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quinta-feira, abril 09, 2026

RELATO. Antônio Brasileiro.

Enfileirados ao longo da avenida,

porcos para o abatedouro.

A avenida é a principal.

Carros engarrafam.

Ao volante, de soslaio,

freia-se um pouco, observa-se.

O grunhir dos suínos e os freios dos carros

compõem uma musiquinha muito chata.


Anúncio de supermercado? perguntam-nos.

Não, só mil porcos grunhindo.

        Vão morrer.

A polícia (ou os bombeiros?) é avisada,

mas não chega. Um jornalista

sorri e fotografa. Turistas

julgam ser festa (da padroeira?),

crianças assustadas, homens sérios.

E soam subitamente quatro horas.

Hípica é a tarde.


É quando de um furgão descem soldados

a metralhar os bichos

e os homens e as crianças e os turistas

e os jornalistas e os motoristas e as vidraças.

Desta janela o mundo é confortável;

não ponho a cara de fora,

        só relato.

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