Charles Fonseca
O cego na rua passava a sorrir
E eu na calçada olhava sem graça.
O olhar da mulher anunciando desgraça
Dizendo, com enfado, como estás eu vou ir.
A vista do cego era qual negra noite
Mas a sua face era qual luz do dia
Sua alma era alegre já a minha carpia
A ida da bela sem mais um pernoite.
O dia se ia, sozinho eu ficava
Olhando as mulheres pra mim todas nuas,
Tão perto, distantes, a andar pelas ruas.
A minha uma pedra em meu peito deixara.
PRAIA DO FORTE. BAHIA

Meu caro Charles, belo poema. Parabéns. Continue distribuindo boas palavras por este mundo sedento de coisa simples, mas de grande valor. Abraço.
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