HAIR STYLIST
Charles Fonseca
Fui hoje ao meu barbeiro, também chamado de cabeleireiro, atualmente dito hair stylist, no barato, estilista. Quando eu era criança meu pai era quem cortava o meu à máquina zero, bem raspadinho, mas deixava um penacho, melhor dizendo, um pimpão. As moças do povoado, as de fino trato, cortavam com ele que lhes deixava na nuca um rabicho e na fronte uma mecha chamada “pega rapaz”. Quando cheguei aos meus nove anos não quis mais que meu pai exercesse na minha cabeça a sua arte. Só queria cortar no barbeiro que borrifava uma água cheirosa e quando terminava o serviço me empoava com o pó de arroz da Cashmere Bouquet. Na faculdade, dinheiro curto, cortava com o “barbeirinho” da escola que ao terminar me dizia: 'qué arco, tarco ou qué qui mói?' Geralmente eu queria talco, também chamado pó de arroz. De vez em quando, Água Velva, uma colônia com cheiro de galã de Hollywood. Estive há cinco anos em Bom Jesus da Lapa, Bahia, uma cidade que sobrevive em grande medida dos salários dos milhares de empregados de uma estatal que desde 1.948, isso mesmo, diz desenvolver o sofrido Vale do Rio São Francisco, o Velho Chico. Cheguei até um feio salão de beleza e perguntei ao cabeleireiro quanto era o corte e ele, navalha à mão, me respondeu: na máquina 4 reá, na tesoura, 5 reá.
sexta-feira, março 01, 2013
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