RECORDAÇÕES DA CASA DOS VIVOS
Charles Fonseca
Era o tempo das diligências no velho oeste de Camaçari. Meu chefe queria implantar um plano de saúde em que a Promédica seria a dona do pedaço. Não queria adotar a Assistência Médica da Petrobras. Fui contra. Me foi dado um prazo de cinco dias para responder o que achava da decisão tomada. Novamente e por escrito disse não. O Chefe da Divisão de Relações Industriais a quem passei a ficar subordinado após perder a chefia me deixou sete anos sem promoção embora a norma fosse a desta ocorrer em seis, doze, dezoito ou vinte e quatro meses conforme o desempenho. O antigo e grande chefe tempos depois já a administrar outra empresa me disse que eu estivera certo. O meu ex chefe que me deixou sem as promoções certo dia chegou aos urros no consultório com a mão no peito. Calmamente verifiquei os dados vitais normais. Coloquei minha mão sobre o precórdio e mais nada. A dor cedeu quase imediatamente. Anos depois já aposentado ele me disse que salvei a vida dele duas vezes. Só me lembrava da descrita. A outra foi uma doença facilmente sanada. A vida deu muitas voltas. Os três personagens se aposentaram no topo da carreira. Estamos todos vivos e saudáveis.
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