DA UTILIDADE DA POESIA (E DO POETA)
Paulo Ferraz
eu pensava no próximo homem-bomba — e em
como (aos pedaços!) gozaria de suas setenta virgens, e nos
homens-alvo tomando café, esperando o ônibus, sem saber que,
[ e nos
tratores demolindo casas com moradores sabendo que, e nos
agentes do Mossad teleguiando mísseis, e no
choro materno e vidual das filhas de Is
r/m
ael
— e nessas outras coisas que
nem minha poesia nem homens como nós
podem resolver,
quando uma moça em minha frente,
chupando sorvete me puxou de volta
com sua língua a cuidadosamente moldar
a massa em espirais. Pensei em avisá-la
que uma gota marrom espessa escorria
pelos lábios até o queixo, mas,
antes de abrir a boca,
um namorado chega e a limpa com um beijo.
Mais um problema que
nem minha poesia nem homens como nós podem resolver.
domingo, maio 12, 2019
DA UTILIDADE DA POESIA (E DO POETA). Paulo Ferraz. Poesia.
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