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terça-feira, setembro 15, 2020

ESPELHO. Sylvia Plath

 

O olho de um pequeno deus 
 Sylvia Plath ESPELHO 
 Tradução: Rodrigo Garcia Lopes e Maurício A. Mendonça 

 Sou prateado e exato. Não tenho preconceitos. 
Tudo o que vejo engulo no mesmo momento 
Do jeito que é, sem manchas de amor ou desprezo. 
Não sou cruel, apenas verdadeiro 
— O olho de um pequeno deus, com quatro cantos. 
O tempo todo medito do outro lado da parede. 
Cor-de-rosa, malhada. 
Há tanto tempo olho para ele 
Que acho que faz parte do meu coração. 
Mas ele [ falha. 
Escuridão e faces nos separam mais e mais.
 
 Sou um lago, agora. 
Uma mulher se debruça [ sobre mim, 
Buscando em minhas margens sua imagem [ verdadeira. 
Então olha aquelas mentirosas, as velas ou a lua. 
Vejo suas costas, e a reflito fielmente. 
Me retribui com lágrimas e acenos. 
Sou importante para ela. 
Ela vai e vem. 
A cada manhã seu rosto repõe a escuridão. 
Ela afogou uma menina em mim, e em mim uma velha 
Emerge em sua direção, dia a dia, como um [ peixe terrível.

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