[NO PAPEL]
no papel que envolve as primeiras fraldas escrevo o poema
olhando as chuvas de março.
entre um café e um copo d’água sinto você mais uma vez
crescendo em mim
preparando-se para vir ao mundo onde me inquieto.
no bar, pratos frios e sem vitaminas sustentam homens
[ crescidos suados
ao fim de mais um dia de trabalho. nesse mundo você
[ nascerá e viverá se for forte
seu primeiro choro não romperá silêncios porque nada
[ estará quieto quando vier.
você será mais um entre os que já estão aqui
o envolverei nos braços e cantarei cantigas antigas
[ ou inventadas
enquanto a cidade ruge seu coro ensurdecedor para
[ mostrar que existe.

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