A CAPTURA E A MORTE
Federico García Lorca
Tradução: Oscar Mendes
Às cinco horas da tarde.
Eram cinco da tarde em ponto.
Um menino trouxe o lençol branco
às cinco horas da tarde.
Um cesto de cal já prevenida
às cinco horas da tarde.
O mais era morte e apenas morte
às cinco horas da tarde.
O vento arrebatou os algodões
às cinco horas da tarde.
E o óxido semeou cristal e níquel
às cinco horas da tarde.
Já pelejam a pomba e o leopardo
às cinco horas da tarde.
E uma coxa por um chifre destruída
às cinco horas da tarde.
Os sons já começaram do bordão
às cinco horas da tarde.
As campanas de arsênico e a fumaça
às cinco horas da tarde.
Pelas esquinas grupos de silêncio
às cinco horas da tarde.
E o touro todo coração ao alto
às cinco horas da tarde.
Quando o suor de neve foi chegando
às cinco horas da tarde,
quando de iodo se cobriu a praça
às cinco horas da tarde,
a morte botou ovos na ferida
às cinco horas da tarde.
Às cinco horas da tarde.
Às cinco em ponto da tarde.
Um ataúde com rodas é a cama
às cinco horas da tarde.
Ossos e flautas soam-lhe ao ouvido
às cinco horas da tarde.
Por sua frente o touro já mugia
às cinco horas da tarde.
O quarto se irisava de agonia
às cinco horas da tarde.
A gangrena de longe já se acerca
às cinco horas da tarde.
Trompa de lis pelas virilhas verdes
às cinco horas da tarde.
As feridas queimavam como sóis
às cinco horas da tarde,
e as pessoas quebravam as janelas
às cinco horas da tarde.
Ai que terríveis cinco horas da tarde!
Eram as cinco em todos os relógios!
Eram cinco horas da tarde em sombra!
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domingo, julho 19, 2020
A CAPTURA E A MORTE. Federico García Lorca. Poesia
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quarta-feira, novembro 13, 2019
ROMANCE SONÂMBULO. Federico García Lorca
ROMANCE SONÂMBULO
Federico García Lorca
A Gloria Giner e a Fernando de los Ríos
Verde que te quero verde.
Verde vento. Verdes ramas.
O barco livre no mar
e o cavalo na montanha.
Com sombra pela cintura
ela sonha na varanda,
verde carne, tranças verdes,
os olhos de fria prata.
Verde que te quero verde.
À luz da lua gitana
as coisas a estão mirando
e ela não pode mirá-las.
*
Verde que te quero verde.
Estrelas de orvalho, claras,
seguem o peixe de sombra
que abre a rota da alvorada.
A figueira arranha o vento
com sua lixa de ramas
e o monte, gato gatuno,
eriça as piteiras ásperas.
Mas, quem virá? E por onde?
Ela segue na varanda,
verde carne, tranças verdes,
sonhando no amargo mar.
*
— Compadre, quero trocar
meu potro por sua casa,
meus arreios, pelo espelho,
a faca por sua manta.
Compadre, venho sangrando
desde os penhascos de Cabra.
— Ai, se eu pudesse, rapaz,
este trato se fechava,
mas, eu já não sou eu mesmo
nem mais é minha esta casa.
— Compadre, quero morrer
com decência, em minha cama
de ferro, se puder ser,
sobre lençóis de cambraia.
Não vês que a minha ferida
sobe do peito à garganta?
— Trezentas rosas morenas
tens sobre a camisa branca.
Teu sangue ressuma e cheira
ao redor da tua faixa,
mas eu já não sou eu mesmo,
nem mais é minha esta casa.
— Deixai-me subir ao menos
até às varandas altas.
Deixai-me subir, deixai-me
até às verdes varandas,
altas varandas da lua
por onde retumba a água.
*
Já sobem os dois compadres
para as varandas mais altas,
deixando um rastro de sangue,
deixando um rastro de lágrimas.
Tremeluziam nas telhas
gotas de luz cor de lata.
Mil pandeiros de cristal
feriam a madrugada.
*
Verde que te quero verde.
Verde vento. Verdes ramas.
Os dois compadres subiram.
O longo vento deixava
um raro gosto na boca
de fel, de menta e alfavaca.
— Compadre, dize onde está,
onde, tua filha amarga?
— Quantas vezes te esperou!
quantas vezes te esperara,
cara fresca, negras tranças,
aqui na verde varanda!
*
Sobre a face da cisterna
a gitana se embalava,
verde carne, tranças verdes,
os olhos de fria prata.
Um fino feixe de lua
a sustém boiando na água.
A noite se fez tão íntima
como uma pequena praça.
Bêbados guardas civis
chamam na porta a pancadas.
Verde que te quero verde.
Verde vento. Verdes ramas.
O barco livre no mar.
E o cavalo na montanha.
Federico García Lorca
A Gloria Giner e a Fernando de los Ríos
Verde que te quero verde.
Verde vento. Verdes ramas.
O barco livre no mar
e o cavalo na montanha.
Com sombra pela cintura
ela sonha na varanda,
verde carne, tranças verdes,
os olhos de fria prata.
Verde que te quero verde.
À luz da lua gitana
as coisas a estão mirando
e ela não pode mirá-las.
*
Verde que te quero verde.
Estrelas de orvalho, claras,
seguem o peixe de sombra
que abre a rota da alvorada.
A figueira arranha o vento
com sua lixa de ramas
e o monte, gato gatuno,
eriça as piteiras ásperas.
Mas, quem virá? E por onde?
Ela segue na varanda,
verde carne, tranças verdes,
sonhando no amargo mar.
*
— Compadre, quero trocar
meu potro por sua casa,
meus arreios, pelo espelho,
a faca por sua manta.
Compadre, venho sangrando
desde os penhascos de Cabra.
— Ai, se eu pudesse, rapaz,
este trato se fechava,
mas, eu já não sou eu mesmo
nem mais é minha esta casa.
— Compadre, quero morrer
com decência, em minha cama
de ferro, se puder ser,
sobre lençóis de cambraia.
Não vês que a minha ferida
sobe do peito à garganta?
— Trezentas rosas morenas
tens sobre a camisa branca.
Teu sangue ressuma e cheira
ao redor da tua faixa,
mas eu já não sou eu mesmo,
nem mais é minha esta casa.
— Deixai-me subir ao menos
até às varandas altas.
Deixai-me subir, deixai-me
até às verdes varandas,
altas varandas da lua
por onde retumba a água.
*
Já sobem os dois compadres
para as varandas mais altas,
deixando um rastro de sangue,
deixando um rastro de lágrimas.
Tremeluziam nas telhas
gotas de luz cor de lata.
Mil pandeiros de cristal
feriam a madrugada.
*
Verde que te quero verde.
Verde vento. Verdes ramas.
Os dois compadres subiram.
O longo vento deixava
um raro gosto na boca
de fel, de menta e alfavaca.
— Compadre, dize onde está,
onde, tua filha amarga?
— Quantas vezes te esperou!
quantas vezes te esperara,
cara fresca, negras tranças,
aqui na verde varanda!
*
Sobre a face da cisterna
a gitana se embalava,
verde carne, tranças verdes,
os olhos de fria prata.
Um fino feixe de lua
a sustém boiando na água.
A noite se fez tão íntima
como uma pequena praça.
Bêbados guardas civis
chamam na porta a pancadas.
Verde que te quero verde.
Verde vento. Verdes ramas.
O barco livre no mar.
E o cavalo na montanha.
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terça-feira, agosto 21, 2018
A CAPTURA E A MORTE. Federico García Lorca. Poesia.
A CAPTURA E A MORTE
Federico García Lorca
Tradução: Oscar Mendes
Às cinco horas da tarde.
Eram cinco da tarde em ponto.
Um menino trouxe o lençol branco
às cinco horas da tarde.
Um cesto de cal já prevenida
às cinco horas da tarde.
O mais era morte e apenas morte
às cinco horas da tarde.
O vento arrebatou os algodões
às cinco horas da tarde.
E o óxido semeou cristal e níquel
às cinco horas da tarde.
Já pelejam a pomba e o leopardo
às cinco horas da tarde.
E uma coxa por um chifre destruída
às cinco horas da tarde.
Os sons já começaram do bordão
às cinco horas da tarde.
As campanas de arsênico e a fumaça
às cinco horas da tarde.
Pelas esquinas grupos de silêncio
às cinco horas da tarde.
E o touro todo coração ao alto
às cinco horas da tarde.
Quando o suor de neve foi chegando
às cinco horas da tarde,
quando de iodo se cobriu a praça
às cinco horas da tarde,
a morte botou ovos na ferida
às cinco horas da tarde.
Às cinco horas da tarde.
Às cinco em ponto da tarde.
Um ataúde com rodas é a cama
às cinco horas da tarde.
Ossos e flautas soam-lhe ao ouvido
às cinco horas da tarde.
Por sua frente o touro já mugia
às cinco horas da tarde.
O quarto se irisava de agonia
às cinco horas da tarde.
A gangrena de longe já se acerca
às cinco horas da tarde.
Trompa de lis pelas virilhas verdes
às cinco horas da tarde.
As feridas queimavam como sóis
às cinco horas da tarde,
e as pessoas quebravam as janelas
às cinco horas da tarde.
Ai que terríveis cinco horas da tarde!
Eram as cinco em todos os relógios!
Eram cinco horas da tarde em sombra!
Federico García Lorca
Tradução: Oscar Mendes
Às cinco horas da tarde.
Eram cinco da tarde em ponto.
Um menino trouxe o lençol branco
às cinco horas da tarde.
Um cesto de cal já prevenida
às cinco horas da tarde.
O mais era morte e apenas morte
às cinco horas da tarde.
O vento arrebatou os algodões
às cinco horas da tarde.
E o óxido semeou cristal e níquel
às cinco horas da tarde.
Já pelejam a pomba e o leopardo
às cinco horas da tarde.
E uma coxa por um chifre destruída
às cinco horas da tarde.
Os sons já começaram do bordão
às cinco horas da tarde.
As campanas de arsênico e a fumaça
às cinco horas da tarde.
Pelas esquinas grupos de silêncio
às cinco horas da tarde.
E o touro todo coração ao alto
às cinco horas da tarde.
Quando o suor de neve foi chegando
às cinco horas da tarde,
quando de iodo se cobriu a praça
às cinco horas da tarde,
a morte botou ovos na ferida
às cinco horas da tarde.
Às cinco horas da tarde.
Às cinco em ponto da tarde.
Um ataúde com rodas é a cama
às cinco horas da tarde.
Ossos e flautas soam-lhe ao ouvido
às cinco horas da tarde.
Por sua frente o touro já mugia
às cinco horas da tarde.
O quarto se irisava de agonia
às cinco horas da tarde.
A gangrena de longe já se acerca
às cinco horas da tarde.
Trompa de lis pelas virilhas verdes
às cinco horas da tarde.
As feridas queimavam como sóis
às cinco horas da tarde,
e as pessoas quebravam as janelas
às cinco horas da tarde.
Ai que terríveis cinco horas da tarde!
Eram as cinco em todos os relógios!
Eram cinco horas da tarde em sombra!
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terça-feira, junho 20, 2017
A captura e a morte. Federico García Lorca. Poesia
A CAPTURA E A MORTE
Federico García Lorca
Às cinco horas da tarde.
Eram cinco da tarde em ponto.
Um menino trouxe o lençol branco
às cinco horas da tarde.
Um cesto de cal já prevenida
às cinco horas da tarde.
O mais era morte e apenas morte
às cinco horas da tarde.
O vento arrebatou os algodões
às cinco horas da tarde.
E o óxido semeou cristal e níquel
às cinco horas da tarde.
Já pelejam a pomba e o leopardo
às cinco horas da tarde.
E uma coxa por um chifre destruída
às cinco horas da tarde.
Os sons já começaram do bordão
às cinco horas da tarde.
As campanas de arsênico e a fumaça
às cinco horas da tarde.
Pelas esquinas grupos de silêncio
às cinco horas da tarde.
E o touro todo coração ao alto
às cinco horas da tarde.
Quando o suor de neve foi chegando
às cinco horas da tarde,
quando de iodo se cobriu a praça
às cinco horas da tarde,
a morte botou ovos na ferida
às cinco horas da tarde.
Às cinco horas da tarde.
Às cinco em ponto da tarde.
Um ataúde com rodas é a cama
às cinco horas da tarde.
Ossos e flautas soam-lhe ao ouvido
às cinco horas da tarde.
Por sua frente o touro já mugia
às cinco horas da tarde.
O quarto se irisava de agonia
às cinco horas da tarde.
A gangrena de longe já se acerca
às cinco horas da tarde.
Trompa de lis pelas virilhas verdes
às cinco horas da tarde.
As feridas queimavam como sóis
às cinco horas da tarde,
e as pessoas quebravam as janelas
às cinco horas da tarde.
Ai que terríveis cinco horas da tarde!
Eram as cinco em todos os relógios!
Eram cinco horas da tarde em sombra!
Federico García Lorca
Às cinco horas da tarde.
Eram cinco da tarde em ponto.
Um menino trouxe o lençol branco
às cinco horas da tarde.
Um cesto de cal já prevenida
às cinco horas da tarde.
O mais era morte e apenas morte
às cinco horas da tarde.
O vento arrebatou os algodões
às cinco horas da tarde.
E o óxido semeou cristal e níquel
às cinco horas da tarde.
Já pelejam a pomba e o leopardo
às cinco horas da tarde.
E uma coxa por um chifre destruída
às cinco horas da tarde.
Os sons já começaram do bordão
às cinco horas da tarde.
As campanas de arsênico e a fumaça
às cinco horas da tarde.
Pelas esquinas grupos de silêncio
às cinco horas da tarde.
E o touro todo coração ao alto
às cinco horas da tarde.
Quando o suor de neve foi chegando
às cinco horas da tarde,
quando de iodo se cobriu a praça
às cinco horas da tarde,
a morte botou ovos na ferida
às cinco horas da tarde.
Às cinco horas da tarde.
Às cinco em ponto da tarde.
Um ataúde com rodas é a cama
às cinco horas da tarde.
Ossos e flautas soam-lhe ao ouvido
às cinco horas da tarde.
Por sua frente o touro já mugia
às cinco horas da tarde.
O quarto se irisava de agonia
às cinco horas da tarde.
A gangrena de longe já se acerca
às cinco horas da tarde.
Trompa de lis pelas virilhas verdes
às cinco horas da tarde.
As feridas queimavam como sóis
às cinco horas da tarde,
e as pessoas quebravam as janelas
às cinco horas da tarde.
Ai que terríveis cinco horas da tarde!
Eram as cinco em todos os relógios!
Eram cinco horas da tarde em sombra!
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