terça-feira, dezembro 21, 2021

CIDADE. Donizete Galvão. 302

 

Donizete Galvão

 

 


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• De Azul Navalha (1988)  
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CIDADE

ó blues de cruciais impossibilidades
           dores de amores inexistentes
rosas amarelas mortas no apartamento
           beijos e saliva nas tardes desérticas

ó visão depressiva do asfalto molhado
           prédios encardidos & a horda dos bárbaros
arquitetura de guerra de dias provisórios
           espelho poluído da cidade da chuva

ó mundo artificial com sua natureza de néon
           espetáculo de vitrines e exibições
nada de eterno palpita no seu coração
           tudo já nasce velho para ser refeito amanhã

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