Imagine a cena: a estátua de Davi, obra-prima de Michelangelo, esculpida em mármore no auge do Renascimento, representando a perfeição humana e a luta heróica de Davi contra Golias. Lá está ele, imponente, encarando o infinito com aquele olhar que diz: "Eu sou a arte!".
Agora entra em cena… uma banana colada na parede com fita adesiva. Sim, você ouviu certo. Essa é a obra contemporânea que chocou o mundo, intitulada “Comedian”, criada pelo artista Maurizio Cattelan. Enquanto Davi representa o triunfo da humanidade, a banana grita: "O que é arte, afinal?".
Se essas duas peças de arte pudessem conversar, seria algo assim:
Davi: "Olha só, uma banana colada na parede. Você é a arte moderna de que tanto falam?"
Banana: "Isso mesmo, marombado! Minimalista, provocativa e comestível. Eu sou arte conceitual."
Davi: "Conceitual? Eu demorei dois anos para ser esculpido. Michelangelo me deu vida com cada golpe de cinzel. Você… foi comprada no mercado por dois euros!"
Banana: "E vendida por $120 mil dólares. Quem é o herói agora, hein?"
Davi: "Mas você apodrece! E quando isso acontece, o que resta?"
Banana: "O conceito, meu caro! Eu sou efêmera, um lembrete de que tudo na vida é passageiro – menos o hype do mercado de arte."
Davi: "Ah, por favor. Eu sou o símbolo da coragem e do espírito humano!"
Banana: "E eu sou o símbolo de que a criatividade pode ser uma piada muito bem paga. E convenhamos, com fita adesiva assim, nem Golias conseguiria me derrubar."
Enquanto o Davi revira seus olhos de mármore, o público ri e filosofa: será que o verdadeiro Golias não é a própria definição de arte, sempre mudando para confundir e inspirar?
No final das contas, ambos – o herói renascentista e a fruta efêmera – têm algo em comum: fazer as pessoas pararem e pensarem. Afinal, seja em mármore ou fita adesiva, a arte está aí para nos lembrar que, no fundo, tudo é uma questão de perspectiva.
Texto: Giih De Figueiredo


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