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terça-feira, fevereiro 24, 2026

DELÍRIO. Olavo Bilac

 DELÍRIO 

Olavo Bilac 


Nua, mas para o amor não cabe o pejo 

Na minha a sua boca eu comprimia. 

E, em frêmitos carnais, ela dizia: 

- Mais abaixo, meu bem, quero o teu beijo! 


Na inconsciência bruta do meu desejo 

Fremente, a minha boca obedecia, 

E os seus seios, tão rígidos mordia, 

Fazendo-a arrepiar em doce arpejo. 


Em suspiros de gozos infinitos 

Disse-me ela, ainda quase em grito: 

- Mais abaixo, meu bem! - num frenesi. 


No seu ventre pousei a minha boca, 

- Mais abaixo, meu bem! - disse ela, louca, 

Moralistas, perdoai! Obedeci...


www.charlesfonseca.blogspot.com

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