Em 1964 perdí de começar um namoro. Era do interior da Bahia. A conheci num acampamento Batista num colégio de elite de Jaguaquara. Os peitinhos em formação. As coxas prometiam pra futuro. Fomos a apresentação de capoeira do Mestre Pastinha. Voltamos e defronte à Prefeitura estávamos a esperar um ônibus. Súbito, chegou um caminhão cheio de policiais silenciosos. A paz. Súbito um grito parado no ar "cobrir!". E os fuzis com baioneta a tanger os pacíficos. A minha amiguinha conseguiu descer o Elevador Lacerda. Voltou chorando. Eu quase penetrei nas paredes de um esquina já sabendo como era a coronha de um fuzil. Tempos depois foi me visitar na Faculdade de Medicina no Terreiro de Jesus no Pelourinho. E eu vacilei. A balaustrada, o mar azul, a Baía de Todos os Santos... Já casada e formada em medicina foi com o marido médico no Hospital em que eu trabalhava. Não atinei. Ela divorciada veio morar no Canadá. A vida dá muitas voltas.
sexta-feira, outubro 09, 2026
A BAIONETA. Charles Fonseca
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