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quinta-feira, setembro 07, 2017

Seu tripé

a) relação de descendência, que é a relação entre pai e filho e mãe e filho;
b) relação de consangüinidade, que é a relação entre irmãos.
c) relação de afinidade que se realiza no casamento.

quinta-feira, janeiro 03, 2013

Antropologia das emoções.

Antropologia das emoções
fonte wikipédia

Antropologia das emoções é uma linha teórico-metodológica da Antropologia que lida com a categoria analítica emoção como objeto de análise. Os estudos da emoção desde os finais do século XIX começo do século XX tem sido objeto de análise da psicologia e fisiologia. Entre os primeiros estudos de caráter antropológico das emoções podemos incluir diversas obras de Sigmund Freud e Marcel Mauss

No Brasil, neste campo analítico o conceito de emoção é apreendido, segundo Guilherme Marques {sem-fontes?} como uma categoria "de entendimento capaz de apreender a noção de humano e de sociedade como um todo, e em sua obra discute as consequências metodológicas de uma pesquisa sobre emoção nas inter-relações sempre tensas entre indivíduo social e sociedade".
A Antropologia das emoções é uma linha analítica que, na atualidade, vem atraindo um número crescente de especialistas, pesquisadores, estudiosos e leitores no mundo e, no Brasil, em particular. É, segundo o autor citado, enfim, um campo de reflexão que "tem procurado revigorar a análise (antropológica) introduzindo perspectivas novas e importantes da grande questão interna (das ciências sociais) em geral, (...) que é a problemática da intersubjetividade".

Darwin e Freud

Não há dúvidas que esses dois autores influenciaram o modo que o ocidente e a antropologia percebe e estudas as emoções humanas.

A expressão das emoções no homem e nos animais.
Charles Darwin em 1867 para pesquisa sobre a das emoções que faz parte do seu livro “A expressão das emoções no homem e nos animais elaborou um questionário que foi aplicado por homens letrados (missionários, naturalistas, cônsules e outros funcionários do governo inglês) para pesquisar as emoções através de expressões e gestos inatos (instintivos) ou adquiridos por convenção na infância.
Esse questionário, que segue abaixo, foi aplicado entre os seguintes povos (nas seguintes quantidades) entre os aborígines da Austrália (13); Maoris da Nova Zelandia (1); Daiaques de Bornéu (1); Malaios em Malaca (1); China (1); Índia (Bombain, Calcutá) e Ceilão (3); Cafres, Fingos, Abissínios e nativos do Nilo na África do Norte (4); Fueguinos (Terra do Fogo) na América do Sul (1); Atnah, Espiox (rio Nasse no Noroeste), Tetons, Grossventers, Mandans, Assinaboines (Oeste) da América do Norte (6).
1.Exprime-se a surpresa pelo arregalar dos olhos e da boca e pela elevação das sobrancelhas?
2.A vergonha produz enrubescimento, quando a cor da pele permite percebê-lo? Se sim, até onde este desce pelo corpo?
3.Quando um homem está indignado ou desafiador, ele franze o cenho, mantém a cabeça e o corpo erguidos, apruma os ombros e cerra os punhos?
4.Quando se concentra ou tenta resolver algum problema, ele franze o cenho ou enruga a pele debaixo das pálpebras inferiores?
5.Quando abatido, desce os cantos da boca e eleva a extremidade interna das sobrancelhas pela ação desse músculo que os franceses apelidaram de “músculo do sofrimento”? Nesse estado as sobrancelhas fazem-se levemente oblíquas, com um pequeno inchaço em sua extremidade medial; e o meio da testa fica enrugado, não em toda sua extensão, como quando se elevam as sobrancelhas exprimindo surpresa?
6.Quando satisfeito, brilham seus olhos, enruga-se a pela em volta destes e retraem-se os cantos da boca?
7.Quando um homem olha para outro com desprezo ou ironia, ergue-se o canto do lábio superior por sobre o canino do lado pelo qual ele o está encarando?
8.Pode uma expressão de obstinação e tenacidade ser reconhecida principalmente pela boca firmemente fechada, pelo cenho baixo e pelas sobrancelhas levemente franzidas?
9.O desdém é exprimido por uma leve protusão dos lábios e discreta expiração com o nariz empinado?
10.Manifesta-se o nojo virando o lábio inferior para baixo e elevando-se o lábio superior com uma súbita expiração, como um vomitar incipiente ou cuspir?
11.O medo extremo é expresso aproximadamente da mesma maneira que fazem os europeus?
12.O riso pode chegar ao extremo de fazer com que lacrimejem os olhos?
13.Quando um homem quer demonstrar que não pode impedir algo ou que ele mesmo não consegue fazer alguma coisa ele, encolhe os ombros, vira para dentro os cotovelos e estende as mãos para fora com as palmas abertas; e as sobrancelhas são erguidas?
14.As crianças quando emburradas, fazem bico ou contraem fortemente os lábios?
15.Expressões de culpa, malícia ou ciúme podem ser reconhecidas, ainda que não se consiga defini-las?
16.Balança-se a cabeça verticalmente na afirmação e horizontalmente na negação?
Recebeu trinta e seis respostas donde concluiu, a partir das informações adquiridas, que um mesmo estado de espírito exprime-se ao redor do mundo com impressionante uniformidade e assinala ainda que esse achado evidencia a grande similaridade da estrutura corporal e da conformação mental de todas as raças humanas. (Darwin, (1872) 2000)
Entre as obras de Sigmund Freud específicamente sobre emoções e cultura podemos destacar Totem e tabu (1913) onde analisa o tabu enquanto termo polinésio e o interpreta à luz da teoria psicanalítica enquanto ambivalência emocional dialogando inclusive com célebre criador da psicolgia Wilhelm Wundt (1832—1920). Outro trabalho específico sobre a expressão e natureza da emoção, enquanto afeto ou sentimento que possui expressão fisológica e manifestações corporais de natureza social é Os chistes e sua relação com o inconsciente (1905). Contudo ao longo de sua obra discursa sobre vários aspectos da emoção humana a exemplo de Luto e melancolia (1917) um dos poucos trabalhos sobre a tristeza e depressão e dezenas de textos sobre a ansiedade e características do sofrimento humano na denominada doença mental.

quinta-feira, dezembro 20, 2012

Antropologia da arte


fonte wikipedia
Antropologia da arte é o estudo das características dos objetos e produções consideradas artísticas que o homem produz na sociedade em cada época, levando em conta que a Antropologia pode ser entendida como o estudo do homem, suas atividades, sua cultura em um determinado momento histórico apesar de ter se inciado com o estudo dos povos considerados primitivos e supostamentes pré-historicos pelas teorias evolucionistas da época inspiradas na obra de Morgan (1818 – 1881). Antropologia da arte é uma interface da antropologia com outras disciplinas científicas pois, geral engloba uma série de recursos e temas, físicos (materiais e técnicas), fisiológicos, psicológicos, estéticos, culturais, entre outros.
Para Franz Boas (1858-1942), um dos críticos do evolucionismo, pioneiro das idéias sobre igualdade racial e etnocentrismo. Esse antropólogo conduziu muitos estudos de campo das artes primitivas – título de um dos mais importantes livros sobre esse tema (Primitive Art,1927). Primitivo corresponde a arte estilizada das sociedades sem escrita um fenômeno determinado pela tradição. Segundo Almeida[1] o objetivo de Boas era, justamente, demonstrar a pluralidade de processos históricos e psicológicos abarcados pelo termo. A variabilidade cultural do campo artístico. Destacava a importância do estudo do método histórico ou entendimento fenômeno cultural como resultante de acontecimentos históricos e a identificação da unidade fundamental dos processos mentais em todas as raças e culturas.

quinta-feira, dezembro 13, 2012

Antropologia. Debates pós-modernos

Debates pós-modernos
fonte vikipedia

Na década de 1980, o debate teórico na Antropologia ganhou novas dimensões. Muitas críticas a todas as escolas surgiram, questionando o método e as concepções antropológicas. No geral, este debate privilegiou algumas ideias: a primeira delas é que a realidade é sempre interpretada, ou seja, vista sob uma perspectiva subjetiva do autor, portanto a antropologia seria uma interpretação de interpretações. Da crítica das retóricas de autoridade clássicas, fortemente influenciada pelos estudos de Foucault, surgem metaetnografias, ou seja, a análise antropológica da própria produção etnográfica. Contribuiu muito para esta discussão a formação de antropólogos nos países que então eram analisados apenas pelos grandes centros antropológicos.

Ideias centrais

Privilegia a discussão acerca do discurso antropológico, mediado pelos recursos retóricos presentes no modelo das etnografias.
Politiza a relação observador-observado na pesquisa antropológica, questionando a utilização do "poder" do etnógrafo sobre o "nativo".
Crítica dos paradigmas teóricos e da "autoridade etnográfica" do antropólogo. A pergunta essencial é:'quem realmente fala em etnografia? O nativo? Ou o nativo visto pelo prisma do etnógrafo?
A etnografia passa a ser desenvolvida como uma representação polifónica da polissemia cultural, e nela deveriam estar claramente presentes as vozes dos vários informantes.

quinta-feira, novembro 22, 2012

Antropologia (semanal)

fonte wikipedia

A antropologia funcionalista

O Funcionalismo inspirava-se na obra de Durkheim. Advogava um estreito paralelismo entre as sociedades humanas e os organismos biológicos (na forma de evolução e conservação) porque em ambos os casos a harmonia dependeria da inter-dependência funcional das partes. As funções eram analisadas como obrigações, nas relações sociais. A função sustentaria a estrutura social, permitindo a coesão, fundamental, dentro de um sistema de relações sociais.

Representantes e principais obras
Bronislaw Malinowski, Os Argonautas do Pacífico Ocidental - 1922.
Bronislaw Malinowski, Uma teoria científica da cultura
Radcliffe Brown, Estrutura e função na sociedade primitiva - 1952 e Sistemas Políticos Africanos de Parentesco e Casamento, org. c/ Daryll Forde - 1950.
Evans-Pritchard Bruxaria, oráculos e magia entre os Azande - 1937 e Os Nuer - 1940.
Raymond Firth Nós, os Tikopia - 1936 (We, The Tikopia) e Elementos de organização social - 1951.
Max Glukman Ordem e rebelião na África tribal - 1963.
Victor Turner Cisma e continuidade em uma sociedade africana - (Schism and Continuity in an African Society: A Study of Ndembu Village Life) 1957 Ed. brasileira 2005, EDUFF; O processo ritual - 1969.
Edmund Leach - Sistemas políticos da Alta Birmânia (Political Sistems of Highland Burma: A Study of Kachin Social Structure) - 1954. Ed. brasileira 1996, EDUSP.

quinta-feira, novembro 08, 2012

Antropologia. Teoria e método.

Teoria
fonte wikipedia (continuação)

Com fundamento nestas concepções, as primeiras grandes obras da antropologia, consideravam, por exemplo, o indígena das sociedades não europeias como o primitivo, o antecessor do homem civilizado: afirmando e qualificando o saber antropológico como disciplina, centrando o debate no modo como as formas mais simples de organização social teriam evoluído, de acordo com essa linha teórica essas sociedades caminhariam para formas mais complexas como as da sociedade europeia.
Nesta forma de apreender a experiência humana, todas as sociedades, mesmos as desconhecidas, progrediriam em ritmos diferentes, seguindo uma linha evolutiva. Isso balizou a ideia de que a demanda colonial seria "civilizatória", pois levaria os povos ditos "primitivos" ao "progresso tecnológico-científico" das sociedades tidas como "civilizadas". Há que ver estes equívocos como parte da visão de mundo que pretendiam estabelecer as diretrizes de uma lei universal de desenvolvimento.
Mas não se pode generalizar e atribuir as características acima a todos os autores que se aparentaram a essa corrente. Cada autor tem suas próprias nuances. Durkheim, por exemplo, procurou nas manifestações totêmicas dos nativos australianos a forma mais simples e elementar de religiosidade, mas não com o pensamento enquadrado numa linha evolutiva cega: se nossa sociedade era dita mais complexa ele atribuía isso às diversas tendências da modernidade de que somos fruto, e a dificuldade de determinar uma tendência pura na nossa religião, escamoteada por milhares de anos de teologia.

Método
O método concentrava-se numa incansável comparação de dados, retirados das sociedades e de seus contextos sociais, classificados de acordo com o tipo (religioso, de parentesco, etc), determinado pelo pesquisador, dados que lhe serviriam para comparar as sociedades entre si, fixando-as num estágio específico, inscrevendo estas experiências numa abordagem linear, diacrônica, de modo a que todo costume representasse uma etapa numa escala evolutiva, como se o próprio costume tivesse a finalidade de auxiliar esta evolução. Entendiam os evolucionistas que os costumes se demarcavam como substância, como finalidade, origem, individualidade e não como um elemento do tecido social, interdependente de seu contexto.

Pensadores
Vale ressaltar que apesar da maior parte dos evolucionistas terem trabalhado em gabinetes, um dos mais conhecidos pensadores dessa corrente, Lewis Henry Morgan, tinha contato com diversas tribos do norte dos Estados Unidos. É absurdo creditar a autores dessa corrente uma compilações cega das culturas humanas, isso seria uma simplificação enorme, ao mesmo tempo que se deixaria de aproveitar esses estudos clássicos da antropologia. e separado por muito tempo.

quinta-feira, novembro 01, 2012

Antropologia. O século XVIII

O século XVIII
Fonte: wikipedia

Até o século XVIII, o saber antropológico esteve presente na contribuição dos cronistas, viajantes, soldados, missionários e comerciantes que discutiam, em relação aos povos que conheciam, a maneira como estes viviam a sua condição humana, cultivavam seus hábitos, normas, características, interpretavam os seus mitos, os seus rituais, a sua linguagem. Só no século XVIII, a Antropologia adquire a categoria de ciência, partindo das classificações de Carlos Lineu e tendo como objeto a análise das "raças humanas".
O legado desta época foram os textos que descreviam as terras, a (Fauna, a Flora, a Topografia) e os povos "descobertos" (Hábitos e Crenças). Algumas obras que falavam dos indígenas brasileiros, por exemplo, foram: a carta de Pero Vaz de Caminha ("Carta do Descobrimento do Brasil"), os relatos de Hans Staden, "Duas Viagens ao Brasil", os registros de Jean de Léry, a "Viagem a Terra do Brasil", e a obra de Jean Baptiste Debret, a "Viagem Pitoresca e Histórica ao Brasil. Além destas, outras obras falavam ainda das terras recém-descobertas, como a carta de Colombo aos Reis Católicos. Toda esta produção escrita levantou uma grande polémica acerca dos indígenas. A contribuição dos missionários jesuítas na América (como Bartolomeu de Las Casas e Padre Acosta) ajudaram a desenvolver a denominada "teoria do bom selvagem", que via os índios como detentores de uma natureza moral pura, modelo que devia ser assimilado pelos ocidentais. Esta teoria defendia a ideia de que cultura mais próxima do estado "natural" serviria de remédio aos males da civilização.
[editar]O século XIX
No Século XIX, por volta de 1840, Boucher de Perthes utiliza o termo homem pré-histórico para discutir como seria sua vida cotidiana, a partir de achados arqueológicos, como utensílios de pedra, cuja idade se estimava bastante remota. Posteriormente, em 1865, John Lubock reavaliou numerosos dados acerca da Cultura da Idade da Pedra e compilou uma classificação em que enumerava as diferenças culturais entre o Paleolítico e Neolítico.
Com a publicação de dois livros, A Origem das Espécies, em 1859, e A descendência do homem, em 1871, Charles Darwin principia a sistematização da teoria evolucionista. Partindo da discussão trazida à tona por estes pesquisadores, nascia a Antropologia Biológica ou Antropologia Física
[editar]A antropologia evolucionista
Marcada pela discussão evolucionista, a antropologia do Século XIX privilegiou o Darwinismo Social, que considerava a sociedade europeia da época como o apogeu de um processo evolucionário, em que as sociedades aborígines eram tidas como exemplares "mais primitivos". Esta visão usava o conceito de "civilização" para classificar, julgar e, posteriormente, justificar o domínio de outros povos. Esta maneira de ver o mundo a partir do conceito civilizacional de superior, ignorando as diferenças em relação aos povos tidos como inferiores, recebe o nome de etnocentrismo. É a «Visão Etnocêntrica», o conceito europeu do homem que se atribui o valor de "civilizado", fazendo crer que os outros povos, como os das Ilhas da Oceania estavam "situados fora da história e da cultura". Esta afirmação está muito presente nos escritos de Pauw e Hegel.

quinta-feira, outubro 25, 2012

Antropologia. Primórdios.

Fonte: wikipedia

Primórdios

Homero, Hesíodo e os filósofos pré-socráticos já se questionavam a respeito do impacto das relações sociais sobre o comportamento humano; ou vendo este impacto como consequência dos caprichos dos deuses, como enumera a Odisseia de Homero e a Teogonia de Hesíodo, ou como construções racionais, valorizando muito mais a apreensão da realidade no dia a dia da experiência humana, como preferiam os filósofos pré-socráticos. Foi, sem dúvida, na Antiguidade Clássica que a "medida Humana" se evidenciou como centro da discussão acerca do mundo. Os gregos deixaram inúmeros registros e relatos acerca de culturas diferentes das suas, assim como os chineses e os romanos. Nestes textos nascia, por assim dizer, a Antropologia, e no século V a.C. um exemplo disto se revela na obra de Heródoto, que descreveu minuciosamente as culturas com as quais seu povo se relacionava. Da contribuição grega fazem parte também as obras de Aristóteles (acerca das cidades gregas) e as de Xenofonte (a respeito da Índia).
Entre os romanos merece destaque o poeta Lucrécio, que tentou investigar as origens da religião, das artes e se ocupou da discurso. Outro romano, Tácito analisou a vida das tribos germânicas, baseando-se nos relatos dos soldados e viajantes. Salienta o vigor dos germanos em contraste com os romanos da sua época. Agostinho, um dos pilares teológicos do Catolicismo, descreveu as civilizações greco-romanas "pagãs", vistas como moralmente inferiores às sociedades cristianizadas. Em sua obra já discutia, de maneira pouco elaborada, a possibilidade do "tabu do incesto" funcionar como norma social, garantia da coesão da sociedade. É importante salientar que Agostinho, no entanto, privilegiou explicações sobrenaturais para a vida sociocultural.
Embora não existisse como disciplina específica, o saber antropológico participou das discussões da Filosofia, ao longo dos séculos. Durante a Idade Média muitos escritos contribuíram para a formação de um pensamento racional, aplicado ao estudo da experiência humana, como fez o administrador francês Jean Bodin, estudioso dos costumes dos povos conquistados, que buscava, em sua análise, explicações para as dificuldades que os franceses tinham em administrar esses povos. Com o advento do movimento iluminista, este saber foi estruturado em dois núcleos analíticos: a Antropologia Biológica (ou Física), de modo geral considerada ciência natural, e a Antropologia Cultural, classificada como ciência social.

quinta-feira, outubro 18, 2012

Antropologia. História.

Fonte: wikipedia


Considerações

Para pensar as sociedades humanas, a antropologia preocupa-se em detalhar, tanto quanto possível, os seres humanos que as compõem e com elas se relacionam, seja nos seus aspectos físicos, na sua relação com a natureza, seja na sua especificidade cultural. Para o saber antropológico o conceito de cultura abarca diversas dimensões: universo psíquico, os mitos, os costumes e rituais, suas histórias peculiares, a linguagem, valores, crenças, leis, relações de parentesco, entre outros tópicos.
Embora o estudo das sociedades humanas remonte à Antiguidade Clássica, a antropologia nasceu, como ciência, efetivamente, da grande revolução cultural iniciada com o Iluminismo.
[editar]História da Antropologia

Embora a grande maioria dos autores concorde que a antropologia se tenha definido enquanto disciplina só depois da revolução Iluminista, a partir de um debate mais claro acerca de objeto e método, as origens do saber antropológico remontam à Antiguidade Clássica, atravessando séculos. Enquanto o ser humano pensou sobre si mesmo e sobre sua relação com o "outro", pensou antropologicamente. A Antropologia é o estudo do homem como ser biológico, social e cultural. Sendo cada uma destas dimensões por si só muito ampla, o conhecimento antropológico geralmente é organizado em áreas que indicam uma escolha prévia de certos aspectos a serem privilegiados como a “Antropologia Física ou Biológica” (aspectos genéticos e biológicos do homem), “Antropologia Social” (organização social e política, parentesco, instituições sociais), “Antropologia Cultural” (sistemas simbólicos, religião, comportamento) e “Arqueologia” (condições de existência dos grupos humanos desaparecidos). Além disso podemos utilizar termos como Antropologia, Etnologia e Etnografia para distinguir diferentes níveis de análise ou tradições acadêmicas.
Para o antropólogo Claude Lévi-Strauss (1970:377), a etnografia corresponde “aos primeiros estágios da pesquisa: observação e descrição, trabalho de campo”. A etnologia, com relação à etnografia, seria “um primeiro passo em direção à síntese” e a antropologia, “uma segunda e última etapa da síntese, tomando por base as conclusões da etnografia e da etnologia”.
Qualquer que seja a definição adotada, é possível entender a antropologia como uma forma de conhecimento sobre a diversidade cultural, isto é, a busca de respostas para entendermos o que somos a partir do espelho fornecido pelo “outro”; uma maneira de se situar na fronteira de vários mundos sociais e culturais, abrindo janelas entre eles, através das quais podemos alargar nossas possibilidades de sentir, agir e refletir sobre o que, afinal de contas, nos torna seres singulares, humanos.

quinta-feira, outubro 11, 2012

Antropologia. Divisões e campo.

Fonte; wikipedia

Divisões e campo

A Antropologia, sendo a ciência da humanidade e da cultura, tem um campo de investigação extremamente vasto: abrange, no espaço, toda a terra habitada; no tempo, pelo menos dois milhões de anos e todas as populações socialmente organizadas. Divide-se em duas grandes áreas de estudo, com objetivos definidos e interesses teóricos próprios: a Antropologia Física (ou Biológica) e a Antropologia Cultural, para alguns autores sinônimo de antropologia social, que focaliza, talvez, o principal conceito desta ciência, a cultura. Segundo o Museu de Antropologia Cultural da Universidade de Minnesota a antropologia cultural abrange três tópicos gerais que por sua vez subdivide-se e constituem-se como especialidades: Etnografia / Etnologia, Linguística aplicada à antropologia e Arqueologia. A cultura e a mitologia correspondem ao desejo do homem de conhecer a sua origem, ou produzem um modo de autoconhecimento que é a identidade, diferenciando os grupos em função de suas idiossincrasias e adaptação em ambientes distintos.

quinta-feira, outubro 04, 2012

Antropologia

Fonte: wikipedia

Antropologia (do grego ἄνθρωπος, transl. anthropos, "homem", e λόγος, logos, "razão"/"pensamento"/"discurso"/"estudo") é a ciência que tem como objeto o estudo sobre o homem e a humanidade de maneira totalizante, ou seja, abrangendo todas as suas dimensões.[1] A divisão clássica da Antropologia distingue a Antropologia Cultural da Antropologia Biológica. Cada uma destas, em sua construção, abrigou diversas correntes de pensamento.
Pode-se afirmar que há poucas décadas a antropologia conquistou seu lugar entre as ciências. Primeiramente, foi considerada como a história natural e física do homem e do seu processo evolutivo, no espaço e no tempo. Se por um lado essa concepção vinha satisfazer o significado literal da palavra, por outro restringia o seu campo de estudo às características do homem físico. Essa postura marcou e limitou os estudos antropológicos por largo tempo, privilegiando a antropometria, ciência que trata das mensurações do homem fóssil e do homem vivo.

sexta-feira, janeiro 06, 2012

Somos Todos Mestiços. Consuelo Pondé de Sena. Antropologia. Prosa

Somos Todos Mestiços

Consuelo Pondé de Sena

O negro tem estado presente na América Portuguesa , desde os inícios da colonização brasileira , aqui tendo chegado no século XVI , com as primeiras levas de portugueses incumbidos de povoar território recém descoberto .
Trabalhou arduamente a partir do século XVI , como mão de obra escrava , em substituição ao indígena , inadaptável às tarefas forçadas e sistemáticas , tendo representado a maior força de trabalho nos períodos : colonial e imperial até 1888 .
Até o presente momento, segundo creio, dada à insuficiência de dados, parece impossível estimar o número de escravos negros que, no decorrer de 3 séculos , aportaram nos pontos de desembarque do Brasil. As estimativas calculam que os números vão de 3 a 18 milhões de pessoas.
Em função do tamanho do Brasil e do caráter cíclico da economia brasileira , esses milhões de escravos distribuíram-se por vários pontos do país . Noção básica e conhecida de todos é, a que a maior concentração deles observou-se na área nordestina ,
sendo menos significativa no sudeste do país , nos territórios em que atualmente se situam os estados de Minas Gerais , Paraná , Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
Ao longo dos anos de intensa convivência entre as populações formadoras da nossa gente , observou-se o continuado processo de miscigenação , formando-se expressivo segmento mestiço , que sobrepujou quantitativamente o negro e o branco , como pode ser observado nos vários recenseamentos oficiais. Os resultados do censo de 1950 há mais de meio século, portanto, indicavam, num total de 51.994 .357 indivíduos da população do país , a existência de 32.027.661 brancos ( 61%) , 13.786.742 pardos ( 26% ) e 5.692.657negros ( 11%) . Já àquela altura a soma a soma dos mestiços atingia o percentual de 37% de uma população não branca na população brasileira. Trinta anos depois , em 1980 , a população brasileira atinge 119milhões, sendo 65 milhões de brancos; 45 milhões de pardos e 7 milhões de negros . Assim, o segmento não branco alcança cerca de 52 milhões de indivíduos, ou seja, um percentual de aproximadamente 43% da população nacional. Observa-se, portanto, à vista desses dados o aumento dos pardos e o decréscimo de brancos e negros. Esses dados, contudo, apontam para o crescente aumento dos pardos que tanto pode ser mestiço de branco com negro ( mulato) , branco com índio ( mameluco) , negro com índio ( cafuzo ) ou mesmo o próprio indígena integrado à civilização brasileira do Assim, os estudiosos da tradição bantu disputam seu lugar com os montante da população não branca do país “ , conforme escreve o sociólogo da USP , Prof João Baptista Borges Pereira . Por outro lado , consoante o mesmo estudioso: “ No discurso de ideólogos e militantes políticos negros , essa onipresença cultural é ressaltada com muita ênfase .
Dado que merece esclarecimento diz respeito à procedência dos escravos, oriundos de diversas partes do continente africano , portadores de diferentes culturas , que não devem ser considerados num” lote único”, como supõem pessoas desavisadas . Em estudo da década de 1940, Artur Ramos distingue : culturas sudanesas , culturas bantus e as culturas guineano-sudanesas ou negro-maometanos . Os cruzamentos entre esses grupos diversos dos negros e deste com o branco se observaram, igualmente , no plano cultural. Esse emaranhado cultural não comporta a idéia do resultado de uma matriz exclusiva , compondo o que hoje se denomina cultura afro-brasileira. O afastamento de cada um desses grupos da sua matriz original africana , queiram ou não , atualmente integra a cultura nacional, que é formada desse intenso caldeamento étnico, sendo pluri-racial a população do nosso país. Todavia, alguns ideólogos negros procuram manter suas tradições próprias como reafirmação do seu grupo.que se inclinam para a tradição sudanesa , ou seja , a tradição sincrética
gege-nagô.Como não sou do ramo , apenas , faço essa referência , haurida das constantes leituras sobre o assunto.
Quero crer, e esse é um direito que defendo, que a cultura brasileira revela grande receptividade no que se refere á assimilação das irrefutáveis contribuições africanas , tanto assim que adotam , por inteiro ou em parte , os elementos culturais dessas diversos mananciais formadores da nossa gente.
Parece que os último censos os de 1980 e 2010 , não anotaram o quesito cor ,em nome ou não de teses de “democracia racial” , “tirando a ideólogos e ativistas negros um recurso que se constitui na exploração ideológica do significado desempenha outra função , que consiste em fornecer elementos concretos para que teses a respeito da supremacia do negro sejam reforçadas “. O trabalho do Prof. Borges Pereira foi publicado em 1983, na Revista de Antropologia e reflete o que se passava naquela quadra da vida brasileira.
Todavia, vale como uma reflexão séria e responsável, além de alertar, como ele o fizera desde aquela data, para a folclorização da cultura negra , cada vez mais presente em nosso meio , a transformar suas manifestações culturais em “algo irrelevante ou em recheios ideais para se montarem esquemas de entretenimento para vastas camadas da população , em especial para aquelas que, independentemente da cor , podem usufruir de forma mais plena , certo tipo de lazer produzido pela sociedade brasileira . Como tal , esta cultura não é levada a sério ; é , ao mesmo tempo , uma cultura da puerilidade e do pitoresco.”
Por fim, a política a ser adotada e cumprida nos domínios da cultura deve dar importância a todas as manifestações culturais que se tenham radicado no Brasil , após a chegada dos adventícios , com destaque para as culturas negras nas regiões em que tiveram maior presença , do mesmo modo que se deve exaltar a contribuição indígena onde ainda têm predomínio , e o marcante subsídio estrangeiro no Sul do Brasil.
O assunto é instigante e exige muita habilidade e perspicácia dos que se ocupam do assunto, tal o visceral significado para o povo brasileiro , inquestionavelmente , uma terra de mestiços .

segunda-feira, janeiro 02, 2012

Mito ou identidade cultural da preguiça baiana. Antropologia


Mito ou identidade cultural da preguiça

A imagem de preguiçoso que o baiano tem, seja na literatura ou no imaginário popular, foi construída ao longo da história. Foi este o ponto de partida da pesquisa da antropóloga Elisete Zanlorenzi, em sua tese de doutorado defendida em 1998, na USP, sobre "O mito da preguiça baiana", que deve transformar-se em livro este ano. O interesse pelo tema começou quando Elisete morava em Salvador, entre 1980 e 1984, e acompanhou uma campanha difamatória comandada pela mídia local sobre o movimento do bairro Calabar, criado a partir de uma ocupação na década de 1940 em uma região nobre da capital baiana. "Os moradores batalharam e conseguiram água, esgoto e luz para Calabar. Mas a imprensa mantinha a imagem de que eram vagabundos, preguiçosos e criminosos", lembra Elisete, que focou seu trabalho na representação do trabalho e do tempo.


DISCURSO DA ELITE A preguiça baiana foi um perfil construído historicamente e reforçado pela mídia, que reproduz os interesses da elite. Desde o século XVI, a elite local depreciava os negros escravos, descritos como desorganizados e sujos, depois como analfabetos e sem conhecimento, e, finalmente, como preguiçosos. A famosa Ladeira da Preguiça, em Salvador, ganhou este nome por ter sido a via de acesso de mercadorias vindas do porto para a cidade, levadas em carretões puxados a boi e empurrados por escravos. Do alto de seus casarões, ao verem os escravos tomando fôlego para subir com sacos de 60 quilos nas costas, as elites gritavam: "sobe, preguiça! sobe, preguiça!".
Essa foi uma forma de interiorização da dominação, no período da escravidão. Depois, a depreciação assumiu a forma da exclusão. O mesmo aconteceu com negros, índios e imigrantes nordestinos, nas regiões Sul e Sudeste, quando, a partir da década de 1950, intensificou-se a imigração. A imagem de preguiçoso espalhou-se. Chamados genericamente de "baianos", os imigrantes eram, em sua maioria, mestiços, afro-descendentes, oriundos de fazendas afetadas pela seca e sem qualificação profissional. O nordestino foi responsabilizado por todo o caos urbano sem, ao mesmo tempo, ser lembrado em nenhum projeto de inclusão social.
"Depreciar era uma forma de justificar baixos salários e falta de investimento", esclarece Elisete. O sociólogo Octavio Ianni (1925-2004), um dos examinadores da banca de doutorado da antropóloga, destacou que a tese mostrava a forma sutil de racismo a negros e nordestinos. "Quando se folcloriza, o discurso se desloca da realidade e ganha vida própria, criando uma força até maior em relação ao discurso inicial", explica Elisete, professora da Faculdade de Ciências Sociais da PUC-Campinas.
RITUAIS RELIGIOSOS No candomblé, ela identificou outra raiz dessa imagem, pois é "uma cultura onde o trabalho não se contrapõe ao tempo livre, nem é uma obrigação, como no capitalismo", explica. No candomblé, o trabalho é só um dos aspectos da vida, além do lazer, da família e dos amigos. Na sociedade capitalista chama-se de preguiça o trabalho que não acumula capital. Por esse mesmo motivo, o índio, que produz para a subsistência, também carrega o mesmo estigma de preguiçoso, diz.
IMAGEM NA MÍDIA Elisete verificou que a preguiça foi associada ao migrante nordestino que, com a construção da rodovia Rio-Bahia, passou a integrar o cenário das grandes cidades do Sul-Sudeste do país. Três grandes jornais da época, ela constata, reproduziam o discurso social mais amplo, reforçando a imagem da preguiça associada a nordestinos. Outra constatação foi que a mídia passou a repercutir o discurso turístico, quando nos anos 1960 o próprio governo baiano passou a explorar a imagem da preguiça. Nessa época, a indústria do turismo investiu no slogan da Bahia paradisíaca, para onde deve ir quem não quer trabalhar, onde a festa nunca acaba e ninguém usa relógio.
"A preguiça é quase um arquétipo da civilização brasileira", define o professor Marcos Costa Lima, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Em Sérgio Buarque de Holanda, essa característica vem de fontes ibéricas.
Na literatura, Mário de Andrade personificou tudo isso em Macunaíma. Chico Buarque enxergou os mesmos traços no malandro carioca, avesso ao trabalho. Lima lembra ainda de João Ubaldo Ribeiro, em Viva o povo brasileiro, que também fala do nosso perfil preguiçoso. Ariano Suassuna criou personagens avessos ao trabalho em O auto da compadecida. "Esse mito é muito forte, sob o qual vivemos à sombra. É o discurso do colonizador", conclui o professor.

Adriana Menezes