Anos 90. Era um Monza cinza. Neste rodou quatro anos. Beira mar, o ar de salitre a corroer dia e noite. Meio de sua existência o dinheiro ficou curto. O dono perdeu um dos empregos. O chefe mostrou um papel vindo da Diretoria. Mostrou ao apenado dois anos antes. E disse ser o mesmo uma carta na manga que tinha para uso em data oportuna. Foi demitido. E vamos que vamos. O casal estabeleceu uma regra. A educação dos filhos seria a prioridade. Assim foi. Quatro anos minguados. Um bico aqui outro ali. O apenado por força sindical voltou ao emprego. E outros quarenta também. Juros e correção monetária para férias, décimo terceiro salário, o salário mensal, as promoções de regra para todo o período. O dano psíquico não foi estimado. Quem disse que o papel era uma carta na manga havia sido demitido. Foi na época do Plano Collor. Este está em prisão domiciliar.
quarta-feira, agosto 26, 2026
O PLANO COLLOR. Charles Fonseca
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