Era um gato de ébano
estático e mudo: um gato geométrico talhando em silêncio o seu salto mais duro. Era um gato macio se visto de perto, um bicho de carne ao olho certeiro, arrepio de sombra subindo nas pernas, um lance no escuro, um tiro no espelho. O gato era um ato, uma estátua viva, uma lâmpada acesa no umbigo de Alice. Era um gato concreto no meio da sala: era uma palavra afiando palavras. Era a fome do gato e sua pata à espreita, veludo-armadilha: uma única letra.

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