Ela era agente postal telegráfica. Não existia radio-amador. Comunicação à distância só por carta ou telegrama. O antigo e-mail. As cartas devidamente seladas a goma arábica. Alguns molhavam o selo na língua e o colavam no envelope. Se era de grande responsabilidade registravam a mesma e lhes era dado recibo de protocolo. Maior responsabilidade ainda pagavam mais e a carta no seu verso era derramado lacre quente e sobre este era aposto o carimbo do correio datado. Já os telegramas aos sete anos de idade minha mãe, a agente, me deu o encargo de transmiti-los para a agência dos correios do povoado de destino. O telefone era aquele de parede e manivela como nos filmes do velho oeste americano. Uma manivelada, chamava Iguaí. Duas Nova Canaã. Três Poções. E assim eu sabia das notícias urgentes. E quando recebia de volta a resposta ia levá-las ao destinatário. Geralmente me davam 500 réis. Os mais abastados 1.000 réis. Era assim em Ibicuí.
segunda-feira, julho 31, 2023
ERA ASSIM EM IBICUÍ. Charles Fonseca
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