"Há momentos, em que de repente o tempo para e acontece a eternidade."
Fiodor Dostoievski (1821-1881)
Requiem de Mozart - Lacrimosa - Karl Böhm - Filarmónica de Viena
Soneto
António Botto
Se, para possuir o que me é dado,
Tudo perdi e eu próprio andei perdido,
Se, para ver o que hoje é realizado,
Cheguei a ser negado e combatido.
Se, para estar agora apaixonado,
Foi necessário andar desiludido,
Alegra-me sentir que fui odiado
Na certeza imortal de ter vencido!
Porque, depois de tantas cicatrizes,
Só se encontra sabor apetecido
Àquilo que nos fez ser infelizes!
E assim cheguei à luz de um pensamento
De que afinal um roseiral florido
Vive de um triste e oculto movimento


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