Em 1965, às vésperas de transmitir o cargo ao sucessor, o então governador da Guanabara, Carlos Lacerda, sugeriu ao seu vice, Raphael de Almeida Magalhães, o mais carioca dos mineiros:
- Vamos jantar um dia desses só para discutir eventuais erros que cometemos.
Os dois eram quase vizinhos no bairro do Flamengo.
O jantar aconteceu no apartamento de Lacerda. Que conversou sobre tudo – menos sobre erros.
Tarde da noite, ao se despedir de Raphael à porta do prédio, Lacerda lembrou:
- Ih, esquecemos de examinar os erros.
- Pois é - aquiesceu Raphael meio sem graça.
- Mas pensando bem, Raphael, não erramos - concluiu Lacerda.
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Certa vez, em 1986 ou 1987, Raphael, ministro da Previdência do governo José Sarney, contou-me algumas histórias que publiquei na Coluna do Castelo, do Jornal do Brasil.
Na época, Carlos Castelo Branco, o Castelinho, estava viajando e eu o substituía na coluna.
Não mencionei Raphael na coluna a pedido dele mesmo.
No dia seguinte, recebi uma carta indignada assinada por ele e desmentindo tudo o que me contara.
- Ministro, o que faço com essa carta? O senhor conhece a fonte das minhas informações. Sabe que ela não mentiria - disse-lhe por telefone.
- Não publique. Escrevi a carta só para remeter uma cópia ao Sarney. Ele não gostou da coluna e acha que fui seu informante.
Noblat

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