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terça-feira, setembro 15, 2020

ESPELHO. Sylvia Plath

 

O olho de um pequeno deus 
 Sylvia Plath ESPELHO 
 Tradução: Rodrigo Garcia Lopes e Maurício A. Mendonça 

 Sou prateado e exato. Não tenho preconceitos. 
Tudo o que vejo engulo no mesmo momento 
Do jeito que é, sem manchas de amor ou desprezo. 
Não sou cruel, apenas verdadeiro 
— O olho de um pequeno deus, com quatro cantos. 
O tempo todo medito do outro lado da parede. 
Cor-de-rosa, malhada. 
Há tanto tempo olho para ele 
Que acho que faz parte do meu coração. 
Mas ele [ falha. 
Escuridão e faces nos separam mais e mais.
 
 Sou um lago, agora. 
Uma mulher se debruça [ sobre mim, 
Buscando em minhas margens sua imagem [ verdadeira. 
Então olha aquelas mentirosas, as velas ou a lua. 
Vejo suas costas, e a reflito fielmente. 
Me retribui com lágrimas e acenos. 
Sou importante para ela. 
Ela vai e vem. 
A cada manhã seu rosto repõe a escuridão. 
Ela afogou uma menina em mim, e em mim uma velha 
Emerge em sua direção, dia a dia, como um [ peixe terrível.

segunda-feira, maio 27, 2019

ARIEL Sylvia. Plath. Poesia.

ARIEL
Sylvia Plath

Estase no escuro.
E um fluir azul sem substância
De rochedos e distâncias.

Leoa de Deus,
Como nos unimos,
Eixo de calcanhares e joelhos! — O sulco

Divide e passa, irmão do
Arco castanho
Do pescoço que não posso pegar,

Olhinegras
Bagas lançam escuros
Ganchos —

Goles de sangue negro e doce,
Sombras.
Algo mais

Me arrasta pelos ares —
Coxas, pêlos;
Escamas de meus calcanhares.

Godiva
Branca, me descasco —
Mãos mortas, asperezas mortas.

E agora
Espumo com o trigo, um brilho de mares.
O choro da criança

Dissolve-se no muro.
E eu
Sou a flecha,

Orvalho que voa
Suicida, e de uma vez avança
Contra o olho

Vermelho, caldeirão da manhã.

quarta-feira, outubro 10, 2018

ESPELHO. Sylvia Plath. Poesia.

ESPELHO
Sylvia Plath

Tradução: Rodrigo Garcia Lopes e Maurício A. Mendonça

Sou prateado e exato. Não tenho preconceitos.
Tudo o que vejo engulo no mesmo momento
Do jeito que é, sem manchas de amor ou desprezo.
Não sou cruel, apenas verdadeiro —
O olho de um pequeno deus, com quatro cantos.
O tempo todo medito do outro lado da parede.
Cor-de-rosa, malhada. Há tanto tempo olho para ele
Que acho que faz parte do meu coração. Mas ele
[ falha.
Escuridão e faces nos separam mais e mais.


Sou um lago, agora. Uma mulher se debruça
[ sobre mim,
Buscando em minhas margens sua imagem
[ verdadeira.
Então olha aquelas mentirosas, as velas ou a lua.
Vejo suas costas, e a reflito fielmente.
Me retribui com lágrimas e acenos.
Sou importante para ela. Ela vai e vem.
A cada manhã seu rosto repõe a escuridão.
Ela afogou uma menina em mim, e em mim uma velha
Emerge em sua direção, dia a dia, como um
[ peixe terrível.

terça-feira, novembro 14, 2017

Espelho. Sylvia Plath. Poesia

ESPELHO
Sylvia Plath
(Tradução: Rodrigo Garcia Lopes e Maurício A. Mendonça)

Sou prateado e exato. Não tenho preconceitos.
Tudo o que vejo engulo no mesmo momento
Do jeito que é, sem manchas de amor ou desprezo.
Não sou cruel, apenas verdadeiro —
O olho de um pequeno deus, com quatro cantos.
O tempo todo medito do outro lado da parede.
Cor-de-rosa, malhada. Há tanto tempo olho para ele
Que acho que faz parte do meu coração. Mas ele
[ falha.
Escuridão e faces nos separam mais e mais.
.
Sou um lago, agora. Uma mulher se debruça
[ sobre mim,
Buscando em minhas margens sua imagem
[ verdadeira.
Então olha aquelas mentirosas, as velas ou a lua.
Vejo suas costas, e a reflito fielmente.
Me retribui com lágrimas e acenos.
Sou importante para ela. Ela vai e vem.
A cada manhã seu rosto repõe a escuridão.
Ela afogou uma menina em mim, e em mim uma velha
Emerge em sua direção, dia a dia, como um
[ peixe terrível.