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sábado, janeiro 22, 2011


Floripa

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Tempo Rei
Gilberto Gil

Não me iludo
Tudo permanecerá
Do jeito que tem sido
Transcorrendo
Transformando
Tempo e espaço navegando
Todos os sentidos...
Pães de Açúcar
Corcovados
Fustigados pela chuva
E pelo eterno vento...
Água mole
Pedra dura
Tanto bate
Que não restará
Nem pensamento...
Tempo Rei!
Oh Tempo Rei!
Oh Tempo Rei!
Transformai
As velhas formas do viver
Ensinai-me
Oh Pai!
O que eu, ainda não sei
Mãe Senhora do Perpétuo
Socorrei!...
Pensamento!
Mesmo o fundamento
Singular do ser humano
De um momento, para o outro
Poderá não mais fundar
Nem gregos, nem baianos...
Mães zelosas
Pais corujas
Vejam como as águas
De repente ficam sujas...
Não se iludam
Não me iludo
Tudo agora mesmo
Pode estar por um segundo...
Tempo Rei!
Oh Tempo Rei!
Oh Tempo Rei!
Transformai
As velhas formas do viver
Ensinai-me
Oh Pai!
O que eu, ainda não sei
Mãe Senhora do Perpétuo
Socorrei!...(2x)



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orkut

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Uma vez o então presidente do Brasil, o senhor Jânio Quadros foi atendido por uma escultural modelo no gabinete de um colega. Sucedeu o seguinte diálogo, que deve ser lido em voz alta para melhor efeito de entendimento...

- E aí Jânio, o que achastes da guria?
- Divina.
- Comes?
- Se solteiro fosse, comê-la-ia. Como casado sou, como Eloá.



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“O Poderoso Chefão"
JB Alencastro

Felizmente li o livro antes de assistir ao filme, e posso afirmar de que é uma das únicas obras em que não consigo dizer qual é melhor. Pragmático, masculino, forte, selvagem, seco, mil adjetivos. Porém pode-se resumir em um só nome: Marlon Brando.

Um dos homens mais bonitos de todos os tempos, aliado a um talento visceral. Ele, desde a primeira cena- em que está de costas- e ouvimos sua voz sussurrada discutindo valores e comportamentos - e a câmera recua como que temendo-o - da sua incontestável sabedoria e liderança, até quando brinca serelepe com o neto; é formidável.

Primeira parte é a família, centro das atenções e razão de viver. Suas frases emblemáticas já ficaram na boca do povo. Ali é desenhado o perfil de todos que o cercam. O filho frio e calculista (além de adotado), o impetuoso, o frouxo e o mais novo, e esperança de que seja igual ao pai, ou melhor. Este é vivido por outra lenda do cinema, Al Pacino. Seus capangas mais próximos, e também os rivais, todos delineados.

Segunda parte é a maneira cuidadosa como lida com os negócios e suas propostas irrecusáveis. A cena do cavalo arrancou um grito do meu pai, que na época já tinha sessenta anos e pensava que já havia visto de tudo. Ali ele molda o espírito de corpo, a união dos mafiosos e suas regras tácitas e ocultas.

Terceira parte é o mundo se transformando, novas -e mais sórdidas – maneiras de se ganhar dinheiro e que na lógica de Corleone não é ética. Paralelamente acontecem os dramas familiares internos, as traições, os interesses escusos e Michael, o filho alheio é jogado dentro deste turbilhão após o bem engendrado assassinato contra um membro da família.

Quarta parte as reações e mortes esperadas. A facilidade com que Michael mata, e ama, e casa, e retorna. Um homem direto, sem conversa fiada, puro instinto para os amigos e mais puro raciocínio contra os inimigos. Quaisquer semelhanças com o pai estão arquivadas.

O filme depura diálogos soberbos, como o da reunião com as cinco famílias mafiosas e cenas impactantes como, por exemplo, a emboscada contra Santino. Ou a morte do policial corrupto e o outro mafioso. E até mesmo a agressão contra a belíssima Apolônia. Nada esperado, tudo exaltado.

Não se consegue prever o que irá acontecer, apesar das reviravoltas do roteiro parecerem sempre naturais. O comportamento irascível de Michael, aliado a indestrutibilidade do pai, forma uma dupla invencível. Esse é o segredo do filme, a relação pai-e-filho sem conflitos, com mútua admiração e cumplicidade. Isso que todo homem de verdade deseja, isso que o Poderoso Chefão consegue.

O que há de bom: atores magníficos em papéis de destaque, segue a listinha; Marlon Brando, Al Pacino, James Caan, Robert Duvall, Diane Keaton e John Cazale...

O que há de ruim: eu e minha antiga vontade de ver tudo, não consegui esperar o Poderoso Chefão 2 e antes mesmo de sair, critiquei a possibilidade de conseguirem fazer um a continuação à altura

O que prestar atenção: toda vez que aparece uma laranja, alguém morre

A cena do filme: Marlon Brando passando o bastão para Al Pacino, memorável com a trilha sonora que é um carimbo de qualidade, ao fundo

Cotação: filme excelente (@@@@@)



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Aspiração
Alberto de Oliveira

Ser palmeira! existir num píncaro azulado,
Vendo as nuvens mais perto e as estrelas em bando;
Dar ao sopro do mar o seio perfumado,
Ora os leques abrindo, ora os leques fechando;

Só de meu cimo, só de meu trono, os rumores
Do dia ouvir, nascendo o primeiro arrebol,
E no azul dialogar com o espírito das flores,
Que invisível ascende e vai falar ao sol;

Sentir romper do vale e a meus pés, rumorosa,
Dilatar-se a cantar a alma sonora e quente
Das árvores, que em flor abre a manhã cheirosa,
Dos rios, onde luz todo o esplendor do Oriente;

E juntando a essa voz o glorioso murmúrio
De minha fronde e abrindo ao largo espaço os véus
Ir com ela através do horizonte purpúreo
E penetrar nos céus;

Ser palmeira, depois de homem ter sido esta alma
Que vibra em mim, sentir que novamente vibra,
E eu a espalmo a tremer nas folhas, palma a palma,
E a distendo, a subir num caule, fibra a fibra:

E à noite, enquanto o luar sobre os meus leques
treme, E estranho sentimento, ou pena ou mágoa ou dó,
Tudo tem e, na sombra, ora ou soluça ou geme,
E a distendo, a subir num caule, fibra a fibra;

Que bom dizer então bem alto ao firmamento
O que outrora jamais — homem — dizer não pude,
Da menor sensação ao máximo tormento
Quanto passa através minha existência rude!

E, esfolhando-me ao vento, indômita e selvagem,
Quando aos arrancos vem bufando o temporal,
— Poeta — bramir então à noturna bafagem,
Meu canto triunfal!

E isto que aqui digo então dizer: — que te amo,
Mãe natureza! mas de modo tal que o entendas,
Como entendes a voz do pássaro no ramo
E o eco que têm no oceano as borrascas tremendas;

E pedir que, o uno sol, a cuja luz referves,
Ou no verme do chão ou na flor que sorri,
Mais tarde, em qualquer tempo, a minh'alma conserves,
Para que eternamente eu me lembre de til


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O Brasil é mesmo um país singular: aqui escândalo, ao invés de assustar, estimula.
Rubens Figueiredo, cientista político, sobre o aumento em 2010 de 67% nas despesas de cartões corporativos da Abin (Agência Brasileira de Inteligência), gastos que são sigilosos.


Cécile, 1880, upload feito originalmente por Bibliothèque de Toulouse.

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