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quinta-feira, janeiro 16, 2020
Hospitais psiquiatricos modernos tem média de permanência curta ( no nosso é de 15 dias) . Funciona quase como um pronto socorro psiquiatrico. Paciente fica em asilo, não em hospital. Diferença? Num a família quer tratar o doente. Noutro ela quer depositá-lo
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quinta-feira, agosto 15, 2019
A panelinha.
Marcelo Ferreira Caixeta
Provavelmente, estou "pedindo" para ser processado pelo CRM\CFM pelas seguintes contravenções /crimes/ilegalidades auto-declaradamente cometidas abaixo :
1. Tenho pós-graduação em Psiquiatria Infantil pela USP ( ano letivo 1987, serviço Profa. Eneida Matarazzo ) e um R4 ( especialização ) em Psiquiatria Infantil pela Universidade de Paris XI -Sud - Le Kremlin-Bicêtre ( ano letivo 1988-1989, serviço Prof. Roger Misès). Tenho vários livros\artigos científicos de psiquiatria infanto-juvenil escritos, fundei e sou preceptor da única residência de Psiquiatria Infanto-Juvenil de Goiás, fundei e dirijo há quase 35 anos o primeiro e único hospital psiquiátrico exclusivamente especializado\dedicado em psiquiatria infantil do Centro-Oeste. Mas não posso divulgar esses títulos, pois o CFM não permite. Não posso me entitular, por ex., "Especialista em Psiquiatria Infantil pela Universidade de Paris XI", seria "ilegal". Para eles eu teria de ter os "títulos oficiais" , oferecidos pelas Entidades Médicas Oficiais.
2. Então, tudo bem, fui seguir as vias "oficiais", tentei fazer as provas de título em Psiquiatria Infantil. A primeira prova de título que eu fiz, da antiga Abenepi ( Assoc. Bras Neuro-Psiq Infantil ), eu tirei quase 10 na prova teórica, caiu quase só o Ajuriaguerra, que sei de cor, autor no serviço do qual estagiei em Paris ( Hopital Henri-Rousselle - service de bio-psycho-pathologie de l´enfant - chef de clinique - J Bergès ). Mas na prova prática, me perguntaram se eu era psicanalista infantil, se eu tinha feito o curso da Profa. Y ( que era presidente da Abenepi e dava um curso ) , eu disse que não. Fui reprovado por isso. Ou seja , por não ter dado lucro para uma professora, por não fazer parte da panelinha.
3. Quando fui fazer prova de Titulo em Psiquiatria Geral, em Goiás o então presidente da Assoc Psiq GO mandou me dizer que nao aceitaria minha inscriçao na Associaçao, declarou q nao me queria na Associaçao. Sem a inscriçao eu nao poderia fazer a prova. Tive de me mudar para Sao Paulo, virar sócio (o mais anônimo possivel da federada Abp da Sta Casa SP ) e só aí, anonimamente, consegui fazer a prova.
4. depois tentei a prova Psiq Inf da Assoc Bras Psiq, gastei quase 5 mil reais com isso, passei na prova teórica-objetiva, tendo de lutar para anular 8 questões mal-elaboradas e mal-direcionadas ( no gabarito oficial eu teria levado pau, mas provei por A mais B que estavam erradas, e só aí passei para próxima fase escrita). Já na prova escrita, com um altíssimo grau de subjetividade, me deram 2,5 valendo 10, se não me engano. Prá vcs terem ideia, caíram questões sobre Piaget, sobre o qual tenho até livro escrito. Mas no meu pedido de correção, como a correção era subjetiva ( a prova era escrita, sem direito a visto ) , me responderam inclusive que eu não tinha condições de ser psiquiatra infantil.
5. Propus que eles divulgassem minha prova, ou que me submetessem a uma banca idônea e isenta, de 3 psiquiatras infantis, nacionais ou internacionais, num concurso público, com avaliação prática de casos, com teoria, com quantos dias de duração se fizessem necessários, pagos por mim. Nenhuma resposta. A proposta continua de pé.
6. Depois fiquei sabendo que, neste concurso ou similar, tem época que, entre aproximadamente 100-120 candidatos, apenas UM é aprovado !! Veja bem, de 100 psiquiatras exercendo a psiquiatria infantil no Brasil, apenas 1 é aprovado !! Bom , acho q já está bom para mostrar o quanto esse pessoal de Entidades Oficiais dificulta, mesmo para o médico ( modéstia às favas, bem preparado e bem formado). Poderia dar outros milhares de exemplos, mas nao cabe aqui.
7. Pois bem, então eu lhes pergunto, pergunto ao CFM, á AMB, à Fenam, o que fazer com esse tipo de "concurso" , ao meu ver altamente viciado, bichado? Com esse tipo de reserva de mercado, esse tipo de meio de ganhar dinheiro ? Por que isso não é resolvido no Brasil ?
8. Por isso, e muitas outras , é que os "Cursos de Especialização" estão pipocando no Brasil, pois as Entidades Oficiais estão fazendo desses concursos uma verdadeira "Farra-do-Boi". Alem das Entidades Oficiais de modo geral nao fazerem nada e até dificultarem a abertura de novas residencias, cursos de especializaçao, estagios hospitalares oficiais, etc. Os medicos ficam sem meios de formaçao adequada. Tem de se virar e procurar os meios nao-oficiais.
9. Os cursos de pós estão entrando judicialmente contra as Entidades Oficiais e estão ganhando. O que sobra para o médico sério , no Brasil, que tem condições claras, de exercer competentemente uma especialidade ? Sobra o que está acontecendo : estão entrando na Justiça para terem o direito de fazerem o que eu já tenho feito, e estou já esperando ser processado : divulgar que sou "Especialista em Psiquiatria Infantil pela Universidade de Paris Sud XI". Não acho que haja algo ilegal nisso, mas dizem que sim.... Ou então , que sejam justos e façam formaçao/avaliaçoes justas, como a banca que eu sugeri que pagaria aí acima. Estou aqui , esperando, ou a avaliação justa ou o processo.
...............
Marcelo Caixeta, especialista em psiquiatra infantil pela Universidade de Paris XI
Provavelmente, estou "pedindo" para ser processado pelo CRM\CFM pelas seguintes contravenções /crimes/ilegalidades auto-declaradamente cometidas abaixo :
1. Tenho pós-graduação em Psiquiatria Infantil pela USP ( ano letivo 1987, serviço Profa. Eneida Matarazzo ) e um R4 ( especialização ) em Psiquiatria Infantil pela Universidade de Paris XI -Sud - Le Kremlin-Bicêtre ( ano letivo 1988-1989, serviço Prof. Roger Misès). Tenho vários livros\artigos científicos de psiquiatria infanto-juvenil escritos, fundei e sou preceptor da única residência de Psiquiatria Infanto-Juvenil de Goiás, fundei e dirijo há quase 35 anos o primeiro e único hospital psiquiátrico exclusivamente especializado\dedicado em psiquiatria infantil do Centro-Oeste. Mas não posso divulgar esses títulos, pois o CFM não permite. Não posso me entitular, por ex., "Especialista em Psiquiatria Infantil pela Universidade de Paris XI", seria "ilegal". Para eles eu teria de ter os "títulos oficiais" , oferecidos pelas Entidades Médicas Oficiais.
2. Então, tudo bem, fui seguir as vias "oficiais", tentei fazer as provas de título em Psiquiatria Infantil. A primeira prova de título que eu fiz, da antiga Abenepi ( Assoc. Bras Neuro-Psiq Infantil ), eu tirei quase 10 na prova teórica, caiu quase só o Ajuriaguerra, que sei de cor, autor no serviço do qual estagiei em Paris ( Hopital Henri-Rousselle - service de bio-psycho-pathologie de l´enfant - chef de clinique - J Bergès ). Mas na prova prática, me perguntaram se eu era psicanalista infantil, se eu tinha feito o curso da Profa. Y ( que era presidente da Abenepi e dava um curso ) , eu disse que não. Fui reprovado por isso. Ou seja , por não ter dado lucro para uma professora, por não fazer parte da panelinha.
3. Quando fui fazer prova de Titulo em Psiquiatria Geral, em Goiás o então presidente da Assoc Psiq GO mandou me dizer que nao aceitaria minha inscriçao na Associaçao, declarou q nao me queria na Associaçao. Sem a inscriçao eu nao poderia fazer a prova. Tive de me mudar para Sao Paulo, virar sócio (o mais anônimo possivel da federada Abp da Sta Casa SP ) e só aí, anonimamente, consegui fazer a prova.
4. depois tentei a prova Psiq Inf da Assoc Bras Psiq, gastei quase 5 mil reais com isso, passei na prova teórica-objetiva, tendo de lutar para anular 8 questões mal-elaboradas e mal-direcionadas ( no gabarito oficial eu teria levado pau, mas provei por A mais B que estavam erradas, e só aí passei para próxima fase escrita). Já na prova escrita, com um altíssimo grau de subjetividade, me deram 2,5 valendo 10, se não me engano. Prá vcs terem ideia, caíram questões sobre Piaget, sobre o qual tenho até livro escrito. Mas no meu pedido de correção, como a correção era subjetiva ( a prova era escrita, sem direito a visto ) , me responderam inclusive que eu não tinha condições de ser psiquiatra infantil.
5. Propus que eles divulgassem minha prova, ou que me submetessem a uma banca idônea e isenta, de 3 psiquiatras infantis, nacionais ou internacionais, num concurso público, com avaliação prática de casos, com teoria, com quantos dias de duração se fizessem necessários, pagos por mim. Nenhuma resposta. A proposta continua de pé.
6. Depois fiquei sabendo que, neste concurso ou similar, tem época que, entre aproximadamente 100-120 candidatos, apenas UM é aprovado !! Veja bem, de 100 psiquiatras exercendo a psiquiatria infantil no Brasil, apenas 1 é aprovado !! Bom , acho q já está bom para mostrar o quanto esse pessoal de Entidades Oficiais dificulta, mesmo para o médico ( modéstia às favas, bem preparado e bem formado). Poderia dar outros milhares de exemplos, mas nao cabe aqui.
7. Pois bem, então eu lhes pergunto, pergunto ao CFM, á AMB, à Fenam, o que fazer com esse tipo de "concurso" , ao meu ver altamente viciado, bichado? Com esse tipo de reserva de mercado, esse tipo de meio de ganhar dinheiro ? Por que isso não é resolvido no Brasil ?
8. Por isso, e muitas outras , é que os "Cursos de Especialização" estão pipocando no Brasil, pois as Entidades Oficiais estão fazendo desses concursos uma verdadeira "Farra-do-Boi". Alem das Entidades Oficiais de modo geral nao fazerem nada e até dificultarem a abertura de novas residencias, cursos de especializaçao, estagios hospitalares oficiais, etc. Os medicos ficam sem meios de formaçao adequada. Tem de se virar e procurar os meios nao-oficiais.
9. Os cursos de pós estão entrando judicialmente contra as Entidades Oficiais e estão ganhando. O que sobra para o médico sério , no Brasil, que tem condições claras, de exercer competentemente uma especialidade ? Sobra o que está acontecendo : estão entrando na Justiça para terem o direito de fazerem o que eu já tenho feito, e estou já esperando ser processado : divulgar que sou "Especialista em Psiquiatria Infantil pela Universidade de Paris Sud XI". Não acho que haja algo ilegal nisso, mas dizem que sim.... Ou então , que sejam justos e façam formaçao/avaliaçoes justas, como a banca que eu sugeri que pagaria aí acima. Estou aqui , esperando, ou a avaliação justa ou o processo.
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Marcelo Caixeta, especialista em psiquiatra infantil pela Universidade de Paris XI
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sexta-feira, dezembro 01, 2017
A Especialidade que virou Suco. Marcelo Ferreira Caixeta
1/ Há no mínimo 8 projetos tramitando no Congresso que “exigem exame psicológico” para detecção de doenças mentais ( ou seja, problemas PSIQUIÁTRICOS ) , p.ex., avaliação de aeronautas, porte de arma, vigilância em zona rural, guarda judicial, adoção, etc.
2/ De cada 10 pedidos judiciais para avaliação psiquiátrica expedido por Juízes, Promotores, Delegados, 8 pedem “exame psicológico”.
3/ Na mídia, 10 em 10 casos de “doenças psiquiátricas” são descritos como “problemas psicológicos”.
4/ Já em 1996 o Conselho Federal de Psicologia emitiu norma “autorizando” todos os psicólogos do Brasil emitirem diagnósticos PSIQUIÁTRICOS. O CFM já impetrou mandados judiciais contra TODAS as invasões da Medicina ( enfermeiros, biomédicos, etc), mas NADA contra este absurdo , até onde eu saiba.
5/ 10 entre 10 pacientes que melhoram de problemas psiquiátricos dizem que melhoraram por causa do “tratamento psicológico” que receberam. O médico diagnostica corretamente, passa remédio correto, mas, quando “encaminha para o psicólogo conversar”, é este quem “conquista o paciente”, e o paciente diz que “melhorou por causa do psicólogo”. “Os remédios mais me atrapalharam do que ajudaram”, ele diz. Esta é a PRINCIPAL causa da destruição da psiquiatria : psiquiatras que NÃO CONVERSAM : quem “curou” foi o PSICÓLOGO.
2/ De cada 10 pedidos judiciais para avaliação psiquiátrica expedido por Juízes, Promotores, Delegados, 8 pedem “exame psicológico”.
3/ Na mídia, 10 em 10 casos de “doenças psiquiátricas” são descritos como “problemas psicológicos”.
4/ Já em 1996 o Conselho Federal de Psicologia emitiu norma “autorizando” todos os psicólogos do Brasil emitirem diagnósticos PSIQUIÁTRICOS. O CFM já impetrou mandados judiciais contra TODAS as invasões da Medicina ( enfermeiros, biomédicos, etc), mas NADA contra este absurdo , até onde eu saiba.
5/ 10 entre 10 pacientes que melhoram de problemas psiquiátricos dizem que melhoraram por causa do “tratamento psicológico” que receberam. O médico diagnostica corretamente, passa remédio correto, mas, quando “encaminha para o psicólogo conversar”, é este quem “conquista o paciente”, e o paciente diz que “melhorou por causa do psicólogo”. “Os remédios mais me atrapalharam do que ajudaram”, ele diz. Esta é a PRINCIPAL causa da destruição da psiquiatria : psiquiatras que NÃO CONVERSAM : quem “curou” foi o PSICÓLOGO.

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domingo, agosto 27, 2017
Crime psiquiátrico. Marcelo Ferreira Caixeta
Perguntas psiquiátricas que me foram feitas pela imprensa sobre o caso do garoto de 13 anos que matou a menina de 14 “porque não gostava do jeito dela andar”.
.....................
1/ Pergunta : “você acha que foi um crime psiquiátrico ? Por quê ?”
Resposta : todo crime que não pode ser compreendido psicologicamente pela maioria das pessoas tem um forte indício de ser um crime psiquiátrico. Por exemplo : é compreensível psicologicamente que uma pessoa mate outra porque “não gosta do modo como ela anda” ? É compreensível que ele a mate e, ainda com a faca nas mãos e roupa suja de sangue , vá até a sua escola e comunique o fato aos diretores ? É compreensível um garoto que, com 13 anos, já tenha uma “lista de mais dois colegas para morrer” ? Isso tudo afora o fato de ser um jovem muito isolado, poucos amigos, e, segundo a mídia, facilmente irritável, explosivo. Tudo isso pode ser o indício de uma psicopatologia psiquiátrica em curso.
2/ Que tipo de psicopatologia você acha que poderia estar acontecendo nesse caso ?
Resposta : só posso falar de modo geral, em tese geral, pois não examinei o paciente como médico psiquiatra. Mas a clínica diária psiquiátrica de adolescentes é muito cheia de casos como esse : os pacientes , nessa fase da vida, podem ter o que um psiquiatra alemão – Kretschmer - denominou de “síndrome do delírio sensitivo paranoide de referência” ( chamado, portanto, de “delírio de Gaupp-Kretschmer” ; Gaupp foi outro psiquiatra, professor de Kretschmer, que descreveu um quadro semelhante em um professor escolar) . O que é isso ? É um tipo de delírio, geralmente associado com sintomas depressivos, no qual o paciente sente que tudo que os outros fazem está referenciado a ele. Sente que se uma pessoa levanta a mão de um jeito, está referenciado a ele, se uma pessoa faz um gracejo, uma observação, um movimento inusitado, tudo isso está referenciado a ele. Ele fica desconfiado, arredio, e, quando há depressão associada, isso pode desembocar em agressividade. No delírio há uma limitação do lobo frontal, que é uma região do cérebro que nos inibe em determinados comportamentos. Quando esta região está falha – e no delírio sempre está – a pessoa pode desinibir-se, vir a praticar crimes que não praticaria em estado normal. Algumas pessoas, hoje chamadas de “psicopatas” por alguns psiquiatras, já podem nascer com um déficit cerebral nessa região, tornando-se assim “frios por natureza”, personalidades esquizóides.
Tais personalidades, quando delirantes , depressivas, psicóticas, podem vir a atuar “friamente” seus delírios criminais.
3/ Poderíamos então dizer que esse garoto tem características de “psicopata” ?
Resposta : hoje em dia o termo “psicopata”, em psiquiatria criminal-forense, remete à duas situações bem distintas ( e isso causa confusão na mídia ): em primeiro lugar, refere-se à pessoas que têm uma disfunção cerebral que leva à frieza, como eu disse acima. Em segundo lugar, o termo “psicopata” pode referir-se ao que hoje se chama, nas modernas classificações psiquiátricas, de “transtorno de personalidade antissocial”.
Não acho que o caso do garoto acima tenha características de “personalidade antissocial” ( por convenção, abaixo dos 18 anos fala-se em “distúrbio de conduta” pois a personalidade ainda não está completamente formada ) , pois tais pessoas têm um histórico bem rico de vários, variadíssimos, tipo de atividades delitivas, e esse garoto parece não ter isso : fugas, tráfico, crimes, múltiplas agressões, completa instabilidade psicomotora, familiar, escolar, geográfica, laboral, afetiva-conjugal, precocidade e hiperatividade sexual, vários tipos de atividades delitivas, vida errante, desenraizada, falta de apego a locais, pessoas, instituições, projetos de vida. Ao que me parece , o garoto não tem nada disso.
Por outro lado, o “psicopata frio” , que é outro tipo de psicopatia que eu falei, esse geralmente não tem delírios, é muito calculista, tem obsessões longas, fixas, sobre os crimes e sobre as fantasias criminais, os planeja, os esconde muito bem, com muita inteligência, tem um passado de frieza emocional geralmente bem explícita ( inclusive com animais, crianças ) e é uma condição bem crônica, não aguda. Como é uma condição psiquiátrica que exige também que o paciente tenha bastante “lógica” ( eles são inteligentes e calculistas, como eu disse ), geralmente isso não aparece na puberdade, onde a lógica do pensamento e do comportamento ainda não se instalou definitivamente, ainda há imaturidade sináptica ( conexões do cérebro ).
4/ Há tratamento para casos como esse ?
Resposta : exige uma expertise bem grande por parte do médico psiquiatra, por exemplo, tem de ser um médico com formação prática/teórica em psiquiatria do adolescente, psiquiatria forense e psicoterapia. Há necessidade de hospitalização psiquiátrica ( inclusive para mais exames diagnósticos e observação psicopatológica ) até o tratamento razoável da condição mental, ou seja, uma cessação razoável da periculosidade para terceiros. Mesmo após a hospitalização, é caso para ser seguido ambulatorialmente – em consultório – por no mínimo duas consultas por semana, pelo profissional gabaritado acima. Afora isso, o risco para terceiros, e mesmo para o paciente , é muito alto.
......................................
Marcelo Caixeta,[hospitalasmigo@gmail.com] médico psiquiatra, especialista em psiquiatria da infância e adolescência pela Universidade de Paris XI, pós-graduado em psiquiatria infantil pela USP, psiquiatra criminal ( forense ) pela AMB/ABPsiq
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1/ Pergunta : “você acha que foi um crime psiquiátrico ? Por quê ?”
Resposta : todo crime que não pode ser compreendido psicologicamente pela maioria das pessoas tem um forte indício de ser um crime psiquiátrico. Por exemplo : é compreensível psicologicamente que uma pessoa mate outra porque “não gosta do modo como ela anda” ? É compreensível que ele a mate e, ainda com a faca nas mãos e roupa suja de sangue , vá até a sua escola e comunique o fato aos diretores ? É compreensível um garoto que, com 13 anos, já tenha uma “lista de mais dois colegas para morrer” ? Isso tudo afora o fato de ser um jovem muito isolado, poucos amigos, e, segundo a mídia, facilmente irritável, explosivo. Tudo isso pode ser o indício de uma psicopatologia psiquiátrica em curso.
2/ Que tipo de psicopatologia você acha que poderia estar acontecendo nesse caso ?
Resposta : só posso falar de modo geral, em tese geral, pois não examinei o paciente como médico psiquiatra. Mas a clínica diária psiquiátrica de adolescentes é muito cheia de casos como esse : os pacientes , nessa fase da vida, podem ter o que um psiquiatra alemão – Kretschmer - denominou de “síndrome do delírio sensitivo paranoide de referência” ( chamado, portanto, de “delírio de Gaupp-Kretschmer” ; Gaupp foi outro psiquiatra, professor de Kretschmer, que descreveu um quadro semelhante em um professor escolar) . O que é isso ? É um tipo de delírio, geralmente associado com sintomas depressivos, no qual o paciente sente que tudo que os outros fazem está referenciado a ele. Sente que se uma pessoa levanta a mão de um jeito, está referenciado a ele, se uma pessoa faz um gracejo, uma observação, um movimento inusitado, tudo isso está referenciado a ele. Ele fica desconfiado, arredio, e, quando há depressão associada, isso pode desembocar em agressividade. No delírio há uma limitação do lobo frontal, que é uma região do cérebro que nos inibe em determinados comportamentos. Quando esta região está falha – e no delírio sempre está – a pessoa pode desinibir-se, vir a praticar crimes que não praticaria em estado normal. Algumas pessoas, hoje chamadas de “psicopatas” por alguns psiquiatras, já podem nascer com um déficit cerebral nessa região, tornando-se assim “frios por natureza”, personalidades esquizóides.
Tais personalidades, quando delirantes , depressivas, psicóticas, podem vir a atuar “friamente” seus delírios criminais.
3/ Poderíamos então dizer que esse garoto tem características de “psicopata” ?
Resposta : hoje em dia o termo “psicopata”, em psiquiatria criminal-forense, remete à duas situações bem distintas ( e isso causa confusão na mídia ): em primeiro lugar, refere-se à pessoas que têm uma disfunção cerebral que leva à frieza, como eu disse acima. Em segundo lugar, o termo “psicopata” pode referir-se ao que hoje se chama, nas modernas classificações psiquiátricas, de “transtorno de personalidade antissocial”.
Não acho que o caso do garoto acima tenha características de “personalidade antissocial” ( por convenção, abaixo dos 18 anos fala-se em “distúrbio de conduta” pois a personalidade ainda não está completamente formada ) , pois tais pessoas têm um histórico bem rico de vários, variadíssimos, tipo de atividades delitivas, e esse garoto parece não ter isso : fugas, tráfico, crimes, múltiplas agressões, completa instabilidade psicomotora, familiar, escolar, geográfica, laboral, afetiva-conjugal, precocidade e hiperatividade sexual, vários tipos de atividades delitivas, vida errante, desenraizada, falta de apego a locais, pessoas, instituições, projetos de vida. Ao que me parece , o garoto não tem nada disso.
Por outro lado, o “psicopata frio” , que é outro tipo de psicopatia que eu falei, esse geralmente não tem delírios, é muito calculista, tem obsessões longas, fixas, sobre os crimes e sobre as fantasias criminais, os planeja, os esconde muito bem, com muita inteligência, tem um passado de frieza emocional geralmente bem explícita ( inclusive com animais, crianças ) e é uma condição bem crônica, não aguda. Como é uma condição psiquiátrica que exige também que o paciente tenha bastante “lógica” ( eles são inteligentes e calculistas, como eu disse ), geralmente isso não aparece na puberdade, onde a lógica do pensamento e do comportamento ainda não se instalou definitivamente, ainda há imaturidade sináptica ( conexões do cérebro ).
4/ Há tratamento para casos como esse ?
Resposta : exige uma expertise bem grande por parte do médico psiquiatra, por exemplo, tem de ser um médico com formação prática/teórica em psiquiatria do adolescente, psiquiatria forense e psicoterapia. Há necessidade de hospitalização psiquiátrica ( inclusive para mais exames diagnósticos e observação psicopatológica ) até o tratamento razoável da condição mental, ou seja, uma cessação razoável da periculosidade para terceiros. Mesmo após a hospitalização, é caso para ser seguido ambulatorialmente – em consultório – por no mínimo duas consultas por semana, pelo profissional gabaritado acima. Afora isso, o risco para terceiros, e mesmo para o paciente , é muito alto.
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Marcelo Caixeta,[hospitalasmigo@gmail.com] médico psiquiatra, especialista em psiquiatria da infância e adolescência pela Universidade de Paris XI, pós-graduado em psiquiatria infantil pela USP, psiquiatra criminal ( forense ) pela AMB/ABPsiq
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Medicina,
Psiquiatria
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sábado, maio 27, 2017
Internação forçada de toxicomanos. Marcelo Ferreira Caixeta. Médico psiquiatra.
"O que acontece com um dependente químico que é HOSPITALIZADO À FORÇA ? O tratamento médico dele não dá certo ? A medicina, o hospital, não tem recursos para ele ? Ele terá um futuro ?Muitos me CRITICARAM quanto à isso quando defendi as internações forçadas de Dória na Cracolândia. Tento responder isso com uma experiência, estudos e pesquisas médico-psiquiátrico-hospitalares de 36 anos.
..............
1/ O paciente chega ao hospital revoltado, quer ir embora, fugir, não quer ser privado de liberdade, “vocês não tem o direito”, “não estou louco”, “paro quando eu quero”, “se não quiser ninguém me faz parar”, “sair daqui e volto tudo de novo”, “vocês não sabem quem eu sou, irão pagar, vou te pegar”, “vou quebrar tudo”, “vou acabar com sua vida, sei de sua rotina”, “vou te processar”. Não acredita que pode ficar livre da droga, “quer largar dela, sabe que lhe prejudica, mas não quer o tratamento”. Agressividade muito grande. Necessário uso de medicação ataráxica/neuroléptica.
2/ com um ou dois dias de medicação psiquiátrica adequada, a resistência diminui, muitos até já começam a aceitar a hospitalização. Surgem a abstinência, a depressão, ansiedade, hiperatividade, grande inquietação, doença bipolar subjacente à droga. Têm de ser convenientemente tratados, com uso de medicação para estas situações, ou seja, medicações : normotímica/antidepressiva/ansiolítica/psicoestimulante/dopaminérgica/serotoninérgica/ antiabstinência ( p.ex., clonidina, propranolol, benzodiazepínicos, antipsicóticos, etc, para abstinência cocaínica ) .
3/ Em quase 100% dos casos de toxicomania grave há uma patologia psiquiátrica outra subjacente. Por exemplo, hiperatividade, depressão, ansiedade, bipolaridade, transtorno delirante. O paciente irá precisar de medicação para o tratamento dessas patologias.
4/ Irá também precisar de medicação que “corte” o efeito das drogas. Para cada droga há medicações específicas, que ajudam a manter a abstinência. Por exemplo, grosso modo, para o tabagismo há vareniclina ( sim, para nós, psiquiatras, cigarro também é considerado droga ) , para a cocaína há a bupropiona, para maconha há levomepromazina, para o álcool há benzodiazepínicos, naltrexone, acamprosato.
5/ Estudos mostram que , se não tratar o tabagismo, a chance de haver recaída de drogas mais graves – p.ex., cocaína – é muito mais alta. O tabagismo é a droga mais difícil de ser tratada. Muitas casas de recuperação/hospitais não atacam o problema , pois dá canseira demais, mas sem atacá-lo, a chance de recaída aumenta muito.
6/ Com estas medicações, em breve tempo o paciente já está melhor da toxicomania, da abstinência, ansiedade, depressão, psicoses, ou outros sintomas. Agora começa uma fase difícil, pois a maioria não quer trabalhar, não querem fazer algo para passar o tempo, aí entregam-se a um tédio preguiçoso que será o principal obstáculo ao tratamento. O dependente que trabalha durante a hospitalização tem uma chance bem maior de recuperação, mas a maioria não gosta de trabalhar, não aprendeu a trabalhar, não foi forçada a isso pelo pai, família, comunidade.
7/ O tratamento médico-hospitalar da toxicomania é relativamente fácil e exitoso. Nessa fase, aproximadamente 95% daqueles que ameaçavam por terem sido internados à força dizem que concordam com a internação. A frase mais ouvida é : “eu precisava mesmo, estava muito ruim”. Salvo intercorrências médicas ou psiquiátricas mais graves, em pouco tempo o paciente já está melhor. Agora entra em cena o que é realmente mortal para o dependente : a Família, o Estado, as Instituições ( “casas de recuperação”, hospitais, profissionais de saúde ). Sobre estas instâncias “mortais” falarei em um próximo artigo.
Marcelo Ferreira Caixeta
Médico psiquiatra
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1/ O paciente chega ao hospital revoltado, quer ir embora, fugir, não quer ser privado de liberdade, “vocês não tem o direito”, “não estou louco”, “paro quando eu quero”, “se não quiser ninguém me faz parar”, “sair daqui e volto tudo de novo”, “vocês não sabem quem eu sou, irão pagar, vou te pegar”, “vou quebrar tudo”, “vou acabar com sua vida, sei de sua rotina”, “vou te processar”. Não acredita que pode ficar livre da droga, “quer largar dela, sabe que lhe prejudica, mas não quer o tratamento”. Agressividade muito grande. Necessário uso de medicação ataráxica/neuroléptica.
2/ com um ou dois dias de medicação psiquiátrica adequada, a resistência diminui, muitos até já começam a aceitar a hospitalização. Surgem a abstinência, a depressão, ansiedade, hiperatividade, grande inquietação, doença bipolar subjacente à droga. Têm de ser convenientemente tratados, com uso de medicação para estas situações, ou seja, medicações : normotímica/antidepressiva/ansiolítica/psicoestimulante/dopaminérgica/serotoninérgica/ antiabstinência ( p.ex., clonidina, propranolol, benzodiazepínicos, antipsicóticos, etc, para abstinência cocaínica ) .
3/ Em quase 100% dos casos de toxicomania grave há uma patologia psiquiátrica outra subjacente. Por exemplo, hiperatividade, depressão, ansiedade, bipolaridade, transtorno delirante. O paciente irá precisar de medicação para o tratamento dessas patologias.
4/ Irá também precisar de medicação que “corte” o efeito das drogas. Para cada droga há medicações específicas, que ajudam a manter a abstinência. Por exemplo, grosso modo, para o tabagismo há vareniclina ( sim, para nós, psiquiatras, cigarro também é considerado droga ) , para a cocaína há a bupropiona, para maconha há levomepromazina, para o álcool há benzodiazepínicos, naltrexone, acamprosato.
5/ Estudos mostram que , se não tratar o tabagismo, a chance de haver recaída de drogas mais graves – p.ex., cocaína – é muito mais alta. O tabagismo é a droga mais difícil de ser tratada. Muitas casas de recuperação/hospitais não atacam o problema , pois dá canseira demais, mas sem atacá-lo, a chance de recaída aumenta muito.
6/ Com estas medicações, em breve tempo o paciente já está melhor da toxicomania, da abstinência, ansiedade, depressão, psicoses, ou outros sintomas. Agora começa uma fase difícil, pois a maioria não quer trabalhar, não querem fazer algo para passar o tempo, aí entregam-se a um tédio preguiçoso que será o principal obstáculo ao tratamento. O dependente que trabalha durante a hospitalização tem uma chance bem maior de recuperação, mas a maioria não gosta de trabalhar, não aprendeu a trabalhar, não foi forçada a isso pelo pai, família, comunidade.
7/ O tratamento médico-hospitalar da toxicomania é relativamente fácil e exitoso. Nessa fase, aproximadamente 95% daqueles que ameaçavam por terem sido internados à força dizem que concordam com a internação. A frase mais ouvida é : “eu precisava mesmo, estava muito ruim”. Salvo intercorrências médicas ou psiquiátricas mais graves, em pouco tempo o paciente já está melhor. Agora entra em cena o que é realmente mortal para o dependente : a Família, o Estado, as Instituições ( “casas de recuperação”, hospitais, profissionais de saúde ). Sobre estas instâncias “mortais” falarei em um próximo artigo.
Marcelo Ferreira Caixeta
Médico psiquiatra
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quinta-feira, maio 25, 2017
Doria acertou ao retirar à força os toxicômanos do crack das ruas ?
"Doria acertou ao retirar à força os toxicômanos do crack das ruas ? Como médico psiquiatra, que lida ininterruptamente com esta população há 32 anos, acho que sim. Quem perdeu a liberdade de escolher entre usar ou não uma substãncia já perdeu a capacidade mental de auto-determinar-se. É doença mental, consequentemente afeta a capacidade de auto-avaliar-se, a capacidade de avaliar o mundo. Perdeu determinadas capacidades cognitivas e também as capacidades volitivas de determinar-se de acordo com eventuais cognições. Ou alguém acha que largar a casa, família, emprego, cama-comida-e-roupa-passada, para ir morar na rua, como um rato-em-busca-de-um-cachimbo é uma “escolha ideológica”, um “efeito nefasto da burguesia?”. A doença psiquiátrica severa, em sua maioria dos casos, afeta o lobo frontal, região do cérebro que é responsável , entre outras, por julgar o próprio comportamento. O fato de um doente não julgar-se um doente não o torna menos doente, ou menos perigoso para si ou para outrem. Todo dia interno um "punhado de gente" , trazidos pelas famílias, com base nestas noções médicas,[sim, há critérios objetivos para isso] sem autorização de juiz, de promotor, de autoridade nenhuma. Só com a avaliação médica-psiquiátrica do paciente, com o pedido da família/companheiros, que é, note-se, "rica" ou "classe média". Mas quando é pobre, miserável, "de rua", aí é preciso que os "Direitos Humanos", a "Esquerda Coitadista", o "Socialismo Estatal Judiciário/Promotorial/Defensorial" entrem em ação. Afinal é preciso que haja uma justificativa plausível e visível para certos altos salários." Marcelo Ferreira Caixeta
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