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terça-feira, março 19, 2024

Gregório de Matos Anjo Bento

 Gregório de Matos


Anjo Bento

Destes que campam no mundo Sem ter engenho profundo E, entre gabos dos amigos, Os vemos em papafigos Sem tempestade, nem vento: Anjo Bento! De quem com letras secretas Tudo o que alcança é por tretas, Baculejando sem pejo, Por matar o seu desejo, Desde a manhã té à tarde: Deus me guarde! Do que passeia farfante, Muito prezado de amante, Por fora luvas, galões, Insígnias, armas, bastões, Por dentro pão bolorento: Anjo Bento! Destes beatos fingidos, Cabisbaixos, encolhidos, Por dentro fatais maganos, Sendo nas caras uns Janos: Que fazem do vício alarde: Deus me guarde! Que vejamos teso andar Quem mal sabe engatinhar, Muito inteiro e presumido, Ficando o outro abatido Com maior merecimento: Anjo Bento! Destes avaros mofinos, Que põem na mesa pepinos, De toda a iguaria isenta, Com seu limão e pimenta, Porque diz que o queima e arde: Deus me guarde!

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