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domingo, fevereiro 22, 2026

VOO. Ana Costa dos Santos

Morto, o pássaro

está a salvo:

não há risco após a queda.


Então por que me espantam

seu sono,

seu silêncio,

o baque ao pé

da árvore, igual

ao de uma fruta

podre

qualquer,

seu corpo dissecável,

onde, buscando, eu acharia

uma garganta, um coração

quieto?


Dizem que certos pássaros

dormem voando —

este talvez

voe dormindo.

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