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segunda-feira, fevereiro 24, 2020

Santo Tomás de Aquino entrega sua alma a Deus com um ato de fidelidade e submissão à Santa Igreja

No livro intitulado “S. Tommaso d’Aquino”, lemos os seguintes dados relativos aos últimos momentos do Doutor Angélico.

“Devido à fraqueza que o dominava, não podia mais acompanhar a comunidade nos ofícios religiosos na capela. Pediu ardentemente para receber o Viático e a comunhão”.

“O Santo Viático foi-lhe ministrado solenemente a 4 ou 5 de março. O próprio abade levou a comunhão ao quarto do enfermo.

“Ao redor, estavam, de joelhos, os religiosos do mosteiro e um bom número de frades menores (franciscanos), os quais, na maioria, pertenciam ao séquito do bispo Francisco de Terrafina, também presente nessa circunstância.

“E, finalmente, muitos frades pregadores (dominicanos), que, à notícia da doença do mestre Tomás, acorreram dos conventos vizinhos de Agnani e Gaeta.

“Reunindo todas as forças, Frei Tomás, levantou-se do leito e, prostrado por terra, ficou longo tempo na adoração de Nosso Senhor.

“Derramando muitas lágrimas, pronunciou belas palavras, entre as quais a sua profissão de fé, aquelas célebres expressões atestadas por Bartolomeu de Capua, pelos monges de Fossanova, registradas na Bula de Canonização:

“‘Recebo a Vós, preço da redenção de minha alma, por cujo amor vigiei, estudei e trabalhei.

“Desse Santíssimo Corpo de Jesus Cristo e dos outros sacramentos muito ensinei e escrevi, na fé em Jesus Cristo e na Santa Igreja Romana, a cujo juízo tudo ofereço e submeto’”.

O quadro é belíssimo!

Primeiro, porque é a agonia de Santo Tomás de Aquino.

A agonia de um homem é, talvez, a parte mais bela de sua vida.

E quando o homem tem uma vida bela, a agonia é uma espécie de depuração.

Todas as escórias, todas as coisas erradas, todas as coisas secundárias, ficam para trás.

E é apenas a linha geral, o que há de belo, de nobre que aflora.

Na agonia, tem-se a impressão que a pessoa está nos falando de além dos espaços da morte e que tudo quanto foi transitório, efêmero, vulgar, começa a ser visto como escrito no Livro da Vida.

E então se começa a compreender qual é o valor que acaba tendo – para a eternidade – tudo quanto aquela alma produziu de direito e de bom.

Santo Tomás de Aquino morreu num convento de contemplativos puros, de cistercienses.

Morre cercado por uma coroa de frades de várias ordens religiosas: cistercienses; naturalmente os dominicanos, seus irmãos de hábito; franciscanos em quantidade, que estavam ali constituindo o séquito de um bispo franciscano também hospedado no convento e que foram assistir o sacramento concedido a Santo Tomás de Aquino.

Este, ao receber a Comunhão de joelhos, com uma unção extraordinária, dá de si mesmo esse testemunho maravilhoso.

Ao morrer, elogia sua própria obra, como que tomando uma despedida de Nosso Senhor na terra, com a esperança e a certeza de O ver no Céu.

Então se pôs de joelhos e disse essas palavras:

“Recebo-Vos, ó preço da redenção de minha alma...”

Nosso Senhor Jesus Cristo é o preço da redenção da alma dele. Ele ia receber a Sagrada Eucaristia que é Nosso Senhor Jesus Cristo.

E agora vem o elogio que ele faz aos seus estudos:

Cela transformada em capela onde morreu São Tomás
Cela transformada em capela onde morreu Santo Tomás
“...para o qual eu estudei, vigiei e trabalhei.”

A vida dele não foi senão estudo, vigília e trabalho. E tudo foi em louvor de Nosso Senhor.

“Desse Santíssimo Corpo de Jesus Cristo e dos outros sacramentos, muito ensinei e escrevi, na fé de Jesus Cristo e da Santa Igreja Católica...”

É uma beleza como, depois de falar de Nosso Senhor Jesus Cristo, ele fala na Igreja Católica, compreendendo bem a união mística de Nosso Senhor Jesus Cristo com a Igreja, que é uma união indissolúvel.

O “Doutor Comum”, que foi o maior dos Doutores de todos os tempos, igual ao qual provavelmente não haverá outro até o fim do mundo, ele termina com um ato de fé e de humildade. Diz:

“...a Santa Igreja Católica, à qual tudo ofereço e a cujo juízo tudo submeto.”

Feito esse ato de humildade à Santa Igreja, a vida de Santo Tomás de Aquino estava encerrada. É uma verdadeira maravilha!

O Martirológio afirma dele que foi ilustríssimo pela nobreza da família, santidade de vida e ciência teológica. Por seu gênio e por sua pureza é chamado o “Doutor Angélico”.

É também Patrono das escolas católicas.

(Comentários: Plinio Corrêa de Oliveira, 6 de julho de 1966. Excertos sem revisão do autor)

sexta-feira, fevereiro 22, 2019

Das Conferências de Santo Tomás de Aquino, presbítero

Na cruz não falta nenhum exemplo de virtude

Das Conferências de Santo Tomás de Aquino, presbítero

(Colatio 6 super Credoin Deum)



(Séc.XIII)

Na cruz não falta nenhum exemplo de virtude

Que necessidade havia para que o Filho de Deus sofresse por nós? Uma necessidade grande e, por assim dizer, dupla: para ser remédio contra o pecado e para exemplo do que devemos praticar. Foi em primeiro lugar um remédio, porque na paixão de Cristo encontramos remédio contra todos os males que nos sobrevêm por causa dos nossos pecados.

Mas não é menor a utilidade em relação ao exemplo. Na verdade, a paixão de Cristo é suficiente para orientar nossa vida inteira. Quem quiser viver na perfeição, nada mais tem a fazer do que desprezar aquilo que Cristo desprezou na cruz e desejar o que ele
desejou. Na cruz, pois, não falta nenhum exemplo de virtude.



Se procuras um exemplo de caridade: Ninguém tem amor maior do que aquele que dá sua vida pelos amigos (Jo 15,13). Assim fez Cristo na cruz. E se ele deu sua vida por nós, não devemos considerar penoso qualquer mal que tenhamos de sofrer por causa dele.

Se procuras um exemplo de paciência, encontras na cruz o mais excelente! Podemos reconhecer uma grande paciência em duas circunstâncias: quando alguém suporta com serenidade grandes sofrimentos, ou quando pode evitar os sofrimentos e não os evita. Ora, Cristo suportou na cruz grandes sofrimentos, e com grande serenidade, porque atormentado, não ameaçava (1Pd 2,23); foi levado como ovelha ao matadouro e não abriu a boca (cf. Is 53,7; At 8,32).

É grande, portanto, a paciência de Cristo na cruz. Corramos com paciência ao combate que nos é proposto, com os olhos fixos em Jesus, que em nós começa e completa a obra da fé. Em vista da alegria que lhe foi proposta, suportou a cruz, não se importando com a infâmia (cf. Hb 12,1-2).

Se procuras um exemplo de humildade, contempla o crucificado: Deus quis ser julgado sob Pôncio Pilatos e morrer.

Se procuras um exemplo de obediência, segue aquele que se fez obediente ao Pai até à morte: Como pela desobediência de um só homem, isto é, de Adão, a humanidade toda foi estabelecida numa condição de pecado, assim também pela obediência de um só,
toda a humanidade passará para uma situação de justiça (Rm 5,19).



Se procuras um exemplo de desprezo pelas coisas da terra, segue aquele que é Rei dos reis e Senhor dos senhores, no qual estão encerrados todos os tesouros da sabedoria e da ciência (Cl 2,3), e que na cruz está despojado de suas vestes, escarnecido, cuspido, espancado, coroado de espinhos e, por fim, tendo vinagre e fel como bebida para matar a sede.

Não te preocupes com as vestes e riquezas, porque repartiram entre si as minhas vestes (Jo 19,24); nem com honras, porque fui ultrajado e flagelado; nem com a dignidade, porque tecendo uma coroa de espinhos, puseram-na em minha cabeça (cf. Mc 15,17); nem com os prazeres, porque em minha sede ofereceram-me vinagre (Sl 68,22).