BRECHÓ
Marcia Tigani
Basta-nos revolver lembranças rotas,
penduradas em cabides da história,
para que o pêndulo do tempo traga coisas notas
adormecidas e dobradas, na memória.
Coisas (sem importância?) enxovalhadas,
pelo esverdeado mofo do momento
deixadas à esmo, quase que jogadas
num baú de lembrança e esquecimento.
O olhar oblíquo de mulher apaixonada
e o riso íntimo, anterior e amante
lágrimas de despedida, sonho dissonante
em tardes cor de âmbar, em meio ao nada.
Apenas um antiquário de momentos,
lugar de pedra, lágrima, sentimento...
Entre vestidos de seda pura , chapéus de crepe
a vida reaberta assim, exposta em leque.
O véu da noiva, sutil e transparente
que de esperança de afeto se esgarçou,
longe adormece, é só velha semente
das juras do amor eterno, que findou.
Letra cursiva escrita em vãos de memória
cartas de amor jamais entregues.
Lembranças escorrem e contam história
dos empoeirados sonhos das mulheres.
E esse espectro mundano que insiste,
a atravessar solene os pátios ermos
sabendo-se sobra do que não mais existe ,
a especular o passado e os seus termos.
Meu Deus, como tantos sonho e desejo
vão parar assim, em inertes prateleiras
e despertam um dia, sem dó , sem pejo,
a cobrar -nos a morte que lhes foi certeira?
quarta-feira, maio 02, 2012
Brechó. Marcia Tigani.
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Poesia
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CARO COLEGA CHARLES,AGRADEÇO IMENSAMENTE SUA POSTAGEM DE MEU POEMA EM SEU BLOG!UM FORTE ABRAÇO!
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