O apartamento frente para o poente. O prédio em pastilhas marrom escuro. No morro defronte o candomblé do Ogunjá. Neste toda sexta-feira se batia tambor. E os cantos do povo de santo. ACM era amigo da casa e semanalmente ia por lá. Início da Avenida asfaltada. Aquela poeira escura e fina a tudo . Aquele calor básico. Três valentes ventiladores de teto. Sem ar co.ndicionado. Nenhum móvel na casa. Telefone ao chão. Sem geladeira. Fogareiro de duas bocas da famosa marca Jacaré. Um beliche. Um hack de computador. Mais nada. A proprietária era viúva do Prefeito. O locador um depenado. Ali morou dois anos com uma puta. Saiu corrida quando o concubina deu queixa dela na Polícia. Formação de quadrilha. Extorsão em andamento. O macho todas as noites lia pra ela leitura psicanalítica. A biografia de Freud por Ernst Jones. Outra escrita por Peter Gay. E grifava os pontos importantes. Um miserável. Um depenado.
terça-feira, abril 14, 2026
O DEPENADO. Charles Fonseca
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Nenhum comentário:
Postar um comentário