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quarta-feira, março 30, 2022

O ORGULHO. Charles Fonseca

O ORGULHO

Charles Fonseca 

Aquela era uma mulher só, sem amigos. Sua única amiga era especialista em falar mal do marido. Com o falecimento desta aquela não tinha mais com quem conversar. Filha de agricultores decadentes olhava o passado familiar, o casarão colonial onde moraram, o rio à porta da casa, o cacaual.
Casou-se com homem esperto na compra de cacau mole nas cabrucas daquelas imensidões da floresta atlântica do Sul da Bahia. Esta é uma outra história. Ponto. Criava adolescentes em sua casa uma após outra dadas pelos pais miseráveis das matas para serem educadas. Mal as primeiras letras. A intemperança verbal com que as ralhava era de assustar. Como não foi vista a sofrer transtorno mental? Ou era um orgulho infinito a martelar seu histórico? Tratar-se com psiquiatra seria uma ofensa, quem teria coragem de ofendê-la? Possivelmente não era má. Era uma mulher doente.

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