Não sei dizer
por que tenho medos
sei que os tenho
sou dona de cada um
proprietária absoluta
escritura lavrada
em purgatório
fiel depositária
de um por um
quando me esqueço
eles saem a passeio
vão ao largo
vão ao fundo
bem ao leito
rio seco
enxurradas
em segundos.
Não sei dizer
por que existem
os meus medos
não me atrevo
a detê-los
são rebeldes
são peraltas
pulam muros
abrem asas
voam longe
voltam fortes
me devoram
bem aos goles.
Não sei dizer
porque persistem
os meus medos
são altivos
são vorazes
andam sozinhos
pelos ares
fazem festa
ou alarde
destemidos
são meus medos.
Não sei dizer
porque tenho medos
só sei dizer
que os temo
um por um
em segredo
bem por isso
são meus medos.

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