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sábado, fevereiro 10, 2018

O médico brasileiro. Caixeta

As políticas públicas “contaminam” toda a Medicina : o médico brasileiro, de modo geral é completamente contaminado pelo “jeito Governo de gerir a Saúde”. Por exemplo, todo médico brasileiro é “treinado” para atender dezenas de pacientes em consultórios numa manhã. É “treinado” para atender dezenas de pacientes graves hospitalizados. Isso distorce sua mente, o faz dele um “profissional atendente de balcão de farmácia” : “ta com dor ? – analgésico”. “Tá com cólica ? –antiespasmódico”. “Tá com depressão ?- antidepressivo”. “Tá com psicose ? – antipsicótico”.
4/ Tais profissionais de “balcão de farmácia”, não entendem a doença como uma fisiopatologia, a entendem como “diagnóstico e tratamento”. Isso distorce completamente a prática médica. Eu vejo isso toda hora, pois lido com estudantes de Graduação, Residência, Pós-Graduação, toda hora, isso desde 1981. É muito difícil fazer um médico/estudante “parar e pensar”, “parar e raciocinar sobre a fisiopatologia, a farmacodinâmica, a farmacocinética, a psicopatologia”. O médico brasileiro é formado no “vapt-vupt”, tudo bem ao contrário do que vivi na minha formação neuropsiquiátrica na França, onde um médico atendia 2-3 pacientes numa manhã, tinha 2 ou 3 pacientes hospitalizados sob seus cuidados. Isso “aprofundava” o raciocínio, “aprofundava a discussão”. O médico brasileiro tem dificuldade para “aprofundar” o que quer que seja. Muitos dão “diagnósticos às cegas”, e o que é pior, não aceitam discutir ou modificar suas opiniões e condutas. Raramente lêem relatórios longos, compulsam exames numerosos, debruçam-se muito tempo sobre cada caso.

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