsai - nesse delírio atroz, brutal que assombra -
Folgai... a grande Luz espia-vos na sombra!
Folgai, cantai - valsai!...
Folgai... a grande Luz espia-vos na sombra!
Folgai, cantai - valsai!...
Que vos importa - ó vis, caricatos atletas -
Se o povo dorme nu - nas lôbregas sarjetas -
Entre o pântano e os Céus!....
Se o povo dorme nu - nas lôbregas sarjetas -
Entre o pântano e os Céus!....
Q'importa se essa luz - faz as noites da História!
Q'importa se os heróis 'stão entre a lama e a Glória
Entre a miséria e Deus!...
Q'importa se os heróis 'stão entre a lama e a Glória
Entre a miséria e Deus!...
Q'importa-vos a dor; - a lágrima brilhante
Do seio dos heróis -, estrela palpitante
Que ao céu do porvir vai...
Do seio dos heróis -, estrela palpitante
Que ao céu do porvir vai...
Q'importa-vos a honra, a consciência, a crença,
A justiça, o dever!?... ah! vossa febre é imensa! -
Folga, folgai, folgai!...
A justiça, o dever!?... ah! vossa febre é imensa! -
Folga, folgai, folgai!...
Q'importa-vos a Pátria...a pátria - é-vos um nome!....
Q'importa-vos o povo - esse galé da fome -
Ó cortesãos, ó rei!?
Q'importa-vos o povo - esse galé da fome -
Ó cortesãos, ó rei!?
Se o olhar das barregãs, de amor e febre aceso
Vos ferve dentro d'alma - e se o direito é preso
Nessa grilheta - Lei!
Vos ferve dentro d'alma - e se o direito é preso
Nessa grilheta - Lei!
Fazeis bem em rir - ó pequeninos seres...
O crime, o vício e o mal são os vossos deveres -
Avante pois - gozai...
O crime, o vício e o mal são os vossos deveres -
Avante pois - gozai...
Atufai-vos - rolai ó almas guarida -
No abismo fundo e frio - o seio da perdida!...
- Cantai... cantai, cantai!...
No abismo fundo e frio - o seio da perdida!...
- Cantai... cantai, cantai!...
Gritai com força! assim... não percebeis agora
O eco de vossa voz?... - de vossa voz sonora -
Tremer na vastidão!?
O eco de vossa voz?... - de vossa voz sonora -
Tremer na vastidão!?
Não ouvis as canções que o seu frêmito espalha?...
Ele desce de Deus - ó dourada canalha -
Ele desce de Deus - ó dourada canalha -
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