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domingo, março 08, 2020
«Só na morte não somos estrangeiros.» (Eugénio de Andrade)
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Poesia
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sexta-feira, julho 26, 2019
SOBRE O CAMINHO. Eugénio de Andrade. Poesia.
SOBRE O CAMINHO
Eugénio de Andrade
Nada.
Nem o branco fogo do trigo
nem as agulhas cravadas na pupila dos pássaros
te dirão a palavra.
Não interrogues não perguntes
entre a razão e a turbulência da neve
não há diferença.
Não coleciones dejetos o teu destino és tu.
Despe-te
não há outro caminho.

Eugénio de Andrade
Nada.
Nem o branco fogo do trigo
nem as agulhas cravadas na pupila dos pássaros
te dirão a palavra.
Não interrogues não perguntes
entre a razão e a turbulência da neve
não há diferença.
Não coleciones dejetos o teu destino és tu.
Despe-te
não há outro caminho.
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segunda-feira, abril 08, 2019
«Só na morte não somos estrangeiros.»
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sábado, março 16, 2019
AS PALAVRAS. Eugénio de Andrade. Poesia.
AS PALAVRAS
Eugénio de Andrade
São como um cristal,
as palavras.
Algumas, um punhal,
um incêndio.
Outras,
orvalho apenas.
Secretas vêm, cheias de memória.
Inseguras navegam;
barcos ou beijos,
as águas estremecem.
Desamparadas, inocentes,
leves.
Tecidas são de luz
e são a noite.
E mesmo pálidas
verdes paraísos lembram ainda.
Quem as escuta? Quem
as recolhe, assim,
cruéis, desfeitas,
nas suas conchas puras?
Eugénio de Andrade
São como um cristal,
as palavras.
Algumas, um punhal,
um incêndio.
Outras,
orvalho apenas.
Secretas vêm, cheias de memória.
Inseguras navegam;
barcos ou beijos,
as águas estremecem.
Desamparadas, inocentes,
leves.
Tecidas são de luz
e são a noite.
E mesmo pálidas
verdes paraísos lembram ainda.
Quem as escuta? Quem
as recolhe, assim,
cruéis, desfeitas,
nas suas conchas puras?
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