O QUARTO BRANCO
Charles Simic
O óbvio é difícil de
provar. Muitos preferem
o oculto. Eu também preferia.
Eu escutava as árvores.
Elas guardavam um segredo
que estavam prestes
a me revelar —
e não o fizeram.
Veio o verão. Cada árvore
de minha rua tinha sua própria
Xerazade. Minhas noites
faziam parte de suas histórias
selvagens. Entrávamos
em casas escuras,
casas sempre mais escuras,
silenciosas e abandonadas.
Havia alguém de olhos fechados
nos pisos superiores.
O medo e o fascínio me
mantinham bem desperto.
A verdade é nua e crua,
disse a mulher
que sempre se vestiu de branco.
Ela não saiu muito de seu quarto.
O sol apontava uma ou duas
coisas que tinham sobrevivido
intactas na longa noite.
As coisas mais simples,
difíceis em sua obviedade.
Essas não faziam barulho.
Era um dia do tipo
que as pessoas chamam “perfeito”.
Deuses disfarçados de
grampos de cabelo, espelho de mão,
um pente com um dente faltando?
Não! Não era isso.
Apenas as coisas como são,
mudas, imóveis, sem piscar,
naquela luz brilhante —
e as árvores esperando a noite.
Mostrando postagens com marcador Charles Simic. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Charles Simic. Mostrar todas as postagens
terça-feira, janeiro 07, 2020
O QUARTO BRANCO. Charles Simic
Marcadores:Charles Fonseca,....Charles Fonseca,
Charles Simic
Escreva para o meu e-mail: silvafonseca@gmail.com
segunda-feira, setembro 16, 2019
PEDRA. Charles Simic. Poesia.
PEDRA
Charles Simic
Entrar numa pedra.
Esse seria meu caminho.
Que outros se transformem em pombos
ou rilhem seus dentes de tigre.
Eu fico feliz em ser uma pedra.
De fora, a pedra é um enigma:
ninguém sabe como decifrá-la.
Mas dentro deve ser calma e quieta,
mesmo quando uma vaca a pisa com todo o peso,
ou quando uma criança a atira no rio;
a pedra desce devagar, impassível
para o fundo do rio
onde os peixes vêm bater nela
e escutar.
Já vi centelhas saltando
de duas pedras friccionadas.
Então lá dentro talvez não seja escuro.
Talvez haja uma lua brilhando
de algum lugar, como detrás de uma colina —
com luz apenas para fazer
os estranhos escritos, os mapas de estrelas
nas paredes internas.
Charles Simic
Entrar numa pedra.
Esse seria meu caminho.
Que outros se transformem em pombos
ou rilhem seus dentes de tigre.
Eu fico feliz em ser uma pedra.
De fora, a pedra é um enigma:
ninguém sabe como decifrá-la.
Mas dentro deve ser calma e quieta,
mesmo quando uma vaca a pisa com todo o peso,
ou quando uma criança a atira no rio;
a pedra desce devagar, impassível
para o fundo do rio
onde os peixes vêm bater nela
e escutar.
Já vi centelhas saltando
de duas pedras friccionadas.
Então lá dentro talvez não seja escuro.
Talvez haja uma lua brilhando
de algum lugar, como detrás de uma colina —
com luz apenas para fazer
os estranhos escritos, os mapas de estrelas
nas paredes internas.
Marcadores:Charles Fonseca,....Charles Fonseca,
Charles Simic,
Poesia
Escreva para o meu e-mail: silvafonseca@gmail.com
quinta-feira, janeiro 31, 2019
O QUARTO BRANCO. Charles Simic. Poesia.
O QUARTO BRANCO
Charles Simic
Tradução: Carlos Machado
O óbvio é difícil de
provar. Muitos preferem
o oculto. Eu também preferia.
Eu escutava as árvores.
Elas guardavam um segredo
que estavam prestes
a me revelar —
e não o fizeram.
Veio o verão. Cada árvore
de minha rua tinha sua própria
Xerazade. Minhas noites
faziam parte de suas histórias
selvagens. Entrávamos
em casas escuras,
casas sempre mais escuras,
silenciosas e abandonadas.
Havia alguém de olhos fechados
nos pisos superiores.
O medo e o fascínio me
mantinham bem desperto.
A verdade é nua e crua,
disse a mulher
que sempre se vestiu de branco.
Ela não saiu muito de seu quarto.
O sol apontava uma ou duas
coisas que tinham sobrevivido
intactas na longa noite.
As coisas mais simples,
difíceis em sua obviedade.
Essas não faziam barulho.
Era um dia do tipo
que as pessoas chamam "perfeito".
Deuses disfarçados de
grampos de cabelo, espelho de mão,
um pente com um dente faltando?
Não! Não era isso.
Apenas as coisas como são,
mudas, imóveis, sem piscar,
naquela luz brilhante —
e as árvores esperando a noite.
Charles Simic
Tradução: Carlos Machado
O óbvio é difícil de
provar. Muitos preferem
o oculto. Eu também preferia.
Eu escutava as árvores.
Elas guardavam um segredo
que estavam prestes
a me revelar —
e não o fizeram.
Veio o verão. Cada árvore
de minha rua tinha sua própria
Xerazade. Minhas noites
faziam parte de suas histórias
selvagens. Entrávamos
em casas escuras,
casas sempre mais escuras,
silenciosas e abandonadas.
Havia alguém de olhos fechados
nos pisos superiores.
O medo e o fascínio me
mantinham bem desperto.
A verdade é nua e crua,
disse a mulher
que sempre se vestiu de branco.
Ela não saiu muito de seu quarto.
O sol apontava uma ou duas
coisas que tinham sobrevivido
intactas na longa noite.
As coisas mais simples,
difíceis em sua obviedade.
Essas não faziam barulho.
Era um dia do tipo
que as pessoas chamam "perfeito".
Deuses disfarçados de
grampos de cabelo, espelho de mão,
um pente com um dente faltando?
Não! Não era isso.
Apenas as coisas como são,
mudas, imóveis, sem piscar,
naquela luz brilhante —
e as árvores esperando a noite.
Marcadores:Charles Fonseca,....Charles Fonseca,
Charles Simic,
Poesia
Escreva para o meu e-mail: silvafonseca@gmail.com
Assinar:
Postagens (Atom)
